quinta-feira, julho 30, 2009

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Estar preso a um amor não resolvido é como estar parado no limbo. É sentar-se na poltrona diante do filme chamado “A Sua Vida” e vê-lo passar repetidamente, ininterruptamente. Você apenas acompanha o correr de imagens: ri, chora, brinca, toma banho, almoça, fica doente, vê televisão, se corta, mas não age. Você não interfere, não decide. Você não comanda. Você observa o tempo passar a espera de que algo aconteça. Algo que te faça tomar as rédeas novamente em suas mãos e galopar a pêlo sentindo a sua bunda assar, o vento correr e a crista do cavalo roçar-lhe a testa, o nariz. Mas sobretudo sentir. Porque estar preso a um amor não resolvido é não sentir. É viver sem presente, com lembranças de um pretérito imperfeito e um futuro sem particípio conjugal. Não, o futuro é uma dúvida, angústia e castigo cumprido religiosamente de joelho sobre o milho. Todos os dias. Estar preso a um amor não resolvido e sentar-se sobre os trilhos e aguardar a chegada do trem. Para saber a sua reação: ou te atropela e passa ou pára. Sobre você. Mas ele não vem. Chegam novos passageiros, aguardam a sua decisão. Dão sinais, chamam sua atenção. Você acena, manda beijos, chega a tocar em alguns. É tocado, mas não sai da linha. Alguns te acham especial, e aguardam. Horas, meses, semanas. Outros vão embora. E você não se dá conta de que poderia embarcar em outras paradas. Ou até se dá, mas não liga. Muito. Pois você aguarda o trem. Aquele, que já te passou por cima, uma, duas, cem vezes. Aquele que te levou por viagens ao centro do umbigo e no enlaçar de corpos te fez descobrir que há mais coisas entre o céu e a terra do desconfia o seu plano físico. Aquele que te deixou na estação Purgatório, bem distante do Paraíso. Aquele: o Amor não resolvido. Deve ter encontrado uma pedra. Deve ter descarrilado no meio do caminho. Pior: deve ter atropelado outro alguém e agora está, neste momento, lambendo as suas feridas em outra estação.

6 comentários:

LUA DA PAZ disse...

Morri. Aff
Eis um texto sobre o "pseudorelacionamento". Estou na poltrona aqui. Metalinguística agora.

Super Lana disse...

Muio lindo seu texto
adorei seu blo
coloquei nos meus favoritos
quando pude visite meu blog
to tentanto colocar em palavras
algumas coisas que sinto
mas é dificil , né!!

Bjusss

fernanda disse...

Lindo, Rô.

r.c. disse...

Lua, eu também morri. e todo dia é um parto pra (re)nascer.

r.c. disse...

Valeu, Lana. Volta aí, sempre.
Eu vou dar um pulo Lá.

Kelly disse...

porque que a gente se sujeita tanto a mendigar amor??!!!