segunda-feira, março 23, 2015

SALÃO DO LIVRO DE PARIS, #03

Minha literatura elevada a um patamar que nunca imaginei. Caminhando ao lado de muitos que sempre li e gostei. Encontros, conversas, possibilidades de trocas profissionais e trabalho. Muito trabalho. Feliz. #SalonDuLivreParis 2015

Informações de uma das mesas que participei no Salão do Livro. Esta, ao lado de Ricardo Aleixo

"brésil - brasil": stand do salão do livro



 "Te Pego Lá Fora" também chegou aqui

 Guiomar de Grammont abrindo a mesa

 
 poeta Ricardo Aleixo: máximo respeito

 parte do público presente ao evento


 dedicatórias

 detalhe da mesa de autógrafos

 Conceição Evaristo: máximo respeito

 Integrantes da Editions Anacaona

 João Carrascoza e eu, autores do "Eu sou favela"

 Simone Paulino e Paulo Lins

Marcelino Freire, João Carrascoza, Ana Paula Maia, Conceição Evaristo, eu, Paulo Lins e Paula Anacona

sexta-feira, março 20, 2015

NOTA DE ESCLARECIMENTO ou SOLIDARIEDADE NA REVOLTA, PARIS #02

Não era pra ser. Mas foi. O principal assunto discutido entre os escritores brasileiros convidados para o Salão do Livro de Paris de 2015 no primeiro dia foi a remuneração. Ou a ausência dela. Explico: nenhum dos autores convidados para as atividades está recebendo cachê.

Eu, proletário das letras, nem estou acostumado com a palavra "cachê". Para mim é salário. É meu trabalho, tenho dedicação diária sobre isso. Esforço físico, intelectual. Literalmente, compro as fraldas de minha filha, faço mercado, feira, pago minhas contas com parte do que recebo neste meu trabalho literário. Claro que não posso me dar o luxo de viver apenas disso. Mas espero receber algo por ele. Quem me conhece, sabe que desde sempre tenho uma máxima: todo trabalho digno merece ser remunerado. É justo. E aqui, apesar de estar em Paris, cidade luz, maravilhosa, representando o Brasil, não estamos financeiramente recebendo por isso.

Quando fui convidado, não foi claramente explícito que seria desta forma. Soube apenas depois de um mês, quando estava me organizando, fazendo contas que perguntei sobre o "cachê". Ao que fui informado que não receberia. Mas teríamos uma "diária bacana", para passar os dias aqui. Se é assim, pensei: ok Apesar de ter 09 anos de estrada, sou novo nesta seara. Aprendendo ainda como funciona. Sempre recebo pelos trabalhos que faço. Mas aqui é diferente. E estar aqui presente, a divulgação do trabalho é importante. Mas estava preocupado com algo prático: como vou me virar em Paris? Cidade cara, custo de vida alto. E apesar da felicidade do convite, tenho minhas limitações financeiras. Não poderia me dar ao luxo de ficar cinco, seis dias aqui sem uma ajuda de custo decente. Afinal, deixei meu trabalho na escola no Brasil. Vou ter desconto destes dias que estou viajando. Além disso, abri mão de outras atividades remuneradas para participar do Salão. Enfim, de verdade: não teria condições de me bancar por aqui, nestes dias. Na crise que vivenciamos, não estou podendo me dar este "luxo".

A priori, fiquei muito chateado por achar que era algo comigo. Sou o escritor mais novo, tanto em idade quanto em projeção, daqueles que aqui estão. Pensei: "estão fazendo um favor em me levar, por isso não recebo". Mas não: ninguém está recebendo. Ninguém está ganhando nada. Aos menos os escritores.

E pensa que coisa maluca: um dos maiores eventos literários do mundo, com uma programação voltada e feita principalmente com e sobre os escritores, com presença de grandes livrarias, editoras, que podem vender seus livros - ou seja, terem lucro - mas que, a principal mão de obra produtiva, o "escritor", não recebe. Eu acho injusto. Ou todos ganhamos, ou ninguém ganha. Fazemos todos pela "causa", pela "literatura". E fica tudo certo.

Enfim, estou escrevendo este texto para me posicionar. Todos sabem o quanto o trabalho artístico é pouco valorizado, remunerado, principalmente para quem está longe da tela, dos holofotes das revistas e celebridades. Somos muitos poetas, escritores no Brasil que vivem e passam por situações precárias, dão sangue, suor e lágrimas pela sua arte sem muitas vezes terem um retorno justo e adequado sobre isso. A gente da periferia, principalmente, sabe do que estou falando. E isso precisa mudar. É preciso que alguns órgãos públicos, entidades privadas que trabalham com arte respeitem e valorizem o trabalho do artista, seja ele em qual área for. No Brasil, estamos discutindo o PNLL - Plano Nacional do Livro e Leitura, que pensa em criar uma política pública eficaz e produtiva para a área. Não podemos esquecer que, a valorização do trabalho do escritor é muito importante na chamada "cadeia produtiva" do livro. Valorizemos.

Escrevo também em solidariedade ao escritor Luiz Ruffato, que claramente em reportagem a Folha questionou algumas destas questões como pode ser visto em matéria abaixo, na qual a CBL - Câmara Brasileira do Livro diz que "no ato do convite (...) os autores foram informados do não pagamento de cachê" e que, na Homenagem ao país na Alemanha, tampouco houve remuneração.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/03/1604612-homenageado-brasil-busca-diversificar-autores-em-salao-do-livro-de-paris.shtml

É uma inverdade. Tanto eu quanto vários outros autores não fomos informados do não pagamento do cachê no ato do convite. Outra inverdade: vários autores que estavam em Frankfurt (Alemanha) confirmaram sim que houve remuneração naquele evento. O que é justo. Ninguém está pedindo favor, regalias, privilégios. Estamos pedindo respeito e reconhecimento ao nosso trabalho. Pode não parecer para alguns, mas é um trabalho.

Minha solidariedade ao Ruffato, que não pode levar sozinho o ônus deste questionamento. Ele é um questionamento coletivo. Minha solidariedade ao Ferréz, Marcelino Freire, Paulo Lins, Milton Hatoum, Cristovão Tezza e vários outros autores que tem uma trajetória bonita, de vida longa e representativa na literatura e merecem mais do que isso. Assim como eu, claro - rs.

Meu pensamento neste momento é que eu esteja me "queimando", ao jogar tudo tão as claras. Que este talvez seja um dos últimos eventos literários que faço representando o governo. Mas não poderia ser diferente. Não poderia participar, saber e ficar alheio a tudo o que está acontecendo e não me manifestar. E sei que sempre terei lugar garantido na quebrada, para manter viva a minha literatura, como sempre fiz até hoje. Então, sigamos assim, se for preciso.

Axé pra nóis. Posicionamento explicito, voltamos as atividades literárias. Independente de remuneração ou não, tenho uma representação aqui pra fazer. Das mais importantes, inclusive: da literatura marginal-periférica. Então, vamos aos trabalhos. Cabeça erguida e dignidade.

Salve, quebrada.

Rodrigo Ciríaco

quinta-feira, março 19, 2015

DIÁRIO DE BORDO, PARIS 2015 #01

19 de março de 2015. Finalmente, Paris. Finalmente pois a viagem foi difícil. A empresa aérea TAM, famosa em problemas nos ares resolveu atrasar o voo em 05 horas. Previsto para sairmos as 23hs, foi anunciado mudança para as 23h30, depois para a uma da manhã, duas e finalmente: 04hs. Pedi a mudanças de voo, cancelamento da entrada na imigração, fui no check-in retirar as malas. "Volte amanhã, duas horas antes do voo e você as pega". Nem pensar, quero agora. Espero. Uma hora depois: "Senhor, não foi possível reaver suas malas. Elas vão para Paris". O quê? Então eu também vou. Minhas malas, meus livros, minhas roupas não podem ir sozinho. "Senhor, lá vai para o setor LL e depois o senhor pode retirar". Ahã, sei. E Papai Noel vai aguardar junto, com um presente para mim. Não, quero ir agora. E fui, finalmente depois de 05 horas. Mais 11 horas de longa viagem, dois filmes, pés inchados e insônia depois, cheguei em Paris. Exatamente as 19 do horário local. Resultado: perdi a minha primeira atividade, na Science Po, excelente centro de estudo em Poitiers. Paula minha editora foi. Disse que os alunos estavam ansiosos, me aguardando. Haviam inclusive estudado, decorado trechos de minhas obras, em português. E não pude ver. Triste. Fica para a próxima.

#JeSuisFavela: ou devo ter cara de outra coisa. Por quatro vezes tomei um "enquadro" no aeroporto: passaporte, quanto tempo em Paris, o que vai fazer, escritor, ok, merci. Não sei se foi minha touca, minha careca, minha roupa, minhas malas, eu sei que outras pessoas passavam batidas, eu era parado. Na imigração, o policial pediu minha passagem de volta, quanto dinheiro eu tinha, cartão de crédito e só liberou depois de ler, minuciosamente, a carta de convite do Salão do Livro. Daí você pode dizer: normal. Não sei. Observei que com as outras pessoas foi mais fácil também. Ok. Faz parte. #Segurança...

Cheguei as 20h30 na cidade. Provisoriamente na casa de Paula, depois vou para o hotel. Deixei as malas fui dar uma volta nas ruas. Respirar o ar livre, sentir a brisa da cidade. Faz frio. Temperatura na casa dos 10 graus. Estava com fome. Primeiro desafio: vencer a vergonha de não falar francês, o fato de entender minimamente inglês mas eles não gostarem de falar em inglês e escolher um prato, pedir comida. Foi em portunhol selvagem, em um restaurante, não sei se turco. Era arabe. Um kebab. Gigante. Prato suculento. Na TV: Barcelona versus Manchester City. Neymar livre na grande área, mandou bola na trave. Quando saí, ainda estava 0 x 0. Depois vi que Barcelona se classificou.

Ainda confuso com o fuso, fui dormir a meia-noite. Estava bem agasalhado, mas o edredon era pequeno. Senti um pouco de frio. Acordei cedo, oito e pouco daqui. Já resolvi alguns problemas do Brasil, pensei na minha esposa e na minha filha, na minha família em geral. Na saudade de estar aqui. Tenho uma entrevista em uma rádio local, marcado para as 16hs. Pediram para escolher uma musica. Pensei em "Racionais - Vida Loka, Parte II". Por conta principalmente de um trecho que ficou na minha mente, desde que vim pra cá: "Pode rir, ri mas não desacredita não". E quem poderia dizer que  literatura marginal, que os nossos saraus de quebrada nos levariam tão longe. E ainda são tantos lugares a serem visitados. E ainda há tantos guerreiros e guerreiras merecedores de também estar aqui, assim como eu. As portas (para nós) são poucas, estreitas. Algo que penso quando participo de eventos como este é sempre em abrir mais portas, alargar as que existem. Estou aqui hoje, além da qualidade, do valor do meu empenho e trabalho, porque já fizeram isso antes. E sou agradecido. E tenho essa responsa nas mãos. Então, assim seguimos.

10h30 da hora local. Daqui a pouco parto para o hotel. A tarde, abertura do Salão. Muito trampo pela frente. E conhecer a cidade, que ninguém é de ferro. Para a minha família, Mô, Malu: se cuidem. Fiquem bem. Daqui a pouco estou de volta.

R.C.

segunda-feira, março 16, 2015

PERIFERIA NA GRINGA - SALÃO DO LIVRO DE PARIS 2015 - RODRIGO CIRÍACO


clique na imagem para ampliá-la

Nesta terça-feira embarco para #Paris, para juntamente com outros 47 autores participar do Salão do Livro de Paris, um dos maiores no mundo e que neste ano homenageia o Brasil.

Sinto-me honrado em participar deste evento, por integrar o movimento de saraus das periferias, por fazer parte da literatura #marginal. Por saber o valor e a qualidade que tem o nosso trabalho. Feliz.

Na medida do possível, vou atualizando e mantendo a todos antenados sobre as atividades, conversas e tudo mais. Abaixo, segue um breve cronograma das atividades. E seguimos.

A programação completa está aqui: www.salondulivreparis.com 

Minhas atividades em específico, abaixo.

Axé pra nóis.


SALÃO DO LIVRO DE PARIS - 2015
PROGRAMAÇÃO: RODRIGO CIRÍACO


QUARTA-FEIRA 18 DE MARÇO
Lugar : Science Po - Poitiers
14h30: Palestra com Estudantes


QUINTA-FEIRA 19 DE MARÇO
Lugar : Salão do Livro de Paris
17h30 - Inauguração


SEXTA-FEIRA 20 DE MARÇO
Lugar : Salão do Livro / Art Square (F51)
13h30-14h30 Encontro - Arte urbana.
Das paredes aos livros
com Rodrigo Ciríaco,
Christine Dauphant,
Bernard Fontaine
Lugar : Salão do Livro / Stand do Brasil (L70)

14h30-15h30 Autógrafos
Lugar : Salão do Livro


SABADO 21 DE MARÇO
Lugar : Salão do Livro / Stand do Brasil 2 (L70)
14h00-15h30 Encontro - Emergencência das poéticas da voz et do corpo no Brasil
(moderado por Idelette M-F dos Santos)
com Ricardo Aleixo,
Rodrigo Ciríaco,
Jean-Paul Delfino


SÁBADO, 21 DE MARÇO
Lugar : Salão do Livro / Stand do Brasil (L70)
15h30-16h30 – AUTÓGRAFOS

Lugar : Salão do Livro / Stand de la Région IDF (F80)
18h00-19h00 – AUTÓGRAFOS,  com Ferrez

Lugar : Livraria OFR (20 Rue Dupetit Thouars 75003)
19h30 Evento Anacoana


SEGUNDA-FEIRA 23 DE MARÇO
Lugar : Collège Béranger
11h00-12h00 – Palestra com Estudantes


TERÇA-FEIRA 24 DE MARÇO
Lugar : Lycée Sophie Germain
11h00-13h00 – Palestra com Estudantes


QUARTA-FEIRA 25 DE MARÇO
Lugar : Universidade de Montpellier
11h00-13h00 – Debate com Professores e Estudantes


QUINTA-FEIRA 26 DE MARÇO
Lugar : Livraria Aux Livres (10e)
18h00-19h00 - Evento

segunda-feira, março 02, 2015

A HORA E VEZ DO PNLL! - RODRIGO CIRÍACO

A HORA E VEZ DO PNLL!



PNLL é abreviação do Plano Nacional do Livro e Leitura. Trocando em miúdos, é uma proposta de institucionalizar no Brasil uma política voltada para o livro e leitura e toda a chamada “cadeia produtiva”: escritores, editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, administradores, gestores públicos e outros profissionais do livro, bem como educadores, bibliotecários, universidades, especialistas, organizações da sociedade, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral, além do público leitor. Ufa! A turma é grande.

Essa discussão não é recente. O PNLL tem quase dez anos de atuação, com um acúmulo de discussões, textos, encontros, plenárias, propostas muito produtivas feitas por todo o Brasil. E além do PNLL, quando pensamos em políticas para o livro, leitura e biblioteca, podemos dar um salto ainda maior, de 90 anos atrás. Por exemplo em 1925, quando Monteiro Lobato cria uma editora brasileira de alcance nacional, com inovador sistema de distribuição que incluía lombo de burro, trem e barco. Ou ainda de 80 anos, quando em 1935, Mario de Andrade, diretor de cultura do município de São Paulo, expandiu a ideia de biblioteca, abrindo espaço para jovens e crianças, criando unidades móveis na biblioteca que hoje leva seu nome e, dois anos depois (1937), cria o Instituto Nacional do Livro, que existiu até 1990, quando o governo Collor entre suas “boas ações” extinguiu o Instituto e dispersou dezenas de seus funcionários, reduzindo ao Departamento Nacional do Livro (com apenas quatro funcionários), dentro da FBN – Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.[1]

Pensar um Plano Nacional do Livro e Leitura é colocar a formação de leitores como uma política de Estado, não apenas de um ou outro governo. É encarar a formação de leitores como estratégica no desenvolvimento do país, dentro de perspectivas indissociáveis como cultura e educação; governo e sociedade.

A primeira proposta do Plano para que isso efetivamente aconteça é deixar de ser um plano e tornar-se Lei, a partir da aprovação de seu projeto – que no presente momento está na Casa Civil, aguardando liberação de seu jurídico para ser encaminhado ao Congresso. Com isso, o Estado se vê obrigado a criar instrumentos gerenciais para sua aplicabilidade, que dentro da proposta é a (re)criação de um “Instituto Nacional do Livro e Leitura”, com equipe, estrutura e orçamentos necessários para efetivar esta política a nível nacional, estimulando os municípios e estados a elaborarem seus planos com diretrizes claras oferecidas pelo PNLL.

Uma política de formação de leitores, de incentivo a leitura, literatura e bibliotecas, não pode ser associada simplesmente a escola e educação, como muitas vezes acontece hoje. Até porque seus desafios vão muito além do ambiente escolar, com consequência para toda a vida: universitária, profissional (basta pensar nos milhões de jovens e adolescentes, que concluem o Ensino Médio ou abandonam a escola ainda como “analfabetos funcionais”). Ela necessita ser permanente, continuada, atrativa. É uma questão de “saúde pública”, como diria o poeta Sérgio Vaz - “Quem lê enxerga melhor”. De conscientização e libertação: crítica e política, como diria o poeta Binho – “Uma andorinha só não faz verão, mas pode acordar o bando todo”. De redução das margens e da desigualdade social, como bem expressou o poeta Marco Pezão – “Nóis é ponte e atravessa qualquer rio”. Aliás, Sérgio Vaz, Binho e Marco Pezão, referências como poetas e produtores culturais, na criação dos dois mais antigos e importantes saraus periféricos da cena paulistana: o sarau da Cooperifa e sarau do Binho.

A referência aos saraus aqui não é gratuita. Notoriamente reconhecidos como uma das ações mais importantes e significativas no campo da cultura brasileira contemporânea, são responsáveis pela “popularização” da literatura nos espaços mais diferentes e dinâmicos possíveis: bares, praças, ruas, ônibus, trens, metrôs, associações de moradores, e até mesmo em centros culturais, bibliotecas e escolas! Tem uma grande contribuição na mediação de leitura, na ressignificação do que é o livro, literatura e poesia; além de fomentar o surgimento de novos poetas, escritores, editores independentes e todo um mercado do livro e leitura para além do “mercado tradicional”, de grandes editoras e redes de livrarias.

Não apenas por ser “cria” dos saraus, mas vejo que estes são a referência mais explícita do que é a essência prática do PNLL – e seus 04 eixos de trabalho – em ação: 1) Democratização do acesso; 2) Fomento à leitura e à formação de mediadores; 3) Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e 4) Desenvolvimento da economia do livro.

Com uma política nacional do livro, a perspectiva é que ações como a dos saraus, bibliotecas comunitárias, contação de histórias entre outros sejam ainda mais conhecidas, amplificadas e, principalmente, tenham condições e recursos para realizar seus trabalhos muito além de uma vontade política de governo ou partido “A, B, C”, ou de ações sociais de editoras, organizações não governamentais, ou ainda de militâncias pessoais, educativas e culturais. É imprescindível que ações como essa se tornem política de Estado. A formação de leitores como um verdadeiro (e não deturpado) ato de segurança e integridade nacional.

É chegada a hora e vez do PNLL. É chegado o momento de retomar ações de formação de leitores para além da escola, além de iniciativas pessoais ou localizadas. É chegado o momento de dar, ao livro e leitura, o status e importância que merecem. É como disse o poeta Mario Quintana: “Livros não mudam o mundo. Livros mudam as pessoas. As pessoas mudam o mundo”. Que possamos ser protagonistas destas mudanças, colocando as políticas do livro e leitura no lugar de destaque e projeção que elas merecem.


Rodrigo Ciríaco é educador e escritor, integrante do movimento de saraus periféricos de SP e representante da sociedade civil no Conselho Diretivo do PNLL – Plano Nacional do Livro e Leitura.




[1] SANT’ANNA, Affonso Romano; Apresentação em: CASTILHO, José Castilho (organizador). Plano Nacional do Livro e Leitura – Textos e Histórias (2006 – 2010) – São Paulo: CulturaAcadêmica Editora, 2010.



PARA SABER MAIS: 

PNLL: http://www.cultura.gov.br/pnll - site oficial do PNLL, com informações gerais, publicações e decretos.

PMLLLB / SP: http://pmlllbsp.com/ - A cidade de São Paulo está na fase de construção do seu Plano Municipal, entrando na etapa dos encontros regionais. #ProcureSaber e participe!

domingo, fevereiro 08, 2015

ALAGAMENTO - ESCOLA ESTADUAL JORNALISTA FRANCISCO MESQUITA - A CULPA É DE QUEM?

Sim, é nesta escola que trabalho. Sim, é nesta escola que realizo meu trabalho literário. Sim, é aqui que acontece o Sarau dos #Mesquiteiros...

Há quase 10 anos sou professor na EE Jornalista Francisco Mesquita. Há quase 10 anos que esta mesma história se repete, em vários momentos. Mesmo com várias reformas, telhado, parte hidráulica, encanamento, sempre são paliativos. Nunca se atinge o cerne do problema, a estrutura da escola.

O governo do Estado de São Paulo, do sr. Geraldo Alckmin​, há quase 10 anos tem pleno conhecimento desta situação, através de seus órgãos responsáveis como Secretaria Estadual de Educação, FDE - Fundação para Desenvolvimento da Educação e Diretoria de Ensino Leste 01. Mas nunca fizeram algo definitivo, que resolvesse o problema. O resultado, este que aí está: estudantes, professores e profissionais da educação em risco, com aulas suspensas e materiais danificados.

Vergonha, raiva, indignação e impotência são os sentimentos que me atingem. No momento é isso.

Que o vídeo se propague. Que as pessoas se revoltem. Que algo seja feito. Justiça, é o desejo.


segunda-feira, fevereiro 02, 2015

ESCLARECIMENTOS - VENDO PÓ...ESIA



Salve, Rapa.

Já aconteceu na outra vez, em setembro do ano passado, por conta da publicação desta matéria

(http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2014/08/rapper-inova-ao-distribuir-poesia-em-tubos-de-drogas-vicio-em-leitura.html)

e agora, devido a vários compartilhamentos via Facebook, várias pessoas me perguntando, questionando sobre o termo, a origem, a citação do "Vendo Pó...esia" e a não relação com o meu trabalho. Então, bóra explicar.

Em 2007, passei a frequentar a FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty, para conhecer, divulgar o meu trampo. Vender nas ruas. Venda nas ruas é osso, tem que se virar nos 03 segundos, prender a atenção de alguém, fazê-lo parar. Várias estratégias de vendas, acompanhando a galera dos Maloqueiristas e outros vagabundos poéticos do RJ, BA, PE, aprendendo muito sobre abordagens e tal. Uma delas era:

- E aí, amiga: gosta de pó...esia?
- Você lê poetas vivos ou nem dos mortos?
- Vai com dedicatória do autor ainda vivo...

Daí pra frente, fui várias outras vezes para a FLIP. Sempre enfrentando as ruas de pedras sinuosas, os fiscais enchendo o saco. A indiferença - muitas vezes - da FLIP Fashion Week. E outros problemas. Em 2009, dei flagra com a câmera da apreensão dos livros "Descaminhar", de Pedro Tostes, e fizemos um bom barulho.

http://efeito-colateral.blogspot.com.br/2009/07/flip-parati-para-todos.html

Em 2012, novos problemas: os seguranças, policias disfarçados embaçaram de novo com as vendas, principalmente com a abordagem do "vendo pó, vendo pó... vendo pó...esia". Segue o vídeo aí;

https://www.youtube.com/watch?v=GpJs5nHFPNE

Aproveitando a polêmica da FLIP, de observar o quanto a parada mexia com as pessoas, lancei o meu poema "Biqueira Literária", que traz todas estas abordagens da rua, além de uma provocação sobre a repressão na FLIP, em 13 de julho de 2012. Pra quem quiser conferir, segue aí:

http://efeito-colateral.blogspot.com.br/2012/07/biqueira-literaria.html

Pouco depois, em 2013, o Renan em uma licença "poética", fez o #PinoPoético, para distribuir em suas ações literárias. Por conta do "Vendo Pó...esia" e dos desdobramentos que ele acompanhou comigo, no ano anterior. E a parada foi essa.

SOBRE A MATÉRIA

A matéria citada acima, primeiro link, traz a seguinte informação:

"A ideia de colocar poesia dentro de cápsulas comumente usadas na bioquímica e também por traficantes para embalar drogas como a cocaína, surgiu da expressão “traficar informação”, sempre muito usada no rap."

Realmente, a expressão "tráfico de informação" existe no Hip Hop a mais de uma década, pelo menos. Mas para esclarecer: o "Vendo Pó...esia" e todos os "produtos decorrentes" (poema, livro, pinos), apesar de ter clara ligação e influência com o Hip Hop, neste caso não veio daí. Veio da abordagens das ruas, veio da provocação nas pessoas. Veio deste histórico que repassei acima.

Acho chato quando vejo algumas matérias falando destes eventos e não associa a este trabalho. E fica mais chato ainda quando as pessoas me questionam, cobram um posicionamento ou até me "defendem". Por isto, precisava passar a minha posição sobre a parada.

A fita é essa. Agradeço as várias, dezenas de pessoas que me marcaram nas postagens, marcaram a página VENDO PÓ.ESIA nas publicações, questionaram a não relação com meu nome e com o que faço. Acho justo, até. Valeu.

Rodrigo Ciríaco

quinta-feira, dezembro 18, 2014

FINAL - RACHÃO POÉTICO - COPA MUNDÃO DE POESIA - BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA, 14 DE DEZEMBRO DE 2014

POESIAS BACANTES É CAMPEÃO
PRIMEIRO RACHÃO POÉTICO – COPA MUNDÃO DE POESIA



Domingo é dia de futebol. E poesia. E com o encerramento do brasileirão, neste 14 de dezembro de 2014 rolou também a nossa final. Da Copa Mundão. Rachão Poético – Copa Mundão de Poesia. E o time que levou foi o Poesias Bacantes, formado por Beto Bellinati, Isabela Penov e Luz Ribeiro.



A disputa envolveu seis times, que venceram as etapas eliminatórias e garantiram vaga para a final: Clube Atlético Passarinheiro (Junho), Maloca Poesia Clube (Julho), Trietê (Agosto), De(s)generadas (Outubro), Poesias Bacantes (Outubro/II) e Crianças Armadas (Novembro). (In)felizmente, as Crianças Armadas abandonaram seus projéteis e foram brincar no parquinho, o que também tá valendo (rs). Cinco times disputaram a finalíssima.



Quem deu o pontapé inicial, segundo o sorteio, foram os Passarinheiros, representados por Luiza Romão, Ni Brisant e Victor Rodrigues, trazendo a verve piriguista pro palco. Na sequência, Poesias Bacantes com o time já citado e depois Maloca, que teve uma alteração no seu elenco com a saída de Lews Barbosa e chegou com o time de Fabio Boca, Felipe Choco e Michel Cena7.

Aliás, a janela de transferência ficou escancarada ao longo dos meses, e os outros dois times sofreram alterações. Trietê foram representados por Paulo D’Auria, Jefferson Santana e Cissa Lourenço, depois da folga de Caranguejúnior e da transferência Jefferson Messias e as De(s)generadas sofreram uma baixa com o repouso justo da mamãe Carol Peixoto, substituída por Marina Vergueiro, que completou o time com Mel Duarte e Michele Santos. E foi nesta sequência que tivemos a primeira rodada classificatória (e eliminatória).



O destaque coube a balançadinha do bumbum vira-lata de Paulo D’Auria. Quem viu, viu – kkk...

A classificação ficou assim:

1º lugar: POESIAS BACANTES
2º lugar: TRIETÊ
3º lugar: DE(S)GENERADAS
4º lugar: PASSARINHEIROS
5º lugar: MALOCA

Como passavam apenas quatro times, Maloca deixou a competição.

E vamos para a SEGUNDA fase, com disputas entre segundo e terceiro, primeiro e quarto.



Os poetas do Trietê fizeram uma disputa justa e leal com as meninas De(s)generadas ou 3Ms ou M&Ms (Marina, Mel, Michele) mas não teve jeito, a futebolística poética do único time completamente feminino levou a melhor e garantiu a primeira vaga para a final.

Na segunda batalha da segunda fase, o Clube Atlético Passarinheiro, grandes favoritos por terem levados o Rachão em duas etapas e virem de uma temporada de concentração em terras mineiras (e estarem SEMPRE prontos, segundo eles mesmos – rs) cessaram o voo ao deparar com o Poesiatuques, ops, digo melhor Barbacantes, quer dizer: pela Poesias Bacantes, que no melhor estilo poesia corporal barbatuques mostraram entrosamento, jogo bonito e levaram a segunda vaga da finalíssima.



E como é final, e pra não ter chororô, tivemos a disputa do TERCEIRO LUGAR, entre Trietê e Passarinheiros. Mesmo com a tática de poesia de guerrilha, usando apenas pouco mais da metade do tempo permitido, o Trietê foi superado pelo C.A. Passarinheiros, que trouxeram o poema da Copa (do Mundo) e garantiram o terceiro lugar.

E na grande decisão do RACHÃO POÉTICO – COPA MUNDÃO DE POESIA, o primeiro destaque coube as #MULHERES, que dominaram a final já que apenas Beto Bellinati era o único representante masculino na disputa predominantemente feminina.



E ao final quem levou foi o time da Poesias Bacantes, que venceu novamente a terceira rodada, marcou um HAT-TRICK, já que foi o time que teve a pontuação mais alta nas três rodadas e levantou a taça do PRIMEIRO RACHÃO POÉTICO – COPA MUNDÃO DE POESIA!

Mas quem ganhou mesmo foi a poesia, com mais um evento consolidado na cena de saraus e slams de SP/Brasil!

Realizar o Rachão Poético foi muito importante. Temos certeza que ajudamos a fomentar a cena poética ao propor/problematizar que os poetas formassem times e jogassem em grupos, repensando a forma de interação e competição dos slams, expandindo para além das batalhas individuais.

Porque não basta ser bom. Tem que saber jogar.



Mais gostoso ainda foi ver que mais do que uma competição, cada Rachão foi uma gincana, uma grande bagunça poética. Uma grande festa literária em que a poesia foi espetáculo.

E no próximo ano tem mais. E você, já montou o seu time?

É ripa na chulipa, pimba na gorduchinha, taca fogo no boné do guarda: RACHÃO!




RACHÃO POÉTICO:

APRESENTAÇÃO: Rodrigo Ciríaco
COMENTÁRIOS: Daniel Minchoni e Renan Inquérito
ZEBRA ESPORTIVA: Monica Alves 

FOTOGRAFIA: Vinicius Sousa

SARAU "POÉTICAS DA RESISTÊNCIA" - SESC BELENZINHO, 11 DE DEZEMBRO - 2014

Lembrar. E celebrar. A resistência. A ancestralidade. Nossos passos. Passados e presentes. Assim foi o sarau "Poéticas da Resistência", organizado pelos Mesquiteiros a convite do Sesc para homenagear o centenário de nascimento de Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento, e que contou com a participação muito especial de vários parceiros e parceiras: Michel Yakini e Raquel Almeida (Elo da Corrente), Vagner Sousa (Sarau da Brasa), Elizandra Sousa (Coletivo Mjiba), Debora Garcia e Sacolinha (Literatura no Brasil), Luz Ribeiro (Poetas Ambulantes), Akins Kinte, Duguetto Shabazz, além de Patricia Leal e Rodrigo Ciríaco (Mesquiteiros).

O sarau contou com leituras de trechos da obra e da poesia dos homenageados, além de vários poemas autorais, que dialogam com a temática de suas obras e trajetórias políticas, literárias e de luta.

Uma noite muito especial, em que a poesia tocou a alma, espalhou-se nos poros e dialogou com o coração.

















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Sarau "Poéticas da Resistência"
Homenagem à Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento

Sesc Belenzinho, 11 de dezembro de 2014

Organização: Rodrigo Ciríaco (Mesquiteiros)
Realização: Sesc Belenzinho

Participações: Michel Yakini e Raquel Almeida (Elo da Corrente), Vagner Sousa (Sarau da Brasa), Elizandra Sousa (Coletivo Mjiba), Debora Garcia e Sacolinha (Literatura no Brasil), Luz Ribeiro (Poetas Ambulantes), Akins Kinte, Duguetto Shabazz, além de Patricia Leal e Rodrigo Ciríaco (Mesquiteiros).

Fotografia: Mayra Jóia

quinta-feira, dezembro 11, 2014

SARAU DOS MESQUITEIROS: POÉTICAS DA RESISTÊNCIA - SESC BELENZINHO

É HOJE: a partir das 20hs, Sarau ‪#‎PoéticasdaResistência‬.

Mesquiteiros - UM Por Todos, Todos Por UM presente com vários parceiros de caminhada e resistência poética em homenagem ao Centenário de Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento, pra fechar o ano com chave de ouro.


Participações mais que especiais de Michel Yakini, Raquel Almeida, Elizandra Souza, Vagner Souza, Dugueto Shabazz, Patricia Leal, Luz Ribeiro, Akins Kinte, Débora Garcia e Sacolinha Ademiro.

Atividade gratuita, a partir das 20hs.
Só chegar - ‪#‎SescBelenzinho‬

Outras informações, clique: SARAU = POÉTICAS DA RESISTÊNCIA!

quarta-feira, dezembro 10, 2014

SALÃO DO LIVRO DE PARIS 2015 – RODRIGO CIRÍACO NA CASA!


Rodrigo Ciríaco em Paris, a convite do Salão do Livro 2013

Foi anunciado ontem, pelo Ministério da Cultura, os 48 escritores brasileiros que farão parte do Salão do Livro de Paris 2015, na qual o Brasil é o país homenageado, através de acordo firmado entre o governo brasileiro e francês, em 2012. E estou entre eles. Segue o link:


Particularmente, estou imensamente feliz com a possibilidade de representar meu país em uma feira (salão do livro) tão importante e tradicional quanto o de Paris, na França. E mais ainda, em representar a literatura marginal, a literatura das quebradas, ao lado dos parceiros Ferréz, Marcelino Freire, Paulo Lins.


Participação no Salão do Livro 2013

Não é a primeira vez que participo do Salão do Livro. Em 2013, através de convite da Editions Anacaona (Paula Anacaona) participei não apenas do Salão do Livro, mas de atividades na Universidade Sorbonne (Paris), Sciences Po (em Poitiers), além de eventos na Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica), Universidade de Milão (Itália) entre outros espaços de leitura e livrarias. Um feito extraordinário, tendo em vista que era autor independente, sem ligação com nenhuma editora comercial, agentes literários ou o mercado editorial como um todo.


Eu e Ferréz em livraria de Bruxelas, (BEL), março de 2013

Aliás, a forma como cheguei a publicar inicialmente meus textos na França é muito curiosa. Paula Anacaona, nos idos de 2010, através de pesquisa conheceu meu blog, leus meus textos e interessou-se em publicá-los. E de lá para cá tem sido grande parceira, incentivadora de minha literatura.


Rolê em Bruxelas, Bélgica (2013)

Enfim, feliz demais com essa notícia, principalmente que agora faço parte de uma nova casa, a Editora DSOP, que tão bem acolheu a minha pessoa e o meu trabalho, na coleção “Literatura Marginal” com a curadoria do parceiro Ferréz. Feliz demais de poder levar a literatura da quebrada, poder mostrar no Salão do Livro uma parte da potência literária do que desenvolvemos aqui e, quem sabe assim, abrir portas para outros parceiros e escritores, tão talentosos e merecedores quanto eu.

Somos merecedores das conquistas (e derrotas) que obtemos. Pela garra, pela disposição, pela coragem, força, talento que temos, individualmente. Mas sem esquecer que a caminhada só tem valor na medida que fortalece e reconhece o coletivo.

E agora é ler, ler e ler mais. Escrever, reescrever e produzir, cada vez mais. E se preparar, pra fazer bonito.

 

Literatura Marginal, Lado Leste em Paris, 2015. É nóis!

SARAUS DA PERIFERIA OCUPAM CÂMARA POR RECURSOS PARA VEIA E VENTANIA (2015)


Nesta terça-feira, 09 de dezembro, representantes de vários coletivos de saraus da quebrada, além de outras redes e grupos culturais que brigam por leis de fomento para a cultura da periferia, estiveram presentes a segunda audiência pública da Câmara de São Paulo para discutir o orçamento de 2015.


A principal reivindicação era a destinação de recursos para o programa “Veia e Ventania – Literatura Periférica nas Bibliotecas de São Paulo”, programa este que acontece desde 2011, na qual os coletivos culturais realizam saraus nestes espaços, fazem parcerias com escolas e comunidades para fomentar o público da biblioteca, entre outros.


Novamente, como já aconteceu em outras ocasiões, o único programa institucional da secretaria municipal de cultura, voltado para a Literatura Marginal/Periférica, corria o risco de encerrar suas atividades por falta de recursos.

A saber: o volume de recursos destinados para programas que atendem diretamente a periferia para 2015, como o VAI, VAI II, Bolsa Cultura e Pontos de Cultura tem um valor aproximado de R$ 26,5 milhões de reais. Enquanto que o Teatro Municipal concentra, no atual orçamento, R$ 122 milhões de reais. Ou seja: uma disparidade absurda, um único equipamento cultural, voltado principalmente para uma cultura elitista, com ingressos a preços exorbitantes, equivale a quase 05 vezes o orçamento dos programas que atendem a toda a periferia.

Os coletivos de saraus estavam lá para questionar estes números e corrigir esta distribuição desigual dos recursos já exíguos da cultura. Também para questionar a realocação de recursos do programa VAI, que em tese perderia R$ 1.000.000 para a continuidade do Veia e Ventania. Ou seja: descobrir os pés para cobrir os joelhos (já que o cobertor da cultural é pequeno, não chega até a cabeça).

Tivemos três falas representando os movimentos dos saraus: Ruivo Lopes, Regina Tieko e Rodrigo Ciríaco, além de várias manifestações de apoio e solidariedade de pessoas ligadas a cooperativa paulista de teatro, assistência social, população em situação de rua entre outros.

Após quase 04 horas de audiência pública, o relator da Comissão de Finanças, Ricardo Nunes, informou que R$ 12 milhões de reais seriam realocados do Teatro Municipal – que agora é uma fundação e, portanto, além dos recursos públicos, poderá pleitear recursos privados, como Lei Rouanet – para a Secretaria Municipal de Cultura. E que o valor inicial de R$ 1.000.000 milhão de reais, que seria deslocado do programa VAI volta para este, ficando o programa VAI com um total de R$ 11 milhões de reais para 2015.

Guilherme Varela, representando a Secretaria Municipal de Cultura, fez uma fala exaltando a participação e importância política da cultura para a cidade de São Paulo, com uma ressalva de que o dinheiro retirado do Teatro Municipal poderia afetar acordos trabalhistas realizados com músicos da entidade. O relator Ricardo Nunes esclareceu que, o valor de R$ 12 milhões serão retirados da programação do Teatro, não atrapalhando em nada o acordo trabalhista estabelecido.

Após a votação, no período da tarde, vários representantes dos saraus estiveram com Diogo Soares, assessor do relator da comissão de finanças Ricardo Nunes para 1) definir com exatidão o valor que iria para a Secretaria de Cultura e, 2) garantir que o valor destinado para o programa “Veia e Ventania” vá com uma rubrica, ou seja, determinando que é para a utilização específica no programa.

O assessor garantiu a continuidade do programa com uma rubrica mínima de R$ 1.000.000 milhão de reais. A distribuição destes recursos será feita através de edital público que está sendo elaborado em conjunto pela secretaria municipal de cultura e representantes dos grupos de saraus que compõem atualmente o “Veia e Ventania”. Os representantes dos saraus enfatizaram a importância de atender o valor inicialmente solicitado de R$ 1.800.000 milhões de reais, já que garantiria a correção do valor de cachê pago aos grupos, não atualizados desde o ano de 2011, e garantiria que o programa fosse ampliado para 30 grupos, além dos 11 que já fazem este trabalho.

Vale lembrar que em novembro de 2013, o secretário municipal de cultura Juca Ferreira recebeu os coletivos de saraus no #ExisteDiálogosSarausSP e, entre as demandas então apresentadas, estava a ampliação do programa Veia e Ventania. Compromisso este assumido publicamente pelo secretário e ratificado em reunião com Guilherme Varela, em março deste ano.

Até a próxima quinta-feira, dia 11 de dezembro, é possível que os coletivos tenham a definição de qual o valor que será destinado para a manutenção do programa. De toda maneira, podemos considerar uma vitória parcial para a cultura da periferia, em especial os coletivos de saraus, tendo em vista que o programa “Veia e Ventania – Literatura Periférica nas Bibliotecas de São Paulo” corria o risco sim de acabar por falta de recursos e, através da mobilização, da pressão junto aos poderes executivo e legislativo, conseguimos não apenas fazer a manutenção do programa mas, minimamente ampliá-lo. E estamos de olho.

Seguem fotos e vídeos dos eventos na câmara:

FOTOS: PREPARAÇÃO DO ATO (Sonia Bischain)

FALA: RUIVO LOPES

FALA: REGINA TIEKO

FALA: RODRIGO CIRÍACO

quarta-feira, novembro 26, 2014

FORTIFICANDO A MISSÃO: TRÁFICOS LITERÁRIOS

FLAQ – AQUIRAZ, CEARÁ. DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014

Estes dias tem sido de correria, trabalho intenso e muito, muito tráfico literário.

Domingo estive com o Ferréz na Festa Literária de Aquiraz, a FLAQ, em Aquiraz, Ceará. Um evento que está em seu segundo ano de realização, dentro de um ecoparque, a Engenhoca. Tivemos uma mesa com o tema “Literatura Marginal”, mediada por Nelson Lourenço.



Atividade bacana, público participativo, ideias loucas.

Mas o que mais marcou foi um menino, que acabei não perguntando o nome. Eu no bazar do lugar, comprando uma água e umas cachaças artesanais, ele perguntou: tinha, o que tem de R$ 1,00. A menina olhou e disse: nada. Ainda assim ele olhou, olhou os chocolates. Quanto é esse. Dois e cinquenta.

Fui lá, peguei o chocolate, pus na minha conta e dei pra ele. Como é que eu ia comprar cachaça e ver um moleque com vontade de comer chocolate do meu lado? Maldade pura.

Ele agradeceu muito, quis me dar o um real dele. Falei que não precisava, nos demos as mãos e saímos, ele para um lado, eu para o outro, felizes.

Da hora é que depois eu vi este mesmo menino, assistindo a minha palestra. E mais da hora ainda é que fiquei sabendo que ele havia ido todos – sim, todos – os dias da feira e assistido atentamente a todas – sim, todas – as palestras. Era fascinado não apenas por chocolate. Mas por literatura.

Achei da hora ter pago um chocolate para um futuro escritor...


Eu e Ferréz dormimos na casa do Rafael, camarada da hora que trombamos por lá e convidou a gente pra ficar em sua residência. Segunda a tarde, volta pra Sampa.

PAIXÃO DE LER, RJ. TERÇA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO

Ontem mesmo peguei voo das 07hs da matina e vim aqui para o RJ, onde estou no momento participando da 22ª edição do PAIXÃO DE LER, evento da Secretaria Municipal de Cultura que realiza atividades em Museus, Centros Culturais, Escolas, Bibliotecas, enfim, vários espaços de arte e cultura espalhados pela cidade.


Ontem estive na Escola Municipal Joracy Camargo, na Vila Cruzeiro, com uns 60 alunos de duas turmas, do quarto e sexto ano. Realizei o SARAUZIM – sarau pra molecada. E foi muito louco. Chegar na masmorra disfarçada de escola, pegar aquela molecada pressionada pelo silêncio, atenção forçada para uma atividade que eles não tem a mínima ideia do que vai acontecer, do que vai falar, e conseguir prender a atenção, recitar poemas, explicar o seu trampo, distribuir livros e ao final ouvir uma menina chegar em você e dizer:


- Sabe o que eu vou ser quando crescer?
- O quê?
- Poeta.

Não foi a primeira vez que vi esta fita. Mas sempre emociona. Assim como os olhos arregalados, as risadas, a troca. E a pergunta: você volta no ano que vem?

Claro que eu volto.

A noite, teve evento de abertura das atividades, no Memorial Municipal Getulio Vargas. E qual a minha surpresa quando chego e vejo vários versos, de uns 06 poetas selecionados, espalhados pelos muros, tal qual lambe-lambe que se espalham pela cidade. E quem estava ali nos muros, mochilas, camisetas? Sim, este camarada que vos fala.





Sem contar que, dentro das bolsas que a galera recebeu de brinde, levaram os pinos pó...éticos. Mais de 800 pinos encomendados pela Secretaria de Cultura e espalhados nas atividades.

Quer saber se estou feliz? Felicidade é meu sobrenome.

Fico por aqui no RJ até amanhã, dia 27. Hoje, atividade no MAR – Museu de Arte do Rio, com minha palestra “Vendo pó. Vendo pó... Vendo pó...esia”. Amanhã, encontro com outra molecadinha pra bater papo sobre escrita, produção literária e o que mais eles quiserem.

E a certeza: nós, poetas e escritores, temos uma longa, longa missão pela frente. A de formação de leitores literários, pessoas apaixonadas pela literatura, pela poesia. Há muitos, dezenas de milhares de vilas, comunidades, cidades, escolas, bibliotecas que temos que visitar para trocar ideia, espalhar a literatura. Nosso povo é muito, muito carente da cultura literária. E precisamos chegar até eles. E precisamos de apoio, incentivo, subsidio para chegar até eles. Fica a dica.

Eu to na missão. Sempre que precisar, eu to na pista.

É nóis.


Rodrigo Ciríaco

quarta-feira, novembro 19, 2014

LANÇAMENTO: TE PEGO LÁ FORA, RODRIGO CIRÍACO – LIVRARIA CULTURA











VEJA O ÁLBUM COMPLETO DE FOTOS AQUI:

Terça-feira, 18 de novembro foi um dia para ficar assim, tatuado na retina. Com tinta fresca. Expressiva. Para lembrar e relembrar e contar. O quanto é importante a nossa caminhada literária. Marginal, periférica. Solidária. Um caminho que não se constrói só. E principalmente, não se celebra só. A primeira vez, lançando um livro dentro de uma livraria. Parece estranho esta frase: livro na livraria. Pra gente não é. Pra gente o normal é livro no boteco. Na escola. Centro cultural, biblioteca, rua, praça, ônibus, terminal. Pra gente é normal o livro assim: internacional. Nas feiras, nos festivais literários. Na praia, na estrada, nos becos e vielas. Livro na livraria é quase luxo. Entende agora quando a gente fala “literatura marginal”? É por isso, meu camarada.

Mas deixa eu falar: da alegria da noite. Do livro exposto na bancada. Ao lado do “Contos Reunidos”, do João Antônio. E do Xico Sá. E me vem na memória Carolina Maria de Jesus, Plinio Marcos. Lima Barreto. E tantos outros parceiros. Que trilharam e venceram na estrada. Ainda que longe dos holofotes. Suas obras estão aí, marcadas. E a gente segue. Na caminhada. Livraria lotada. Havia outros eventos, mas eu reconheci quem esteve lá por conta da nossa pegada. Da nossa literatura, da nossa quebrada. E foi bonito. Saber. Que a Livraria Cultura queria apenas 50 livros pra vender. A Editora DSOP acreditou, apostou, insistiu. “Melhor pegar mais, vai bombar”. Ok, então me dá 80 livros. E foram. Assim. Saíram voando. Feito passarinhos. Uma atrás do outro. Algumas vezes em bando, que é como a gente gosta. E teve gente que ficou assim, sem pássaros na mão. “Acabou os livros”? Sim. Aqui na livraria acabou. A gente bombou, esgotou. Mas tem mais. Tem muito mais. Agora estará em todas as livrarias. De norte a sul do país. Uma distribuição que é assim, muito difícil sendo independente, periférico, marginal. Agora é isso, nego: a gente vai brigar de igual pra igual. E pode ter certeza. Não vamos brigar só. Estamos apenas alargando uma brecha de um movimento que veio pra dar nó. No mercado editorial. Nessa ditadura: cultural e desigual. Que diz que na quebrada não se gosta de ler. A gente não é possível criar, escrever. Não fica de toca. A gente tá fazendo trampo sério, bonito. Nossos livros não ficam parados, as moscas. Tem muita gente boa por aí. Precisando de uma oportunidade, um empurrão para as portas aí, se abrir. E a gente segue. Foi bonito. Foi festivo. Foi literário. O susto. Gritando na livraria: “Mãos ao alto, isso aqui é um assalto. Mãos ao alto: eu to roubando a sua atenção, mãos ao alto”. A galera em choque, mas passou. Ufa, é só poema, literatura, interpretação. Ou não. A gente tá vindo buscar o que é nosso. Por direito, por conquista. Por mérito – pra vocês que adoram uma “meritocracia”.

Sem ilusões. Sem atolar o chapéu. Ontem foi glória, hoje é mais. O trabalho segue: nos mesmos locais em que encontro aqueles que me fizeram grande: meus iguais. Que são gigantes. Minha mãe disse: “agora é um novo passo, né filho”. Eu disse: não, mão. É a continuação da caminhada. Não adianta a ilusão de achar que já tá tudo conquistado. Não, sigamos na mesma pegada. Boteco, escola, sarau; biblioteca, rua, praça, centro cultural. O artista tem de ir onde o povo está. E nós somos o povo e o artista. Há muita coisa ainda pra batalhar. A mochila segue pesada. Com livros pra espalhar, dividir na quebrada. Mas confesso: estou feliz. De chegar em uma das maiores livrarias da América Latina, com os amigos e parceiros, estourar no “norte” e sair assim, feliz.

Agradecimento a toda equipe DSOP: Reinaldo Domingos, Simone Paulino, André Palme, Christine Baptista, Renata Sá, Amanda Torres, Priscila Moreira, Alana Santos, Thais Ramone, Paulo Fabrício Uccelli. Rita Ramos, Adelino Martins, André Argolo. A todos, o meu fraterno abraço. Minha gratidão: pelo respeito, pela consideração, pela forma como fui recebido e até hoje tratado. Obrigado.

Gratidão ao mano Ferréz: que escreve essa caminhada da literatura marginal, com seu trampo autoral, revistas, publicações coletivas. Abrindo portas. Obrigado, Mano. Muito obrigado. Esse meu sonho está se propagando também por sua culpa. Os erros são meus. Os acertos são nossos. Gratidão. Valeu mesmo.

E sigamos em frente. Agora mais energizados e encorajados. Não apenas por acreditar, mas por saber (ainda mais) que somos possíveis.


Rodrigo Ciríaco

terça-feira, novembro 18, 2014

TE PEGO LÁ FORA - RODRIGO CIRÍACO


Foi o primeiro rebento. E como todo filho – na maioria das vezes – ele veio assim, inesperado. Nunca havia pensado em ser “escritor”. Quando pequeno, queria ser “artista”. Sem saber o que isso era, o que significava. Queria ser artista. Fiz desenho, fiz dança. Fiz música, fiz teatro. Ah, o teatro. O palco, a luz, a plateia. Ah, o teatro. O “semancol”. Não dava para o palco. Não era suficiente. Nunca era. Abandonei as pretensões. Mas sempre gostei de ler. Sempre gostei de escrever, muito. E conhecendo uma poeta chamada #Dinha, descobri que a palavra também podia ser arte. Ser linguagem. Ser literatura, poesia. E através da Dinha, e por outros caminhos, conheci os #saraus. O guerreiro #Sergio Vaz foi o primeiro que me chamou de poeta. O camarada #Sacolinha foi o primeiro a publicar um texto. E daí que comecei a gostar cada vez mais desta coisa de escrever, criar, recitar. Foi #Marcelino Freire que disse: “Ciríaco, você deveria escrever as histórias da escola. Só você pode fazer. Se não fizer, vai se arrepender”. E segui o que o cabramigo disse, investi. E um dia o #Allan da Rosa me chamou de canto, e falou: vamos publicar isso aí? Publicar o que? Não sou escritor, não sou poeta. Eu era. Para eles, eu já era. Tinha uma responsa nas mãos: organizar os textos, rejuntar as dores e os escritos, propagar a literatura da quebrada, marginal, periférica. E bater com eles, por aí. E assim fiz. E foi assim que me descobri “escritor”. Meus textos voando. Eu quebrando o casulo, desabrochando. Em São Paulo, no Rio. Pernambuco, Bahia, Minas Gerais. E outros voos, até internacionais: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Argentina. Até na África, Argélia. Sem ter agente literário, sem ter editora: Paula Anacaona achou meus textos assim, na busca, na escolha. Nessa imensidão do mundo virtual. E foi: autor independente, periférico, marginal é convidado do Salão do Livro de Paris, em 2013. Sim, internacional. E tudo, tudo o que consegui, as viagens que fiz, todas pagas, foi por causa de você, literatura. Isso que alguém disse um dia que não ia dar em nada. Levar a nada, a lugar nenhum. Me deu amores, me deu amigos. Me deu uma esposa, companheira, amante, amiga: #Mônica. E com ela, a minha maior obra, a minha joia rara e preciosidade maior: Malu, Maria Luiza, Maluzinha. Minha filha. Minha luz, meu norte-sul, meu guia. Minha alegria. Agradeço a você, literatura. Por me dar tantas pessoas, tantos lugares: escolas, ruas, praças, parques. Bibliotecas, associações, universidades. Mas um lugar faltava. Um lugar que ainda não havia sido ocupado: as livrarias. De mão em mão, de mano a mano, mais de dois mil e quinhentos “Te Pego Lá Fora” espalhados, mas ainda faltava as livrarias. Doce pretensão. Este não é o seu lugar. Aqui é para os raros, os clássicos. Os comprados. Você não pode entrar. Até chegar um mano e dizer: chega mais. Borá arrebentar. O espaço é nosso, sim, vamos ocupar. Reginaldo Ferreira da Silva, o #Ferréz. Tão perto aqui, há treze anos na Caros Amigos, Pecando no Capão. Chega mais, vamos causar. Como causamos na gringa. Assustando os gringos, fazendo aquele teatro da “briga”. “Calma, calma, rapazes. Não precisa disso”. A gente na Sorbonne apavorando. Maloqueirando. “Ufa, era brincadeirinha”. As vezes. A parada aqui é séria. A nossa literatura é séria. Tem compromisso. Tem responsabilidade. Muito do que vai pro papel é o espelho da realidade. Distorcido, ficcionalizado, mas reflexo da realidade. Que agora a DSOP apostou em compartilhar. Que Simone Paulino, vinda também na sua origem, de Guaianazes, lado leste, veio a acreditar. Nesta criança. Que completa seis aninhos de sua produção independente. E que com essa idade já pode ser admitida no primeiro ano do Ensino Fundamental, dizem para virar “gente”. Mas o que ela quer mesmo é torcer. As grades da masmorra. Quebrar. Os muros que nos dividem. Ajudar: a transformar a escola. Sejam bem-vindos. Provocação garantida ou sua televisão e sofá de volta. Boa leitura. Ou não. Fique esperto, se vacilar: TE PEGO LÁ FORA!

segunda-feira, novembro 17, 2014

LANÇAMENTO - TE PEGO LÁ FORA - LIVRARIA CULTURA


VENHA CELEBRAR JUNTO!

Nesta terça-feira, 18 de novembro, 19hs, tem lançamento da 2a edição do livro #TePegoLáFora, contos ficcionais sobre o cotidiano da escola. O livro faz parte da coleção #LiteraturaMarginal, da Editora DSOP com curadoria do escritor #Ferréz.

O lançamento será na #LivrariaCultura da Av. Paulista, 2073. Teremos um pocket sarau, coquetel, sessão de autógrafos e muita, muita idéia, cultura e alegria.

A todos que se interessam pelo movimento de saraus, pela literatura marginal-periférica, a todos que trabalham ou são envolvidos com educação, a todos que desejam um novo modelo de sociedade e escola, chega junto. Venha fortalecer a sua #revolta, a sua #labuta. 

Porque é importante lembrar quem são nossos pares. Que não estamos sozinhos.