quinta-feira, dezembro 13, 2007

Festa de Entrega do Prêmio Cooperifa - Don Quijote de la Perifa

Fotos: Rodrigo Ciríaco e Tânia Canhadas
O Prêmio - Don Quijote de la Perifa

Zé Batidão ontem - lotado

GOG presenteando a Negona - Rose Musa

Dois guerreiros de fé, pessoas integras que eu admiro pra caralho - GOG passando o prêmio para Sérgio Vaz.

Irmãos de Batalha - Robson Canto, Jairo e Yo!

Sérgio Vaz fazendo a entrega para Gaspar - Z'África Brasil (Eu não vi nada, Não sei de nada)

Parte da família

Ontem foi um dia de muita, muita alegria para mim.
A ficha demorou tanto pra cair que quando eu vi, hoje, era quase duas da tarde e eu não tinha comido nada. Nem tomado café, nada.
Explico: quis aproveitar o Axé, a energia de ontem para finalizar os contos do meu livro. Está 85% pronto. O ano novo está aí e, espero, trarei novidades.
E foi bonito demais ontem.
O que é este prêmio, o Don Quijote de la Perifa, el hombre de lata.
Que coisa linda.
Não parei de olhar, admirar. Algo maravilhoso. Eu achando que devia premiar toda a Cooperifa e recebo um prêmio desse. Sinceramente, nem sei se mereço.
Mas já que ganhei, é meu, não vou recusar.
Ou melhor, é nosso: este prêmio é da Tânia. Por me aturar, por me apoiar, por me encher o saco; por caminhar comigo, lado a lado, as vezes na frente, me puxando, dando uma força quando penso em desistir;
Vai para o Marcelino: com toda a sua generosidade, toda a sua amizade. Obrigado cabra e...
Vai para a Dinha: grande amiga, recém mamãe de Sara. Ano que vem promete pra essa nêga, estou tendo o privilégio de olhar o seu próximo filho, em mãos e digo: está do caralho. Gostei muito nêga, muito mesmo.
E eu não sei mais o que dizer. Apenas que estou feliz.
Valeu família Cooperifa. Valeu Robson e Neide Canto. Vocês são meus irmãos-guerreiros. Valeu família, Valeu.
Rodrigo

terça-feira, dezembro 11, 2007

Uh Cooperifa, Uh Cooperifa!


Amanhã é dia da entrega do 3º Prêmio Cooperifa.

Esse ano tem um sabor mais do que especial para mim. Foram várias conquistas. Só para citar algumas delas: publicação de um poema na Antologia "SARAU", das edições Dulcinéia Catadora. Aqui perdi o meu cabaço. Projeto "A Sedução da Palavra", na minha escola, na qual desenvolvi com meus alunos um jornal, o "Fique de Olho!", além do projeto Literatura (é) Possível, na qual levei vários escritores para um bate-papo na minha quebrada - o ano que vem tem mais. Publicação de um poema na revista da Semana de Arte Moderna. Publicação de um conto na Antologia "MOSCAS", organizada pelo Marcelino Freire. Seleção de um poema para a revista GRAP - Graffiti e Poesia, na qual será feita uma arte sobre o poema (revista que contará com a presença mais do que ilustre de Dinha, Allan da Rosa, Michel da Silva, Akins, Elizandra e outros ilustres guerreiros de pegada e caminhada que eu muito, muito admiro). Publicação de um conto na revista "Não Funciona", dos Maloqueiros. Publicação de um conto no jornal "Menos Escritores", da oficina de narrativas, do B_arco. Caralho, esse ano fiz coisa pra porra. E agora ser agraciado pelo prêmio Dom Quixote de la Perifa. Sinceramente, acho que eu é que deveria premiar todo mundo que me ajudou nesta caminhada. Valeu mesmo.


Rodrigo

LETÍCIA NÃO QUER MERENDAR

Letícia não quer a merenda. Letícia nunca comeu a merenda mas ouviu dizer que é ruim, que é sempre a mesma coisa; que não presta. Letícia vê o que alguns alunos fazem com a merenda: dão duas colheradas e deixam no canto, seguram nas extremidades e fazem catapulta. Raspam o fundo do prato com a colher de plástico e: - Tia, tem mais? Os merendeiros. Letícia diz pras amigas que não é merendeira. Ela inclusive comprou esta semana um tênis novo. Vai ganhar da tia uma calça. Já encomendou um celular para a mãe. Tem nome e marca de carro: um V8. Letícia espera que o seu V8 não demore, ela tem medo. Não pode ser rejeitada. Odeia ser zoada. Ser apenas mais uma do povo. Comer a merenda, como todos. O Zé povinho. Letícia não se importa de não comer, as modelos não são todas magras? Quem dera tivesse bulimia, suas amigas acham bonito. Dizem que é doença de rico. Letícia sabe que devia, mas não tomou o café da matina. Não tomou porque não tinha. Assim como não almoçou, porque de ontem só sobraram as panelas vazias. Apesar que isso ela não reconhecia. A última coisa que Letícia me disse antes de desmaiar sobre a minha mesa foi: FOME.

domingo, dezembro 09, 2007

"Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário está guiado por grandes sentimentos de Amor." (Guevara)

domingo, dezembro 02, 2007

CLASSIFICADOS

Procura-se homens fortes discretos e corajosos que saibam manejar isqueiro gasolina quentinhas envenenadas ou grossos porretes de madeira ferro alumínio. Não é necessário experiência. Requisita-se apenas não ter dó pena falso sentimentalismo ou remorso das crianças mendigos e velhos abandonados que habitam as pontes-senzalas e mocós infectos de ratos pulgas e baratas localizados no Centro. Comparecer nas Segundas Quartas ou Sextas desmunidos de Identidade Curriculum e Carteira nos principais Bancos Lojas de Comércio Agências de Segurança e Imobiliárias para realizar Seleção Entrevista Exame psicotécnico e Dinâmica de grupo. Muitas Vagas. Serviço permanente. Paga-se bem.

sábado, dezembro 01, 2007

conto - MIOLO MOLE FRITO

Meu sonho é matar meu padrasto. Essa noite eu consigo. Vou ferver o óleo e de madrugada jogar dentro do seu ouvido. Enquanto ele estiver com o sono pesado, dormindo que nem um menino.

Não será para ele não sofrer não, eu quero que ele sofra. Muito. Mas tem que ser na trairagem pra ele não me machucar mais, não mexer mais comigo. Nem com a minha irmã. Alias, eu avisei: faz o que quiser no meu corpo dolorido. Me bota pra lavar roupa, limpar a casa, sentar no seu colinho. Antes eu chorava, esperneava, mas agora... Agora eu desligo. Só que deixa a Beatriz de lado. Deixa a Beatriz.

Se encostar num fio...

Podia cuspir na minha cara, chupar o meu peitinho. Esfregar a minha testa contra a porta do armário, apertar o meu pescoço – como fez tantas vezes - mas, ela não. Ela ainda é ingênua. Não carrega esse riso triste, esse sangue pisado. O chumbo vazio.

Valeu o aviso?

Tudo bem. Quando eu estiver esquentando o óleo, vou lembrar bem da temperatura do seu cinto. A maneira que ele queimava o meu lombo. A agulha de crochê e a ameaça que você fez de enfiar dentro do meu olho. Espetar a minha retina como o dedo fura o bolo, lembra? Lembra Antônio? Eu lembro. A cicatriz ainda tá no meu rosto. Naquele dia você mandou eu sofrer e não soltar nem um pio. Quietinha. Nem um pio.

Esse é meu sonho professor. Esta noite eu realizo. Apagar a bituca do cigarro na bochecha de Beatriz só fez eu ter certeza do meu pedido. Sabia que carne queimada é fedido? Por isso que não sai da minha cabeça o tssssssssss do óleo escorrendo na orelha, fritando o lóbulo, amolecendo os tímpanos. Quem sabe assim ele escuta os gritos que eu não pude dar quando vinha pra cima com o corpo pesado, exalando cachaça. Quem sabe assim a minha mãe acorda e percebe o que fez com a gente. Comigo.

Sei que o senhor pode estar assustado prôfi mas, não se preocupe. Quando for corrigir essa Redação já estará tudo resolvido. Eu, com o pé na estrada. E o miolo mole, frito.

quinta-feira, novembro 29, 2007

PROGRAMAÇÃO

Várias coisas por esses dias, não lembro de tudo. Vou postar algumas coisas que estão aqui na cabeça ou que recebi por email e, qualquer coisa, atualizo mais depois. Ou visitem os blogs ao lado e se informem:

Hoje - QUINTA-FEIRA:
Lançamento da Revista NÃO FUNCIONA nº14
, do Poesia Maloqueirista as 19hs. Será na Sala Olido - Centro. Avenida São João, 473. Vai rolar um Sarau, com vários convidados. Estarei por lá já que participo desta edição com o meu conto A.B.C. Outras infos.: http://www.poesiamaloqueirista.blogspot.com/

O poeta VAZgabundo estará na Ação Educativa - Rua General Jardim, 660 - promovendo o último Sarau RAP d0 ano. Também no Centro. Quem quiser, é só colar, a partir das 20hs. Vou ver se dou um pulo por lá. Outras infos. também no: http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/

O canal MultiShow - TV pago ou a gato, canal 42 da NET/Sky - exibirá no programa URBANO, as 23:15hs o programa gravado no SARAU da Cooperifa durante a Semana de Arte Moderna da Periferia. Para quem não puder assistir hoje, anote as outras datas de reprise: sáb, às 17h30; Dom, às 9h e 21h45; Seg, à 1h30 e 18h30; Ter, às 7h30 e 16h; Qua, às 13h.

Amanhã - SEXTA-FEIRA:
SHOW do grupo-irmão PERIAFRICANIA. Leia:

PERIAFRICANIA nesta SEXTA na AÇÃO EDUCATIVA

O conceituado grupo de rap paulistano fará show de encerramento da programação "África" da Ação Educativa, apresentando o repertório de seu mais recente CD com sucessos como Malês, além das novas Política-mente e Ao Mestre com Carinho.

Data: Dia 30 de novembro, Sexta às 19h30. Local: Ação Educativa - Rua General Jardim, 660 - Vila BuarqueEntrada: 1kg de alimento não perecível que será doado para acampamento do MTST da Vila Calu.

Informações: 3151-2333 ramal 153/166
recepcao@acaoeducativa.org


Ainda nesta sexta, a partir das 19hs, vai rolar um SARAU no SESC Pompéia, como parte da Mostra SESC de Artes, que está acontecendo já tem alguns dias em várias unidades do SESC. O Projeto Dulcinéia Catadora está participando da Mostra, sendo responsável inclusive por fazer as capas - de papelão - do catálogo da mostra e organizará o Sarau com os autores que já participaram do projeto. Quem quiser, é só colar por lá.

E ainda tem o PANELAFRO, que acontece toda última sexta-feira do mês na Casa de Cultura do M Boi Mirim. A partir das 21hs.


E no sábado e domingo tem outras atividades que o Vaz deu um toque ontem mas que eu não lembro. Qualquer coisa atualizo por cá ou você avisa por aí.

Aquele Abraço

Rodrigo

É tudo nosso...

Ontem foi dia de Cooperifa. E foi um dia muito especial para mim. Não apenas pela Cooperifa, que por si só já é motivo de vitória e alegria mas, ontem eu levei um grupo de alunos da EE Jornalista Francisco Mesquita, a "minha" escola para conhecer a Cooperifa.

Foi lôko porque eles vivem ouvindo eu falar sobre a Cooperifa. Eles vêem as minhas camisetas, o meu boné. Tiveram a oportunidade de conhecer escritores ligados - ou não - à Cooperifa, através dos encontros literários que promovi na escola. E os saraus... Uma vez por mês, pelo menos, faço um Sarau dentro da sala de aula mas, eu criei a expectativa já que lá é "O Sarau".

A vitória teve um sabor especial porque alguns dos alunos que nos acompanharam ontem - fui com mais dois professores da escola - são aqueles alunos rotulados, considerados "alunos-problema", sem ou com difícil solução. Alguns alunos que já me zoaram por conta da legenda da minha camiseta: "Cultura de Periferia - Consciência e Atitude". Alunos que não botavam fé no projeto e muito mais e ontem estavam lá. Respeitando o silêncio, que é uma prece, ouvindo poetas, artistas, pessoas simples da comunidade, parecidos com eles(as), e tiveram a oportunidade de aplaudi-los e entender um pouco que, artista, não é apenas aquela pessoa que aparece na TV. Mas pode estar ao nosso lado. em cada um de nós.

No final, os mesmos alunos que ficavam me zoando por causa da camiseta e outras coisas ligados à Cooperifa ficaram me exigindo uma camiseta, um boné, um botom - rs -, qualquer coisa.

Foi uma vitória. De goleada. E foi bonito.

Salve Cooperifa e valeu. Vocês tem muito a ver com tudo o que faço. E sozim ninguém guenta.

Rodrigo

segunda-feira, novembro 26, 2007

conto


ERA DIGITAL

Canal 19 – Tragédia em salvador. Arquibancada cai. Sete mortos. Cento e vinte sete feri Canal 38 – O Brasil é país sede para a Copa do Mundo de Canal 41 – Eu falei: abre o portão moço. Eu sou mãe. É injusto. Por causa de um minuto perder um ano de estu Canal 05 – Pense positivo na vida. Pense com os pne Canal 32 – Menina de quinze anos fica detida durante 26 dias em cadeia com homens. Meu melhor dia era sexta-feira. Visita. Só assim me davam sosse Canal 07 – Mulher, você é especial. Use já os produtos de emagrecimento da nossa linh Canal 121 – Homem atropela idosa por não pagamento de aluguel. Depois de passar por cima, deu ré e pas Canal 09 – A vida é pra quem faz. Seja Canal 2001 – Morre bebê de 03 dias abandonado no leito do Canal 11 – Essa cara amarrada, feia. Está triste por quê? Experimente o novo creme fa Canal 756 – Procurado em seis Estados, é acusado de matar trinta e cinco pes Canal 171 – Desperdício de água é maior entre os mais ricos. Banheiras, piscin Canal 1080 - Doze bairros estão sem água na periferia de São Canal 1789 – Segurança e conforto. Mude já para o Residencial Par Canal 1000 – Seis milhões de família vivem em condições precárias no Bras Canal 25 – Desligue a TV e vá ler um

quinta-feira, novembro 22, 2007

correria...

tudo bem, nem eu mesmo aguentava mais essa mesma tela de abertura do meu blog. tem mais de uma semana que eu não atualizo. só a balada literária, faz quatro dias que terminou.

mas é que a correria tá pegando. final de ano na escola, produção da terceira edição do jornal, tudo-junto-ao-mesmo-tempo. e vamo que vamo. quase que eu não aguento.

passando por aqui só para dar uns toque, bem rápidos:

1. está rolando na USP, especificamente prédio da História e Geografia, a 9ª Feira de Livros da Edusp. mais de 100 editoras na parada e livros com 50% de desconto! quem tiver um qualquer sobrando, não pode perder. estive por lá hoje e fiz algumas poucas belas aquisições;

2. próxima quarta-feira, dia 28, se tudo der certo, estarei na Cooperifa com um bonde da escola. ou melhor, um ônibus. como parte do projeto de literatura, solicitei um ônibus para levar os alunos ao quilombo cultural. aguarde aí Vaz, se tudo der certo eu te aviso. vamo chegá em bando, que nem gafanhoto também - rs

3. quinta-feira, a partir das 19hs, tem lançamento da não funciona nº 14, na galeria olido. mais infos. no blog dos maloqueiros, ao lado. estou participando desta revista com o conto A.B.C.

4. na mesma quinta-feira, a partir das 22hs, no canal Multishow, tem o programa Urbano, que vai mostrar uma materia sobre a "Periferia no Centro". eu sou um dos entrevistados. se puder, assista e;

5. como parte da mostra Sesc de Artes, vai rolar na sexta-feira, dia 30, a partir das 20hs, um Sarau na Choperia do SESC POMPÉIA. quem organiza são as Edições Dulcinéia Catadora/Eloísa Cartonera. como participei de duas obras do catálogo, estarei lá prestigiando o Sarau. está convidado.

6. pra quem não ia dizer nada, já falei muito. agora toca eu ficar trabalhando até as 02hs da matina. tudo bem, vou levantar as 06hs da manhã mesmo. fichinha...

abraço e bom descanso. porque eu não vou!

quarta-feira, novembro 14, 2007

últimas, bem rapidinhas...




1. hoje é um dia especial. vou com meus alunos ao Museu da Língua Portuguesa. tudo, tudo na faixa. ônibus, entrada. parte do projeto "Literatura (é) possível, apresentado para a Coordenadoria de Educação no começo de julho e aprovado agora, no final de outubro - quase no final do ano letivo! mas, tudo bem. acho que será muito bom.

2. o projeto "Dulcinéia Catadora" que publica edições de livros com capas de papelão através de um trabalho artesanal de filhos de catadores para criar livros fará oficinas de criação abertas a todos os participantes no SESC. interessados, basta clicar no cartaz acima e
3. por fim, você não pode perder a 2ª EDIÇÃO DA BALADA LITERÁRIA. evento etílico-literário organizado pelo amigo-escritor Marcelino Freire. nesta edição, será feita uma homenagem ao poeta Roberto Piva e ao (falecido) crítico literário João Alexandre Barbosa. Entre as participações nas diversas mesas, destaque para o SÉRGIO VAZ e Ferréz. confira tudo no blog do Marcelino (http://www.eraodito.blogspot.com/) ou no próprio sítio da Balada: http://www.baladaliteraria.org/ - IMPERDÍVEL!!!
e fui!
quase:
4. no dia 15 de novembro, a partir das 20hs, dentro do evento POPULAR da Balada Literária, participarei do lançamento do livro MOSCAS, antologia de minicontos organizada pelo Marcelino Freire e com publicação da Edições Dulcinéia Catadora em homenagem ao escritor guatemalteco Augusto Monterroso. ESTOU PARTICIPANDO DO LIVRO COM UM MINICONTO (Êba), então quem quiser adquirir um exemplar, cola lá na Balada que vai ser boa demais e confira todos os lançamentos, mesas, festas, shows, etecera...
e tchau mesmo.

sábado, novembro 10, 2007

A Literatura (é) Possível

salve povo,

na semana de arte moderna da periferia, o pessoal da minha escola resolveu fazer a semana cultural. nenhuma relação direta mas, sabe como é, as forças confluem. e foi um barato lôco. a escola teve oficina de dança, pipa, argila, embalagem de presente, música e, claro, literatura, que ficou por minha conta.

tirando um certo "boicote" dos professores de língua portuguesa, nenhum problema. aproveitei o primeiro dia da semana cultural para fechar o último encontro da oficina do projeto "Literatura (é) Possível".

para quem não sabe, foi um projeto que desenvolvi na escola - com dinheiro do meu bolso - que tinha por objetivo propiciar o encontro, bate-papo, conhecimento entre escritores e os meus alunos e alunas. tivemos mais de oitenta alunos inscritos e as oficinas tiveram, em média, 30 alunos participantes.

quinta-feira, dia do encontro com os meus alunos, perguntei o que acharam do projeto. curtiram muito, muito mesmo. o fato de encontrar a figura do "O Escritor", presente, ali na escola, conversando, trocando uma idéia, falando de suas vidas enfim... para tod@s alun@s foi muito bom. custei para arrancar alguma coisa que eles não gostaram da oficina. sabe o que? disseram que tiveram poucos encontros. e que começou muito tarde - já que o projeto começou em maio.

isso tudo foi um puta de um incentivo para mim e uma certeza: estamos no caminho.

além dos alunos satisfeitos, um dos saldos da oficina foi a aquisição de alguns livros para a biblioteca e a distribuição, para os alunos participantes, de mais de 30 livros! como eu disse, tudo isso foi possível só porque investi uma grana do meu bolso e devido a generosidade de meus amigos-escritores que foram à escola: Marcelino Freire, Sacolinha, Dinha e Allan da Rosa. alguns levaram livros e distribuiram, de graça, sem eu pedir. outros não queriam receber, apesar de eu fazer questão de pagar - profissionalismo.

por tudo isso, a vocês quatro car@s, meu muito, muito obrigado mesmo. como eu já disse, não tem dinheiro que pague. o que posso fazer é oferecer a minha "gratidão, essa palavra-tudo (CDA)". e o que precisar, estamos aí. tamo junto!

e só frizei a questão de que eu banquei o projeto para que vocês tenham ciência que não foi o Estado que bancou. o Estado não deu nada, não dá nada: não comprou livros, não pagou os escritores. nem condução, nada.

pelos menos não me atrasaram o lado. já é um ganho

mas é isso. pra quem vive escrevendo sobre a dor, essa foi uma semana de contemplar as vitórias. as pessoais e coletivas. uma semana de muito amor.

salve,

rodrigo

quarta-feira, novembro 07, 2007

"Porém meu Ódio é o melhor de mim..." (CDA)

Em homenagem a Semana de Arte Moderna da Periferia, o melhor de mim...


A.B.C.

Deus é brasileiro. Mas quem manda é o Marcola. É, ele é o patrão. Ah prussôr, eu não vou entrar não. Ele é quem manda. Tá bom, tá bom, já que senhor insiste. Mas não vou fazer lição. Ah muleque doido! Tô cansado. Quatro da manhã ainda era noite jão. Só fazendo avião. Depois, o Play 2. Não é mole não. O jogo é bravo. Exige concentração. Que fita que eu tenho? Daquela de tiro. Plá, plá, plá. Me imagino tipo com uma 765. Mas logo mais eu tô com uma automática na mão. É, cê vai ver doidão.

Ah prussôr, não vou fazer lição não. Não entendo nada mesmo. Tô cansado de ficar só copiando. Num sei lê, num sei escreve. Conta? Conta eu conto, claro. Trabalho com dinheiro vivo. Se eu não conta quem é que garante a minha mesada? É, a vida é cara. Quem paga meu tênis, minhas roupa de marca? Quem? Pai e mãe num tenho. Já foi. Tudo morto. Só balaço. Mas eu nem ligo. Já cicatrizô. Nem choro. É, rapá, homem não chora. Só Jesus chorou. O cara era gente fina, mas ó, muito pacífico. Comigo não, é na bala. Minha vida é na quebrada. E no esquema. Nem olhe pra minha cara. Olho, plá! Levô tiro.

Quem guia a minha mão é o Marcola. Se eu já matei? Eh prussôr, da missa cê não sabe o terço? Já tenho treze anos pô. Sô bicho solto, bicho feito. Tô enquadrado. É, já to viradasso. Já paguei até veneno. Um ano na FEBEM. Várias rebelião e o caralho. Tô aqui de L.A. Só por causa do juiz. Memo assim, num tem quem me segura. Fico pelos corredor, só nas fissura. Dando umas volta, ganhando a fita. Estudar? Só entro na aula do senhor porque o prussôr é gente fina. Mas não estudo não. E só entro de vez em quando. É não tem mai jeito jão. É feio ficar chorando pelo que se rebento, já se estrago. Tem defeito. Minha vida agora é assim, só no arrebento. Mudá? Só se for de ponto. De vida eu não quero não. Tô bem prussôr. Valeu a preocupação, satisfação.

Ah muleque doido! Ó, tô saindo. Cansei de ficar na sala de aula, na escola, sei lá. Aqui é tudo muito parado. Vou pra rua. Lá que é o barato. É.Lá eu já sou mestre.

terça-feira, novembro 06, 2007

Caminhada Cultural: a Redenção



Depois que eu coloquei o post abaixo percebi que ainda não tinha falado de domingo.

Fora a falta de tempo, acho que precisava digerir também o que aconteceu naquele dia.

04 de Novembro de 2007. Pessoas vão se aglomerando em frente ao Largo do Socorro, próximo à esquina de uma padaria. São amigos de longa data, camaradas ou conhecidos. Poetas, escritores, donas de casa, crianças, cobradores, professores, vagabundos, fotógrafos, jornalistas, atores, músicos, traficantes - de livros -, enfim, toda a rapa vai somando.

Chove forte em São Paulo. A chuva que castiga a Primavera e antecipa as tão famosas "pancadas de verão". Alguns entoam o canto "Santa Clara clareoooooooôÔu..." E nada de clarear. Na verdade, tudo o que fazemos soa num tom dramático, sofrível. Somos periferia porra! Aqui nada é fácil.

E quem disse que uma caminhada cultural para inaugurar a Semana de Arte Moderna da Periferia tinha de ser.

Eu não tenho muito mais para dizer não. Só quem estava lá sentiu o que foi percorrer aqueles três quilômetros ao som de muita pancada no tambor, muita alegria, descontração, sorrisos, abraços e chuva. Chuva, chuva, chuva. Que apenas coroou a caminhada. A chuva foi a nossa redenção.

Ninguém ali sentiu a caminhada que, antes de percorrê-la, parecia longa demais. Difícil demais. E não foi. Por que "sozim ninguém guenta", mas estávamos juntos. Unidos. Em cor, coro e coragem.

Valeu família Cooperifa. Aquele dia ó: inesquecível.


Rodrigo

Deixe que digam, que pensem, que falem...

A Semana de Arte Moderna da Periferia está bombando. A crítica não pára de comentar. Estão se mordendo por conta do nome. Por conta das Artes? Por conta da ousadia? Tudo bem, podem falar. É provocativo mesmo.
Ao menos estamos discutindo sobre arte, cultura, não apenas violência, não é mesmo?
"Quem disse que na periferia não dá pra curtir?"
Mas fique atento: gozolândia não é aqui.
A agenda está cheia. Confira fotos e a programação no blog do Sérgio Vaz (www.colecionadordepedras.blogspot.com). Amanhã tem debate sobre Literatura e o tradicional - mas não conservador - SARAU tem seu espaço ampliado e inicia-se as 20hs. Você não pode faltar, não é?
Sim, É tudo Nosso!!!

Rodrigo

sábado, novembro 03, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

PROGRAMAÇÃO

Blog de Sérgio Vaz

SEMANA DE ARTE MODERNA DA PERIFERIA


A periferia convoca para a Guerra. Nas mãos, nada de trêzoitão, balas, AK-47 ou fuzis. Estamos armados pela vontade. Pela herança na memória da retina de todo sangue que escorreu no morro ou fritou na calçada, em plena luz do dia. Estamos armados de lápis, caderno e apontador. Pincel, muita ginga e ritmo. Cinema e alegria. Livro, conhecimento, palavra e poesia.

"Semana de Arte Moderna da Periferia?" Muitos estranharam. Inclusive eu. Conversei com o Vaz. Preferia "Semana de Arte Periférica". Mas ele me explicou o porquê de Moderna. A provocação. Eu entendi o recado. E somei ao time.

Muitos vieram conversar comigo, perguntar: "Pô, Semana de Arte Moderna. Que abuso. Que ousadia. O que vocês tem de novo? Qual é a proposta?" E digo, somos abusados sim. Pois queriam que nos contentássemos com migalhas, com os restos. São a escória disseram. E que negócio é esse de brincar com Arte? Que negógio é esse de fazer música. Rap não é música. Que negócio é esse de escrever? Isso não é literatura. Que negócio é esse de fazer cinema. Isso não é filme. E... quando perceberam, já era tarde demais. A arte está no ser humano, não importa se nasceu no Capão ou nos Jardins. Somos todos artistas. Somos todos importantes. Somos todos capazes.

Ultimamente, deixamos de crer e estamos fazendo.

Façamos a Semana de Arte Moderna da Periferia. Não para copiar a outra Semana, mas para afirmar a nossa. Para romper os padrões. Para transformar o espaço. Não temos as grandes galerias, mas temos o Zé Batidão. Não temos o Teatro Municipal, mas nós temos as ruas. Não temos os grandes investimentos, os grandes financiamentos, mas nós temos as escolas, a praça, as associações comunitárias.

Temos toda a periferia.

E somos a maioria.

"A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza."

Cooperifa: É tudo nosso.

A periferia convoca pra Guerra. Quem é, vai somar.



Rodrigo Ciríaco


P.S.: "Periferia é mais do que um espaço geográfico. É um sentimento."

terça-feira, outubro 30, 2007

"tenha fé porque até no lixão nasce flor..."

sarau, hoje, na escola. 5ª e 7ª série. apesar de tudo.





















é ou não é louca essa cena?
é por isso que vale a pena.

um dia daqueles...

ou um dia no inferno, talvez fosse o título mais apropriado.

é que a escola não é um inferno. não ela como um todo. eu particularmente não tenho nenhum problema com sala de aula. raramente tenho problema com alunos em sala. lógico, eles acontecem, mas ajo um pouco como Rogério Ceni: cobro penalti, faço gol de falta. de vez em quando algumas defesas, ou seja, dentro da minha "área" eu dou conta do recado.

o problema são os "outros" - o inferno são os outros, não lembro quem disse isso. e é verdade. hoje o caos, thanatos e marte estavam presentes na escola. junto com o cão. só que na escola não havia direção nem coordenação. então, quem teve que se virar com os pepinos extra-sala? professor rodrigo.

aliás, existe uma relação direta entre o o fato do campo de batalha que é a escola ser exaltado, amplificado em quarenta vezes quando não se tem direção lá dentro. os alunos são inteligentes. eles sentem a falta de autoridade - não confundir com autoritarismo -, a falta de organização pelo ar. no cheiro. e se apropriam disso.

bem, tudo começou na hora do intervalo. fui na cantina comprar uma água gelada, trincando, pois o calor estava de matar e na minha sala quase não tem janela ou ventilador, quando vi dois alunos chorando. haviam acabado de se pegar. o maior, cobrira de soco o outro, um pouco menor. e como que se resolveu a peleja? juntou um grupo, uma gangue, com mais seis moleques e foram pra cima do maior. resultado? bem, o menor da primeira briga estava com o rosto vermelho, machucado. o maior estava com marca de pontapés - dava quase pra saber a marca do tênis - nas costas, no peito e nas pernas. além disso, estava com falta de ar - tomara um soco no pescoço. os meninos já haviam se dispersado, mas percebia-se uma certa satisfação, um ar de vitória como se o que eles tivessem chutado fosse um penalti, e não a cabeça do colega. e ainda marcaram um belo gol.

o menino quase não estava conseguindo respirar e eu, que não entendo nada de primeiros socorros, estava começando a ficar desesperado. fiz o básico: tentei acalmá-lo, já que além da falta de ar estava nervoso. acompanhei-o ao banheiro, ajudei-o a lavar o rosto, conversei com ele. disse que estava errado mas os outros não tinham direito de fazer o que fizeram. pois bem, o menino ficou para fora da sala, chamamos a sua avó que toma conta dele e ele foi pra casa.

depois, foi a hora da devassa.

tinha os nomes dos meninos que participaram da sessão de linchamento. a maioria deles são os chamados "alunos-problemas": já repetiram, tem dificuldade de relacionamento com professor, muitas vezes não fazem as atividades. a maior parte deles são super inteligente, e posso me gabar por ter um bom trânsito entre eles. pois bem, fui atrás deles, um por um, juntei-os na sala dos professores - já que a direção estava fechada e, os professores, sozinhos, tendo que dar aula e resolver estas questões. dá para perceber que eu não tive intervalo hoje, não? - voltando... levei-os para a sala dos professores, pedi licença aos outros colegas e perguntei: vocês sabem por que estão aqui, não? eles sabiam. não tinha como mentir. e disseram que não fizeram aquilo por mal, na verdade o menino maior era muito maior que o menor - o que é verdade - e que eles tentaram separar mas, não deu, partiram para a agressão. conversei, conversei, conversei, disse que apesar da "boa intenção", não sei, eles não tinham que ter resolvido a situação. não daquela maneira. deveriam ter chamado alguém. princiapalmente, por que uma coisa ficou no ar:

se o menino realmente não tivesse conseguido voltar a respirar, quem iria ajudá-lo? quem iria se responsabilizar se alguma coisa tivesse acontecido com ele?

resumindo a história, não pegou nada pra ninguém. apenas conversei seriamente com os rapazes. eles me ouviram. de boa. eu os respeito e eles me respeitam. assim funcionam as coisas.

só que depois - parece que eu me chamo "solução de problemas", ou será que é por que eu trabalho? bom, parece que para alguma coisa eu sirvo - veio outro aluno me dizer que fulano falou que ia juntar uma turminha pra catar ciclano na saída. outra treta. como essa molecada não tá pra brincadeira, disse que ia averiguar. odeio quanto tem treta na escola, faço tudo para que elas não ocorram. fui conversar com fulano. ele folgadamente me disse que não avisa ninguém: ele faz. não duvidei, mas também não deixei por menos. resumindo também... não teve treta na saída.

para alguma coisa eu sirvo.

e ainda fiquei sabendo que uma aluna que tinha abandonado a escola para trabalhar como "placa", divulgando anúncio de uma construtora, foi parar na FEBEM. a mãe colocou ela lá, a amiga dela disse. eu estranhei. como a mãe colocou na FEBEM? aí, fiquei sabendo que ela roubou uns artigos dá mãe - celular, mp3, dvd - vendeu para o tráfico, não entregou e ficou com o dinheiro. se queimou dos dois lados. os manos foram cobrar na casa dela, quase sobrou pra mãe. ficou jurada. a mãe a colocou num abrigo.

ou seja, perdi mais uma aluna para o sistema. será que o pessoal do Travessia a encontrará na rua? infelizmente, esse é o caminho.

e aconteceram mais duas coisas fodas com ph mas que eu nem vou relatar aqui por que eu tô cansado.

e olha que as minhas aulas foram ótimas hoje. fiz saraus nas sétimas e quintas séries, li um conto do ferréz, li o poema do dugueto, os alunos leram. foi um dia chapado. dentro da minha sala, por que lá fora.

o bicho pegou.

e eu ainda tive que segurar a bronca. saí de lá com os nervos à flor da pele.

não gosto de me vangloriar mas, tem que ser guerreiro pra sobreviver na educação. não é nenhum mérito, mas só de estar lá, todos os dias, tentando fazer o melhor por aquela molecada, com essa estrutura podre que a gente tem, com a falta de união e apoio entre os professores, com essa molecada que não tem uma orientação, não tem um incentivo. é difícil.

e ainda dizem que eu sou um incompetente.

só por hoje, vocês: vão à merda!

Rodrigo

P.S.: ultimamente este blog está com um caráter meio confessional. não é proposital, mas escrevo aquilo que os textos pedem de mim.

domingo, outubro 28, 2007

pensamentos desconexos

Não existe nada mais irritante, nada mais desconfortável que um choro de criança. Principalmente, se for um choro de bebê. Aquela voz aguda, ardida e estridente, que faz com que a pequena fique toda vermelha, pulsando as veias da testa, parecendo que vai haver um descolamento das cordas vocais. Acho que não existe som mais desconfortável no mundo, seja no Ipiranga ou Paraisópolis, em São Paulo ou Xangai. Terra ou Marte. Ele simplesmente não deixa você descansar, não lhe permitir concentrar, ver TV. Quebra-lhe o sono e as vezes deixa-o num estado de transe, de profunda irritação que a vontade é de quebrar o pescoço da criança, se isso fizer com que ela realmente pare de chorar, ao menos por alguns instantes.

Penso eu que se um dia eu necessitar torturar alguém, vou colocar do lado de fora da porta da sala escura e fria um choro de criança. Sabe aquele, de cinco meses, quando está com cólicas na barriguinha. E digo, nem precisa ser a própria criança não ao rodapé da fechadura. Basta que seja uma gravação. Por que o que eu descobri sobre o choro de criança que, o que tanto irrita não é o choro da criança que está chorando, mas o despertar, o encontro que existe com a criança que está do lado de fora e a criança que está aqui, dentro de você. Dentro de cada um de nós. Aquela criança que nós abandonamos no leito do rio e nunca mais voltamos para buscá-la. Nem para ver se já havia se decomposto. Nem para saber se alguém já havia a retirado dali. E cuidava dela. E inutilmente vivia, trabalhava, sonhava e dormia para que ela fosse feliz.

E sobre esta criança que o choro incomoda. Não a que está fora. Mas a que está dentro.

Falando sobre tudo isso, preciso confessar que há dias estou tentando escrever alguma coisa sobre as mães que deixam seus filhos nos rios, carros, lixeiras e abandonam. Simplesmente viram as costas e vão. Como os homens sempre fizeram – e fazem -, mas o que mais surpreende é que a mulher, aquele ser que carrega a vida gestando durante nove meses sobre o seu ventre tenha coragem de fazer isso. Fuder, gestar, dar á luz e... largar. Para morrer.

Eu gostaria de escrever, não para mostrar o quanto estas mulheres são terríveis, inumanas, covardes, brutais, monstros, etecetera. Eu gostaria de escrever para mostrar o contrário. O quanto são humanamente corajosas. E o quanto o fazem aquele ato desesperador, por amor. Por que abandonar um filho recém-nascido necessita de uma coragem sobre humana que eu não tenho. Que muitos mortais não tem. E, antes de tudo, esse gesto parece ser alguma coisa que um gesto de amor pois é o reconhecimento de que não damos conta de nossas crianças, de que este mundo é cruel e filha-da-puta demais para que nós deixemos para ela a responsabilidade de sobreviver – e dizemos: vocês são o futuro do país. Façam melhor do que nós. As mães que abandonam os seus filhos nos rios tem uma coragem que a maioria de medíocres que vivem neste país – e no mundo, da qual eu não sou inocente e me incluo um pouco – não tem, que é qual: a de assumir a desresponsabilidade por criar uma criança, um filho. Por que mais cruel para mim são aqueles pais que simplesmente trepam com algumas mulheres, inserem o seu sêmen e somem. Pra nunca mais, como um vento. Muito mais cruéis são aquelas mulheres que se dizem mães, e que não são mães. Não assumem a maternidade, não se responsabilizam pelo seu filho. Já usei demais está palavra, mais é isso: não se responsabilizam pelo filho. Acham que criá-lo, que educá-lo é simplesmente mantê-lo vivo. Dar roupa, comida, brinquedos. Um colégio, um computador. Uma lan-house. Dinheiro para o lanche, para o passeio, para a namorada. Para o carro e pronto. Pra que educar o meu filho se eu posso dar dinheiro, dinheiro e dinheiro. Não é isso que ele precisa? Dinheiro?

As pessoas precisam começar a aprender que a vida não é uma nota de cem.

Dedico este texto para todas as babás que trabalham de segunda a domingo, como escravas, sem direito a retornar para casa, sem direito à liberdade, dormindo dentro dos casarões em quartinhos-senzalas para que as dondocas-sinhás possam viajar, passear, gastar o dinheiro do marido e curtir a vida enquanto outras mulheres, verdadeiras mães, trabalham para cuidar e educar de seus filhos. E no futuro são dispensadas sem direitos empregatícios. Sem o pagamento das madrugadas não dormidas para o consolo do choro seco e vazio. Sem poder levar a cria. Isso sim é cruel: ter que abandonar desse jeito um filho.

Dedico este texto para a Dinha, que vai ser mãe. E que sabe criar, não apenas os seus filhos. Mas os filhos do mundo.

sábado, outubro 27, 2007

Do que eu sei e do que eu vi por aí


Hoje tem lançamento do vídeo "É tudo nosso! - O Hip Hop fazendo história", dirigido por Toni C., às 14hs.


***


Amanhã, o sarau da COOPERIFA - que esta semana completou seis anos de resistência quilombola na periferia - vai ao ar no programa Antena Paulista: Rede Globo, as 07hs da Matina. (http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/)


***


Segunda-feira, lá no B_arco Virgílio, a oficina "Narrativas Breves" ministrada pelo escritor e amigo Marcelino Freire recebe a ilustre visita de três convidados escritores: Ivan Ângelo, Ivana Arruda Leite e Marçal Aquino. E são todos convidados. Não perca. (http://www.eraodito.blogspot.com/)


***


E alguma coisa maravilhosa que eu enxerguei e gostaria de compartilhar, lá do blog do Rodrigo Garcia Lopes (http://estudiorealidade.blogspot.com/). Aforismas, de Ezra Pound:



"Um escravo é alguém que espera outra pessoa vir libertá-lo."


"A maioria dos escritores carece de caráter e não de inteligência."

***

sexta-feira, outubro 26, 2007

Eu vou pra Palmares, Eu vou pra Palmares

"Mesmo que eu tenha que cruzar terras e mares
Eu vou pra Palmares, Eu vou pra Palmares
Mesmo que no caminho me sangrem os calcanhares
Eu vou pra Palmares, Eu vou pra Palmares
Mesmo que os inimigos contra nós sejam milhares
Eu vou pra Palmares, Eu vou pra Palmares
Enfrento os Borba Gato e os Raposo Tavares
Eu vou pra Palmares, Eu vou pra Palmares..."

E foi assim, eu falando sobre as Bandeiras paulistas, o mito bandeirantes: heroísmo, coragem, a interiozação do Brasil, a descoberta das minas e tudo mais. E contando um pouco do outro lado da história: da escravização dos índios, da destruição dos quilombos. Lá vão os alunos, conversando, nem parecem me dar muita atenção. As vezes eu tenho certeza que sou um péssimo professor. Vou me esforçando. Um dia eu chego lá.

Aí eu tive a feliz idéia de pedir para Ricarda me passar o poema do Dugueto Shabazz, "Vamos pra Palmares", por que tem uma visão de um quilombola, falando sobre os Bandeirantes Militares. A visão da favela, consciente, que precisa ser ouvida, discutida, principalmente na escolas periféricas, quilombos que ainda precisam despertar.

E fiz a leitura do poema.

Ao meu jeito, é claro, pois a ginga, a malemolência; toda malandragem e poesia para recitar este poema de convocação para a guerra contra a mediocridade, só o Shabazz tem. Fiz a leitura, do meu jeito. Mas os meninos gostaram. E as meninas. Não de mim lendo, mas do poemas. Muito bom no final me pedindo para ver, perguntando coisas a respeito, querendo uma cópia do poema.

Melhor ainda é vê-los repetindo o refrão: "Eu vou pra Palmares, Eu vou pra Palmares." Tudo isso sem eu pedir que fizessem.

Digo pra vocês e repito: foi bonito.

Em dias de chuva, esse foi o meu pôr do sol no verão.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Em respeito aos poetas...

DESAVISO

Não sou um poeta
Eu, eu sou uma farsa
E como farsante
Conto verdadeiras histórias
Escrevo poemas
Para castigar a memória
Glorifico os vencidos
Para macular a vitória
Não sou um poeta
Eu sou uma farsa!

Não sou um poeta
Eu, eu sou uma farsa
Preocupa-me sim
a rima, a métrica,
o verso, a técnica, a palavra,
mas preocupa-me mesmo
é o SUJEITO!
Por ele até abdico
da suposta pretensão de ser poeta
e me contento apenas com isso,
com a farsa.

Não sou um poeta
Eu, eu sou uma farsa
E como farsante, eu sou exigente!
Não quero saber do escritor, do poeta
Que não concilie sua palavra com a prática
Que não seja o artista-cidadão
Que ignore os preconceitos, a desigualdade,
A Ética, o Amor.
Não quero saber do escritor, do poeta
Que decrete o Fim da História,
do meu Idealismo e de todas as
Ideologias.

Sem isso, o que sobra é punhetagem!
Nem o poeta
Nem a farsa.

Sacolinha convida para sentar na poltrona

Meus alunos vão curtir.
Sacolinha: não vá para a cama sem ele - risos.

quarta-feira, outubro 24, 2007

SEMANA DE ARTE MODERNA DA PERIFERIA


- PROGRAMAÇÃO -
clique no cartaz para ampliá-lo

quem não sabe, ensina.

hoje é quarta. um dia antes de quinta. e vejo que a minha última postagem foi quinta passada. quase uma semana sem publicar nada. enfim. não peço desculpas. chega de desculpas. para aqueles - se é que existem - que ainda acessam este blog, saiba que este será o funcionamento dele até o final do ano. final de outubro, novembro, quarto bimestre. fica tudo uma loucura. minha vida e a escola.

segunda-feira deveria ter ficado um pouco feliz por conta da escola. fiquei, mas só um pouco. explico: desde junho havia pedido uma verba - $$$ - para a coordenadoria de educação para: 1 - imprimir o jornal que fazemos na minha escola e distribuirmos gratuitamente e 2 - conseguir transporte para levar os alunos ao Museu da Língua Portuguesa. tudo relacionado aos projetos que desenvolvo na escola, jornal e literatura. pois bem, o dinheiro veio. bem atrasado, diga-se de passagem. mas veio. o duro é que tenho um prazo de um mês para gastar o dinheiro e, além de tudo, não será possível aproveitar toda a verba. motivo: tempo. só no estado essas coisas acontecem (?).

ontem não foi um bom dia na escola. não consegui preparar as minhas aulas, pois no lugar tive que fazer um levantamento das minhas nove salas dos alunos que estão com perigo de serem retidos por faltas. e não são poucos. além do levantamento, analisar a situação, um por um, dos mais de 300 alunos que tenho, tive que elaborar trabalhos de compensação de faltas. enfim, deu trabalho. perdi a noite da minha segunda feira e a manhã da terça. poderia ter me preparado melhor, ter preparado a minha aula. não consegui. o resultado foi uma aula medíocre. como eu não gosto. fico frustrado, não consigo envolver os alunos. o tempo não passa. odeio fingir que estou trabalhando, principalmente dentro de sala.

fora isso, várias coisas chatas aconteceram ontem: de manhã uma aluna veio reclamar que um menino estava brincando com o seu boneco dentro da sala - não foi na minha aula. depois, em outra sala, um aluno deu um soco bem dado na cara de uma outra aluna - 5ª série. a marca aparecia através do rosto corado, inchado e vermelho. em outra sala, também de 5ª série, um aluno estava assustando os outros mostrando uma arma. ainda bem que era de brinquedo. mas parecia de verdade. fora as outras coisas que relatei acima. enfim, ontem o caos estava instalado na escola. não quero a ordem, mas espero que as energias criativas e criadoras hoje possam se instalar e gerar um pouco mais de estabilidade, tranquilidade; produção, aprendizado e conhecimento.

e o que que o título tem a ver com tudo o que escrevi?

é que ontem estava pensando, como sou um cara frustrado. não por fazer o que faço. gosto. queria fazer melhor. talvez o tempo me traga isso. mas sou frustrado por que o meu sonho era ser músico. ou ator. desisti no meio do caminho por perceber que não tinha o dom. não levava jeito, não conseguia. e fazer por fazer nunca foi comigo. hoje em dia escrevo. mas nem isso faço por que levo jeito. escrevo por que preciso. e pronto. gostaria de ser um escritor, mas não sou. sou uma pessoa que gosta de escrever.

e já que não soube fazer bem aquilo que estava nos meus sonhos, o que gostaria de ter feito, sobrou a opção: ensinar. por que parece que é isso, quem não sabe - ensina. veja como está a nossa educação e pense.

quinta-feira, outubro 18, 2007

conto

A QUEDA


Acho melhor a gente voltar quando não tiver ninguém. Vamo chegá, mete o pé na porta, solta os cara e sair.

Cê tá louco Querô? Cheiro cola e comeu a lata? Já viu o tanto de chave e cadeado que tem, essa grade no portão. Cê acha que vai estourá com esse seu pezinho.

Aí, tá me tirando Baleia?

Êh, vamo pará com a treta aí. O negócio aqui é sério. A gente já tem todo o esquema traçado Querô. Cês deram um rolê pelo pavilhão?

É, naquelas né Pedro. Aquele véio fica de marcação. Mas conseguimo fazê uma lista de cada cela.

Passa aê, deix’eu ver: Mendes, Rosa, Drummond. Hum, João Cabral, Vaz, Bandeira, Sacolinha, he, he, esse é dos bom. Mas, só tem homi aqui mano?

Você nunca foi numa cadeia jão. Lá num tem essas coisa de homem com mulher não.

Caraiô, mas cê é burro pra cacete hein Querô.

Tô te avisando Baleia, vô te cobrir de sôco.

Ô, ô, ô, vocês são duas bichinhas mêmo hein. Só ficam brigando. O Baleia tá certo Querô, isso aqui é a Revolução, num lembra? A gente vai incendiá a Bastilha. E aqui não tem essa separação não. Acrescenta aí: Clarice, Dinha, Lygia, Cecília, Elizandra.

Mano, num vai dar pra levá todo mundo. E o Veríssimo, o Vinícius. O Plínio cara!

Infelizmente alguns vão ter que ficar. É como dizia a minha avó: vão-se as mãos, ficam os dedos.

Nóóóóóssa, que viagem jão!

Trocou tudo o Pedro, há há há há.

Xiiiiiiiiiiii!

Aí, vamo falá mais baixo que o Alemão tá de marcação. Querô, repassando o plano.

Tá, cada um pega a touca e vai prum corredor.

Certo.

O Baleia vai latir.

Isso, e aê?

Êh, eu sei do baguio mano. Pergunta pra ele agora.

Fala aí cadela.

Tá forgado hein Bala. A gente começa a tirar os livros, você assobia, dá o grito e a gente responde em coro.

E sai correndo.

Não, fica esperando o tiozinho pegá nóis. Moscão.

Então é isso rapá. É tudo nosso! Sem afobação, sem nervosismo. Chegou a nossa vez. Cês foram escolhido a grão. Isso num é pra qualquer um não. A gente vai ficá na história da escola. Na humildade, na malandragem. Sem pagá simpatia. Um por amor, dois pelos livros.

Um por amor, dois pelos livros!

Xiiiiiiiiiiiii! Silêncio.

Vai, vai, vai. Cada um pro seu corredor.

Meninos, vocês já sabem: um de cada vez, por favor.

Au, au, au. Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

Vamos calar a boca Rogério? Maicon, posso saber onde você pensa que vai com essa pilha de livros. Parece que não conhece as regras. Ermeson, Ermeson! O quê é isso? Desce já dessa mesa.

Eu sou Pedro Bala, descendente de Zumbi. Irmão de Lima Barreto, neto de Lampião. Isso aqui é a Revolução Alemão. Livros são pra mexer!

Livros são pra mexer! Êêêêêê...

Seus estrupícios, vamos parar com essa bagunça. Vocês estão na Biblioteca! Ei, ei, vocês não podem sair com esses livros não. Volta, devolve aqui seus moleques!

Corre, corre, corre.

Ô Direção!

terça-feira, outubro 16, 2007

devaneios

ontem foi dia dos professores.

não recebi nada. poucos cumprimentos, lembranças. aliás, é o segundo ano consecutivo que não recebo nada. em dois anos oficiais que dou aula. não deveria me incomodar mas, incomoda. não pelo fato de ser professor. claro que é por isso. mas principalmente por ver que, realmente, não temos mais valor. ah, sei lá.

tô falando esse monte de merda apenas para introduzir a parte que mais interessa. domingo, através do evento das "satyrianas", participei de uma discussão legal no teatro da vila, dentro da escola estadual maximiliano. o tema era "ensino da literatura, literatura no ensino", e contou com a participação de carlos galdino (poeta pernambucano), ivan antunes (poeta e oficineiro de literatura em escola municipal), frederico barbosa (poeta pernambucano, professor) e marcelino freire (escritor pernambucano!) - Salve Pernambuco! o bate papo foi muito bom, éramos apenas quatro pessoas presentes mas, a conversa fluiu boa. serviu para oxigenar as idéias, elaborar a evolução.

o melhor de tudo foi ver o que o pessoal do aprendiz, satyros e várias parcerias conseguiram fazer numa escola estadual. tudo bem, vila madalena, escola estadual que está virando particular, para elite, muito dinheiro e apoio mas, ver aquelas oficinas de teatro, cinema e vídeo, letras, danças, música etc, etc, etc, motiva muito a você pensar que transformar a sua escola também é possível.

deve ter sido por isso que chegar segunda feira na escola, pleno dia dos professores, e encontrar a mesma invadida, porta da cozinha destruída, merenda roubada, panelas transformadas em ferro velho, objetos da cozinha roubados, impunidade, descaso, entre outras coisas deve ter me chocado tanto. fiquei triste. e revoltado. aquilo parecia irreal. mais uma invasão na escola. mais um roubo, mais uma destruição. isso numa escola que já não tem quadra. um local que já não tem mais sala de informática, não tem um vídeo, um dvd, um som decente. tem uma biblioteca boa, que vive fechada. aliás, será que as coisas não tem relação? as pessoas invadem, destróem e roubam a escola porque ela não tem nada ou ela não tem nada porque as pessoas invadem, destróem e roubam? pergunta tostines que o governo não se preocupa. aliás, governo é governo, nunca nada vê.

pra somar e fechar, finalizei a oficina de literatura. é isso mesmo, o projeto "literatura (é) possível" está encerrado. fica para o próximo ano, isso se tiver parceria, apoio e $$$. oficializei hoje para os escritores que participaram - e participariam, no caso do Buzo e do Vaz - e para os membros da escola. motivo: está difícil carregar o piano sozinho. está difícil bancar o piano sozinho. este mês mal recebi meu pagamento e já estava negativo em 130 reais. mas isto é outra história. mas assim não dá para eu pagar um escritor para ir na escola. e sou eu que banco o projeto. e eu preciso viver. estudar, comprar livros, pôr gasolina no carro, fazer a compra do mercado. mas quem se importa com isso? eu.

a secretária de educação disse hoje na folha que a gente ganha bem. poderia ter me xingado, seria menos cínico. disse também que melhorar o salário de professores não é a solução para melhorar a educação. realmente, não é. mas que ajudaria, ajudaria. com certeza. ou então investir mais - e melhor - na escola, construir mais escolas, diminuir o número de alunos em sala, investir na periferia, etc, etc, etecetera.

ah! é isso.

sábado, outubro 13, 2007

para não ficar com a bunda quadrada na poltrona

pessoal, final de semana prolongado, muita coisa acontecendo em São Paulo.

pra quem está na perifa da Zona Sul, pode acompanhar o Panorama Teatral Sul que, além das peças, vai contar com intervenções poéticas dos artistas da Cooperifa.

se vier mais para o centro, duas opções: o corredor literário na paulista, que está com mesas de debate, oficinas, entre outros (clique no http://www.corredorliterario.com.br/), ou ainda, se você gosta de Teatro, recomendo entrar no sítio dos Satyros e se programar para assistir alguma peça das Satyrianas. saiba mais clicando aqui também http://satyros.uol.com.br/. todas as peças são no esquema pague quanto puder. e é isso.

terça-feira, outubro 09, 2007

inVEJA


Se você também se indignou com a capa e matéria daquela publicação que se diz ser uma revista e atende pela alcunha de VEJA, leia o texto-resposta abaixo, de Gilberto Maringoni, da Carta Maior.

Acredite: os jornalistas ainda existem.


Rodrigo


Obs.: O texto não ficou muito bom, pois não consegui achar o artigo original na Carta Maior. Copiei do Blog do Ademir Assunção. Se quiser ler o texto com a pontuação, espaço, tudo certinho, acesse o blog do mesmo no link ao lado.



DEBATE ABERTO


Che Guevara e os mimos da família Civita


Dar a patinha, rolar no chão e falar mal de tudo que cheire a povo são as eternas gracinhas da pet shop chamada Veja. Os Civita adoram mascotes. Têm vários.


Gilberto Maringoni


A humanidade sempre gostou de animais de estimação, mas agora o costume virou moda. Pet shops tomam conta das cidades brasileiras e roupas, brinquedos e alimentos especiais para bichinhos disputam um mercado crescente. Escolas especiais pipocam por toda parte, sofisticando a pedagogia caseira de ensinar mascotes a sentar, dar a patinha ou buscar objetos atirados ao longe. Todos gostam dessas companhias domésticas. Fazem a alegria das crianças. Há uma família em São Paulo que parece adorar mascotes. É um clã de origem italiana, aqui radicado há décadas. Não se sabe bem o porquê, mas alguns de seus membros exibem socialmente um inconfundível acento novaiorquino. Manias, quem sabe. Trata-se da turma dos Civita, gente boa, com negócios para os lados da marginal Pinheiros.Os Civita adoram mascotes. Têm vários. Um dos orgulhos de sua casa de negócios atende pelo nome de Diogo. Aliás, são dois os Diogos amestrados daquele – chamemos assim – lar da marginal. Vamos falar de um deles, o Diogo Schelp (tem o Mainardi, mas este fica para outra hora). O Schelp é um espécime reluzente. Dá a patinha, busca o que o dono mandar e não gosta do que os Civita não gostam. Coisa bonita de se ver. Diogo Schelp deve andar aí pela casa dos trinta anos. Tem futuro. Cuba, Venezuela, MST etc.Os Civita detestam tudo que cheire a povo. Externam especial repulsa por coisas como Cuba, Venezuela, MST e quejandos. Quando precisam propalar aos quatro ventos seus desapreços, chamam um dos Diogos. “Vem, Diogo, vem”. E Diogo – qualquer um deles – faz a alegria da família. “Vem, Diogo, vem, desce o chanfralho no Chávez, vem!”. E lá vai Diogo, correndo, mostrar o serviço.Como toda boa família, os Civita têm sua sala de visitas, onde exibem tudo do bom e do melhor. A sala de visitas tem até nome. Chama-se Veja. Toda semana apresenta uma decoração nova, todas diferentes, mas iguais às anteriores, se é que dá para entender.Diogo é um fenômeno, dizíamos. É bom também não confundi-lo com Dioguinho, apelido de Diogo da Rocha Vieira, famoso bandido e salteador que aterrorizou os sertões da Mogiana, entre o final do século XIX e inícios do XX. Dioguinho era bandido de aluguel, que agia em troca de bom soldo. Diogo, o Schelp não aterroriza ninguém.Pois não é que depois de fazer das suas por várias vezes, exibindo língua solta contra a Venezuela e Cuba o Diogo resolveu voltar-se contra Che Guevara. Certamente fez isso depois de dar a patinha, rolar no tapete e pedir papinha, pois a vida não anda fácil.Pérolas e olfatosDiogo é uma graça. Ganhou uma capa – é capa da tal sala de visitas, a Veja – e mais um monte de espaço. Sua pérola chama-se “Che. Há quarenta anos morria o homem, nascia a farsa”. A obra é hercúlea. Diogo contou com a ajuda de outro civitete de estimação, um serzinho chamado Duda Teixeira. Para fazer das suas, foram falar com vários cubanos que, segundo ambos, conviveram com Che Guevara. Não foram a Cuba, mas entrevistaram quatro que moram na mais reluzente cidade latino-americana, chamada Miami. Tem uma comunidade cubana lá que é do balacobaco. Ajudaram a eleger George e seu irmão Jeb Bush. Gente fina. Entre citações dos tais cubanos e sacadas próprias, a dupla DD (Diogo e Duda) saiu-se com estas:“Che foi um ser desprezível”.“Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro”."Sua vida foi uma seqüência de fracassos".Como a vida da dupla DD é uma seqüência de sucessos, eles podem dizer esta última frase de boca cheia. Certamente ambos vão revelar proximamente terem feito algo mais grandioso do que uma revolução nas barbas do império (desculpem o uso da expressão antiquada) ou de terem dado a vida defendendo o que pensam. O mais legal é a especialidade olfativa dos DD. Sabem de cada uma. Vejam esta:“Che (...) não gostava de banho e tinha cheiro de rim fervido". Cheiro de rim fervido! Alguém sabe como é? Os DD, pelo visto, cultivam o salutar hábito de experimentar odores em busca de comparações espirituosas a pedido dos Civita.E tem mais. Como estão fazendo graça, dando a patinha e tal, os DD não se preocupam nem mesmo em dizer uma coisa no início da matéria e desdizer a mesma coisa linhas abaixo. Pois vejam só:“Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro”.Lá adiante, a dupla do barulho fala assim:“Che também se tornou crítico feroz da União Soviética”.Os Civita devem adorar. Os Civita gostam de dinheiro, poder e publicidade oficial, da qual suas revistas andam cheias. O governo deve gostar muito dos Civita e de seus mascotes, para dar esse ajutório todo.Mas deve haver uma hora que os DD cansam um pouco a família lá da marginal. Mesmo vivendo toda hora na sala e se exibindo para as visitas, há sempre um perigo maior. O de fazer xixi no tapete. Foi o que aconteceu agora. Graça demais não tem muita graça não.

FORMAÇÃO POLÍTICA - imprescindível

clique na imagem para ampliá-la


O Fórum Centro Vivo, FCV, que conglomera os diversos atores e movimentos sociais - moradia, população em situação de rua, ambulantes, catadores entre outros - e faz a luta por um centro mais justo e democrático para tod@s, está realizando este curso de (in)formação política. Durante mais de dois anos fiz parte do Fórum - que atua em contraposição a Associação Viva o Centro, formada principalmente por comerciantes, banqueiros, empresários da indústria e especulação imobiliária - e recomendo profundamente o curso, devido a vivência e prática política de seus integrantes.


Se puder, não perca.

domingo, outubro 07, 2007

ROBSON CANTO convida

É nesta quarta, na Cooperifa.
Parabéns Vagabundo. Reserva já o meu.

Entrevista com o escritor SACOLINHA



publiquei no blog do jornal da minha escola - http://www.fiquedeolho-jornalmesquita.blogspot.com/ - uma entrevista concedida a nós pelo escritor e amigo Sacolinha, devido a sua visita a EE Jorn. Francisco Mesquita no dia 14 de junho deste ano, por conta do projeto "Literatura (é) Possível".

quer conferir a entrevista? acesse:


valeu,

rodrigo ciríaco

CAROS AMIGOS

car@s,

publiquei no correio Caros Amigos desta semana um artigo chamado "No meio do Caminho?", falando sobre as "Dez Metas para a Educação no Estado de São Paulo", lançado pelo Governo Paulista em 20 de agosto, sem qualquer discussão / divulgação entre os profissionais da educação e mesmo a imprensa. ficaria grato se pudessem ler e tecer comentários, críticas e sugestões ao texto, no Fórum Caros Amigos, dentro da mesma página.

acesse:
http://carosamigos.terra.com.br/

para conhecer as "Dez Metas":
www.educacao.sp.gov.br

rodrigo ciríaco

sábado, outubro 06, 2007

quinta-feira, outubro 04, 2007

Alessandro Buzo Convida

Lançamento do Livro Guerreira, pela Global Editora
Sexta-feira, 05 de outubro, a partir das 18h30m
Livraria Nobel do Shopping Center 3 - Paulista

terça-feira, outubro 02, 2007

TODO ÓDIO A QUEM NOS OPRIME

Che

Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa

"Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".

http://veja.abril.com.br/031007/p_082.shtml


Todo ódio a Revista Papagaio Semanal e seus cães adestrados, erroneamente chamados de jornalistas. Quer saber o que é guerra de classes? Leia a revista desta semana então.

E não me diga que o muro caiu.
E não me peça para não sentir ódio.
E não me peça para esquecer e acabar com o rancor.

sábado, setembro 29, 2007

Das Tristezas - Querô





Ontem foi noite de cinema. Sessão das 21:50hs, meninos nas ruas, caixotes nas costas, Rua Augusta fervendo: ódio, insinuação, revolta, falsa alegria. Cinismo, sexo e sexualidade. E fomos, eu, Tânia e Mafê ao encontro de Querô.
Nenhuma surpresa.
O filme é bom. Prefiro o livro. Algumas adaptações acabam, por questão de escolha, roteiro ou estilo, mudando algumas coisas do texto. Livro é livro. Filme é filme. Prefiro a caneta do Plínio.
Mas como disse, nenhuma surpresa não por que o filme não tenha me agradado. Pelo contrário. A atuação da molecada, em especial a de Maxwell Nascimento que interpreta o "Querô" é de doer. E imaginar que ele fez aquilo apenas com dezesseis anos. E saber que ele conhece e divide boa parte daquelas histórias do filme. E de outros Querôs. É muito foda.
Por que da nenhuma surpresa é pela questão da nenhuma novidade. Querôs estão espalhados por aí. Já conheço eles faz algum tempo. Encontros na Fundação, na escola. Na rua e no mudão. Há cem, duzentos, trocentos anos. Estão sob alguma marquise, neste exato momento. Estão passando veneno na Fundação. Todos sabemos disso.
Ou não?
Algumas pessoas saem do cinema triste, chocadas. Mas então é assim? Será que isso acontece. Prefiro pensar que elas saem sensibilizadas mesmo, não apenas pelo filme, mas pela situação. O que acontece a nossa volta. Por que emocionar, até Harry Potter consegue.
E que o filme possa fazer alguma diferença em sua vida. E na vida dessa molecada que está aí. Agora. Presente é o tempo momento em que podemos interferir.
Ontem tive uma puta vontade de chorar. Não consegui. Não sei porquê. Não tenho nenhuma treta, nenhum problema para deixarem as lágrimas correrem soltas. Mas elas pareciam não querer cair. Mareavam meus olhos, davam um banho no meu coração. Mas não saltavam pra fora. Parece que foi uma forma de dizer que eu não posso aliviar o meu sofrimento. Catarse não é uma opção.
Nada de alívio aos sentimentos. Ódio, revolta. Dor.
Eu também quero Amor, mas as vezes é difícil.
E para quem não conhece, assista:
Querô - de Carlos Cortez.
Mas não deixe de ler:
Querô - Uma reportagem maldita, de Plínio Marcos.
E pra quem não tem nada pra dizer já foi muito.

Das Alegrias - Allan da Rosa

clique nas imagens para ampliá-las



Oficina com os Alunos EE Mesquita

Alunos degustando Edições Toró



Recortes, figuras, imagens: produção de livros




Oficina do Projeto - Literatura (é) Possível
Salve galera.
Como já informei nesse blog, quinta feira teve mais uma oficina literária com os alunos da minha escola, a EE Jornalista Francisco Mesquita, Zona Leste.
É a quarta oficina deste ano, que já contou com a participação de Marcelino Freire, Sacolinha, Dinha e, por fim - mas não o último -, Allan da Rosa.
A Oficina foi muito boa, o Allan é traquinas, tem uma boa pegada-didática com a molecada. Soube conduzir muito bem as pequenas dificuldades, exaltar as qualidades. Curti pra caramba. E também aprendi muito.
Passamos um trecho do documentário "Vaguei nos livros e me sujei com a merda toda", produção de Allan da Rosa e Akins Kinte, depois conversamos um pouco sobre literatura, a palavra, produção de livros, e várias outras coisas.
Foi mais um dia de muita alegria para mim. Quebrar a rotina tóxica da escola não é fácil. Viver poesia, mais difícil ainda.
Valeu Allan. Você é guerreiro, foi mano firmeza. Obrigado pelos livros doados a biblioteca da escola. Vou cuidar para que a molecada tenha acesso e faça bom uso deles.
E por enquanto, suba mais um pouco nas fotos e curta. Não há nada mais bonito do que crianças entretida em livros.
Rodrigo

sexta-feira, setembro 28, 2007

É neste Sábado

TODA COMUNIDADE POBRE DA VILA CALU CONVIDA:

29/09 – SÁBADO, 16HS
ATO POLÍTICO-CULTURAL NO CAMPO DA V.CALU

GOG
(RAPADURA E LINDOMAR 3L)
PERIAFRICANIA
PRETO SOUL
VERSÃO POPULAR
+ GRUPOS DA QUEBRADA
+ Sérgio Vaz (Manifesto Antrop. Periférica)
+ filme "2 meses e 23 minutos" (Pixote e Fábio Manzani)
+
VÍDEOS E TEATRO DA GUERRILHA CULTURAL DO MTST

AGORA É NÓIS!!!

1kg de alimento ou 1 livro voluntário

COLETIVO DE CULTURA DO MTST

quinta-feira, setembro 27, 2007

Literatura (é) Possível


E hoje foi dia do Allan da Rosa, com toda sua ginga e malemolência, fazer uma oficina de Literatura com os alunos da minha escola.

Foi muito bacana. Teve exibição de um vídeo, leitura, muita conversa e até confecção caseira de livros.

Logo mais eu teço alguns comentários sobre tudo o que rolou e coloco algumas fotos. Por enquanto.

Abraço


Rodrigo

quarta-feira, setembro 26, 2007

quem, quem é que paga?
josé, três anos preso
três anos depois é solto
josé, justiça errada
quem, quem é que paga?
06 anos na escola
06 anos sem aprender
quanto dói não saber
o alfabeto, a última letra
ser motivo de piada
quem, quem é que paga?
quanto é que custa
ser jogado na calçada
não ter emprego
aposentadoria, aliança, barbeiro,
não ter camarada e
quem, quem é que paga?
quem é que sangra
pela justiça cega
pela criança analfabeta
pelo homem e sua cachaça
quem é que caga?
quem é que paga?
pela minha palavralha
que não corta, não rasga
não fode nem geme
a faca amolada
não serve de consolo
não serve pra nada
quem, quem é que paga?