sexta-feira, março 09, 2007

Ei Bush, tá aqui o álcool óh...


É Lula, de que lado você samba?

Ficar em cima do muro não dá!

OBScenas


Mylton Severiano, estas poderiam ir para o seu quadro da Caros Amigos.
OBScenas.

Flores no Jardim


fotos: Luís Coelho e Rodrigo Hypolitho - CMI

Raízes da Alma
rodrigo ciríaco

Podem destruir uma, duas ou até três flores,
mas jamais deterão a primavera...
Guevara

08 de Março de 1857
A primavera pede espaço em Nova Iorque
Rosas perfumadas interrompem a produção de tecidos
Exigem respeito, melhores condições de trabalho
Redução da irredutível jornada.
Seus gritos não são atendidos!
São agredidas, maltratadas,
Refugiadas no próprio país
Dentro de uma fábrica.
Os agressores não se sensibilizam
E num gesto insensato,
Digno de um ato humano, inexplicável,
Trancam as portas do jardim
E ateiam fogo as flores.
Elas ainda não haviam sido arrancadas da terra.
Por que murcharam oh rosas?
Teria sido a falta de ar, o calor incessante?
Ou a incredulidade com o barbarismo
De tal gesto humano?

08 de março de 2007
O verão queima cabeças, queima o asfalto
Teimoso, não quer se despedir das ruas de São Paulo.
Um jardim multicolorido cresce na principal Avenida
Da Indiferença da cidade.
O Roxo e o Vermelho dão o toque único
Feminino.
150 anos depois, milhares, mulheres, homens,
idosos, crianças, ainda lutam por direitos
e hoje caminham lado a lado.
Mad Bush, o fascínora de bombas sem rosto
É só provocação, e como os agressores novaiorquinos
Pisa em terra brasilis, e a todo lugar
Manda fechar o portão.
O governo brasileiro agradece. Obedece.
Nas ruas, barracos são arrancados, trabalhadores
Ficam horas nos pontos, lotados.
Tudo para a segurança do presidente.
Que não aceita o diálogo, não aceita protestos
E faz da Avenida Paulista um território Iraquiano.

Na minha frente
O teatro dos horrores é montado:
há sangues, bombas, tiros
E corpos estendidos no chão.
Onde havia um jardim diversamente florido
Foi aberta uma cratera
Onde havia 10.000 flores
Agora resta apenas um buraco.
As flores não murcharam, resistiram,
Mas elas choram. E sangram.

Caminhando perdido na busca de um rosto amigo
Entre uma multidão apavorada que corre para todos os lados
Para proteger a sua vida
Lembro de uma aula na escola
Em que o tema foi o dia 08 de Março
E após saber o que aconteceu na véspera da primavera
De 1857, um aluno me olhou nos olhos,
Um olhar angustiado, me perguntou:
- Pra quê isso?

Hoje, exatos 150 anos depois
Vendo bombas serem arremessadas contra corpos
Uma mulher, ferida e gritando ao meu lado
Permaneço imóvel, atônito
E me pego com o seu mesmo olhar
O seu mesmo questionamento:
- Pra quê isso?

quinta-feira, março 08, 2007

BUSH: GO HOME! - Fotos

foto: Fernando Evangelista - FSM 2005
demais fotos retirados do sítio do Uol - minha máquina está em conserto.

Manifestantes queimam bandeira dos (que nos) USA

Av. Paulista tomada!

Marcha Mundial das Mulheres

Caos: repressão policial

Manifestante machucado

Acima e abaixo: manifestante detido.
outras fotos, infos., acesse:

BUSH: GO HOME!

Vila Monumento, Ipiranga. São Paulo. 08 de Março de 2007. 20 horas e 40 minutos. A besta fera Bush a pouco desembarcou na terra brasilis e já deixou sequelas. Meus olhos ainda formigam, insistem em lacrimejar. Minha boca está seca. Acabei de vir da manifestação da Avenida Paulista.
E também assisti a cobertura da "grande mídia". Que bosta! As imagens mais marcantes, pra variar, foram da violência. O Ato - que não foi só anti-Bush mas, contou com a presença maciça de mulheres para marcar o Dia Internacional da Mulher - começou as 15hs na Praça Oswaldo Cruz, início da Av. Paulista. Sol de rachar a cabeça, as pessoa foram chegando, se ajeitando e, dali a pouco, já tinha milhares de pessoas. A Polícia Militar bem que tentou deixar apenas uma mísera faixa livre para os manifestantes mas, era muita gente. E foram tantas que, em pouco tempo, tomamos as quatro faixas da Paulista.
E não houve ROCAM ou cordão de isolamente da PM que segurou a gente.
Marchamos, pacificamente, atravessando a Av. Paulista. Olhares curiosos, muitas câmeras, máquinas fotográficas. Até o Pânico, estava lá. Tosqueira foi ver a galera esquecer o protesto e ficar babando ovo nos cara. Tudo tem limite né gente.
Bem, como disse, o ato seguiu tranquilo. Duas horas de ato tranquilo já haviam se passado, quando chegamos ao vão livre do MASP. De repente, por volta das 17h10m, a alguns metros de onde estava, uma bomba estorou.
Sabe o que é estar entre 10.000 (dez mil) pessoas, juntas, em uma Avenida, sem possibilidade de você correr ou se locomover depressa, com crianças, idosos, cadeirantes, todos juntinhos, espremidos e, de repente, do nada cair uma bomba de EFEITO MORAL no meio da galera. Assim, todo mundo junto e, de repente, BOOOOOOOMMMMM! Bomba, no meio da galera. Seguido de outra, e tiros de bala de borracha (que machucam, marcam viu!) e bombas de gás lacrimogênio. Pois é, parece surreal mas, foi isso o que aconteceu!

Depois de algum tempo eu ainda ficava me perguntando: pra que isso? pra que isso?
Segundo a "grande mídia" manifestantes tentaram fechar a segunda pista e, quando os policiais reagiram, sofreram ataques de pedras e paus.
Peraí: isso justifica jogar bomba no meio de uma multidão?
Porra, o Choque tava lá. Se tinham que manter a "ordem" por que não foram para cima dos caras que estavam atacando os paus, as pedras. Tinham o escudo, tinham o cacetete. Se eles acham necessário usar a força, por que não encaram os manifestantes de frente? Agora, bomba no meio da multidão?

Imprudência, desrespeito, covardia, para com uma manifestação pacífica, lotada de mulheres.
Alguns manifestantes tiveram que ser socorridos. Várias senhoras que apoiavam o Ato, em cadeira de rodas, também sofreram com as bombas de gás lacrimogênio e, como eu (e milhares de manifestantes) ficaram com os olhos vermelhos, formigando, queimando e com a boca e a garganta bem seca.
De qualquer forma, o ato valeu! E como disse, o confronto, apesar do destaque, não foi o mais importante. Durou quinze minutos - certo, pareceram horas - mas a manifestação durou mais de 03 horas, e foi bonita! Muita cor roxa, vermelha, fitas, sorrisos e mulherada bonita!
Valeu para as mulheres mostrarem a sua força. E que força! Valeu para mostrarem que estão acordadas, unidas. Os homens que se cuidem. Principalmente aqueles que gostam de abusar delas.
E falando em abusar. Valeu para dar o recado para o Baby Mad Bush. GO HOME! Aqui você não é Bem Vindo. Como em nenhum lugar do mundo. E se tivesse a decência, entregava o seu cargo e dava um tiro na cabeça. Faria um serviço para a humanidade.
Vou tentar postar algumas imagens aqui. Mais já deixo a sugestão de visita do
www.midiaindependente.org para saber mais infos. sobres os atos que rolaram no Brasil e fotos.
Cansado, com olhos ardentes e uma dor de cabeça,

Rodrigo Ciríaco

Meu maior desafio


NO MEIO DO CAMINHO
rodrigo ciríaco


Violência
Diálogo
Analfabetismo
Conhecimento
Discriminação Racial
Humildade
Desmotivação
Sinceridade
Insegurança
Respeito
Baixa Auto-Estima
Palavras
Aculturação
Ética
Pobreza
Superação
Indisciplina
Compromisso


Meus Alunos
Minhas Alunas
Pedreiras.

O meu maior desafio.

Dia Internacional da Mulher

Às
putas, guerreiras, faveladas, mães solteiras, agredidas, violentadas, ofendidas, esquecidas, humilhadas, trabalhadoras, camponesas, negras, pobres;
a todas as mulheres que valorizam a parte mais importante do seu corpo: mente e coração;

A LUTA CONTINUA...
todo dia é dia Internacional da Mulher.

Fico muito feliz por abraçar, quase sempre, a mulher mais importante de minha vida: Mãe, Eu Te Amo. Se ainda estou aqui, foi só por você!

R.C.

quarta-feira, março 07, 2007

Notícias - Blog do Bourdourkan

"Enquanto houver um explorado e um oprimido não haverá paz"

Horrores

Abu Omar, clérigo muçulmano que vivia na Itália, foi seqüestrado pela CIA nas ruas de Milão em 19 de fevereiro de 2003. A CIA contou com ajuda do serviço secreto do então primeiro ministro Silvio Berlusconi.A juíza Caterina Interlandi resolveu acusar 26 espiões americanos e sete italianos, entre eles o ex-chefe do serviço secreto militar do país Nicollo Pollari. O julgamento está marcado para começar no dia oito de junho, provavelmente sem os espiões de Bush já que eles retornaram a seu país. Abu Omar foi parar numa prisão egípcia onde sofreu brutalidades sem fim. A tortura era diária. Seus tornozelos e antebraços têm cicatrizes, foi pendurado de cabeça para baixo, recebeu choques elétricos, inclusive nos órgãos genitais. Tem problema de incontinência urinária e só 30% da audição nos dois ouvidos. Nos quatro anos que ficou preso não lhe permitiram tomar nenhum banho. Tentou o suicídio três vezes. “Fui objeto de abuso sexual e sodomizado duas vezes”, contou entre lágrimas ao deixar a prisão, no começo de fevereiro. Foi libertado sem acusações.

Mercenários

Nos massacres diários que ocorrem no Iraque, um grupo se destaca. E que grupo. São mais de 120 mil mercenários provenientes dos cinco continentes, principalmente do Zimbábue, Irlanda do Norte, Grã Bretanha, Estados Unidos, França, África do Sul e Israel. Os mercenários israelenses recebem um abono especial porque falam o árabe.Estes “soldados da fortuna” portam armamento de última geração. Ao serem indagados para quem trabalham, respondem com sorriso cínico:- Para todos – questionados se possuem algumas regras, o cinismo é maior ainda:- Nenhuma.Vale acrescentar que o número de mercenários deve ultrapassar o numero de militares americanos ainda este mês. Por tanto, quando Bush diz que vai enviar mais 21 mil soldados, essa cifra deve ser acrescida não aos 120 mil, mas aos 240 mil.

Informação e manipulação

A informação é da BBC: Soldados americanos apagaram imagens feitas por jornalistas da Associated Press.Os jornalistas disseram que as imagens apagadas mostravam um local de ataque no Afeganistão onde oito civis morreram e 35 pessoas ficaram feridas no incidente. De acordo com os jornalistas, as câmeras continham ainda o vídeo de um veículo em que três pessoas foram mortas a tiros. A ONG Repórteres Sem Fronteiras condenou a suposta ação das forças americanas e criticou a maneira como eles lidaram com a imprensa.Essa é a informação, agora a manipulação das palavras. Oito civis morreram e 35 pessoas ficaram feridas no incidente. Incidente? Ou massacre, já que todos eram civis? Mas a manipulação continua: A ONG Repórteres Sem Fronteiras condenou a suposta ação das forças americanas... Suposta? Foi filmado e gravado e chamam de suposta?Infelizmente é nisso que se transformou a informação. E somos todos reféns...

Corumbiara

No esquecido e impune massacre de Corumbiara (RO), e já lá se vão quase 12 anos, depoimentos de sem-terra, gravados em vídeo, esclarecem que tiveram que beber o sangue e comer os miolos dos companheiros mortos, obrigados que foram pelos soldados da Policia Militar do Pará. Uma menina de 10 anos conta como viu os soldados cortarem o pescoço de um sem-terra com a moto serra. Há também relatos de estupros.O silêncio chega a ser ensurdecedor!


Desaparecidos

A ONG de Defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch denuncia: o governo dos Estados Unidos ignora o paradeiro de dezenas de prisioneiros que foram capturados por agentes da CIA. Joanne Mariner, diretora do setor de terrorismo e contra-terrorismo da Human Rights Watch declarou: “O presidente Bush nos disse que os últimos 14 detentos da CIA haviam sido enviados a Guantánamo, mas há muitos outros prisioneiros da CIA cujo destino ainda é desconhecido. A pergunta é: o que aconteceu com essas pessoas e onde estão elas agora”?Com todo o respeito à respeitável Human Rights Watch, nossa experiência em prisões nos permite responder, sem qualquer sombra de dúvidas, e lamentavelmente, que os infelizes prisioneiros devem estar enterrados em alguma vala comum ou então atirados ao mar depois de terem as mãos cortadas. É brutal, mas é assim que os torturadores agem, seja no terceiro ou no primeiro mundo.

quinta-feira, março 01, 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Persisto!

Reconhece a queda e não desanima

Vou chorar minhas pendengas então, se não tiver interessado, pode ir para outro blog/sítio.

Ser professor não é fácil. Educar não é fácil.
Valorizo muito os bons professores que estão na ativa da rede pública, estadual ou municipal. Principalmente os da rede pública (gratuita e tentando fazer a qualidade!) Depois de 10, 20 anos continuam lá: firme e forte, preparando suas aulas, preparando suas atividades. Olho para eles e tento fazer deles o meu espelho. Gostaria muito de chegar a este tempo na ativa e ter a disposição que eles tem. Porque não é fácil. Nem um pouco.
E eles também são bem poucos...
E falando de maus profissionais, eu não culpo apenas os maus profissionais não. Eles tem uma parcela de culpa sim pois desistiram de travar a guerra. Sim, dar aulas é praticamente ir para a guerra. E ser professor(a) é ser Guerreiro. Desistiram da guerra mas não hasteiam a bandeira branca. Nem vão para o front. E nem assinam o armistício. E nem fazem porra nenhuma. Isso que é foda.
Mas, como eu tava falando, dar aulas não é fácil. Tenho uma preocupação gigantesca em dar aulas. Preparar-me, preparar as minhas atividades. Diversificar nos materiais pedagógicos. Estudar, estudar, estudar.
Nem sempre dá certo!
A situação de aula é sempre inédita, tá ligado? Nunca uma aula é igual a outra. Nunca. E se isso tem a sua parte boa, muitas vezes te destrói também. E hoje foi um dia daqueles. Fui do céu ao inferno em 08 aulas...
Eu queria falar muito mais sobre isso mas, deixo pra outro dia. A cabeça hoje tá cansada.
As vezes tenho vontade de tocar o botão do foda-se e partir pra fora da guerra. Porque acho que não sou capaz. Porque me sinto fraco. Porque eu não admitiria ser medíocre e fingir que dou aulas como fazem muitos professores que eu critico. É como um mestre, o prof. Julio diz: ou você é professor ou não é. Não tem essa de meio termo.
Por enquanto, quero ser professor. Se desistir eu aviso.
Hoje levei para a sala um texto do Marcelino Freire. Fiz a leitura nas 7ªs e 6ªs. O conto "Da Paz". A molecada curtiu. Vários pediram cópias. E fiz uma relação do texto com a questão da história e tal. Acho que foi bom.
Foda foram as quintas séries. E foram as últimas aulas. Por isso do céu ao inferno, sacou? Foi difícil. A última aula, as 17h30m, depois de trampar desde as 09H30m... Já estava no meu esgotamento mental, sem paciência. Os alunos também. Tocaram o barraco. Me desconcertaram. Me destruiram. O que salvou foi o beijo no rosto de uma aluna, ao ir embora, depois de eu descobrir que ela não sabia escrever e eu disse: nós vamos mudar isso. Ela foi lá me dar tchau. E foi embora. Um beijo de agradecimento, senti. E recompensou o meu final de tarde.
É foda, quinta série e não sabe escrever! Eu fico pensando: como um professor, alfabetizador é capaz disso? Não dá para culpar totalmente o aluno. Mas a culpa, em maior parte dos casos, recai sobre ele.
Abrindo a internet agora, as 21h11m, desanimado ainda, cansado, percebo porque eu preciso me fortalecer ("reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"). Muitos guerreiros estão na luta comigo: Vaz, Sacola, Canto, Dinha, Buzo, Neide, Rose, da leste a sul. Inter ou fora continente: Gú, Fernando. Muita gente tá na luta. E por mais que a minha luta pareça isolada, desconectada... "Tamo junto"! Tá tudo junto e somado. E eu acho que a minha luta na Educação é muito, muito importante. E não posso desanimar. Não ainda
Bem, esse só foi mais um dia. Amanhã tem mais. Mas amanhã é um novo dia. Tudo pode acontecer.

R.C.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

*** SAFADEZAS NA ESCOLA ***

Não bastasse a onda de mediocridade que ronda a sociedade brasileira, principalmente quando o assunto tratado em questão é a Educação, nesta semana aconteceu mais um problema na minha escola: quarta-feira foi novamente assaltada!
Digo novamente porque, apenas no ano passado, houveram cerca de 05 invasões ao espaço escolar: roubo de televisores, computadores, telefones, videocassetes, dvds, armários de professores, liquidificadores, batedeiras... Nem a merenda escolar escapou! Apuração? Nhecas. Culpados? Nhecas. Prejudicados? Todos, em especial os alunos e alunas.
Não basta não ter uma sala decente para estudar. Não basta faltar professores. Não basta faltar livros, o teto ter goteira, etc, etc, etc,... A escola é constantemente violentada e o pouco, torna-se nada.
Sobram-se apenas perguntas "tostines":
- Será que a escola é assaltada por não ter segurança ou não tem segurança e por isso é assaltada?
- Será que a comunidade não protege e valoriza a escola por ela ser um lixo ou a escola é um lixo por não ser protegida e valorizada pela comunidade?
- Será que precisamos discutir a maioridade penal porque a nossa Educação não é séria ou a nossa Educação não é séria e precisamos discutir a maioridade penal?
- Será que quase duas décadas de governo tucano acabaram com a escola pública no Estado de São Paulo ou a escola pública no Estado de São Paulo acabou com as quase duas décadas de governo tucano?

É gente, o bicho é feio, e quando você acha que pegou firme no focinho, tá pegando só a ponta do rabo.
E segunda feira volta a rotina, tudo normal.
Ah não, detalhe: na minha escola vai ter RODÍZIO. É, tipo de carro sabe. Uma sala estuda a outra fica em casa, no dia seguinte troca. E assim por diante. Não tem sala para todos os alunos.
Mas isso é normal né galera. Não vai ter nenhuma COMOÇÃO NACIONAL se os alunos não estudam, não tem uma boa Educação.
Nem o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) será lembrado nessas horas.
E já falei de+.
Até.

Rodrigo Ciríaco

Em tempo: para quem acompanha aqui as notícias sobre a Ocupação Prestes Maia, depois de toda pressão política, jurídica, artística e social de apoiadores e do movimento, ao que parece, a reintegração foi suspensa por 60 dias.
Em breve outras infos. (RC)

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Pequena Saga a ser concluída:

Canudos é Aqui (?)

I
Perdidos no sertão
Caminhamos entre o chão rochoso
E tempestades de incerteza
Sobrepujamos o cansaço, a angústia,
O calor e as secas panelas.
Quase tombamos sobre a nossa vontade.

Ao redor
Uma vastidão do nada e da indiferença
Nos faz aflitos
Desejosos de um porto seguro
Um copo d’água
Uma ilusão perdida que possa
Sustentar mais alguns passos.

Quase não acreditamos,
Quando sobre olhos secos
Mareados, quase fechados,
Um prédio cravado, se emerge do chão
Uma construção de concreto,
Mais parece um canto de sereia,
Uma longa faixa,
Do céu ao chão estendida, claramente incendeia:
Canudos é Aqui!
Nós Somos o Sertão.

Acreditamos piamente
Não se tratar de mais uma ilusão,
Deixamos mochilas, deixamos o cansaço,
Deixamos todas as mentiras e os sonhos do acaso
E ofegantes, ainda corremos em sua direção.

Longas passadas, pernas cansadas,
Lembranças de idosos, crianças tombadas,
Não nos enfraquecem, não nos desmobilizam
Canudos é Aqui!

Túnica azul,
Sua longa barba branca,
Antonio Conselheiro vêm em nossa recepção
Espelha-se através
Dos olhos humildes, pequenos e sinceros,
A esperança no sertão.

Seria ilusão?

II
Árduo trabalho se inicia
Buscando fontes de água onde apenas se semeiam
A injustiça, a pobreza, a discriminação.
Ondas de lixo, ratos, baratas são removidas
Dando novo alento
Ao batido vermelho terra chão

Luz a gato clandestina se torna a saída
Para iluminar o moderno lampião
Canos são limpos, a água irriga
Lavando a alma de camponeses operários
Distantes da periferia, cravados no Centro por opção.

Organizamos festas pela nova vida
Ainda incertos pela posse da terra urbana
Entre o sim e o não
Alguma coisa acontece entre nossas vidas
Pouco distante da Ipiranga com a Avenida São João.

Mas o inimigo na seca germina
E não aceita uma organização popular no Centrão
Especuladores, empresários, a Justiça organiza
Reintegração de posse é definida então

Acontece que uma gente pobre quando se organiza
Faz jus a sua luta, de sofrimento e perdão
E contra a gentrificação que a cidade polariza
Erguem barricadas, coragem e força nas mãos.

O ardiloso inimigo se atemoriza
E por três, quatro, cinco vezes investe
Sem sucesso contra os operários da razão
Reorganizam as leis, manipulam a mídia
Para sempre favorecem os interesses da exploração

Tamanha insistência causa apenas desconforto
Mas não a entrega de valentes cidadãos
Que apesar de tudo organizam escolas,
Organizam festas, organizam a biblioteca
E a tornam símbolo maior da (maior) ocupação.

Artistas solidários se mobilizam
E dentro de interesses públicos/pessoais
Somam-se a luta do sertão
Fazem do prédio um foco, a lente do filme
Teses de mestrado, trabalhos de educação.

III
Anos se passam depois que esta luta se inicia
E quando há o meu encontro, ainda há muita sede
Muita disposição
Cavaleiros solidários ainda se fortificam
com unhas e dentes mantém firme a Ocupação.

Novos manejos os poderosos investem
Anulam a força, imprimem um termo de cooperação
Cooptam falsos líderes, investem dinheiro
Dividem o movimento, fraquejam a união

Quase não entendo quando vejo
Numa mística festa
Antonio Conselheiro defende o Sertão
“Daqui não saio, daqui ninguém me tira”
torna-se o hino da voz do povão.

Mas eu pergunto, de que vale o hino Conselheiro
Se nas lideranças não há mais a sede da Ocupação
Se existe o choque entre apoiadores e cavaleiros
Contra o vale coxinha e o Termo de “Cooptação”?

IV
Quanto mais eu corro
Parece que mais longe a esperança e o desejo ficam
Quanto mais eu sonho, mais eu acredito,
Entre acordos, lideranças aos desonestos republicanos
Se entregam.

Cheguei tarde demais?

Onde está a resistência?
Barricadas, trincheiras, sacos de areia?
Não fomos nós que sacamos as armas
Interrompemos o diálogo.
Queremos justiça!
Não haverá luta?

De longe, aumenta o meu desespero
E em segredo, a minha muda revolta
Por fazer eu crer ser possível
Se revoltar por inteiro
Acreditar na justiça,
Num sonho só de ida, sem volta.

Sem destempero, ainda longe da ocupação
Da gigantesca edificação, eu indago
Sem medo, como um insubordinado guerreiro
Canudos é Aqui?

De que adianta ter um Antonio Conselheiro
Se não resistiremos?
De que adianta o domínio, por quase cinco anos,
Se cordeiros, ordeiros, nos entregaremos?
De que adianta tanto empenho, tanta luta
Se sobre os meus olhos estúpidos e ingênuos
vejo pessoas humildes, tão simples
Sendo entregues a serpente e ao veneno.

Lembro-me dos dias em que, incrédulo,
Ouvi e acreditei:
Quem não luta tá morto!
Agora, eu apenas ouço
Quem luta dança
E isso não é apenas uma nova
Marchinha do carnaval.

Abaixo ao resistente sol quente
Tento manter a minha lucidez
E alguma sonoridade para a voz
Pois sei que a dor apenas começa
E ainda se preciso gritarei.

Apesar do vergonhoso acordo
As tropas do governo se preparam
Bombas com efeito, que de moral não há nada
Spray de pimenta, balas de borracha,
Cães verdadeiros e uma estimulada raiva
Novamente eu me pergunto
Canudos é Aqui?

Serão as crianças, presenteadas com vermelhas gravatas
Serão as mulheres, os idosos
Pisoteados como se fossem baratas.
Será o último homem, dizimado
Como se não fosse um nada.

Basta!

A história se repete
E mais parece uma piada.
Não, o sertão não vai virar mar
Apenas novas famílias serão despejadas
Canudos é realmente Aqui
Mas ao contrário, a resistência
Não foi armada
Não será até o último fio da navalha.
As semelhanças se encerram
E principiam apenas sobre suas famílias
Duras histórias de lutas, trabalho,
Sofrimento e privação sofridas
E sobre a onipotência de um governo
Que mais uma vez demonstra
De republicano e democrático
Não há nada!

Basta!

A história se repete
E mais parece uma piada.
Não, o sertão não vai virar mar
Apenas novas famílias serão despejadas
Canudos é realmente Aqui
Mas ao contrário, a resistência
Não foi armada
Não será até o último fio da navalha
As semelhanças se encerram
E principiam apenas sobre o profano/sagrado local
Prestes Maia
Que será dominado, implodido, retalhado,
Escombros para futuros arqueólogos
Sonho e casa perdida para centenas de mulheres,
Crianças e idosos
A desilusão entregue, perdida,
Ao tempo, as dolorosas lembranças,
Ao nada!

(rodrigo ciríaco)

domingo, fevereiro 18, 2007

TRAGÉDIA(s) ANUNCIADA(s)

Do Blog de Josias de Souza (Blogs da Folha)

"Deve-se ao repórter Wálter Nunes uma revelação desconcertante: documentos internos do Metrô de São Paulo revelam que os riscos de desmoronamento da linha 4 (Estação Pinheiros) eram do conhecimento dos responsáveis pela obra. A julgar pelo conteúdo dos papéis, intui-se que o acidente que custou a vida de sete pessoas foi fruto de negligência ou incompetência.

A cratera do metrô abriu-se em 12 de janeiro de 2007, no alvorecer da gestão de José Serra (PSDB). O desmoronamento soterrou um operário. Outras seis pessoas que passavam pela Rua Capri foram engolidas pelo buraco. Um ano antes, em 10 de janeiro de 2006, quando o inquilino do Palácio dos Bandeirantes ainda era Geraldo Alckmin (PSDB), documento oficial do metrô registrara um “aprofundamento na região do da Rua Capri.”

Trata-se de uma ata de reunião entre funcionários do Metrô paulista e do consórcio de empreiteiras que tocam a obra: OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Decidiu-se contratar um “consultor” para detectar a origem do “aprofundamento” da rua (veja trecho do documento abaixo).

Concluiu-se que o afundamento estaria relacionado a problemas na rede de água e esgoto da Rua Capri. A versão foi desmentida pela Sabesp, a Companhia de Águas e Esgoto de São Paulo. Os registros do “aprofundamento” sumiram das atas do Metrô. E a coisa ficou nisso.

Em 26 de maio de 2006, a obra enviou uma nova mensagem aos seus construtores. Nesse dia, uma funcionária do Metrô relata em e-mail reclamações de uma moradora da casa localizada no número 87 da mesma Rua Capri. "A senhora Carmen [de Leoni] reclama que há trincas e rachaduras pela casa toda (...). Esses problemas ocorrem há oito meses e ninguém resolveu até agora", anota o texto (veja abaixo).

Este segundo recado foi ignorado pelo Metrô e pelos construtores. Em 23 de janeiro de 2007, onze dias depois da abertura da cratera do metrô, as casas da região do acidente foram demolidas. Entre elas a de Carmen de Leoni.

A papelada que enrosca o governo de São Paulo e as empreiteiras num enredo de descaso encontra-se agora em poder do Ministério Público e da Assembléia Legislativa paulista, que investigam o caso. Oferecem um fio de meada que, se bem puxado, pode levar à identificação dos culpados que se escondem atrás de um incômodo anonimato."


http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/#2007_02-18_00_35_53-10045644-0


Teremos outras?


SALA DE AULA - Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita, Vila Cisper, Zona Leste de São Paulo. Mais informações, fotos, consulte:

http://efeito-colateral.blogspot.com/2007/02/mobilizao-da-comunidade-escolar.html

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/02/373244.shtml