domingo, setembro 23, 2007

muito trabalho, pequenas vitórias

mas, é assim que funciona as coisas, ou não? minha correria por esses dias tem sido uma vida. ou o inverso? fato é que estou deixando de lado muitas coisas que gostaria de estar fazendo por conta do trabalho. leituras, pinturas. minha cama dura. valhe a pena? não sei. dizem que sim. se a alma não for pequena, como diz Pessoa. a minha é do tamanho de um rato.



acho que agora as coisas vão ficar um pouco mais tranquilas. pelo menos até outubro. é que um dos meus trabalhos temporários foi finalizado. a segunda edição do jornal que faço na minha escola, com @s alun@s. esta segunda edição ficou muito boa, graças ao grande apoio de alguns valiosos amigos: fernando evangelista e juliana kroeger. a jú cuidou da diagramação do jornal, que na sua primeira edição ficou por minha conta, totalmente no word. deu pro gasto. mas este ficou dez. quer conferir? adquira comigo por apenas r$ 0,50 cents.

para os amantes da educação e da literatura, o jornal traz, entre outras coisas, infos. sobre o projeto de literatura que estou desenvolvendo na escola, além de fragmentos de duas entrevistas que fizemos com o MARCELINO FREIRE e o SACOLINHA. veja parte da entrevista do Marcelino:




"3) Qual a impressão que a nossa Escola transmitiu a você? E os alunos?
RESPOSTA: Até hoje causa-me impacto a lembrança do dia em que estive aí. Dos alunos Reunidos àquela pequena sala. Da vontade que os alunos tinham de participar. Do brilho-fogo nos olhos. Mesmo com todas as dificuldades ao redor e ave!


4) Quais dificuldades vocês encontraram na Oficina de Literatura?
RESPOSTA: A grande dificuldade foi na hora da escrita. Vi o vexame, a agonia de alguns na hora de colocar a idéia no papel. Havia limitações claras. Tive que orientar a oficina de uma outra maneira. Menos didática. Mais emocional, enfim."


quem quiser conferir as entrevistas, na íntegra, visite o blog do jornal da escola:


e ontem teve mais um chá na concha, em santos. o evento é organizado por alguns funcionários dos NAPS (núcleo de atenção psico social). em moídos: santos tem uma proposta de atendimento que acabou com os manicômios e hospitais psiquiátricos. uma louca tentativa de um atendimento mais humano, mais digno às pessoas que possuem sofrimento mental. como eu. como nós, sabe como é, não? azar o seu. depois eu coloco algumas fotos de como foi o chá, os de lírios de todos. por enquanto eu vou tomar um banho e corrigir provinhas. eu mereço.


convite


Terça feira, 25 de setembro - AÇÃO EDUCATIVA

Quarta feira, 26 de setembro - COOPERIFA



Vários autores estarão presentes no lançamento. Não perca mais esta festa de vitória da Periferia.

sexta-feira, setembro 21, 2007

comentário

este blog está uma merda. mais de uma semana sem nenhuma postagem. bem, ao menos não estou falseando nada. corresponde a correria de merda que está a minha vida. prometo botar os neurônios pra funcionar amanhã e colocar algo que flutue. e que não seja o meu cocô.

rodrigo

quinta-feira, setembro 13, 2007

CONVITE

Traga seus poemas, suas músicas, suas artes, suas pinturas, suas loucuras, seus medos e preconceitos. É dia de festa? Sim. E De Lírios.


Para recepcionar a Primavera
DATA: 22 de setembro
HORÁRIO: A partir das 15hs
LOCAL: Concha Acústica - Santos. Próximo ao Canal 03 / Posto 04
Outras informações: http://de-lirio.blogspot.com/

quarta-feira, setembro 12, 2007

Torquato Neto

LET'S PLAY THAT

Quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes

Let's play that

Retorno

Quando eu cresci, eu queria ser grande
Grande feito Clarice, feito Drummond
Feito Bandeira, João roseando o Sertão,
Cortando não os meus pulsos
Mas as veredas do meu coração.

Mas eu sou só isso: um suicídio, pequenininho
Que todo dia morre um pouquinho
Faz rimas estúpidas com o inho inho inho
E nem consegue chamar a atenção.

Pois é, Deus quando me olhou não disse
Desce e arrasa. Ele só exclamou:
Merda!

sexta-feira, setembro 07, 2007

Recesso

Estou podre. Só o pó. Cansado. Quero areia. Pôr-do-Sol e mar. Deixo as dívidas aqui, junto com as outras que faço agora. Vou viajar. Preciso descansar. E há tanto para se contar, mostrar. Faço quando voltar. Até mais.

Rodrigo

quinta-feira, setembro 06, 2007

conto - PRESTANDO CONTAS

-Oi.
-Hum.
-Precisamos conversar.
-Fala.
-Quero umas férias.
-De novo?
-É.
-Mas você voltou faz dois meses.
-Eu sei, eu sei. Mas é que, você sabe: cobrança, reclamações. A pressão. Não tô dando conta. Eu até pensei em pedir rescisão mas, eu sei que vai fazer falta, eu me arrependo. Depois não dá pra voltar atrás.
-É, não dá mesmo.
-Então, me dá umas férias?
-Quanto tempo?
-Três meses.
-Três meses?
-É. Você não sabia que no serviço público depois de cinco anos de serviço você tem direito a uma licença premium de três meses? Isso se você não tiver nenhuma falta.
-Aqui não é serviço público.
-É. Mas eu já estive em falta alguma vez?
-Preciso responder?
-Não.
-Tudo bem. Três meses. Só que é o seguinte: dessa vez eu vou contratar uma pessoa pro seu lugar.
-Como assim?
-Simples, alguém vai te substituir nesse período. Ou você acha que eu tenho que me virar sozinha?
-Hum, não sei.
-Não se preocupe. Será uma mulher.
-Mulher?
-É. Uma senhora. Já tenho todos os atributos: dedicada, prestativa. Experiente.
-Não tô gostando.
-Não é uma questão de gostar. Você quer suas férias não quer? Então, tudo bem. Eu dou. Mas eu quero alguém para substituí-lo. Pronto e acabou. Eu tenho esse direito, tenho o meu dinheiro e não dependo de você.
-Tá bom, tá bom. Mas por quanto tempo?
-Só até você voltar. Aí eu dispenso.
-Hum, tudo bem.
-E você, vai pra onde?
-Não interessa.
-Como assim? Isso é jeito de falar comigo?
-Ué, já viu algum funcionário dar satisfação de onde vai passar suas férias pro patrão? Não digo. Não interessa.
-Olha, se você aparecer aqui de novo com marca de batom no colarinho ou o telefone de alguma vagabunda no bolso. Ai, nem precisa entrar. É justa causa.
-É. Boas aquelas férias.
-Pra quem?
-Ninguém. Não disse nada. Eu começo quando?
-Hoje.
-Não, tá louca? Amanhã. Agora são onze e meia da noite. Você acha que eu vou perder um dia.
-Não quero saber, tá valendo a partir de hoje.
-Mas querida?
-Cala boca Roberval. E vê se dorme. Começa hoje. Depois da meia noite. Já serão dois meses e vinte e nove dias.
-Ai saco...
-O quê?
-Nada.
-Boa noite.
-Boa noite.


-Benhê?
-Oi?
-Não vai me dar um beijinho?
-Ah, hum.
-Me encoxa?
-Dez real.
-Roberval!
-Tá bom, tá bom.

domingo, setembro 02, 2007

conto


MARIA

Eu não me importo de ter sido acusada de colocar cocaína na mamadeira com leite quente e farinha e não poder falar pra me defender quando o apresentador da TV me chama de animal monstro assassina buscando o melhor ângulo sobre o meu rosto quando o delegado me algema e me puxa pelos cabelos pra mostrar a minha cara chorosa e me chamar de fingida. Eu não me importo por ter sido trancada pela revolta das mães presas e por isso ter sido justiçada surrada a cara marcada e ter uma caneta enfiada dentro da minha vagina. Revolta de mãe eu entendo. Eu não me importo com o laudo me inocentando depois de trinta e sete dias e o mesmo apresentador da TV se calando ignorando não pedindo desculpas fingindo desconhecer a notícia e a soltura na sexta-feira santa pra finalmente ver a pequena cova cheia em contraste com a minha alma vazia. Eu não me importo. Nada me importa.

Eu só queria era ter embalado o meu filho.


***

sábado, setembro 01, 2007

acreditem, são dois poemas...

1.

2.

Dicionário: POLÍTICO

1. Sujeito indefinido. 2. Tradicionalmente Médicos,
Engenheiros, Advogados, Empresários das Comunicações
e Indústrias, Ruralistas. 3. Os que não tem compromisso
com o povo, o popular. 4. Aquele que comete crimes com
imunidade parlamentar. 5. O que mete a mão no dinheiro
público. 6. Assassino sem rosto, mata sem ver a cor do sangue.
7. Aquele que não tem remorso. 8. Trabalha apenas de Terça,
Quinta e Quarta. 9. Pessoa que se diz Cansada; do Bem.

***

quinta-feira, agosto 30, 2007

maloqueiros convidam...


por isso eu te liguei!

NUNCA BASTA A REGRA DE TRÊS

Perdido entre o alfabeto e suas 23 letras
Tentei formar mais de 1000 palavras, quebrando a cabeça
Pois queria constituir no meu parco vocabulário
Neologismos para sua pergunta-problema

“- Você me ama?”
______Sim,
Mas as vezes eu não sei como lhe dizer...

Desejava lhe dar como resultado-resposta
Não apenas a regra dos três,
E sim o infinito.

Mas como sou burro!
Na escola, só me preocupava com as histórias
Tardei-me em me ocupar das letras
Sempre colei em matemática
Sem saber que um dia precisaria provar – e tirar prova
Do Amor que sinto por ti.

E quando tú Esfinges, me indaga, aquele dilema
Minha alternativa frustrada é sempre responder aquele problema
A solução da raiz quadrada de 09
Que é 3. As três palavras manjadas e lugar comum
Que o meu pequeno dicionário amoroso
Tem a lhe oferecer:

Eu te Amo

***

quarta-feira, agosto 29, 2007

cotidiano?

Esta semana voltei as aulas. Explico: semana passada tive uma forte infecção na garganta. E dores no ombro, no músculo do trapézio. Quatro dias de licença. Repouso? Só em casa. Mas não conseguia ficar parado. Li alguma coisa, ajeitei outras. Enfim.
E ontem, guerra. Porque é isso. Quando falo aula, é guerra. Na escola pública principalmente, não importa qual, é matar um leão por dia. Ontem não foi diferente. Por conta da cultura da violência que vive a nossa sociedade, isso respinga na escola. Pequenas desavenças entre alunos geram grandes tensões, formam-se grupos e ia ter pau na saída. Ia. Descobri o "esquema" e "perdi" duas aulas pra resolver o conflito. Sai da 6ªA vai pra 5ªA. Depois 5ªC e vou pra 6ªB. Volto pra 6ªA. Só chamando alunos no corredor e conversando. Querendo entender. Parece que deu certo. Ninguém tretou, ninguém foi pego na saída. Pelo menos ontem.
E como estamos na guerra, eu uso táticas de guerrilha. E, modéstia, estou melhorando. Ontem fiz a preparação do nosso próximo Sarau em sala. Antes não fazia a preparação, levava os livros pra sala, os alunos escolhiam na hora e declamávamos os poemas. Rolava, mas o silêncio muitas vezes era quebrado, muito búrburio, os alunos não gostavam dos poemas escolhidos. Ontem eu deixei eles só escolherem os poemas. Os melhores. Os que mais tivesse a ver com eles. E copiar no caderno. Para decorar e declamar depois. Daí, surgiram vários comentários interessantes:

Dinês, 1 metro e trinta e cinco e de altura, 11 anos. Dedos frágeis, parecem que vão quebrá-los. Segurando firme uma arma de grosso calibre, ANTOLOGIA POÉTICA, Carlos Drummond de Andrade, e dizendo:
"- Nooooooosa professor. Uou! Isso é que é livro."

Daniel. Pega um livro daqui, troca. Pega outro de lá, troca. Não gosta de nenhum. Ou melhor, os que gosta (conhece) estão com os outros. "Posso fazer uma sugestão Daniel? Este" Ele pega o livro, vai pra carteira dele e fica, até o final da aula lendo avidamente o livro. No final:
"- Professor, como faço para emprestar este livro?
- É da biblioteca. É só fazer o cadastro, marcar o nome do autor e do livro e emprestá-lo.
- Ah."
Então, ele pega papel e caneta e escreve:
"ANTOLOGIA POÉTICA
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE."

Carlos empolgado, dando várias risadas com um livro de poemas. Chega em mim. Coloca numa página em branco e me mostra. "Olha professor, esse é o melhor poema do mundo." Olho com cara de ué, não entendo. Ele percebe, explica:
"- Só os inteligentes podem percebê-lo."

Fala se o barato é louco ou não é?

Prof. Rodrigo

domingo, agosto 26, 2007

conto


DOCES BÁRBAROS

Para Ernesto Guevara, que na Bolívia, aos 39 pela CIA foi assassinado
e na Bolívia, 39 anos depois, teve parte de seu sonho realizado.



Homem branco superamericano faz campanha contra Índio que toma poder no país subamericano. Por de baixo dos pano. Descontrolado. Apesar de Índio chegar ao poder pelas vias democráticas, santinho na mão, chapa e eleição, invenções do homem branco democrático. Apesar de fazer tudo por cima do pano, Índio é chamado de Autoritário. Atrasado. Homem branco não entende por que Índio quer nacionalizar gás, riqueza que desconhecia antes da chegada de Colombo, Cortez. Bartolomé de Las Casas e Pizarro. Índio só tinha terra, milho. Ouro, prata e obras que não eram feitas só de barro. Índio lembra homem branco que pobreza, eleições e autoritarismo são palavras que não existiam no seu antigo vocabulário. E apesar de ser índio aprendeu, e não abre mão do seu direito democrático. Índio quer ser cidadão. Cidadania pra índio é o direito de ter o seu próprio chão. Cultura, respeito e tradição, na cidade ou no mato. Homem branco anuncia no caixote eletrônico notícias contra o Índio politizado. Índio é retrogrado, impede o desenvolvimento da civilização. O desmatamento, o aumento da produção e a morte por desnutrição de mais de uma centena de crianças em aldeias de Piauí e Dourados. Índios desnutridos. Crianças sem brilho. Extermínio calado. Índio não quer mais papo com presidente branco de país superamericano que ao contrário dos homens brancos subamericanos sempre foram mais eficientes e conseguiram que os Índios de país superamericano fossem dizimados. Homens brancos superamericanos não dão bola, tem novos problemas e estão ocupados. Hermanos. Índios miscigenados. Homens brancos subamericanos são atrasados. Tem saudade de Cortez, Pizarro. Jesuítas, Santa Igreja. Vivem no passado. Bandeirantes, Capitães do mato. Caçadores de índios e fugitivos escravos. Homens fortes, dignos, bravos, que dizimaram centenas de índios. Índio quer plantar a luta de Tupac Amaru, apesar de sangrado, esquartejado, suas partes em sacos espalhados, como semente para índio é aguardado. Índio lembra índio que, antes, todo dia era dia de índio. Mas agora eles só tem o dia dezenove de abril para lembrar os antepassados. Ou o dia vinte pra ser queimado enquanto dormia no Planalto Central, após as comemorações do dia do Índio. Fogo sagrado. Ou o dia nove de julho, para Tupã me olhar nos olhos, nas estreitas ruas sinuosas de Parati, saltar grandes pedras e aos seis me pedir um trocado. Compra sorvete? Sorvete é invenção de homem branco, que diz que os índios vestem roupa, falam português e na porta do bar dão um trago. Estão cada vez mais aculturados. Homem branco legalizado chama polícia, expulsa do comércio em Parati Tupã, seus agregados e seus ilegais artesanatos. Pra fora, one, little two, little three, little indians! Sem terra, sem mata. Sem o pequeno bote. Desarraigados. Homem branco não quer saber se índio passa fome e não tem mais força pra viver mas faz força para se matar enforcado. Em baixo de uma árvore, ajoelhado. Corda no tronco, pés no chão, suicídio com os joelhos dobrados. O desespero da vida supera o medo da morte. Homem branco não acredita na morte. Julga-se blindado. Lugar no céu, paraíso conquistado. Homem branco só quer saber de trabalhar e vender. Vender. Se julga eternizado. Índio atrapalha as vendas de homem branco. Índio atrapalha o desenvolvimento, a compra do gás e da expansão de país subamericano no mundo globalizado. Índio nem é cidadão. Que saudade de Cortez e Pizarro. Como era gostoso o meu francês. Os brancos, bandeirantes. Espanhóis e o tradicional português. As guerras justas. Jesuítas e os índios catequizados. Homem branco subamericano aguarda apoio de homem branco superamericano para acabar logo com essa brincadeira de mal grado. Índio faz parte da história, antropologia social. Só é bom no museu. Boneco de cera, empalhado. Homem branco não queria se preocupar com Índio. Não entende Índio de cocar e gravata. Civilizado. Homem branco espera logo acabar com essa brincadeira. Nem que seja na bala. Arco e flecha e tacape. Na palm ou no tapa. No mato. Diplomacia do canhão. Presente de Homem branco pra Índio. Doces bárbaros.
***

quinta-feira, agosto 23, 2007

pensamentos desconexos

"Estou numa caverna escura e baixa. Quarenta crianças me acompanham. O ar é rarefeito. Há musgo e lodo, por todos os lados. Onze, doze anos. Há cinco meses me estamos juntos. Uma brisa suspende os meus pêlos. Gabriele, Amanda e Luquinha têm os lábios cortados. Estamos com fome. Sede. Frio. Mariane se adianta, pergunta se vai demorar muito. Um pouco. André e Danilo falam alto. Brigam. Peço silêncio. Lembro que estamos sendo perseguidos. Tudo ali é muito perigoso. Juntos, somos fortes. A indisciplina nos enfraquece.

A velha candeia nos ilumina. Estreita-se o caminho. Na parede, Jorge sente um frescor. Água. Um fio. Meninos e meninas se empurram. Todos querem beber. Ao mesmo tempo. Pamela cai, ralha o joelho. Allan diz que a mãe de Jean é Puta. Solicito calma. Estou nervoso. Peço para serem rápidos. A candeia está fraca. Parece perdida. Tento demonstrar segurança. Por dentro eu choro. As crianças falam. Não se controlam. Marcos dá um soco em Kalil. Grito. Silêncio! Será que não dá pra conversar? Surge um eco. Um estranho barulho. Elas se assustam. Nos damos as mãos, continuarmos andando. Agachados. Lado a lado. Alguns tem raiva, me olham com desconfiança. Procuro demonstrar força. Não acho. Vou na frente. Sozinho. A candeia apaga. O óleo acaba. O gás acaba. Trevas. Desespero. Vou tateando. Círculos. Parece que nunca chegamos. Cansaço. Quero parar. Não posso. Estephanie chora. Insisto. Os ombros pesam. Me ajoelho. Tenho medo. Desisto. Estamos perdidos.

Então bate o sinal e todos vão embora. Pra casa. Correndo."


***

quarta-feira, agosto 22, 2007

Mil palavras # 11

A minha primeira tentativa no campo das artes foi no desenho. Adorava desenhar, desenhar. Cheguei até a fazer curso. Mas, definitivamente não levava jeito para as coisas. Depois vieram as frustrações com a dança, música, teatro - tudo nesta ordem - e, por fim, com as letras. Enfim, minha veia artística parece necrosada. Ainda assim eu insisto em algumas coisas. Bem, problema meu.
E, como um artista frustrado, gosto de admirar e elogiar bons trabalhos que vejo. Em todos os campos. E fiquei feliz com a premiação deste cartunista mineiro que eu desconhecia, mas já fez cartuns inclusive para o falecido Pasquim 21. Leia a pequena matéria abaixo do cartoon, e aprecie, com moderação.




do blog de quadrinhos do UOL
"O desenho (acima) ao lado, do brasileiro Marcio Leite, foi o primeiro colocado do Salão Internacional de Cartum da Síria. O tema do salão de humor era "mulher".

Os demais prêmios ficaram para:

- Julian Pena Pai, da Romênia (2º lugar);
- Jovan Prokoglijevic, da Sérvia (3º lugar)
- Mourhaj Yousef, da Síria (3º lugar)

Pai e Prokoglijevic ficaram empatados em terceiro lugar.

Veja os outros trabalhos premiados aqui.
***

terça-feira, agosto 21, 2007

dos poemas que escrevo


FÊNIX

Estou de joelhos, as mãos contra o rosto.
Meu corpo ferido banhado com meu próprio vinhosangue.
Meus inimigos sorriem, me julgam vencido.

Não sabem que estou me pintando para a guerra.

dos poemas que gostaria de ter escrito


POEMA EM LINHA RETA
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo, neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão um príncipe – todos eles príncipes – na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que me confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
***

segunda-feira, agosto 20, 2007

EBULIÇÃO

A minha raiva parece não ter descanso.
Sem paradas, foi ao pico da montanha.
De lá constatou o que já sabia:
somos pequenos
E desceu com muito mais disposição
Para encarar a selvacidade.


- Fogo aos tigres de papel.

quinta-feira, agosto 16, 2007

"Uma flor nasceu na rua."


Vitória.
Hoje foi mais um dia de conquista. Pela 3ª vez aconteceu na minha escola uma oficina - encontro literário na verdade - com os meus alunos do ensino fundamental. A convidada desta vez foi a Dinha, e deu show de bola com os seus balões flutuantes, cheios de ar, raiva, amor... e poesia.
Sinceridade: não sei bem o que quero com esse projeto, nem aonde vou chegar - se é que vai dar em algum lugar. Mas, tenho algumas certezas:
1. É legal levar escritores, poetas na escola;
2. A molecada está curtindo os encontros - e lendo os livros dos autores que vão nos visitar e;
3. Estamos sorrindo um pouco mais.
E isso tudo é lindo.
Veja outras fotos e informações no blog do jornal da Escola:
"Hasta la vitória, siempre."
Com um sorriso nos lábios,
Prof. Rodrigo

AJUSTES


"No dia em que ocê foi embora eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que eu não vivi
pensando em nós dois..." (Lenine)


Dizem:

Quem canta os males espanta
Quem conta, relembra. Uma, duas, três vezes.

Sei.

Queria eu que as palavras tivessem força
Imagem, som e sentido
E você estivesse aqui ao dizer seu nome

Queria eu poder transmitir, em hora marcada
Pipoca, guaraná e beijo de namorada
O filme reprisado nas ondas do meu pensamento
Chamado “sua vida”
Para te espantar de uma vez.

Mas nada adianta
Eu não consigo escrever sua história,
Prosa, redação, conto, romance,
A grande tragédia, nem nestes míseros versos
E você continua ao meu lado, como um fantasma
- amigo fantasma, é importante lembrar –
Não é Felipe?

Parece cobrar alguma coisa
O pênalti bem batido
O pano de tinner, a garrafa de cola
A parte que cubra o buraco aberto na sua cabeça
A sua história. Que não seja mais uma. Que não seja em vão.

Vou tentar fazer assim:

Era uma vez um menino chamado Felipe.
Conheci-o quando tinha doze anos. Ele, não eu.
Cabelos oxigenadamente loiros, a pele escura,
Sobrevivia na ruas cheirando cola e tinner.
Era Santista, adorava praia, futebol e bola
Sua posição favorita era o gol.
Seu ídolo, estava sempre no número 1.

Era difícil falar com ele,
Tinhoso, teimoso. Esperto. Arredio.
Certa vez ficou bastante tempo sem falar com uma amiga-moça
Pois pensou que esta havia ofendido a sua mãe.
Em outro momento, o vi pentelhar uma garota
Durante mais de quinze metros
Por que ela havia lhe negado um cigarro.
Êh Felipe. Convicto. Emburrado. Ia fundo naquilo que acreditava.

Certo dia, encontrou uma arma
E não bastando viver na ponta da faca
Pelo seu curto período de vida
Resolver partilhar com o amigo uma brincadeira mais arriscada.
Ou quem sabe, uma filosofia?
Afinal, o que é essa vida se não uma Roleta Russa
Numa seqüência de Tec, Tec, Tec, Tec. POW!

Uma bala a menos no tambor
Um sinal na testa de Felipe

“Atire a primeira, atire a segunda IaIá,
Até descarregar o tambor, até apagar a luz de IoIô
Até nunca mais, já vingou”

E assim foi. Vingou. Felipe
Que saiu menino do Jabaquara, andando, para as ruas de São Paulo, centro
E volta duro, mas ainda menino, dentro de um caixão.
Não sei se foi alívio para a mãe.
Não foi nenhum alívio para mim.

Sei que foi egoísmo,
Sei que foi sentimento pequeno quando naquele dia,
Sentado na beira da escada eu ouvi palavras sangradas dizer que você havia morrido.
Sabe, preferia que ainda que estivesse na rua,
Ainda que estivesse vagando pelo vale das sombras no Anhangabaú
Preferia que estivesse vivo.
Pois haveria ainda esperança, de trazer Vida, maiúscula como a LETRA
Para quem ousou, mas quase nunca havia existido.
Para quem aos doze não mais sonhou, apesar de eu ter insistido.
Mas aqui não é conto de farsas
E apesar de
Era uma vez
Não terminamos felizes para sempre.

Saiu.
Agora vá, por favor vá Felipe
Liberte os meus pensamentos, liberte o meu sono,
Liberte as minhas vagas horas de sossego perambulando como um insone.
Que você seja eterno enquanto dure nas eternas palavras de uma frágil folha em branco
E descanse em Paz.

E por favor
Me deixe descansar também.
Fiz o que pude. Talvez não foi o suficiente
Mas ainda não chegou a minha hora.
E quando ela chegar, prometo deixar olhar nos meus olhos e me julgar
Se o que fiz em vida contribuiu para sua morte ou não.

Amém.

domingo, agosto 12, 2007

Marcelino pediu para dar a letra...



"RODRIGO, caramigo, estou ainda em São Luís do Maranhão e parto já, já para São Paulo. Amanhã começa a nossa oficina. Olha só: divulga a quem puder interessar: acessando o site do Cronópios (http://www.cronopios.com.br/), o pessoal pode concorrer a uma bolsa integral para fazer a minha oficina literária no Barco Virgilio (http://www.barcovirgilio.com.br/), em São Paulo, que começa nesta segunda, dia 13, e vai até novembro (com a participação especial, durante o curso, de Jorge Mautner, Livia Garcia-Roza e Luiz Fernando Verissimo, além de um autor internacional). Enfim. E té, MARCELINO"





Interessados, não percam.

quinta-feira, agosto 09, 2007

pequenas grandes vitórias

navegantes, preciso compartilhar este momento com vocês.

ontem levei duas boas "porradas" de alguns alunos que me levaram à nocaute. mas, sou tinhoso, teimoso, e sigo aquela velha música: "reconhece a queda, e não desanima... levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima." ziriguidum? pois bem, ontem foi ontem, hoje é hoje, e já estou celebrando.

como um pai que não pára de olhar para o filho, assim eu fico com a nova edição do jornal FIQUE DE OLHO! - o número 02! - um trabalho que desenvolvo com @s alun@s na escola.

trabalho feito na raça, muitas vezes com verba do próprio bolso, sem apoio de professores mas, o que vale é que eu não o faço sozinho, e é pela força de vontade de alguns bravos e alunos guerreiros - que deram a idéia do projeto - que eu prossigo.

legal é ver a molecada dizer que está ajudando a escrever um pouco melhor, arejar as idéias. o trabalho podia ser ainda maior - e melhor, sendo repetitivo - se tivéssemos computadores na escola. mas, nós chegaremos lá. por enquanto, o trampo fica sobre as entrevistas, os textos, coisas nada fáceis.

agora eu convido vocês a visitar o blog do jornal e saber um pouco mais. por enquanto lá está apenas a capa mas, até o final de agosto teremos fotos, matérias sobre uma atividade de artes, concurso de quadrinhos da escola, entrevista exclusiva com Marcelino Freire e Sacolinha (ops, não podia falar) e muito mais.

http://fiquedeolho-jornalmesquita.blogspot.com/

e mais não tenho dito!
grande abraço

rodrigo

dois poemas sem título ou dois perdidos numa noite suja

No desespero
A cachaça bebeu
____Suas lembranças
____Suas misérias
____Seus dois empregos

Com vitalidade
O fogo tomou
____Sua mulher
____Seus filhos
____Seu relógio desperta/dor

Por fim, encontrou-se
____- perdido -
Entre as cinzas da hora.


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Se viver fosse fácil
Chamaria isto de Vida?

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domingo, agosto 05, 2007

Só rindo... e se armando.

São Paulo faz maior "Fora, Lula'; protesto reúne 3 mil pelo país

Entre gritos dos militantes, "Ca-cha-cei-ro" e "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão'; passeata foi convocada pela internet

Movimento reuniu 2 mil na capital paulista; Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Vitória, Porto Alegre e Rio tiveram manifestações

LAURA CAPRIGLIONEDA REPORTAGEM LOCAL

Sem lideranças políticas conhecidas, sem o chamariz de atores globais ou de freqüentadores da revista "Caras"; convocadas apenas pela internet, 2.000 pessoas -segundo cálculos da Polícia Militar- reuniram-se ontem em frente ao edifício da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para manifestar-se contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Com o nome oficial de "Movimento Fora Lula! O Brasil Acordou!", a mobilização de ontem é a tradução para o mundo real dos protestos que, no mundo virtual, já congregam 196.007 pessoas -este é o número de membros da comunidade "Fora Lula" do Orkut.Manifestações foram realizadas também em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Vitória e Campo Grande (somadas, reuniram cerca de mil pessoas).A palavra de ordem dominante foi o "Fora Lula". Mas também se ouviram: "Ca-cha-cei-ro, ca-cha-cei-ro", "va-ga-bun-do, va-ga-bun-do" e "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão". Nas faixas e cartazes, o mesmo tom: "Marta, fora, biscate" e "Lula, maldito, relaxa e vaza".Militantes pela redução da maioridade penal, pelos "direitos humanos (só) para humanos direitos", pela imediata construção de um partido nacionalista conservador, e até o movimento "República de São Paulo", que pretende a separar o estado do restante do país apareceram na manifestação.Não se via uma só bandeira vermelha. Negros eram os cartazes e as camisetas.Às 14h30, a cantora Enza Flori, 52, subiu ao carro de som. Agachada, sem ser vista pelo pessoal no chão, ela cantou uma versão meio gospel do "Hino Nacional". Um amigo segurava-lhe a letra, escrita em caracteres bem grandes, que ela colava com atenção. Enza já foi famosa. Era a "Mascotinha do Rei Roberto Carlos", nos idos dos anos 60. Hoje, dedica-se à música italiana, especialista que é em Rita Pavone.Depois da "emoção do hino", segundo Enza, o carro de som saiu, passeata atrás, rumo ao parque do Ibirapuera, área onde se localizam o Segundo Exército e o Monumento ao Soldado Constitucionalista.Amiga do coronel Ubiratan Guimarães, o comandante do chamado "Massacre do Carandiru", que resultou na morte de 111 detentos de um complexo penitenciário paulista, a empresária Ana Prudente, 49, era uma das mais entusiasmadas participantes. "Ele [o coronel Ubiratan], se estivesse vivo, certamente estaria nos apoiando. Ele era desses que nunca fugiu à luta", disse. O coronel foi assassinado no ano passado.Com os cabelos loiros e impecavelmente alisados, a empresária e estilista Patricia Guizzardi, 37, recusava ser chamada de representante da "elite branca" (expressão cunhada pelo ex-governador Claudio Lembo). "Eu acho esse comentário até racista. Sou povão. Passei dez carnavais seguidos no Rio de Janeiro, sambando no meio de negros."Na passeata de ontem, os jornalistas disputavam a desempregada Jessica Verônica Aquino Nascimento, 25, raríssima negra presente. Segundo ela, seus "irmãos de raça e os pobres em geral, infelizmente, ainda são muito ignorantes".Na frente do Segundo Exército, depois de andar 3 km, o pessoal ainda teve forças para gritar "Acorda, Milico! Acorda Milico!". Daí, surpresa, emendaram-se clássicos da canção de protesto, como "Apesar de Você", de Chico Buarque, e "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", de Vandré.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0508200703.htm

COMENTÁRIOS:

1 - Ridículo a cobertura da mídia para este protesto. Dá até raiva. Dia da Consciência Negra, Dia da Mulher, Greve nas Universidades Públicas, Marcha dos 10, 20, 50.000, enfim; protestos de grande porte muitas vezes não ganham uma linha, um espaço sequer na dita "grande mídia". O mais absurdo foi na época das diretas: 1/2 milhão de pessoas na Sé e a Globo, nem aí. Mas aqui, protesto de 3 mil(!) pessoas em todo o país - Notícia no Jornal Nacional, Folha de São Paulo. Parece uma mobilização anti-Lula. Só parece. A Data"foda-se" encomenda e não entende: "Datafolha mostra que 48% acham governo (LULA) bom ou ótimo, mesmo índice de março." - Pesquisa feita duas semanas após o acidente.

2 - Destaque para as PALAVRAS DE ORDEM e os APOIADORES: LEIA COM ATENÇÃO:
"A palavra de ordem dominante foi o "Fora Lula". Mas também se ouviram: "Ca-cha-cei-ro, ca-cha-cei-ro", "va-ga-bun-do, va-ga-bun-do" e "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão". Nas faixas e cartazes, o mesmo tom: "Marta, fora, biscate" e "Lula, maldito, relaxa e vaza".Militantes pela redução da maioridade penal, pelos "direitos humanos (só) para humanos direitos", pela imediata construção de um partido nacionalista conservador, e até o movimento "República de São Paulo", que pretende a separar o estado do restante do país apareceram na manifestação.Não se via uma só bandeira vermelha. Negros eram os cartazes e as camisetas."

sábado, agosto 04, 2007

A.B.C.


Deus é brasileiro. Mas quem manda é o Marcola. É, ele é o patrão. Ah prussôr, eu não vou entrar não. Ele é quem manda. Tá bom, tá bom, já que senhor insiste. Mas não vou fazer lição. Ah muleque doido! Tô cansado. Quatro da manhã ainda era noite jão. Só fazendo avião. Depois, o Play 2. Não é mole não. O jogo é bravo. Exige concentração. Que fita que eu tenho? Daquela de tiro. Pá, pá, pá. Me imagino tipo com uma 765. Mas logo mais eu tô com uma automática na mão. É, cê vai ver doidão.

Ah prussôr, não vou fazer lição não. Não entendo nada mesmo. Tô cansado de ficar só copiando. Num sei lê, num sei escreve. Conta? Conta eu conto, claro. Trabalho com dinheiro. Vivo. Se eu não conta quem é que garante a minha mesada? É, a vida é cara. Quem paga meu tênis, minhas roupa de marca? Quem? Pai e mãe num tenho. Já foi. Tudo morto. Só balaço. Mas eu nem ligo. Já cicatrizô. Nem choro. É, rapá, homem não chora. Só Jesus Chorou. O cara era gente fina, mas ó, muito pacífico. Comigo não, é na bala. Minha vida é na quebrada. E no esquema. Nem olhe pra minha cara. Olho, pá. Levô tiro.

Quem guia a minha mão é o Marcola. Se eu já matei? Eh prussôr, da missa ce não sabe o terço. Já tenho treze anos pô. Sô bicho solto, bicho feito. Tô enquadrado. Já to viradasso. Já paguei até veneno. É, um ano na FEBEM. Várias rebelião e o caralho. Tô aqui de L.A. Só por causa do juiz. Memo assim, num tem quem me segura. Fico pelos corredor, só nas fissura. Dando umas volta, ganhando a fita. Estudar? Só entro na aula do senhor porque o prussôr é gente fina. Mas não estudo não. E só entro de vez em quando. É não tem mai jeito jão. É feio ficar chorando pelo que se rebento. Já se estrago. Tem defeito. Minha vida agora é assim, só no arrebento. Mudá? Só se for de ponto. De vida eu não quero não. Tô bem prussôr, valeu. Valeu a preocupação. Satisfação.

Ô muleque doido! Ó, tô saindo. Cansei de ficar na sala, na escola. Sei lá. Aqui é tudo muito parado. Vou pra rua. Lá que é o barato. É.

Lá eu já sou mestre.

Volta às aulas

PROFESSOR: - E aí pessoal, como foram de férias?
ALUNA: - Ah, legal professor.
ALUNO: - É, por mim eu não voltava - rs.
PROFESSOR: - Alguém fez alguma coisa interessante?
ALUNA: - Eu viajei professor. Fui pra Praia Grande.
ALUNO: - Dãããããã. Toda praia é grande.
TODOS: - Ha ha ha ha ha ha ha ha.

quinta-feira, agosto 02, 2007

A volta dos que não foram

Estas são as organizações, empresas, entidades que fazem parte do Cansei:

OAB-SP
ABERT (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV)
ABRAPHE (Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero)
ADVBAESCON-SP
Associação Brasileira de Odontologia
Associação Comercial de São Paulo
BPW Brasil (Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais)
CAEPS - Centro Avançado de Pesquisas e Estudos Sociais
CJE FIESP
Conaje
Conselho Regional de Medicina
CREA
FEBRABAN
FIESP
FIESP - Jovens Líderes
Fundação PIO XII
Grupo Anglo-Americano
Grupo de Jovens da Associação Comercial
IBGT (Instituto Brasileiro de Gestão e Turnaround)
Instituto Brasileiro de Municipalismo, Cidadania e Gestão
Instituto de Estudos Empresariais - IEE
JLIDE
LIDE
LIDEM
SESCON-SP
SINDHOSP

Sabe que, vendo essa galera reunida, em prol do bem cívico, me lembra um pouco um outro grupo, de ricos empresários, banqueiros, que tinha grande atuação cívica (nada política!) de apoio e financiamento do regime militar brasileira, a OBAN - Operação Bandeirantes.
E insistem em dizer que é um movimento cívico, apolítico. Apesar de só ter tucanos. Apesar de ter respaldo na mídia com uma manifestação de 100 gatos pingados. Apesar de ter ganho espaço GRATUITO na TV. Porra, eu tô com muita raiva!
Esses caras realmente querem lavar a "honra, a dignidade, o respeito" dos cidadãos brasileiros. E não parece que será com água e sabão.

Tá sentindo?

- Humpf, humpf. Tá sentindo?
- Não. O quê?
- Aquele velho cheiro.
- Não. Do quê?
- O cheiro de golpe. Tá no ar.

OUÇA !!!



Independente de idade, cor, sexo, orientação política, econômica, social e musical.
Do caralh...!

Cansei dos "Cansei".


Caramba, depois dizem que a guerra de classes acabou, a guerra fria acabou, que o muro caiu. Uma merda. A maioria dessa porra da Elite, aqueles que ganham mais de 10, 50, 100, 1000 (!) salários mínimos por mês, que lêem Veja dizendo "é-isso-mesmo-mamãe-amém" tem uma puta de uma raiva do Lula e não se conformam com um operário no planalto. Veja bem: sem aliviar os erros de quem quer que seja que senta a bunda na cadeira do planalto mas, que eles tem MEDO (lembra-se, Regina-Duarte-Eu-Tô-Com-Medo) e preconceito contra o Lula, isso é mais do que claro.
E nem aproveitaram os mortos do desastre da TAM subirem - perdão pelo trocadilho - e já começou a exploração da notícia. O espetáculo. Mas eu já falei disso aqui.
Agora, vêem os "Cansados".
Do quê?
Já pegaram na vassoura? Já bateram roupa no tanque? Já enfrentaram uma sala de aula na periferia? Já dormiram no quartinho-senzala de empregada? Já trabalharam numa creche, levantaram as 04hs da matina, pegaram um trem lotado, um ônibus lotado, um metrô lotado? Do que estão cansados? Das roupas da Daslu? Do carro importado? Da vida pacata, trancando os filhos dentro dos condomínios fechados?
Se você também está cansado dos cansados, acesse os blogs:
Relaxe e goze!

domingo, julho 29, 2007

GUERREIRO DE FÉ

Ontem sabadão, frio de 0º grau pra rachar o côco e trincar os dentes em toda a São Paulo, rolou o 13º FAVELA TOMA CONTA, evento de Hip Hop que acontece na zona leste de Sampa, Itaim Paulista, idealizado, organizado e com todas as honras e dívidas para o Alessandro Buzo.


Apesar do frio também fui compartilhar o evento, pela primeira vez, e pretendo voltar em outras edições. Barato responsa, família. Só para ter idéia, na entrada, ao invés da tradicional "geral", o mano te estende a mão pra te receber. É isso aí.


E quero parabenizar a luta do Buzo, não só pelos seus trampos com o Hip Hop, com a Literatura, mas, principalmente, por querer fazer a diferença na periferia. Saindo da casa dos meus pais (Cangaíba), fui cruzando a Avenida São Miguel, Nordestina, Marechal Tito, até chegar no bloco Santa Bárbara, e o que mais chama atenção são as lojas, lojas, lojas, comércio, hiper-supermercados, consuma-me, consuma-me, consuma-me. Nada de Teatros, Bibliotecas, Espaços Culturais. Tá certo, "periferia é periferia em qualquer lugar", mas ainda me surpreendo com isso. A parte mais "ajeitada" é a frente das subs, onde tem até jardim - quem será que eles querem enganar ? Quer dizer, dentro deste universo onde os acesso as oportunidades de cultura e lazer são raras, quem briga pra fazer um evento como o FAVELA, promovendo o Hip Hop, sem apoio muitas vezes principalmente dos órgãos dito governamentais, está de parabéns, só pela coragem de ousar contra o sistema.


E quem quiser ver mais fotos e comentários, acessa os blogs do Buzo e da Marilda, sua esposa e fotógrafa:



www.suburbanoconvicto.blogger.com.br/
www.marildafoto.blogger.com.br/





Alessandro Buzo e eu

quarta-feira, julho 25, 2007

Os urubus vieram jantar.

Sentam-se à mesa, iniciam seus trabalhos.
Lentos e ávidos.
Cutucam meu um, dois olhos
Furam minha garganta
Peito, testículos e uma unha encravada.
De tão cinza confundem trânsito e frustração:
pulmão e coração.

Nem se dão conta que ainda estou vivo.

domingo, julho 22, 2007

EDUCADOR SOCIAL


Ih tio, eu tô aqui há mais de cem anos. Praça da Sé, República, Anhangabaú. Patriarca, Ipiranga com São João, Largo do Paissandú. Faz tempo. Agora vem a Prefeitura querendo me tirar da rua? Pra quê? Pra me jogar no abrigo? Esconder us moleque debaixo do tapete. Não. Deixa, deixa a vergonha dessa cidade exposta na cara. Bem no centro.

É, o Centrão que é a viração. Vixi, tem várias fita aí tio. Outro dia uma senhora quis me levar pra casa. A minha não, a dela. Levou eu e mais dois. Sem safadeza, sem pilantragem. Chegamo lá e tomamo um banho. Leite quente com chocolate. Sabe como a gente devolveu a caridade? Trancamo a tia no banheiro. É, depois fuçamo tudo a casa. Achamo jóia, dinheiro. A gente só caiu nessa mão porque demo muito bandeira, senão, tava com o meu doze mola até agora. Também, a tia é loki, querendo me levá embora? Eu tenho família jão. Minha mãe e mais seis irmão.

Quê cê quer saber tio? Deve tá tudo espalhado no mundão. Depois que o fogo cozinho nosso barraco a gente ficamo por aí, entre a calçada e o chão. Aí desandô. Eu desgrudei. E nunca mais voltei. Miséria por miséria fico aqui. Aqui pelo menos não tenho que dividir meu colchão. E aqui eu não passo fome. Lá não, é fome, treta. Muita raiva jão.

Sei que cê qué me ajudar tio. Cê vai dar um emprego pra minha mãe? Uma casa pra gente mora? Então, qué ajuda como? Veneno eu já passei e tô cansando. Meu primeiro cobertor foi um saco de lixo. Agora cresci. O saco preto eu deixo prus puto que agora eu vô cobri. Ta ligado no meu apelido? Bisturi. Então, a fita é essa aí.

Muitos não rouba por que qué não tio. Muitos rouba porque precisa memo, igual eu. Eu preciso. Mas se fô pra eu caí igual a fita lá da tia do apartamento e minha mãe te que ir na Fundação, fica gastando comigo, eu vou logo pro arrebento. Zé povinho eu lamento mas a vida é isso. A revolta já se instalou no meu peito. Quê se pensa? Como é que a gente vai cresce como uma pessoa igual a qualquer outra aí, que ainda tem uma ajuda de um pai, de uma mãe, que chega e auxilia sempre. Então o moleque ainda cresce normal, cresce sem nenhuma maldade, agora nóis? Êh tio, fala sério. Nóis é criado num local que já não é um lugar prum ser humano vivê, que já tem treta direto das família e tal, muita humilhação e pá, o maluco vai crescendo revoltado né mano, agora cê queria o quê? Que eu ficasse por lá quietinho, vaquinha de presépio, indo pro abatedouro? Aqui não, aqui é Vida Loka.

Esse mundo é o cão. Se pensa que eu num vi lá na banca de jornal? Os playboy no ponto de ônibus, arregaçando com a tia? E se fosse a minha mãe? Cadê a justiça? Não, minha justiça eu memo faço. E se tromba os boy por aí eu vou pro arregaço. Tá certo, não sou de aço. Mas também não vim pra semente jão. E se eu tô aqui nessa situação é por vocês, pensa que eu num sei? Moeda trocada. Essa é a Justiça. Minha única lei.

quinta-feira, julho 19, 2007

uma outra cara para o mesmo dia: 17 de julho

Ontem, no intervalo da fria garoa que caía nos dias quentes de inverno
Fui passear com meus pés pela rua.
Parei num posto de gasolina
E me abasteci de cigarros.
Atravessei ruas, subi ladeiras
E no muro de uma escola eu vi um pássaro
Levemente agachar as pernas
E cagar

Síntese de nossa civilização!

Muros pichados me apresentavam
Golfinhos, praias, rios,
Tucanos, onças e pardais
Preserve a natureza!
Cegamente eu me perguntava
Mas onde está ela?

Um carro com grandes rodas passa lentamente ao meu lado
Não me diz boa tarde, apenas me encara
Apontando escuros olhos para os meus olhos quase vazios
Abaixo a minha cabeça, enquanto na rua deserta
A minha alma não sorri

Por que tenho medo?

Catadores de papelão trabalham,
Na porta do bar um copo segura um homem, e pergunta:
Pra quê?

Entro no mercadinho da esquina
Observo cuidadosamente as paredes, o seu azulejo quadrado
Chocolates, salgadinhos, o piso vermelho encerado
Lembro que estes mercadinhos estão em vias de extinção.
O homem atrás do balcão não é simpático
Na verdade sabe dizer apenas
Obrigado
Depois de ver a cor do meu dinheiro, que é pouco
Mas é o movimento do dia.

Caminho lentamente de volta a minha casa
Vejo uma Casa Espírita, muros baixos
E espinhos fazendo as cercas entre os vizinhos.
Ouço algumas pombas,
Vejo bonitos pássaros
Tento adivinhar os seus nome, que na escola, infelizmente,
eu nunca aprendi.
Me aproximo de um
Ele não voa, mas tem medo
Em pequenos saltimbancos, escapa e sai.
Vai beber a água suja debaixo de um carro
Parece feliz.

Chego na porta do meu prédio
Um homem não se apresenta, não há para quem dizer
Boa tarde, boa noite, bom dia
Apenas o portão eletrônico se abre
Após o olho eletrônico identificar-me e seguramente
Registrar a confirmação.
Vidros fumes escondem o rosto do trabalhador do meu prédio
Segurança é tudo hoje em dia.

Abro a porta do meu apartamento
Dentro da caixa não há ninguém para me receber
Apenas a voz de Lenine no rádio ligado, esquecido, dizendo
Paciência. A vida é tão rara,
A vida não pára não
A vida não pára.

mudando de assunto

car@s,

gostaria de dizer que um novo link foi adicionado nas minhas contra-indicações. portanto, por favor, não acessem o blog abaixo:

malocapraquetequero.blogspot.com/

mantenha a mediocridade em dia.

rodrigo

uma tragédia na sociedade do espetáculo ou mais um espetáculo numa sociedade trágica?

recesso escolar. não sei se é o curto período de férias mas, que preguiça! ao contrário do que faço quando estou dando e preparando aula, corrigindo provas, preparando textos, neste recesso não estou lendo. apenas sentado. ouvindo filmes e vendo músicas. muitas.
tragédias.
por favor, parem de repetir as imagens. chega de links ao vivo, corpos sendo retirados. explosões, cenas exclusivas, novos depoimentos. chega de hollywood. chega de espetáculo. a lente da tv não consegue dimensionar uma tragédia como essa. não será a lente da tv que medirá o tamanho da frustração, da raiva das pessoas. da tristeza.
um acidente premeditado como esse - afinal, você já olhou ao redor de congonhas? só tem casa amigo - na principal cidade latino-americana está sendo um prato cheio para a mídia gorda. tudo bem, estão tristes. lógico, quase todo mundo está. mas, que prato cheio. estão se esbaldando com a miséria alheia. e a classe média, preocupada em culpados, preocupada em linchar o lula-escariotes, nem percebe a exploração de sua tragédia.
besteira da minha parte? lembro muito bem, no ano passado quando caiu o avião da gol, no meio da mata. não tinham imagens, não tinham links ao vivo, não tinham fácil acesso. apenas a confirmação da tragédia: mais de 140 mortos (pensava-se). o que a mídia fez? preferiu dar o "escândalo" das fotos vendidas pelo "políça" federal. lembram? aquelas fotos que mostram o pacotão de dinheiro em cima da mesa? igual a que fora encontrada antes com a candidata que virou picolé? a sarney? não lembra? então esquece. naquela época era reta final da eleição presidencial. e como o picolé de chuchu tinha esperança de ganhar do lula, preferiram noticiar, 1ª capa a foto. o acidente da gol, na época o maior da história, foi colocado a segundo plano.
não tinha foto. não tinha link ao vivo. não era espetáculo. não virou notícia.
e nem bem os culpados foram apurados, o linchamento já começou. ao vivo. e vivo. o principal alvo, você ainda não viu?
os poupados?
não sabe do que estou falando?
ah, não vou abrir os olhos de ninguém. aqui eu só coloco os efeitos colaterais "que o teu sistema fez". e se você não sabe do que estou falando é por quê não estamos no mesmo planeta.
agora, chega de espetáculo. apurem-se os fatos. identifiquem os culpados. cumpra-se o puna-se. e tratemos de outras tragédias que estão no ar, no chão de terra batida, entre becos, vielas e barracos. há muito mais tempo.

rodrigo

terça-feira, julho 17, 2007

segunda-feira, julho 16, 2007

Texto INdispensável do Excelentíssimo Sr. Antônio Ermírio de Moraes

Parabéns pela cidade limpa

ENTROU EM vigor a todo o vapor na última segunda-feira (2/7) lei do Cidade Limpa na capital de São Paulo (14.223/ 2006), que visa disciplinar o uso de anúncios. Naquela data acabou o período de adaptação, e os infratores passaram a ser multados. E as multas são pesadas. Começam com R$ 10 mil e vão subindo numa progressão geométrica e meteórica para que os cidadãos pensem duas vezes antes de invadir a cidade com anúncios inadequados. Houve tempo para tomar providências. E isso foi muito bom. Sem punições, a maioria dos responsáveis entendeu que deveria respeitar as normas de civilidade, providenciando a retirada de anúncios que tornavam São Paulo uma das cidades mais poluídas do mundo. Aos poucos, os paulistanos foram descobrindo uma cidade esquecida ou que nunca conheceram. Uns ficaram admirados com a arte embutida na arquitetura das construções. Outros se assustaram com as rachaduras nos edifícios, estruturas maltratadas, marquises caem-não-caem, redes elétricas a céu aberto e outros problemas que eram escondidos pelos anúncios. Está aí uma lei de boa qualidade. O povo gostou. No início, os infratores reclamaram, mas acabaram se ajustando. A nova lei surtiu efeito antes mesmo de entrar em pleno vigor. O que está faltando, agora, além da retirada das armações dos anúncios, é uma ação educativa e repressiva aos pichadores e aos moradores de rua que emporcalham as paredes dos prédios e que usam as praças e as ruas da cidade como dormitórios, banheiros e lavanderias. Há anos manifesto o meu inconformismo com a inaceitável sujeirada que tomou conta da cidade. Será preciso fazer uma outra lei para corrigir esse problema? Penso que não. Na lei do Cidade Limpa há dispositivos que se referem ao combate à poluição visual, bem como à degradação ambiental. Quer mais degradação do que o emporcalhamento da Biblioteca Municipal Mário de Andrade? Ou gente que dorme, urina e lava roupa em plena praça Ramos de Azevedo, nas barbas do Carlos Gomes? Se lei existe, o que falta é um programa efetivo por parte da prefeitura para acabar com as pichações indecorosas que ainda banham a bela cidade. Não é possível continuar com esses maus exemplos. O turista que vem a São Paulo fica com a impressão de ter chegado a um planeta diferente, onde nada se entende do que é escrito nas paredes e tudo se faz nas ruas e nas praças. A cidade merece um tratamento condigno em vista do que já fez e continua fazendo para o progresso econômico e social de São Paulo e do Brasil.

antonio.ermirio@antonioermirio.com.br
ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES escreve aos domingos nesta coluna
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0807200706.htm

E você, o que acha disso?

quinta-feira, julho 12, 2007

tudo pela DINHA!

caríssimos e caríssimas leitores e leitoras deste blog,
foi me concedido o privilégio de apresentar para vocês uma entrevista exclusiva com uma das maiores poetas da nova geração de escritores - vale dizer não apenas da literatura periférica -, a Dinha.
não fui eu quem realizou a entrevista mas, a mesma foi feita a partir de uma matéria publicada no JT sobre a Coleção Literatura Periférica, da Editora Global, na qual já foi lançado o livro do Sérgio Vaz (Colecionador de Pedras) e será publicado ainda outros autores: Sacolinha, Alessandro Buzo, Allan da Rosa e, por fim, a Dinha. como na entrevista não foi aproveitado muito bem todas as perguntas, a Dinha perguntou se eu tinha interesse em publicá-la, na integra, aqui neste modesto espaço. é claro que sim amiga, e com prazer. afinal, como diz o Vaz: -"É tudo nosso."
vou aproveitar que estarei fora de sampa por uns dias e deixarei-a no ar. leia (e releia!) com moderação e reflexão. vale a pena:


1- Na sua opinião, qual a importância desta coleção da editora Global para a literatura brasileira?
A coleção apresenta um universo que, apesar de não ser estreante no cenário da literatura, é apresentado de forma sistemática, representativa, na medida do possível, de diversos gêneros literários produzidos nas periferias.
Mas mais importante é que os leitores e leitoras terão a possibilidade de nos conhecer, rsrsrsr. Lógico. Porque o que vai nos conferir importância não é a coleção em si, mas a nossa sobrevivência, o fato de as pessoas nos lerem, ou não, depois que ser preto/a e pobre deixar de ser moda. A coleção possibilitará o acesso das pessoas aos textos produzidos pelas periferias.


2- E qual a importância desta coleção para as periferias brasileiras?
Depende. Se as pessoas tiverem acesso, poderá ser tão importante quanto o Hip Hop. As pessoas gostam de se verem representadas, de preferência, sem estereótipos, de forma realista ou não, mas respeitosa sempre. (Porque somos nós que estamos produzindo e eu, pelo menos, costumo me respeitar. Sei – porque sinto na pele – que somos a mesma pessoa: eu, minha família, meus vizinhos. Se um morre ou passa fome ou outro aperreio. Também sou eu quem estou morrendo, passando fome e todo o resto.)


3- Qual a importância desta coleção para vocês, escritores marginais?
A principal é a oportunidade de ser lido por outros públicos – periféricos ou não.
Escrevo pra todo mundo. Faço questão de que todo mundo leia. Fico feliz quando uma moradora de rua (mais marginal que eu) lê e gosta dos meus poemas. Mas também fico satisfeita quando pessoas de outras classes e culturas lêem e gostam.


4- Prefere o termo literatura periférica ou literatura marginal? Existe diferença entre eles?
As palavras têm muito peso. Elas criam. Por isso discutimos as nomenclaturas. Mas, a princípio, é apenas uma questão de nome. Os ditos "marginais" e os ditos "periféricos" são hoje as mesmas pessoas. A diferença fundamental, pra mim, é que "marginal" até Caetano foi (uma amiga me lembrou isto uma vez). Periféricos ou, "de periferia", tem a ver com um contexto atual, difícil de confundir, por isso prefiro este último.


5- Considera que o adjetivo, tanto periférica como marginal, é usado de forma pejorativa, de modo a excluir vocês do time "oficial" de escritores?
A periferia é um mundo inteiro e tudo o que tem a ver com pobreza costuma ser tratado de forma pejorativa. Eu não me esforço pra parecer pobre. Sou pobre. Não tenho intenções de parecer e nem de ficar mais rica. Não admiro a outra classe. Se eu entrar pro tal time e não for lida pela minha mãe, filha, esposo, amigos, etc, de nada me serve a oficialidade.
Digo isso porque cultura oficial, geralmente quer dizer cultura de elite, de quem tem poder aquisitivo. Essas pessoas, ou nos tratam como folclore, ou tendem a diminuir nossa produção cultural. Diante disso, a reação natural é reforçar que somos o que somos. Depois que estivermos bem firmes, deixaremos de desperdiçar energia com quem não vale o esforço e nos dedicaremos completamente à gente da gente.


6- A periferia lê a literatura feita na periferia?
Além dos livros publicados de forma independente, à revelia das grandes editoras e dos raros incentivos governamentais, existe ainda nas periferias diversos movimentos de acesso à leitura e formação de leitores e leitoras: são bibliotecas comunitárias, produção e circulação de fanzines, jornais de bairro, saraus literários e projetos independentes de oficinas literárias que possibilitam acesso à leitura sem que a gente deixe de comprar arroz e feijão.
Significa dizer que a parte leitora da periferia, também lê seus próprios autores.


7- Os moradores da periferia terão acesso à coleção da Global?
Lógico. Se não, pra quê publicar? Se não, pra quê servem as bibliotecas, saraus e tudo o mais que respondi na pergunta anterior?


8- O que significa uma grande editora lançar uma coleção de literatura marginal?

Significa que estamos sendo valorizados como autores/as, independentemente dos rótulos que se coloque. Mas significa também que estamos virando mercadoria vendável e que, portanto, corremos sério risco de virar escritores e escritoras rotineiras, de transformar nosso cotidiano, nosso mundo (com suas maravilhas e misérias) em material de consumo para outras classes – aquelas que não têm coragem de entrar numa favela, mas se delicia com esse contato "seguro".
Significa que a luz amarela do farol está acesa.


9 - Você considera que tudo que vem da periferia ,ou é feito para e sobre a periferia, é positivo?
Nem o que vem da periferia e nem o que é alheio a ela são simplesmente positivos ou negativos. O Movimento Hip Hop, por exemplo, vem narrando, oralmente, através do Rap, várias nuances da perifeira. Isso é bastante positivo pra mim que nunca havia lido/visto/ouvido minha história, da minha família e dos meus vizinhos, a não ser a partir de olhares de fora, estrangeiros. Entretanto, o Movimento é mesmo machista e sexista , assim como a grande maioria das pessoas da nossa sociedade também o são. Isso não tira sua importância.


10 - Quais são os planos futuros?
Estudar. De preferência não trabalhar fora. Só para minha casa, família e comunidade. Cuidar das minhas filhas (a que é grande e a que está por nascer). Produzir e distribuir muitos fanzines (de graça, que é a melhor parte), participar de muitos saraus. Escrever muito. Até ano que vem, publicar o outro livro - "Morrer, só se morre uma vez?" – para o qual estou juntando munição.


11- Qual a maior contribuição dos saraus da Cooperifa ?
Reunir, compartilhar, multiplicar e produzir talentos entre nós, por nós.


1 2 - Como se tornou escritora?
Lia até pedaços de jornal velho – porque não tinha livros em casa. Depois comecei a escrever um diário, com uns 12 anos, mais ou menos. Como eu não tinha chave, percebi que as palavras poderiam dizer sem dizer. Comecei a usar metáforas como chave de palavras. Daí pra escrever poesia foi questão de tempo e muito segredo escrito. Depois senti vontade de mostrar. As pessoas gostaram e eu passei a produzir fanzines literários, com meus próprios textos. Faço isso até hoje. Me tornei escritora quando as pessoas passaram a ler meus trabalhos, multiplicar e pedir mais.


13 - Quais os autores te influenciam ou influenciaram ?
Li bastante Drummond, João Cabral de Melo Neto, Murilo Mendes, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira. Agora leio Cadernos Negros e autores de Angola e Moçambique ( que são coisas que eu estudo). Leio muito também os autores periféricos, ou que freqüentam o sarau da Cooperifa. Trocamos influências mútuas. Me influenciam também alguns rappers como GOG e o grupo Clã Nordestino. Me traduzem.


14- Se tiver alguma coisa que vc queira comentar...se puder também, conte o que anda fazendo.
Bom... acabei de casar, estou grávida de 6 meses, cursando mestrado na USP, na área de Literatura Comparada. Trabalho como educadora em uma ONG da cidade e sou responsável, entre outros, pela parte de saraus no Núcleo Cultural Poder e Revolução. Quero reforçar que apesar de escrever PARA todas as pessoas, escrevo, principalmente, POR mim. E eu sou mais que eu mesma. Sou meus irmãos, minha comunidade. Fico feliz que conheçam e admirem nossa história, nossa sensibilidade. Mas isso não significa que vou aliviar o lado de ninguém, nem me encantar a ponto de deixar de ser quem eu sou. Não quero enriquecer, sair da periferia e continuar a escrever sobre ela, de fora, como todo mundo que não é da periferia faz. Primeiro porque não tenho esse desejo, como disse, não admiro a outra classe. Não quero morar no Paraíso, Vila Madalena ou Morumbi, nem comer um pedaço de pizza que custe R$4,50, nem ter carro do ano, ou as outras coisas mais que desconheço. Quero mais é que as feridas se abram e o povo tome, à força se for preciso, o que é nosso por direito.
Se eu fizer o contrário do que estou dizendo, me desconsiderem.
Como diz o amigo, escritor e rapper Dugueto: Quem não tem valor, tem preço.




E pra quem quer conhecer um pouco mais do trabalho da Dinha e do Núcleo Cultural Poder e Revolução, acontece neste sábado, 14/07, a partir das 16hs um SARAU e uma FEIRA DE TROCAS NO MALOCA (Rua Particular, 556 - Pq. Bristol). A Dinha informa que está trocando poemas por roupas de neném, carregador de pilhas por liquidificador ou roupas de grávidas. Outras informações, como chegar: milakizzy@yahoo.com.br ou 9969-1010

texto DISPENSÁVEL aos ortodoxos e puritanos em matéria de Cristo

SAI DE BAIXO

Pai, dessa vez não tem jeito, eu preciso descer.
Calma Filho, calma. Lá vai você querendo salvar o mundo de novo.
Não pai, não é isso. Você tem visto os jornais?
Eu não. Deixei de ler há muito tempo. A gente trabalha, trabalha, trabalha e só recebe uma notinha, um rodapé de vez em quando.
Então. O Vaticano declarou: “Única Igreja de Cristo”.
Ah, é isso? Esquece. Já pensou você aparecendo: -“Irmãos, algumas questões precisam ser esclarecidas.” Vão te chamar de doido, vão te internar no hospício.
Eu tava pensando em colocar uma Carta Aberta nos jornais.
Não. Relaxa e louva meu filho.
Não pai, não dá. Tem muita gente fula com esse monopólio. “Única Igreja de Cristo.”
Então, de novo te patentearam na cruz, martelo batido. Sua cabeça já foi a prêmio. Mas não se preocupe. É só mais uma bobagem dessa Igreja. Logo ninguém mais fala disso.
Será Pai? Já tô ouvindo algumas piadinhas. Tem alguns me chamando de vendido.
Você? Vendido? Garanto que foi alguém da imprensa. Eles não tem mais nada que inventar mesmo.
É, mas tem cristão no meio. Mas o que mais me incomoda mesmo é essa obsessão, essa posse pro meu lado. Ta me enchendo o saco. Meu lema é a Liberdade, Paz e Amor, mas não. Eles insistem em me pregar. Só faltava chamar uma nova Cruzada contra os infiéis pra varrer o mundo, com a minha benção.
Ah, isso você não precisa se preocupar. Eles já deixaram para os americanos.
E a mãe, ta sabendo?
Tá.
O que achou?
Xiii. Essa daí ficou brava. Você sabe como é que é né, mãe. Quando mexe com a cria. Queria até fazer uma nova aparição. Mas aí pensou bem. Disse que não tinha mais idade pra isso. Tem muita câmera escondida espalhada por aí. Achou melhor não ir.
É. Nem a mãe escapa ao pecado da vaidade.
Pois é.
To vendo que eu vou precisar contratar um advogado.
Fala com o Lúcifer.
O que? Com o Tinhoso, o Pau Mandado? O Cão?
Calma meu filho. Melhor do que o Advogado do Diabo é o próprio. Ele vai te defender bem, você sabe que ele tem bom trânsito, bom relacionamento com pessoas influentes na Igreja. Fala com ele. Ele vai saber como consertar isso.
Isso não vai dar certo. Onde já se viu, o diabo me defendendo?
Acredite em mim meu Filho. Ele é profissional. Sabe separar as coisas. Pagando bem, que mal tem?

quarta-feira, julho 11, 2007

Ocas'' comemora 5 anos com Seu Jorge, sarau e futebol

Festa em SP contará, entre outras atrações, com show do cantor fluminense e apresentação dos jogadores que irão disputar a Copa do Mundo de Futebol de Rua, na Dinamarca

Em julho de 2002, com um evento no Pátio do Colégio e outro no Largo São Francisco, a Ocas'' foi lançada, respectivamente, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Para celebrar a vitória de estar há cinco anos nas ruas, vendedores e voluntários do projeto prepararam uma programação que inclui sarau, dança, teatro e muita música. Um dos destaques é a participação especial de Seu Jorge, que divulga o quarto e novo CD, "América Brasil", e foi entrevistado pela nossa equipe. O resultado estará na capa e nas páginas da revista comemorativa, n.54 (Julho/Agosto 2007).
Além das intervenções culturais, serão apresentados os integrantes da seleção que irá representar o país na 5a edição da Homeless World Cup, a Copa do Mundo de Futebol de Rua. Realizada em Copenhagen, entre os dias 29 de julho e 4 de agosto, a competição reunirá mais de 500 jogadores de 48 países. Vendedores da Ocas'' vestiram a camisa do Brasil nos três últimos torneios. A equipe, que está há seis meses em intensas atividades de preparação e treinamento, conquistou em junho o terceiro lugar no Campeonato de Futsal Solidário - organizado pela prefeitura de São Paulo - e espera retornar da Europa com o título da Copa.

Sobre a Revista Ocas''
A revista Ocas'' é vendida exclusivamente por pessoas em situação de rua ou em extremo risco social, que têm neste trabalho uma chance de mudança efetiva em suas vidas. O resultado decorrente da venda permite que elas estabeleçam novos contatos, ampliem sua rede de relacionamentos e dêem passos rumo à cidadania. Os vendedores ficam com R$ 2 do preço de capa, R$ 3.
Ao longo destes 5 anos, mais de 1500 pessoas cadastradas pelo projeto colocaram em circulação cerca de 250 mil exemplares da revista, o que chega a representar mais de R$ 500 mil transferidos diretamente ao público beneficiário.
Para obter mais informações sobre a Ocas'' e relação de atividades da organização, que inclui seções de psicodrama, oficinas de redação com os vendedores, espaço de informática, teatro e projeto esportivo, acesse www.ocas.org.br. Visite também o site da Copa do Mundo de Futebol de Rua, em http://www.homelessworldcup.org.

Serviço:
Festa de 5 anos de circulação da revista Ocas''
Quando: 14 de julho, a partir das 16h.
Onde: Rua Domingos Paiva, 672 - ao lado da estação Brás do metrô.
Entrada: R$ 5 - dá direito a um exemplar da revista, exceto edição n.54 - Julho/Agosto 2007.

Assessoria de Imprensa: Carolina de Barros ( ocas@ocas.org.br e 0/xx/11 9273 -7978).

bilhetinhos


sexta-feira, julho 06, 2007

devo, não nego, pago quando voltar...

exercendo o ditado "devo, não nego, pago quando... voltar", eu e tânia estamos fazendo as malas rumo a Parati.
já faz um tempo que eu não viajo e o contato com a natureza fará muito bem aos meus pulmões e ao meu desânimo pela vida. levo na bagagem a expectativa de conhecer pessoas interessantes naquela cidade que, no momento, está acontecendo a flip, além de encontrar alguns conhecidos, principalmente na off-flip (marcelino, pessoal do maloqueirista, entre outros) já que não pretendo gastar um centavo nas palestras, conferências, apenas curtir uma viagem e bons amigos.
se o robson cano não der para trás, ele e sua esposa neide darão o ar da graça junto conosco.
estou levando na bagagem também alguns exemplares dos livros das edições dulcinéia catadora. faremos a divulgação do trabalho e quem sabe, ganhar alguns trocados.
nem sou escritor mas, sei que essa vida não é fácil.
e é isso. tô enjuriado hoje pra escrever por acabar de ver uma pessoa batalhadora pra caramba passar mó perrengue pra pagar suas contas, tendo que talvez voltar pra rua se a maré não mudar. sei que não é o último, nem é só ele mas, é que eu não me acostumei nem me conformo com essas coisas ainda.
mas é isso. por esses dias visite outros blogs aí indicados. depois volte. será bem vindo.
até quem sabe por aí,

rodrigo

quarta-feira, julho 04, 2007

fotos - FLAP 2007

mesa de abertura da FLAP. entre os convidados, glauco mattoso e marcelino freire

mesa "a turma do fundão - a literatura na sala de aula"

eu, muito nervoso.

teatro dos satyros I - praça roosevelt

público presente

"ando, meio desligado..."

há tempos que não posto nada por aqui.
nem tanto pelo clima de férias. mais por um pequeno incidente que me "travou" as costas e me deixou com um belo colar de gesso, por uns dois ou três dias. desde segunda feira que praticamente estou de "molho". mas vai melhorar.
é preciso.
esta quinta tem lançamento do livro do sérgio vaz. sexta feira tenho que entregar notas, resultados das avaliações na escola. sexta feira pode ter ainda a flip. quem sabe? eu não sei.
e a partir do final de semana eu vou aproveitar as minhas pequenas férias. dez dias de recesso mas, quero aproveitá-los bem.
para quem visita o blog, eu contra indico todos os blogs e sítios ao lado.
ah, e digo mais: a flap foi muito boa. aproveitei apenas a sexta e o sábado mas, digo que foi boa. a mesa da qual eu participei - a turma do fundão, a literatura na sala de aula foi frutífera. o tempo foi curto mas, pequenas provocações, reflexões foram colocadas e isso é o que basta.
não tenho mais nada para dizer então, é isto.
para quem não for curtir umas férias, não trabalhe tanto!
abraço