segunda-feira, novembro 24, 2008
EXPLODE CORAÇÃO
hoje estou com o coração apertado, angustiado. é triste voltar pra realidade.
principalmente depois de quase uma semana vivenciando os sonhos possíveis. os sonhos de paz na quebrada, de paz entre os irmãos, manos e minas. sonhos de ser respeitado - e respeitar; sonhos de ver o teatro desabrochando, a literatura se espalhando, o cinema crescendo, a dança se expandindo, o caldeirão fervendo e, a música... a música simplesmente tocando, com a palma da mão, os nossos singelos corações.
ontem acabou a 1ª Mostra Cultural da Cooperifa, com exibições mais do que especiais de Wesley Nóog e 1Banda, Periafricania, Preto Soul, Versão Popular e Z'África Brasil.
som de primeira, público de primeira, num ambiente totalmente família. nada de drogas, nada de tretas, só os trutas, a família. nem segurança tinha na festa - também, segurar o que, qual B.O. quando fazemos a festa na nossa casa, entre irmãos? não precisa.
estou emocionado com o que participei nesta semana. emocionado e feliz com o que eu vivi. não quero, mas posso dizer que estou preparado para morrer hoje só por ter vivivo tudo isso. vocês não fazem idéia do que é ter como família a Cooperifa, ser contemporâneo de pessoas tão magníficas e especiais que dá medo até de citar para não esquecer ninguém. não há dinheiro no mundo que substitua isso. não há coração suficiente para tanta emoção.
por várias e várias vezes me peguei com o meu em lágrimas, literalmente, apesar delas não quererem escorrer pelo meu rosto. não por machismo, por achar que homem não chora, essas paradas; simplesmente por não conseguir fazê-las desaguar. pois bem, algumas delas estão agora, molhando a minha face ao lembrar desta semana vivida.
durante muitas vezes eu me perguntei: por que que nas outras quebradas também não pode ser assim? por que que na minha escola também não pode ser assim? o respeito prevalecer, a conversa; as brigas, discussões, mas com muita compreensão, confiança, envolvimento. por quê? não sei, mas quero saber, pois depois que você consegue sonhar com os olhos abertos, não quer mais fechar. e você tem cada vez mais convicção de que, sim, tudo é possível.
valeu família Cooperifa, valeu mesmo, por tudo. durante muitos anos me senti um joão-sem-lugar, deslocado no espaço, no mundo. é bom saber que este sentimento foi passageiro. é bom saber que posso contar com tantas guerreiras e guerreiros.
pra quem não foi, paciência. só posso lamentar e dizer: perdeu!
pra quem zicou, falou, não ajudou mas criticou, três coisas: 1) boa sorte na vida, 2) faça melhor, mas faça (falar é fácil) e 3) sai da frente senão nóis atropela.
e pra quem quer bem, pra todos nóis, um abraço forte, apertado, de uns dois minutos, molhado com muitas lágrimas, força e suor.
"a periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor" - Sérgio Vaz
"tem festa na favela, quem quiser pode chegar, chega miudinho, chega devagar" - Wesley Nóog
"quem disse que na periferia não dá pra curtir?" - Z'África Brasil
salve! hoje e sempre. axé!
principalmente depois de quase uma semana vivenciando os sonhos possíveis. os sonhos de paz na quebrada, de paz entre os irmãos, manos e minas. sonhos de ser respeitado - e respeitar; sonhos de ver o teatro desabrochando, a literatura se espalhando, o cinema crescendo, a dança se expandindo, o caldeirão fervendo e, a música... a música simplesmente tocando, com a palma da mão, os nossos singelos corações.
ontem acabou a 1ª Mostra Cultural da Cooperifa, com exibições mais do que especiais de Wesley Nóog e 1Banda, Periafricania, Preto Soul, Versão Popular e Z'África Brasil.
som de primeira, público de primeira, num ambiente totalmente família. nada de drogas, nada de tretas, só os trutas, a família. nem segurança tinha na festa - também, segurar o que, qual B.O. quando fazemos a festa na nossa casa, entre irmãos? não precisa.
estou emocionado com o que participei nesta semana. emocionado e feliz com o que eu vivi. não quero, mas posso dizer que estou preparado para morrer hoje só por ter vivivo tudo isso. vocês não fazem idéia do que é ter como família a Cooperifa, ser contemporâneo de pessoas tão magníficas e especiais que dá medo até de citar para não esquecer ninguém. não há dinheiro no mundo que substitua isso. não há coração suficiente para tanta emoção.
por várias e várias vezes me peguei com o meu em lágrimas, literalmente, apesar delas não quererem escorrer pelo meu rosto. não por machismo, por achar que homem não chora, essas paradas; simplesmente por não conseguir fazê-las desaguar. pois bem, algumas delas estão agora, molhando a minha face ao lembrar desta semana vivida.
durante muitas vezes eu me perguntei: por que que nas outras quebradas também não pode ser assim? por que que na minha escola também não pode ser assim? o respeito prevalecer, a conversa; as brigas, discussões, mas com muita compreensão, confiança, envolvimento. por quê? não sei, mas quero saber, pois depois que você consegue sonhar com os olhos abertos, não quer mais fechar. e você tem cada vez mais convicção de que, sim, tudo é possível.
valeu família Cooperifa, valeu mesmo, por tudo. durante muitos anos me senti um joão-sem-lugar, deslocado no espaço, no mundo. é bom saber que este sentimento foi passageiro. é bom saber que posso contar com tantas guerreiras e guerreiros.
pra quem não foi, paciência. só posso lamentar e dizer: perdeu!
pra quem zicou, falou, não ajudou mas criticou, três coisas: 1) boa sorte na vida, 2) faça melhor, mas faça (falar é fácil) e 3) sai da frente senão nóis atropela.
e pra quem quer bem, pra todos nóis, um abraço forte, apertado, de uns dois minutos, molhado com muitas lágrimas, força e suor.
"a periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor" - Sérgio Vaz
"tem festa na favela, quem quiser pode chegar, chega miudinho, chega devagar" - Wesley Nóog
"quem disse que na periferia não dá pra curtir?" - Z'África Brasil
salve! hoje e sempre. axé!
sábado, novembro 22, 2008
HOJE - CALDEIRÃO CULTURAL
sexta-feira, novembro 21, 2008
SOBRE A MOSTRA - EVENTOS
ontem, dia da consciência negra, rolou no CEU Campo Limpo a exibição da sessão de cinema da Cooperifa, com a Mostra Africala, curtas-metragens produzidos em vários países africanos: Moçambique, Quênia, Ruanda, África do Sul. destaque para o curta animado É aí onde nasce a poeira, que fala sobre o estupro - história real - de uma menina, um bebê de nove meses, no ano de 2001. só que o filme fala sobre um assunto tão forte, tão pesado, de uma maneira tão poética, tão lírica, tão delicada que só as pedras não se emocionam porque não tem olhos para chorar. com toda a certeza, um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, quiçá na vida.
se puderem assistir na Cinemateca - pois primeiro veio pra nóis, depois vai pros boy (rs) -, não percam.
e eu já sabia, mas ontem, ao olhar os filmes, o povo africano com suas ruas, suas casas, o seu jeito de ser retratado na tela, eu tive a certeza: periferia são eles lá, e África somos nós aqui, também.
rolou também a exibição de vários curtas de produção nacional, mais especificamente do pessoal da quebrada, como o Imagens de uma vida Simples, do Daniel do NCA, que fala sobre a vida do poeta Solano Trindade, além de outras cositas mais.
a mesa de debate: Rogério Pixote (Cine Becos), Daniel Fagundes (NCA) e Jeferson De, com mediação do Sérgio Gagliarde foi muito boa, para mim a melhor até aqui da nossa Mostra. vários assuntos muito pertinentes - e espinhosos - foram postos a mesa. não vou entrar em detalhes porque acho que quem tinha interesse tem que estar lá e segundo, estou com uma baita dor de cabeça - e não é ressaca, pois ontem não bebi. talvez seja crise de abstinência - rs.
para quem não visitou a Mostra Cultural da Cooperifa, três avisos:
1) pode vir que nóis recebe vocês, seja lá quem for, muito bem;
2) é tudo na faixa, de "grátis" e
3) hoje (sexta-feira) eu estarei numa mesa
as 17hs, junto com o Márcio Batista (poeta, autor do Meninos do Brasil), Michel da Silva (poeta, escritor, do Elo da Corrente) e mediação do Eleilson, da Ação Educativa. o tema da mesa é Realidade e Ficção no Cotidiano da Periferia, e você não pode perder.
principalmente porque depois, a partir das 20hs, tem espetáculo e apresentações de dança com os grupos Espírito de Zumbi e Instituto Umoja.
ah!, e amanhã tem FEIRA DE LIVROS INDEPENDENTES. e depois debate. e depois SARAU.
e domingo tem show. vários grupos, várias bandas.
e você tá perdendo tudo isso? eu não acredito!
mano, chega aí, mina, chega aí!
*** OBSERVAÇÃO: fotos, outras informações, acesse:
www.colecionadordepedras.blogspot.com - Blog do Sérgio Vaz
se puderem assistir na Cinemateca - pois primeiro veio pra nóis, depois vai pros boy (rs) -, não percam.
e eu já sabia, mas ontem, ao olhar os filmes, o povo africano com suas ruas, suas casas, o seu jeito de ser retratado na tela, eu tive a certeza: periferia são eles lá, e África somos nós aqui, também.
rolou também a exibição de vários curtas de produção nacional, mais especificamente do pessoal da quebrada, como o Imagens de uma vida Simples, do Daniel do NCA, que fala sobre a vida do poeta Solano Trindade, além de outras cositas mais.
a mesa de debate: Rogério Pixote (Cine Becos), Daniel Fagundes (NCA) e Jeferson De, com mediação do Sérgio Gagliarde foi muito boa, para mim a melhor até aqui da nossa Mostra. vários assuntos muito pertinentes - e espinhosos - foram postos a mesa. não vou entrar em detalhes porque acho que quem tinha interesse tem que estar lá e segundo, estou com uma baita dor de cabeça - e não é ressaca, pois ontem não bebi. talvez seja crise de abstinência - rs.
para quem não visitou a Mostra Cultural da Cooperifa, três avisos:
1) pode vir que nóis recebe vocês, seja lá quem for, muito bem;
2) é tudo na faixa, de "grátis" e
3) hoje (sexta-feira) eu estarei numa mesa
as 17hs, junto com o Márcio Batista (poeta, autor do Meninos do Brasil), Michel da Silva (poeta, escritor, do Elo da Corrente) e mediação do Eleilson, da Ação Educativa. o tema da mesa é Realidade e Ficção no Cotidiano da Periferia, e você não pode perder.
principalmente porque depois, a partir das 20hs, tem espetáculo e apresentações de dança com os grupos Espírito de Zumbi e Instituto Umoja.
ah!, e amanhã tem FEIRA DE LIVROS INDEPENDENTES. e depois debate. e depois SARAU.
e domingo tem show. vários grupos, várias bandas.
e você tá perdendo tudo isso? eu não acredito!
mano, chega aí, mina, chega aí!
*** OBSERVAÇÃO: fotos, outras informações, acesse:
www.colecionadordepedras.blogspot.com - Blog do Sérgio Vaz
quarta-feira, novembro 19, 2008
JÁ COMEÇOU: MOSTRA CULTURAL DA COOPERIFA
“Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz.” Teatro Mágico
Começou ontem, na Zona Sul de São Paulo, a 1ª Mostra Cultural da Cooperifa, evento que de 18 a 23 de novembro – durante a Semana Nacional da Consciência Negra – apresentará o que se está fazendo de melhor pelas periferias de São Paulo na Literatura, Teatro, Dança, Cinema e Música.
Organizada pela Cooperifa – Cooperativa Cultural da Periferia – movimento que há sete anos transformou um bar da Zona Sul, o já famoso Zé Batidão, em ponto cultural, e que nas noites de quarta-feira, independente de novelas “Favoritas” ou futebol, consegue agregar mais de trezentas, quatrocentas pessoas, noite após noite para se reunir em torno da palavra, em torno da poesia, a Mostra fará ferver o já nada pacato cotidiano cultural da periferia da Zona Sul de São Paulo.
Neste ano, além dos debates, apresentações musicais, saraus, FEIRA DE LIVROS INDEPENDENTES(!), teremos na quinta-feira, dia da Consciência Negra, a apresentação de vários filmes, curta-metragens da Mostra Africala de Filmes Africanos, vindo diretamente do México para o Brasil, com o apoio da Embaixada Espanhola.
As atividades acontecerão nos CEUs Casa Blanca, Campo Limpo; na Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim e, claro, no Zé Batidão, com participação mais do que especial do público da quebrada, que teve atenção zelosa para ser recebido no evento.
Mas quem não é também pode chegar que será muito bem-vindo e recebido, com toda certeza.
Confira na programação abaixo maiores detalhes sobre o evento, tire a bunda da poltrona e pare de chorar. “Quem disse que na periferia não dá pra curtir? Mano, chega aí, mina, chega aí.”
Começou ontem, na Zona Sul de São Paulo, a 1ª Mostra Cultural da Cooperifa, evento que de 18 a 23 de novembro – durante a Semana Nacional da Consciência Negra – apresentará o que se está fazendo de melhor pelas periferias de São Paulo na Literatura, Teatro, Dança, Cinema e Música.
Organizada pela Cooperifa – Cooperativa Cultural da Periferia – movimento que há sete anos transformou um bar da Zona Sul, o já famoso Zé Batidão, em ponto cultural, e que nas noites de quarta-feira, independente de novelas “Favoritas” ou futebol, consegue agregar mais de trezentas, quatrocentas pessoas, noite após noite para se reunir em torno da palavra, em torno da poesia, a Mostra fará ferver o já nada pacato cotidiano cultural da periferia da Zona Sul de São Paulo.
Neste ano, além dos debates, apresentações musicais, saraus, FEIRA DE LIVROS INDEPENDENTES(!), teremos na quinta-feira, dia da Consciência Negra, a apresentação de vários filmes, curta-metragens da Mostra Africala de Filmes Africanos, vindo diretamente do México para o Brasil, com o apoio da Embaixada Espanhola.
As atividades acontecerão nos CEUs Casa Blanca, Campo Limpo; na Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim e, claro, no Zé Batidão, com participação mais do que especial do público da quebrada, que teve atenção zelosa para ser recebido no evento.
Mas quem não é também pode chegar que será muito bem-vindo e recebido, com toda certeza.
Confira na programação abaixo maiores detalhes sobre o evento, tire a bunda da poltrona e pare de chorar. “Quem disse que na periferia não dá pra curtir? Mano, chega aí, mina, chega aí.”

Apresentação de ontem: Teatro Mágico

Música

Apresentação Circense

E poesia: mais de 600 pessoas presentes!
terça-feira, novembro 18, 2008
A TRAVESSIA DO NADA
Era como se folhas brancas fossem espalhadas por todo o espaço: no chão, no teto, sobre as árvores, as ruas, os céus. Sobre todos os objetos. O Nada oprimindo as cores. O Nada dominando tudo. As poucas cores que ainda havia era sobre as pessoas, sobre as roupas que elas usavam, para que não esquecessem que nem sempre foi daquela forma. Um dia o mundo fora colorido.
Por não ter mais chão, a sensação era de que andar era um eterno flutuar. Ou uma eterna queda, na qual as pessoas caíam sempre lado a lado, ao mesmo tempo. Ninguém mais sentia fome, frio; as pessoas não sentiam cansaço, não precisavam fechar os olhos para dormir. Ninguém mais morria, não havia desigualdade entre as pessoas. Ninguém precisava sofrer.
No principio, apesar da dificuldade de adaptação, as pessoas gostaram do Nada. Bastava sentar e conversar, botar os assuntos em dia. Contar histórias. E assim fizeram: ficaram meses dialogando, filosofando, trazendo para a boca histórias puxadas das memórias, das lembranças em cores que ficavam do mundo que haviam vivido. E foi isso que passou a incomodar. Pois o problema de não se passar mais fome é também não ter o prazer de comer. O problema de não mais sentir frio é não ter a sensação de calor, mesmo entre os corpos. O problema de não mais morrer é descobrir que, viver eternamente, sem dificuldades, é um viver sem sentido.
Algumas pessoas quiseram ficar loucas com a brancura do Nada. Não puderam. Esqueceram que não mais podiam ficar doentes. Fingiram. Um fingimento artificial, ninguém acreditava em suas dores, apesar de apenas elas serem reais.
Alguém lembrou de uma história. Quem em tempos remotos, nos momentos de maiores dificuldades, organizava-se sempre um grupo para caminhar, atravessar morros, desfiladeiros, os mistérios das estradas para a busca de uma solução, um antídoto. Este seria o pote das cores, envolta na caixa negra dos mistérios. Ele estaria em algum lugar entre a brancura do Nada. Bastasse que alguns voluntários saíssem em sua busca, sabendo que poderiam se perder nessa caminhada sem fim.
Entre bilhões de pessoas, milhares se candidataram. Um número pequeno, se comparado ao número de pessoas existentes e insatisfeitas com aquela situação. Mas nenhum número é desprezível. O grupo se organizou e partiu. Andando. Sem direção, sem caminho certo. Andar para a direita, para a esquerda, para frente ou para trás, não importava. De todos os lados, apenas o Nada havia.
Como não dormiam, não sentiam fome, não faziam outra coisa além de viver, perderam a noção do tempo. Em nossa época, não se saberia dizer por quantas andaram: dias, meses, anos, décadas? A única certeza é que, durante o caminho, muitos ficaram para trás. Desistiram. Optaram por nada fazer, no Nada viver, ao invés de prosseguir numa caminhada que não sabia que frutos daria. Não sabia se daria certo. Preferiram ficar pelo caminho a tentar, e o Nada conseguir.
Um grupo de dez seguiu. E seguiram tantos passos juntos que já haviam se tornado mais do que amigos. Haviam se tornado íntimos. Nenhum segredo mais havia para ser compartilhado. Eram mais do que irmãos, eram uma pessoa só. E todos confiavam em todos, sentiam-se fortes por causa disso.
Até o dia em que viram um ponto escuro do outro lado da vista. E como não cansassem mais, eles correram. Correram, correram, até que o ponto foi mudando de forma, foi crescendo. Eles estavam se aproximando, chegando mais perto. O ponto deixou de ser um ponto escuro, começou a criar forma. Cores alaranjadas, cores amarelas, não lembravam ao certo. O ponto ganhara contornos: eram tábuas, de madeira, amarradas uma as outras com uma corda. Na verdade, o que eles viam era uma ponte. Mas estranho: do outro havia... O Nada.
A frustração tomou conta do grupo. Caminharam por tanto tempo para encontrar uma ponte que liga o Nada ao lugar nenhum? Que perda de tempo. Para quê? Deveriam ter ficado no mesmo lugar, um deles disse. Pelo menos estariam com o grupo maior, estariam seguros. Seguros do quê, outro questionou. O que pode nos atormentar aqui a não ser o Nada, a não ser os nossos próprios medos? Uma pessoa do grupo disse que eles deveriam atravessar a ponte, que aquilo deveria ter um significado. As pessoas o olharam, indiferentes. O ignoraram totalmente. Deram as costas e voltaram. Para o Nada. Ele continuou gritando, acreditando: -“Vamos atravessar, voltem.” Ninguém deu ouvidos, as pessoas se foram.
Ele ficou. Olhando fixamente para a ponte. E aconteceu: do outro lado, um imenso jardim surgiu. Como num passe de mágica, alguém pintando um quadro colorido. Com muitas folhas, árvores, pássaros. Ele podia ouvir o cantar dos animais, ele podia ver que, por acreditar, do outro lado o Nada havia desaparecido. Então ele soube: para o Nada sumir, bastava que um, que ele acreditasse e atravessasse a ponte, e tudo voltaria a ser como antes, Tudo mudaria outra vez.
Mas ele não atravessou. Sentou em frente a ponte e ficou olhando as maravilhas do mundo. Era apenas uma ponte, eram apenas alguns passos para Tudo se transformar. Mas, ele ficou. Teve a certeza que uma trajetória como esta não se faz sozinho.
Por não ter mais chão, a sensação era de que andar era um eterno flutuar. Ou uma eterna queda, na qual as pessoas caíam sempre lado a lado, ao mesmo tempo. Ninguém mais sentia fome, frio; as pessoas não sentiam cansaço, não precisavam fechar os olhos para dormir. Ninguém mais morria, não havia desigualdade entre as pessoas. Ninguém precisava sofrer.
No principio, apesar da dificuldade de adaptação, as pessoas gostaram do Nada. Bastava sentar e conversar, botar os assuntos em dia. Contar histórias. E assim fizeram: ficaram meses dialogando, filosofando, trazendo para a boca histórias puxadas das memórias, das lembranças em cores que ficavam do mundo que haviam vivido. E foi isso que passou a incomodar. Pois o problema de não se passar mais fome é também não ter o prazer de comer. O problema de não mais sentir frio é não ter a sensação de calor, mesmo entre os corpos. O problema de não mais morrer é descobrir que, viver eternamente, sem dificuldades, é um viver sem sentido.
Algumas pessoas quiseram ficar loucas com a brancura do Nada. Não puderam. Esqueceram que não mais podiam ficar doentes. Fingiram. Um fingimento artificial, ninguém acreditava em suas dores, apesar de apenas elas serem reais.
Alguém lembrou de uma história. Quem em tempos remotos, nos momentos de maiores dificuldades, organizava-se sempre um grupo para caminhar, atravessar morros, desfiladeiros, os mistérios das estradas para a busca de uma solução, um antídoto. Este seria o pote das cores, envolta na caixa negra dos mistérios. Ele estaria em algum lugar entre a brancura do Nada. Bastasse que alguns voluntários saíssem em sua busca, sabendo que poderiam se perder nessa caminhada sem fim.
Entre bilhões de pessoas, milhares se candidataram. Um número pequeno, se comparado ao número de pessoas existentes e insatisfeitas com aquela situação. Mas nenhum número é desprezível. O grupo se organizou e partiu. Andando. Sem direção, sem caminho certo. Andar para a direita, para a esquerda, para frente ou para trás, não importava. De todos os lados, apenas o Nada havia.
Como não dormiam, não sentiam fome, não faziam outra coisa além de viver, perderam a noção do tempo. Em nossa época, não se saberia dizer por quantas andaram: dias, meses, anos, décadas? A única certeza é que, durante o caminho, muitos ficaram para trás. Desistiram. Optaram por nada fazer, no Nada viver, ao invés de prosseguir numa caminhada que não sabia que frutos daria. Não sabia se daria certo. Preferiram ficar pelo caminho a tentar, e o Nada conseguir.
Um grupo de dez seguiu. E seguiram tantos passos juntos que já haviam se tornado mais do que amigos. Haviam se tornado íntimos. Nenhum segredo mais havia para ser compartilhado. Eram mais do que irmãos, eram uma pessoa só. E todos confiavam em todos, sentiam-se fortes por causa disso.
Até o dia em que viram um ponto escuro do outro lado da vista. E como não cansassem mais, eles correram. Correram, correram, até que o ponto foi mudando de forma, foi crescendo. Eles estavam se aproximando, chegando mais perto. O ponto deixou de ser um ponto escuro, começou a criar forma. Cores alaranjadas, cores amarelas, não lembravam ao certo. O ponto ganhara contornos: eram tábuas, de madeira, amarradas uma as outras com uma corda. Na verdade, o que eles viam era uma ponte. Mas estranho: do outro havia... O Nada.
A frustração tomou conta do grupo. Caminharam por tanto tempo para encontrar uma ponte que liga o Nada ao lugar nenhum? Que perda de tempo. Para quê? Deveriam ter ficado no mesmo lugar, um deles disse. Pelo menos estariam com o grupo maior, estariam seguros. Seguros do quê, outro questionou. O que pode nos atormentar aqui a não ser o Nada, a não ser os nossos próprios medos? Uma pessoa do grupo disse que eles deveriam atravessar a ponte, que aquilo deveria ter um significado. As pessoas o olharam, indiferentes. O ignoraram totalmente. Deram as costas e voltaram. Para o Nada. Ele continuou gritando, acreditando: -“Vamos atravessar, voltem.” Ninguém deu ouvidos, as pessoas se foram.
Ele ficou. Olhando fixamente para a ponte. E aconteceu: do outro lado, um imenso jardim surgiu. Como num passe de mágica, alguém pintando um quadro colorido. Com muitas folhas, árvores, pássaros. Ele podia ouvir o cantar dos animais, ele podia ver que, por acreditar, do outro lado o Nada havia desaparecido. Então ele soube: para o Nada sumir, bastava que um, que ele acreditasse e atravessasse a ponte, e tudo voltaria a ser como antes, Tudo mudaria outra vez.
Mas ele não atravessou. Sentou em frente a ponte e ficou olhando as maravilhas do mundo. Era apenas uma ponte, eram apenas alguns passos para Tudo se transformar. Mas, ele ficou. Teve a certeza que uma trajetória como esta não se faz sozinho.
segunda-feira, novembro 17, 2008
SOBRE OS COMENTÁRIOS
Ok, eu sei, eu sei. Sou uma pessoa suscetível, influenciável.
E como várias pessoas que não comentavam ficaram reclamando: -"Pô, mas você tirou os comentários? Justo agora que eu ia falar disso, elogiar as mudanças do blog, dar um toque daquilo?" Por essas pessoas, e por não perder alguns avisos, contrapontos; para não perder a curiosidade, a opção comentários retornou ao blog. Em definitivo.
Algum comentário? - rs
E como várias pessoas que não comentavam ficaram reclamando: -"Pô, mas você tirou os comentários? Justo agora que eu ia falar disso, elogiar as mudanças do blog, dar um toque daquilo?" Por essas pessoas, e por não perder alguns avisos, contrapontos; para não perder a curiosidade, a opção comentários retornou ao blog. Em definitivo.
Algum comentário? - rs
sábado, novembro 15, 2008
PUBLICAÇÕES
aviso aos navegantes:
alguns dos títulos adicionados da qual eu participo como autor ou convidado estão disponíveis para compra. são eles:
- TE PEGO LÁ FORA - R$ 15,00 (quinze reais)
- SARAU DA COOPERIFA - R$ 5,00 (cinco reais)
- MOSCAS - R$ 5,00 (cinco reais)
- SARAU ELO DA CORRENTE - R$ 15,00 (quinze reais)
- UM SEGREDO NO CÉU DA BOCA - R$ 20,00 (vinte reais)
nas compras ACIMA de R$ 40,00 (quarenta reais), leve como BRINDE o livro AMOR LÚBRICO - CONTOS E POEMAS ERÓTICOS.
rodrigociriaco@yahoo.com.br
abraço,
r.c.
alguns dos títulos adicionados da qual eu participo como autor ou convidado estão disponíveis para compra. são eles:
- TE PEGO LÁ FORA - R$ 15,00 (quinze reais)
- SARAU DA COOPERIFA - R$ 5,00 (cinco reais)
- MOSCAS - R$ 5,00 (cinco reais)
- SARAU ELO DA CORRENTE - R$ 15,00 (quinze reais)
- UM SEGREDO NO CÉU DA BOCA - R$ 20,00 (vinte reais)
nas compras ACIMA de R$ 40,00 (quarenta reais), leve como BRINDE o livro AMOR LÚBRICO - CONTOS E POEMAS ERÓTICOS.
IMPORTANTE: nos valores não está inclusivo a taxa de envio via correio - se esta for a opção.
outras informações, entre em contato:rodrigociriaco@yahoo.com.br
abraço,
r.c.
quinta-feira, novembro 13, 2008
DIAS DIFÍCEIS
ontem não fui para a escola.
o que sei, me contaram.
disseram que ontem um aluno da sétima série foi espancado.
e que o diretor, após intervir, quase apanhou, não fosse o amparo de outros professores.
o bicho pegando, crescendo. o bicho, ficando cada vez mais feio.
quem cria cobra, acaba sendo picado.
mas vamos a hoje:
levei um DVD para exibir para os alunos, o "Zumbi Somos Nós", organizado pela Frente 03 de Fevereiro, um coletivo criado para discutir a questão da discriminação racial, depois que um dentista, negro, Flávio Sant'Anna foi sumariamente executado pela polícia, que não investigou o que acontecia e o confundiu com um bandido que havia recém roubado um veículo.
um DVD louco, feito com apoio do VAI, da prefeitura, com imagens pertinentes, músicas pertinentes, entrevistas pertinentes. num tempo de exibição para a aula certinho: 47 minutos.
fiz a introdução do assunto, que será discutido nas próximas semanas. passei a exibi-lo para as sétimas séries. estavam curtindo, muito. não se ouvia conversas, não se ouvia barulhos. apenas o som dos berimbaus, atabaques, os cantos, poemas. o DVD chamava atenção para quem estava de fora. quando pedia, com educação, para entrar, eu deixava.
mas eis que houve um estouro. morteiro, rojão, não sei. e foi normal. mas houve outro, e outro, e outro, e outro. as vezes mais fortes, mais próximos. o cheiro de pólvora no ar.
resultado: não acabamos de ver o DVD. na terceira aula, os alunos foram dispensados.
clima tenso.
um grupo de alunos não queria sair da escola. um grupo que causa. fui tentar conversar, que o melhor naquele momento era ir, iríamos conversar depois. não tem papo, não tem conversa, alguns me disseram. insisti. mesmo porque eu não tenho medo de dialogar. mesmo porque eu acredito que não deva ter medo dentro da minha escola. minha conduta sempre foi ética, profissional, respeitosa. não vou ter medo.
mas não teve muito papo. um aluno veio com umas idéias de que o diretor tinha passado o meu blog e ele tinha visto: eu só falo mal da escola, só critico. os professores só falam mal dos alunos.
perguntei que professores falam mal dos alunos. para dar nomes. porque eu não faço.
mas desconsiderei porque as pessoas que disseram isso não são meus alunos. não conhecem de perto o meu trabalho. nunca conviveram um ano letivo dentro da sala de aula comigo.
mas uma coisa marcou:
1) se falo das coisas da escola - e não só das ruins - o faço porque tenho este direito: de me expressar. e tenho responsabilidade nas minhas palavras. NUNCA FALEI QUE O PROBLEMA DA ESCOLA SÃO OS ALUNOS. NUNCA FALEI MAL DOS ALUNOS AQUI, CHAMANDO-OS DE VAGABUNDO, TRASTE OU QUALQUER OUTRO TERMO. NUNCA. falo do que acontece, com as palavras exatas, sem abusar da verborragia. não poupo dirigentes, diretores(as), coordenadores(as), professores(as); eu não me poupo. também não vou poupar alunos quando estes não estiverem agindo de maneira correta. agora se quando olhamos para o nosso "espelho", no caso os textos, e eles não agradam, NÃO TEMOS QUE MUDAR O TEXTO. TEMOS QUE MUDAR A NOSSA POSTURA, A NOSSA ATITUDE!
2) EU GOSTO DA MINHA ESCOLA, A EE JORNALISTA FRANCISCO MESQUITA, SIM. eu adoro os meus alunos. eles me deixam mais vivos, eles me trazem mais alegrias do que tristeza. o que eu não gosto, o que eu não suporto é o sistema educacional na qual vivemos. o que eu não admito é a omissão, a indiferença de várias pessoas da escola frente aos problemas que existem. porque escola é, em primeiro lugar, o lugar do conhecimento, do crescimento, do aprendizado. e do primeiro de todos: a nos tornar seres humanos melhores. se ela não está cumprindo o seu papel, eu direi, falarei sobre isso, sim. importe quem goste ou não. não estou dando uma de "zé-povinho". e quem não gostar, contraponha, fale. vamos conversar. o que eu não admito é violência. ameaça. não violento ninguém, não ameaço ninguém, não vou aceitar isso.
e 3) é preciso separar o joio do trigo. botar todo mundo na panela, misturar, e dizer que todo mundo é igual, que ninguém presta, não pode. não dá. generalizar, seja do lado do professor, seja do lado do aluno, é o fim. não avançamos para lugar nenhum.
espero que o ambiente escolar melhores. afinal, todos estamos sendo prejudicados, todos. não podemos continuar assim.
eu quero é paz. respeito, aprendizado, diálogo. tenho certeza que não é pedir muito. para ninguém.
Rodrigo Ciríaco
professor com orgulho da
EE Jornalista Francisco Mesquita
o que sei, me contaram.
disseram que ontem um aluno da sétima série foi espancado.
e que o diretor, após intervir, quase apanhou, não fosse o amparo de outros professores.
o bicho pegando, crescendo. o bicho, ficando cada vez mais feio.
quem cria cobra, acaba sendo picado.
mas vamos a hoje:
levei um DVD para exibir para os alunos, o "Zumbi Somos Nós", organizado pela Frente 03 de Fevereiro, um coletivo criado para discutir a questão da discriminação racial, depois que um dentista, negro, Flávio Sant'Anna foi sumariamente executado pela polícia, que não investigou o que acontecia e o confundiu com um bandido que havia recém roubado um veículo.
um DVD louco, feito com apoio do VAI, da prefeitura, com imagens pertinentes, músicas pertinentes, entrevistas pertinentes. num tempo de exibição para a aula certinho: 47 minutos.
fiz a introdução do assunto, que será discutido nas próximas semanas. passei a exibi-lo para as sétimas séries. estavam curtindo, muito. não se ouvia conversas, não se ouvia barulhos. apenas o som dos berimbaus, atabaques, os cantos, poemas. o DVD chamava atenção para quem estava de fora. quando pedia, com educação, para entrar, eu deixava.
mas eis que houve um estouro. morteiro, rojão, não sei. e foi normal. mas houve outro, e outro, e outro, e outro. as vezes mais fortes, mais próximos. o cheiro de pólvora no ar.
resultado: não acabamos de ver o DVD. na terceira aula, os alunos foram dispensados.
clima tenso.
um grupo de alunos não queria sair da escola. um grupo que causa. fui tentar conversar, que o melhor naquele momento era ir, iríamos conversar depois. não tem papo, não tem conversa, alguns me disseram. insisti. mesmo porque eu não tenho medo de dialogar. mesmo porque eu acredito que não deva ter medo dentro da minha escola. minha conduta sempre foi ética, profissional, respeitosa. não vou ter medo.
mas não teve muito papo. um aluno veio com umas idéias de que o diretor tinha passado o meu blog e ele tinha visto: eu só falo mal da escola, só critico. os professores só falam mal dos alunos.
perguntei que professores falam mal dos alunos. para dar nomes. porque eu não faço.
mas desconsiderei porque as pessoas que disseram isso não são meus alunos. não conhecem de perto o meu trabalho. nunca conviveram um ano letivo dentro da sala de aula comigo.
mas uma coisa marcou:
1) se falo das coisas da escola - e não só das ruins - o faço porque tenho este direito: de me expressar. e tenho responsabilidade nas minhas palavras. NUNCA FALEI QUE O PROBLEMA DA ESCOLA SÃO OS ALUNOS. NUNCA FALEI MAL DOS ALUNOS AQUI, CHAMANDO-OS DE VAGABUNDO, TRASTE OU QUALQUER OUTRO TERMO. NUNCA. falo do que acontece, com as palavras exatas, sem abusar da verborragia. não poupo dirigentes, diretores(as), coordenadores(as), professores(as); eu não me poupo. também não vou poupar alunos quando estes não estiverem agindo de maneira correta. agora se quando olhamos para o nosso "espelho", no caso os textos, e eles não agradam, NÃO TEMOS QUE MUDAR O TEXTO. TEMOS QUE MUDAR A NOSSA POSTURA, A NOSSA ATITUDE!
2) EU GOSTO DA MINHA ESCOLA, A EE JORNALISTA FRANCISCO MESQUITA, SIM. eu adoro os meus alunos. eles me deixam mais vivos, eles me trazem mais alegrias do que tristeza. o que eu não gosto, o que eu não suporto é o sistema educacional na qual vivemos. o que eu não admito é a omissão, a indiferença de várias pessoas da escola frente aos problemas que existem. porque escola é, em primeiro lugar, o lugar do conhecimento, do crescimento, do aprendizado. e do primeiro de todos: a nos tornar seres humanos melhores. se ela não está cumprindo o seu papel, eu direi, falarei sobre isso, sim. importe quem goste ou não. não estou dando uma de "zé-povinho". e quem não gostar, contraponha, fale. vamos conversar. o que eu não admito é violência. ameaça. não violento ninguém, não ameaço ninguém, não vou aceitar isso.
e 3) é preciso separar o joio do trigo. botar todo mundo na panela, misturar, e dizer que todo mundo é igual, que ninguém presta, não pode. não dá. generalizar, seja do lado do professor, seja do lado do aluno, é o fim. não avançamos para lugar nenhum.
espero que o ambiente escolar melhores. afinal, todos estamos sendo prejudicados, todos. não podemos continuar assim.
eu quero é paz. respeito, aprendizado, diálogo. tenho certeza que não é pedir muito. para ninguém.
Rodrigo Ciríaco
professor com orgulho da
EE Jornalista Francisco Mesquita
terça-feira, novembro 11, 2008
DÚVIDA PEDAGÓGICA
lâmpadas quebradas
rostos partidos
ameaças seladas
fogo no lixo
dúvida pedagógica:
isto é uma escola
ou ensaio de presídio?
rostos partidos
ameaças seladas
fogo no lixo
dúvida pedagógica:
isto é uma escola
ou ensaio de presídio?
sábado, novembro 08, 2008
COMENTÁRIOS
a opção comentários foi excluída deste blog.
a opção comentários existia para as pessoas comentarem, contrapor ao que penso, ao que vomito no teclado, as minhas angústias. como poucos, ou quase ninguém, contrapõe, discute, comenta, resolvi excluir esta opção. assim ninguém comenta nada - de verdade - e acaba-se de vez com a minha esperança de que alguém converse, discuta via net algumas coisas comigo.
mesmo porque quem espera, cansa.
algum comentário sobre isso ?
a opção comentários existia para as pessoas comentarem, contrapor ao que penso, ao que vomito no teclado, as minhas angústias. como poucos, ou quase ninguém, contrapõe, discute, comenta, resolvi excluir esta opção. assim ninguém comenta nada - de verdade - e acaba-se de vez com a minha esperança de que alguém converse, discuta via net algumas coisas comigo.
mesmo porque quem espera, cansa.
algum comentário sobre isso ?
RESUMO DA SEMANA ESCOLAR
registro de eventos intra-oficiais de minha escola, que conta algumas histórias, além do cotidiano de preparar aula, corrigir atividades, dar as aulas, etecetera e etecetera:
sexta-feira, 31 de outubro: bateram na porta da minha sala, durante a 5ª aula, para dar uma força para a Coordenação da escola. tinha acontecido uma briga e o pátio estava o Caos. para entender: como a troca de aula de professores na minha escola é novo intervalo para os alunos - todos saem da sala, todas as aulas, inclusive perdemos quase que uns dez minutos em cada início de nova aula - alguns alunos da 8ª estavam com "brincadeirinha de mão" com os alunos da 6ª, os alunos do ensino médio se doeram e começou o pau. voou até um banco de dois metros na cabeça de um aluno e nos pés de outro. algumas turmas foram dispensadas mais cedo. o bicho pegou.
segunda-feira, 03 de novembro: reunião extraordinária entre professores, coordenação e direção. conversamos sobre o ocorrido de sexta, o ocorrido de vários dias, o fato do período manhã estar abandonado, o fato de um grupo de alunos fazerem o que quer sem que nada aconteçam. discutimos, conversamos, alguns falaram. conversa vai, conversa vem. conversa.
terça-feira, 04 de novembro: alunos pegaram a porta de um armário - melhor dizer, arrancaram - e jogaram contra a recém instalada luminária de um corredor. resultado, duas lâmpadas fluorescentes moídas no corredor, luminária amassada. ninguém viu, ninguém sabe quem foi (você acredita em papai noel?). ninguém foi responsabilizado.
quarta-feira, 05 de novembro: aqui eu vou enumerar, se eu lembrar; 1) durante a aula de educação física de uma sala, os alunos estavam na quadra, outros alunos entraram nesta sala, fuçaram nas coisas dos alunos. resultado: levaram dinheiro, outros objetos, e tacaram fogo no lixo. estava indo para outra sala mas vi o que aconteceu na sala: fumaça total, alunos sem condições de entrar, assistir aula. ah, detalhe: a porta do hidrante do corredor ESTAVA AMARRADA COM UM CADARÇO, impossibilitando a sua abertura;
2) como rescaldo ainda da briga de sexta-feira, na qual poucas providências tomadas, nenhuma solução efetiva, um grupo de aproximadamente seis alunos, adolescentes - dezesseis, dezessete anos - espancaram UM aluno de uma sala. isso mesmo, seis contra um. o aluno ficou bem machucado, outros ficaram bem assustados.
e 3) uma pessoa ligada a Coordenação da escola, foi xingada em alto e bom som de: vaca, vadia e vagabunda, além do stress geral que foi a situação.
DETALHE: no dia seguinte, as pessoas envolvidas nestas situações, tanto alunos que bateram ou xingaram, estavam na escola circulando normalmente. pensei em colocar "assistiram aula normalmente", mas estes alunos não assistem as aulas.
quinta-feira, 06 de novembro: depois de EU separar uma briga de adolescentes da 7ª série na saída das aulas, uma professora veio me procurar pois um aluno meu estava no posto de saúde passando mau. aluno meu, mas não foi na minha aula, pergunto: quem deveria dar conta do caso? bom, mas EU não podia me omitir da situação, fui no posto. o aluno estava com uma dor abdominal aguda, a médica que o atendeu não acreditava ser apendicite, mas só um exame podia confirmar. teria que ser levado para um hospital. o hospital de ermelino não tinha ambulância. o SAMU, ATENDENDO POR TELEFONE, DECIDIU QUE O MENINO NÃO CORRIA RISCO DE VIDA, NÃO IA ENVIAR A AMBULÂNCIA. a médica falou se eu não podia levar. sim, eu podia, mas parece que tudo acontece e só procuram EU, EU, EU. bom, EU fui na escola e repassei a situação. não estava em condições de levar ninguém, tinha acabado de separar uma briga, a escola não sou EU, somos TODOS, alguém também poderia levá-lo. conseguimos o transporte. o aluno foi encaminhado ao hospital.
sexta-feira, 07 de novembro. pedi a minha folga TRE, estava um trapo, um fiapo do que poderia ser chamado de ser humano. sem condições de trabalho.
apenas para constar: faço aqui estes relatos pois escrever é a minha terapia, em primeiro lugar. segundo: além de comunicar nos lugares de direito, faço-o aqui para as pessoas saberem do que se passa e, que nenhum problema começa grande, e as tragédias são denunciadas, mas nem sempre isso significa resolver alguma coisa. e terceiro: um livro acho que foi pouco, já estou pensando em escrever um filme.
sexta-feira, 31 de outubro: bateram na porta da minha sala, durante a 5ª aula, para dar uma força para a Coordenação da escola. tinha acontecido uma briga e o pátio estava o Caos. para entender: como a troca de aula de professores na minha escola é novo intervalo para os alunos - todos saem da sala, todas as aulas, inclusive perdemos quase que uns dez minutos em cada início de nova aula - alguns alunos da 8ª estavam com "brincadeirinha de mão" com os alunos da 6ª, os alunos do ensino médio se doeram e começou o pau. voou até um banco de dois metros na cabeça de um aluno e nos pés de outro. algumas turmas foram dispensadas mais cedo. o bicho pegou.
segunda-feira, 03 de novembro: reunião extraordinária entre professores, coordenação e direção. conversamos sobre o ocorrido de sexta, o ocorrido de vários dias, o fato do período manhã estar abandonado, o fato de um grupo de alunos fazerem o que quer sem que nada aconteçam. discutimos, conversamos, alguns falaram. conversa vai, conversa vem. conversa.
terça-feira, 04 de novembro: alunos pegaram a porta de um armário - melhor dizer, arrancaram - e jogaram contra a recém instalada luminária de um corredor. resultado, duas lâmpadas fluorescentes moídas no corredor, luminária amassada. ninguém viu, ninguém sabe quem foi (você acredita em papai noel?). ninguém foi responsabilizado.
quarta-feira, 05 de novembro: aqui eu vou enumerar, se eu lembrar; 1) durante a aula de educação física de uma sala, os alunos estavam na quadra, outros alunos entraram nesta sala, fuçaram nas coisas dos alunos. resultado: levaram dinheiro, outros objetos, e tacaram fogo no lixo. estava indo para outra sala mas vi o que aconteceu na sala: fumaça total, alunos sem condições de entrar, assistir aula. ah, detalhe: a porta do hidrante do corredor ESTAVA AMARRADA COM UM CADARÇO, impossibilitando a sua abertura;
2) como rescaldo ainda da briga de sexta-feira, na qual poucas providências tomadas, nenhuma solução efetiva, um grupo de aproximadamente seis alunos, adolescentes - dezesseis, dezessete anos - espancaram UM aluno de uma sala. isso mesmo, seis contra um. o aluno ficou bem machucado, outros ficaram bem assustados.
e 3) uma pessoa ligada a Coordenação da escola, foi xingada em alto e bom som de: vaca, vadia e vagabunda, além do stress geral que foi a situação.
DETALHE: no dia seguinte, as pessoas envolvidas nestas situações, tanto alunos que bateram ou xingaram, estavam na escola circulando normalmente. pensei em colocar "assistiram aula normalmente", mas estes alunos não assistem as aulas.
quinta-feira, 06 de novembro: depois de EU separar uma briga de adolescentes da 7ª série na saída das aulas, uma professora veio me procurar pois um aluno meu estava no posto de saúde passando mau. aluno meu, mas não foi na minha aula, pergunto: quem deveria dar conta do caso? bom, mas EU não podia me omitir da situação, fui no posto. o aluno estava com uma dor abdominal aguda, a médica que o atendeu não acreditava ser apendicite, mas só um exame podia confirmar. teria que ser levado para um hospital. o hospital de ermelino não tinha ambulância. o SAMU, ATENDENDO POR TELEFONE, DECIDIU QUE O MENINO NÃO CORRIA RISCO DE VIDA, NÃO IA ENVIAR A AMBULÂNCIA. a médica falou se eu não podia levar. sim, eu podia, mas parece que tudo acontece e só procuram EU, EU, EU. bom, EU fui na escola e repassei a situação. não estava em condições de levar ninguém, tinha acabado de separar uma briga, a escola não sou EU, somos TODOS, alguém também poderia levá-lo. conseguimos o transporte. o aluno foi encaminhado ao hospital.
sexta-feira, 07 de novembro. pedi a minha folga TRE, estava um trapo, um fiapo do que poderia ser chamado de ser humano. sem condições de trabalho.
apenas para constar: faço aqui estes relatos pois escrever é a minha terapia, em primeiro lugar. segundo: além de comunicar nos lugares de direito, faço-o aqui para as pessoas saberem do que se passa e, que nenhum problema começa grande, e as tragédias são denunciadas, mas nem sempre isso significa resolver alguma coisa. e terceiro: um livro acho que foi pouco, já estou pensando em escrever um filme.
sexta-feira, novembro 07, 2008
PODIA SER "O CAMINHO DA MINHA ESCOLA"
NO CAMINHO COM MAIAKOVSKI
(Eduardo Alves da Costa)
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
(Eduardo Alves da Costa)
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
METAMORFOSE
Para se transformar num verme
Cometa injustiças
Ou então
Aceite-as
_______________Sérgio Vaz
Cometa injustiças
Ou então
Aceite-as
_______________Sérgio Vaz
quarta-feira, novembro 05, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
RACISMO E OUTRAS VIOLÊNCIAS
Estava lá eu numa 6a Série passando um texto na lousa sobre a Formação dos Estados Nacionais, quando percebo uma discussão mais acalorada de um aluno e uma aluna:
- Você qui é!
- Você!
- Ah, vai, o cabelo de bombril.
- Melhor do qui ser mijão!
- Vai lá na cozinha ver se as tias tão precisando de bombril.
- Vai você.
- Vai passar não sei o quê no cabelo...
E a discussão seguiu por mais um minuto pois, apesar de virar para os alunos e observar calmamente o que estavam fazendo - uma das minhas táticas, ao invés de berrar, esgoelar, é virar e apenas olhar nos olhos dos alunos, até interromperem o que estão fazendo e me darem atenção - os alunos continuaram falando. A menina, do "cabelo bombril", saiu arrasada da discussão, pois o argumento do garoto foi mais "forte", e as risadas dos colegas em apoio a ele deixaram a mesma sem graça. Para os alunos, ela tinha o "cabelo bombril" e pronto.
Virei para o aluno que fez o comentário e perguntei:
- Fulano, tem algum problema com o cabelo de Ciclana?
Cinicamente, e com ar de superior - sim, um adolescente de doze anos, consegue ser cruel a esse ponto - disse:
- Tem. Ele é duro!
De certa forma eu perdi a compostura. Apesar de toda a preparação, todos os argumentos possíveis, todo o conhecimento adquirido, é difícil lidar com as questões de preconceito racial na escola. Seja ele velado ou não, como foi neste caso.
Disse ao aluno que ele estava fazendo um comentário racista, ele disse que não. Inclusive ele tem um parente negro na família, me disse. E fui discutir o comentário, a questão dos porquês do cabelo crespo ser ruim e o liso ser bom, do negro ser inferior e o branco melhor, de quem vive no Verônia ser vagabundo, marginal, ladrão e outros preconceitos que nada ajudam em nossa vida e relação social. Fiquei mais de 20 minutos conversando com eles. Já havia acabado o texto, apenas não deu para explicar, mas esta questão colocou-se como mais urgente e necessária.
Eles me ouviram, pouco falaram. Não me dei por satisfeito. Ainda porque acho que o que fiz foi pouco com relação a isso.
E é sempre muito difícil discutir este assunto. Estou tentando.
***
E não mudou muita coisa na minha escola. Ontem tivemos reunião, professores, coordenação e direção. Um novo vice-diretor chegou para o período da manhã. Expectativas foram criadas.
No primeiro dia pós reunião e pós nova vice-direção, pouco mudou. Muitos alunos circulando em horário de aula, muita bagunça pela escola. Na última aula, parecia intervalo. Mais de quarenta alunos no pátio, conversando, ouvindo música, paquerando. Tive que me ausentar da minha sala para pegar um livro na biblioteca. Fui cruzar o pátio uma aluna me questionou:
- Já vai chamar alguém da direção, professor?
Eu preciso fazer isso? É claro que não.
Todos temos olhos, ouvidos. Entendemos e percebemos o que acontece. Não precisa ninguém ficar avisando. "Cada um no seu quadrado".
***
Muitas vezes na escola me sinto como um Quixote lutando contra Moinhos de Vento.
E o problema é que eu sempre caio do cavalo.
- Você qui é!
- Você!
- Ah, vai, o cabelo de bombril.
- Melhor do qui ser mijão!
- Vai lá na cozinha ver se as tias tão precisando de bombril.
- Vai você.
- Vai passar não sei o quê no cabelo...
E a discussão seguiu por mais um minuto pois, apesar de virar para os alunos e observar calmamente o que estavam fazendo - uma das minhas táticas, ao invés de berrar, esgoelar, é virar e apenas olhar nos olhos dos alunos, até interromperem o que estão fazendo e me darem atenção - os alunos continuaram falando. A menina, do "cabelo bombril", saiu arrasada da discussão, pois o argumento do garoto foi mais "forte", e as risadas dos colegas em apoio a ele deixaram a mesma sem graça. Para os alunos, ela tinha o "cabelo bombril" e pronto.
Virei para o aluno que fez o comentário e perguntei:
- Fulano, tem algum problema com o cabelo de Ciclana?
Cinicamente, e com ar de superior - sim, um adolescente de doze anos, consegue ser cruel a esse ponto - disse:
- Tem. Ele é duro!
De certa forma eu perdi a compostura. Apesar de toda a preparação, todos os argumentos possíveis, todo o conhecimento adquirido, é difícil lidar com as questões de preconceito racial na escola. Seja ele velado ou não, como foi neste caso.
Disse ao aluno que ele estava fazendo um comentário racista, ele disse que não. Inclusive ele tem um parente negro na família, me disse. E fui discutir o comentário, a questão dos porquês do cabelo crespo ser ruim e o liso ser bom, do negro ser inferior e o branco melhor, de quem vive no Verônia ser vagabundo, marginal, ladrão e outros preconceitos que nada ajudam em nossa vida e relação social. Fiquei mais de 20 minutos conversando com eles. Já havia acabado o texto, apenas não deu para explicar, mas esta questão colocou-se como mais urgente e necessária.
Eles me ouviram, pouco falaram. Não me dei por satisfeito. Ainda porque acho que o que fiz foi pouco com relação a isso.
E é sempre muito difícil discutir este assunto. Estou tentando.
***
E não mudou muita coisa na minha escola. Ontem tivemos reunião, professores, coordenação e direção. Um novo vice-diretor chegou para o período da manhã. Expectativas foram criadas.
No primeiro dia pós reunião e pós nova vice-direção, pouco mudou. Muitos alunos circulando em horário de aula, muita bagunça pela escola. Na última aula, parecia intervalo. Mais de quarenta alunos no pátio, conversando, ouvindo música, paquerando. Tive que me ausentar da minha sala para pegar um livro na biblioteca. Fui cruzar o pátio uma aluna me questionou:
- Já vai chamar alguém da direção, professor?
Eu preciso fazer isso? É claro que não.
Todos temos olhos, ouvidos. Entendemos e percebemos o que acontece. Não precisa ninguém ficar avisando. "Cada um no seu quadrado".
***
Muitas vezes na escola me sinto como um Quixote lutando contra Moinhos de Vento.
E o problema é que eu sempre caio do cavalo.
domingo, novembro 02, 2008
COMBATE MORTAL

Eu vi. Eu juro que eu vi!
Eu sei que eu tô bêbado, mas eu vi.
Eram dois moleques, não passavam dos quinze, dezesseis anos.
Tavam com toca, jaquetona, calça larga.
Tocaram a campainha da casa da dona Cida.
O filho dela mais novo, o Japonês, abriu.
Eles sacaram uma arma que parecia mais um trabuco, de tão grande.
Desse tamanho, ó. Toda preta.
Pegaram e mostraram pro Japonês. Ele arregalou o zóio e eles entraram.
É verdade, eu vi. Eu juro que eu vi!
***
Quinze minutos depois, cinco viaturas da polícia chegavam ao local.
Passaram ligeiras pela Dona Maria, que voltava da feira.
Ela fez o sinal da cruz e continuou. Sabia que tinha desgraça a vista.
Era comum. Era rotina.
Só não pensou que desta vez estava mais próximo do que gostaria.
Na porta da padaria, vizinhos amparavam o Seu Ari.
Segurava um copo, agora com água e açúcar.
Repetia a história pela terceira vez.
Quando viu dona Maria, saiu todo afobado em direção a ela. Perguntou:
- Cadê, cadê seus filhos?
Márcio, Marcos e Mauro. Treze, doze e onze anos. Escadinha.
Adoravam brincar com o filho da dona Cida.
O coração da dona Maria gelou.
***
Antes que os policiais fizessem o cerco, dona Maria entrou correndo em sua casa.
Morava sozinha com os três filhos. Vizinha de muro da dona Cida.
Passou por todo corredor que ia da entrada ao fundo. Chegou à cozinha.
Dona Maria pegou uma cadeira e encostou ao muro que dividia com a vizinha.
Subiu, esticou a cabeça, olhou.
Ninguém a vista.
Voltou para a cozinha, pegou uma faca grande, de churrasco, bem afiada.
Decidiu pular o muro, invadir a casa da amiga.
Ela não sabia bem o que ia fazer. Não tinha um plano.
Só não podia ficar ali do lado, esperando.
Seus filhos lá dentro em perigo.
Colocou a faca na boca. Apoiou as mãos no muro e fez força.
Os braços tremiam. Ela ofegava.
A muito custo subiu o tronco, apoiou o quadril.
Foi pra lá, foi pra cá, quase desequilibrou e caiu.
Respirou fundo.
Passou uma perna. Depois a outra.
Pulou.
Tum!
Nas pontas dos pés, chegou à porta dos fundos da vizinha.
Estava aberta. Também dava acesso à cozinha.
Dona Maria entrou.
Havia um som alto, um rap tocando na sala.
“Quem disse que na periferia não dá pra curtir?”
Dona Maria ignorou.
Olhou pela janela e viu a movimentação dos policiais.
Por cima, por baixo, estavam cercando a casa.
Ficou apavorada.
Dona Maria não confiava muito em policiais.
E se invadissem, o que ia acontecer?
E se eles se confundissem e atirassem nos seus filhos?
Não, ela mesma ia resolver.
Continuou.
A cada cômodo que cruzava, olhos atentos.
A faca de churrasco na mão.
O coração entalado na garganta.
O suor escorrendo pelo pescoço.
As pernas bambeando.
Entrou no corredor que dava acesso aos quartos.
Havia um banheiro com a porta aberta.
A luz acesa.
Olhou de canto, bem devagar.
Não tinha ninguém.
Passou pelo quarto de dona Cida e Seu Fujimoto.
Dona Cida estava no trabalho.
Seu Fujimoto também.
A única movimentação parecia que vinha do quarto do menino.
Caio, O Japonês. Treze anos.
Filho de dona Cida.
Como seus filhos, fã de videogame.
Dona Maria foi se aproximando do quarto.
A porta entreaberta.
As luzes apagadas.
Apenas a televisão ligada.
Não dava pra ver o que acontecia lá dentro.
Também não dava pra ouvir.
O som alto na sala.
O silêncio lá dentro.
Olhou para baixo. Certificou-se da faca nas mãos. Apertou-a.
Resolveu esperar. Só um pouco.
Até a hora que ouviu:
- Vai, Mano. Só falta esse. Dá logo um tiro no meio da cara e pronto!
O menino levantou a arma. Mirou bem no meio da testa.
Pow!
- Nããããããããããããooo.
Dona Maria entrou com tudo no quarto. A faca em punho.
Era tarde demais.
Na TV, um monstro caído. Esguichava sangue.
Em frente dela, seis adolescentes. Olhos arregalados.
Controles, fitas, a arma e um videogame jogados no chão.
Sem entender aquela cena.
Dona Maria na porta, parada.
Segurando uma faca.
A mão sobre a testa.
E dando risada.
Na tela da TV, uma frase piscava:
“Congratulations. You win!”
Os meninos tinham vencido.
O “Combate Mortal” havia chegado ao fim.
Eu sei que eu tô bêbado, mas eu vi.
Eram dois moleques, não passavam dos quinze, dezesseis anos.
Tavam com toca, jaquetona, calça larga.
Tocaram a campainha da casa da dona Cida.
O filho dela mais novo, o Japonês, abriu.
Eles sacaram uma arma que parecia mais um trabuco, de tão grande.
Desse tamanho, ó. Toda preta.
Pegaram e mostraram pro Japonês. Ele arregalou o zóio e eles entraram.
É verdade, eu vi. Eu juro que eu vi!
***
Quinze minutos depois, cinco viaturas da polícia chegavam ao local.
Passaram ligeiras pela Dona Maria, que voltava da feira.
Ela fez o sinal da cruz e continuou. Sabia que tinha desgraça a vista.
Era comum. Era rotina.
Só não pensou que desta vez estava mais próximo do que gostaria.
Na porta da padaria, vizinhos amparavam o Seu Ari.
Segurava um copo, agora com água e açúcar.
Repetia a história pela terceira vez.
Quando viu dona Maria, saiu todo afobado em direção a ela. Perguntou:
- Cadê, cadê seus filhos?
Márcio, Marcos e Mauro. Treze, doze e onze anos. Escadinha.
Adoravam brincar com o filho da dona Cida.
O coração da dona Maria gelou.
***
Antes que os policiais fizessem o cerco, dona Maria entrou correndo em sua casa.
Morava sozinha com os três filhos. Vizinha de muro da dona Cida.
Passou por todo corredor que ia da entrada ao fundo. Chegou à cozinha.
Dona Maria pegou uma cadeira e encostou ao muro que dividia com a vizinha.
Subiu, esticou a cabeça, olhou.
Ninguém a vista.
Voltou para a cozinha, pegou uma faca grande, de churrasco, bem afiada.
Decidiu pular o muro, invadir a casa da amiga.
Ela não sabia bem o que ia fazer. Não tinha um plano.
Só não podia ficar ali do lado, esperando.
Seus filhos lá dentro em perigo.
Colocou a faca na boca. Apoiou as mãos no muro e fez força.
Os braços tremiam. Ela ofegava.
A muito custo subiu o tronco, apoiou o quadril.
Foi pra lá, foi pra cá, quase desequilibrou e caiu.
Respirou fundo.
Passou uma perna. Depois a outra.
Pulou.
Tum!
Nas pontas dos pés, chegou à porta dos fundos da vizinha.
Estava aberta. Também dava acesso à cozinha.
Dona Maria entrou.
Havia um som alto, um rap tocando na sala.
“Quem disse que na periferia não dá pra curtir?”
Dona Maria ignorou.
Olhou pela janela e viu a movimentação dos policiais.
Por cima, por baixo, estavam cercando a casa.
Ficou apavorada.
Dona Maria não confiava muito em policiais.
E se invadissem, o que ia acontecer?
E se eles se confundissem e atirassem nos seus filhos?
Não, ela mesma ia resolver.
Continuou.
A cada cômodo que cruzava, olhos atentos.
A faca de churrasco na mão.
O coração entalado na garganta.
O suor escorrendo pelo pescoço.
As pernas bambeando.
Entrou no corredor que dava acesso aos quartos.
Havia um banheiro com a porta aberta.
A luz acesa.
Olhou de canto, bem devagar.
Não tinha ninguém.
Passou pelo quarto de dona Cida e Seu Fujimoto.
Dona Cida estava no trabalho.
Seu Fujimoto também.
A única movimentação parecia que vinha do quarto do menino.
Caio, O Japonês. Treze anos.
Filho de dona Cida.
Como seus filhos, fã de videogame.
Dona Maria foi se aproximando do quarto.
A porta entreaberta.
As luzes apagadas.
Apenas a televisão ligada.
Não dava pra ver o que acontecia lá dentro.
Também não dava pra ouvir.
O som alto na sala.
O silêncio lá dentro.
Olhou para baixo. Certificou-se da faca nas mãos. Apertou-a.
Resolveu esperar. Só um pouco.
Até a hora que ouviu:
- Vai, Mano. Só falta esse. Dá logo um tiro no meio da cara e pronto!
O menino levantou a arma. Mirou bem no meio da testa.
Pow!
- Nããããããããããããooo.
Dona Maria entrou com tudo no quarto. A faca em punho.
Era tarde demais.
Na TV, um monstro caído. Esguichava sangue.
Em frente dela, seis adolescentes. Olhos arregalados.
Controles, fitas, a arma e um videogame jogados no chão.
Sem entender aquela cena.
Dona Maria na porta, parada.
Segurando uma faca.
A mão sobre a testa.
E dando risada.
Na tela da TV, uma frase piscava:
“Congratulations. You win!”
Os meninos tinham vencido.
O “Combate Mortal” havia chegado ao fim.
conto de Rodrigo Ciríaco, publicado no livro Um Segredo no Céu da Boca, Edições Toró, outubro de 2008
sexta-feira, outubro 31, 2008
DIA DAS BRUXAS
nada de abóbora, sangue, dentes pustiços de vampiro. hoje a bruxa tava solta de verdade lá na minha escola.
até a hora do intervalo eu trabalhei bem com os meus alunos. levei o documentário Ônibus 174 para a galera de recuperação de ciclo, das oitavas séries, para assistir, para debatermos sobre a questão da violência, a exploração da mídia sobre esta questão, a vida do Sandro e todos os direitos que lhe foram negados, desde que era criança, chacina da Candelária, até quando foi preso, enfim.
depois comecei a preparar trabalhos com as sextas séries. na quinta aula, estava na minha sétima série quando uma professora veio bater em minha porta: veio pedir ajuda, pois havia acontecido uma briga feia dos alunos.
saí para o corredor e vi muitos alunos no pátio. alguns curiosos, outros bem exaltados. xingando, querendo bater, querendo correr; querendo dar porrada.
ajudei as coordenadoras a acalmar os ânimos dos alunos (que eram em sua maioria do ensino médio, adolescentes de dezesseis, dezessete anos), fazer com que eles fossem para a sala de aula e tentar conter a galera. alguns alunos envolvidos na briga foram dispensados mais cedo, com aviso aos pais. outros ficaram até o horário da saída.
agora, estou fazendo o relato por cima, porque a tensão foi muito maior na hora. o bicho pegou de verdade. e como já sabem - por este blog ou pelo meu livro - o histórico da minha escola, não vai me surpreender se amanhã ou depois acontecer uma tragédia. não vai surpreender pois ela já está anunciada há muito tempo.
tenho uma filosofia de que nenhum problema começa grande, imenso. não, eles vão crescendo a medida que vamos alimentando o fogo ou mesmo nos omitindo, esperando que ele se espalhe. como eu não vejo muita gente tentando apagar, pelo contrário, fingindo que ele não existe, não é de surpreender que uma hora ele se alastre por toda a floresta. e aí não adianta correr com mangueira, extintor de incêndio ou mesmo caminhão de bombeiro. quando acalmar as labaredas, o estrago será grande demais.
providências precisam ser tomadas. antigos problemas precisam ser resolvidos. antes tarde do que nunca.
r.c.
até a hora do intervalo eu trabalhei bem com os meus alunos. levei o documentário Ônibus 174 para a galera de recuperação de ciclo, das oitavas séries, para assistir, para debatermos sobre a questão da violência, a exploração da mídia sobre esta questão, a vida do Sandro e todos os direitos que lhe foram negados, desde que era criança, chacina da Candelária, até quando foi preso, enfim.
depois comecei a preparar trabalhos com as sextas séries. na quinta aula, estava na minha sétima série quando uma professora veio bater em minha porta: veio pedir ajuda, pois havia acontecido uma briga feia dos alunos.
saí para o corredor e vi muitos alunos no pátio. alguns curiosos, outros bem exaltados. xingando, querendo bater, querendo correr; querendo dar porrada.
ajudei as coordenadoras a acalmar os ânimos dos alunos (que eram em sua maioria do ensino médio, adolescentes de dezesseis, dezessete anos), fazer com que eles fossem para a sala de aula e tentar conter a galera. alguns alunos envolvidos na briga foram dispensados mais cedo, com aviso aos pais. outros ficaram até o horário da saída.
agora, estou fazendo o relato por cima, porque a tensão foi muito maior na hora. o bicho pegou de verdade. e como já sabem - por este blog ou pelo meu livro - o histórico da minha escola, não vai me surpreender se amanhã ou depois acontecer uma tragédia. não vai surpreender pois ela já está anunciada há muito tempo.
tenho uma filosofia de que nenhum problema começa grande, imenso. não, eles vão crescendo a medida que vamos alimentando o fogo ou mesmo nos omitindo, esperando que ele se espalhe. como eu não vejo muita gente tentando apagar, pelo contrário, fingindo que ele não existe, não é de surpreender que uma hora ele se alastre por toda a floresta. e aí não adianta correr com mangueira, extintor de incêndio ou mesmo caminhão de bombeiro. quando acalmar as labaredas, o estrago será grande demais.
providências precisam ser tomadas. antigos problemas precisam ser resolvidos. antes tarde do que nunca.
r.c.
LITERATURA (É) POSSÍVEL - SÉRGIO VAZ
ontem foi dia do Poeta colar lá na escola para participar do projeto Literatura (é) Possível.
muito especial receber o Sérgio Vaz. não apenas porque a Cooperifa teve uma importância fundamental para que eu elaborasse e executasse o projeto mas, porque em novembro de 2006 o Poeta foi lá na minha escola em que eu trabalhava, também na Vila Cisper, para fazer uma atividade com os alunos. ali eu considero o marco inicial do projeto. e é mó honra receber o poeta praticamente dois anos depois, em outra escola e em ritmo total.
o bate-papo com os alunos foi muito bacana. eles, como sempre, muito respeitosos com nosso convidado, prestaram bastante atenção. faltou talvez um pouco mais de participação. como faltaram também alguns alunos. apenas 12 compareceram desta vez. mas, como eu comentei com o próprio Vaz, é difícil a literatura competir, numa quinta-feira a tarde, depois do horário da aula, com a sala de informática, com o Play 02, com o futebol, com os namoricos. ainda assim, o que vale são os que foram, a qualidade e dedicação deles. por tudo isso, obrigado.
o Poeta fez uma brincadeira com os alunos, escrevemos um poema coletivo e, no final, ainda rolou um Sarau. além de suco, salgadinho e algumas bolachinhas. quer mais?
bom, eu não sou ONG, não trabalho com números, resultados, mesmo porque não devo nada para ninguém e todo dinheiro investido no projeto sai do meu bolso. nada de vangloriação, apenas para as coisas ficarem claras e "à César o que é de César", mas ontem eu fiquei pensando: putz, que vitória da porra!
em dois anos de projeto, mais de 100 saraus foram feitos em sala de aula; mais de 30 encontros literários - fora do horário de aula - foram realizados, nove poetas e escritores compareceram na escola (Sérgio Vaz (2x), Marcelino Freire, Sacolinha, Allan da Rosa, Dinha, Alessandro Buzo, Carlos Galdino, Akins Kinte e Elizandra Souza), mais de 80 livros destes autores - entre outros - foram distribuídos GRATUITAMENTE aos alunos integrantes do projeto, além do compartilhar de risos, lembranças, choros, saudades e muita, muita leitura.
tenho orgulho dos alunos que fizeram e fazem parte do projeto. posso dizer que hoje eles conhecem um pouco da literatura, da melhor qualidade.
e gratidão à todos os poetas e escritores que colaram lá pela escola durante todo este tempo. sei que vieram pela camaradagem, pela amizade e, não há dinheiro que pague pela generosidade de vocês. então, obrigado mais uma vez.
no mais, continuamos na batalha. e por enquanto é isso.
aquele abraço,
rodrigo ciríaco
muito especial receber o Sérgio Vaz. não apenas porque a Cooperifa teve uma importância fundamental para que eu elaborasse e executasse o projeto mas, porque em novembro de 2006 o Poeta foi lá na minha escola em que eu trabalhava, também na Vila Cisper, para fazer uma atividade com os alunos. ali eu considero o marco inicial do projeto. e é mó honra receber o poeta praticamente dois anos depois, em outra escola e em ritmo total.
o bate-papo com os alunos foi muito bacana. eles, como sempre, muito respeitosos com nosso convidado, prestaram bastante atenção. faltou talvez um pouco mais de participação. como faltaram também alguns alunos. apenas 12 compareceram desta vez. mas, como eu comentei com o próprio Vaz, é difícil a literatura competir, numa quinta-feira a tarde, depois do horário da aula, com a sala de informática, com o Play 02, com o futebol, com os namoricos. ainda assim, o que vale são os que foram, a qualidade e dedicação deles. por tudo isso, obrigado.
o Poeta fez uma brincadeira com os alunos, escrevemos um poema coletivo e, no final, ainda rolou um Sarau. além de suco, salgadinho e algumas bolachinhas. quer mais?
bom, eu não sou ONG, não trabalho com números, resultados, mesmo porque não devo nada para ninguém e todo dinheiro investido no projeto sai do meu bolso. nada de vangloriação, apenas para as coisas ficarem claras e "à César o que é de César", mas ontem eu fiquei pensando: putz, que vitória da porra!
em dois anos de projeto, mais de 100 saraus foram feitos em sala de aula; mais de 30 encontros literários - fora do horário de aula - foram realizados, nove poetas e escritores compareceram na escola (Sérgio Vaz (2x), Marcelino Freire, Sacolinha, Allan da Rosa, Dinha, Alessandro Buzo, Carlos Galdino, Akins Kinte e Elizandra Souza), mais de 80 livros destes autores - entre outros - foram distribuídos GRATUITAMENTE aos alunos integrantes do projeto, além do compartilhar de risos, lembranças, choros, saudades e muita, muita leitura.
tenho orgulho dos alunos que fizeram e fazem parte do projeto. posso dizer que hoje eles conhecem um pouco da literatura, da melhor qualidade.
e gratidão à todos os poetas e escritores que colaram lá pela escola durante todo este tempo. sei que vieram pela camaradagem, pela amizade e, não há dinheiro que pague pela generosidade de vocês. então, obrigado mais uma vez.
no mais, continuamos na batalha. e por enquanto é isso.
aquele abraço,
rodrigo ciríaco
UM LIVRO - A NOITE DOS CRISTAIS
Um dos melhores livros que eu li nos últimos tempos. Sei que eu vivo falando isso, mas eu falo dos livros que realmente vale a pena ler. E A noite dos cristais, do Luís Fulano de Tal - Ed. 34 - é um destes livros que merecem ser folheados, saboreados. Lidos.
A primeira vez que ouvi falar do livro foi no DVD Vaguei nos livros e me sujei na merda toda, dos parceiros Allan da Rosa e Akins Kinte, quando eles se referiam ao livro para falar da Revolta dos Malês - levante muçulmano que aconteceu na Bahia em 25 de janeiro de 1835 - e fiquei muito curiosos para lê-lo. Pois bem, comprei o livro, comecei e só larguei depois de acabá-lo. Não tinha como ser de outro sujeito.
O autor auto-intitula o livro como uma novela. Mas bem pode ser lido como um romance-histórico, da melhor narrativa e qualidade. Conta a estória de um estudante brasileiro que, não tendo como viajar para FRA para aprimorar o seu domínio sobre o francês, vai até a Guiana Francesa (no alto da América do Sul). Lá, em uma pensão, ele descobre um manuscrito deixado por um negro, fugido da escravidão do Brasil no século XIX, e que era menino durante a revolta na Bahia. E este manuscrito traz detalhes sobre a vida na Bahia daquele período, costumes da população negra escravizada entre outras coisas.
Texto da melhor qualidade, o tipo de livro que já dá vontade de ler novamente, apenas de lembrar.
Vê se não fica moscando.
segunda-feira, outubro 27, 2008
MANOS E MINAS
êita ressaca eleitoral braba. mas, vâmo que vâmo.
amanhã é dia do funcionário público. não sei pra que, não merecem ter um feriado neste dia, somos trabalhadores como todos os outros, já celebramos - e paramos - no dia do trabalho, mas tudo bem. o Serra serra serra dor antecipou para hoje. as instituições públicas, várias, estão fechadas. terei que repor em outro dia. mas hoje eu vou trabalhar.
havia combinado com o pessoal do programa Manos e Minas para participar da platéia, junto com os meus alunos. e o dia marcado foi para hoje. vou com os meus alunos da 8ª série. acho que vai ser legal. vamos ver.
esta semana, tem mais uma visita no Literatura (é) Possível. agora é a vez do poeta Sérgio Vaz colar na escola. o poeta que foi o primeiro a cortar a fita, a participar do projeto, volta agora depois de quase dois anos, em uma outra escola que estou trabalhando, para trocar umas idéias com os alunos. vai ser chapado.
no mais, em novembro vai ter a balada literária, organizada pelo Marcelino Freire. em novembro também, teremos a Mostra Cultural da Periferia, organizada pela Cooperifa. ambos eventos imperdíveis.
participarei dos dois.
e para dezembro, estou organizando uma parada que vai ser lôca, vai mexer com toda a comunidade, a escola. logo mais, quando confirmar algumas cositas, passo outras informações por aqui, até para convidar os navegantes, mas por enquanto é isso.
êita ressaca braba, lasquêra de dor de cabeça.
abraço
amanhã é dia do funcionário público. não sei pra que, não merecem ter um feriado neste dia, somos trabalhadores como todos os outros, já celebramos - e paramos - no dia do trabalho, mas tudo bem. o Serra serra serra dor antecipou para hoje. as instituições públicas, várias, estão fechadas. terei que repor em outro dia. mas hoje eu vou trabalhar.
havia combinado com o pessoal do programa Manos e Minas para participar da platéia, junto com os meus alunos. e o dia marcado foi para hoje. vou com os meus alunos da 8ª série. acho que vai ser legal. vamos ver.
esta semana, tem mais uma visita no Literatura (é) Possível. agora é a vez do poeta Sérgio Vaz colar na escola. o poeta que foi o primeiro a cortar a fita, a participar do projeto, volta agora depois de quase dois anos, em uma outra escola que estou trabalhando, para trocar umas idéias com os alunos. vai ser chapado.
no mais, em novembro vai ter a balada literária, organizada pelo Marcelino Freire. em novembro também, teremos a Mostra Cultural da Periferia, organizada pela Cooperifa. ambos eventos imperdíveis.
participarei dos dois.
e para dezembro, estou organizando uma parada que vai ser lôca, vai mexer com toda a comunidade, a escola. logo mais, quando confirmar algumas cositas, passo outras informações por aqui, até para convidar os navegantes, mas por enquanto é isso.
êita ressaca braba, lasquêra de dor de cabeça.
abraço
domingo, outubro 26, 2008
ELEIÇÕES 2008
para mim, política é a arte de mudar o mundo. ponto.
apesar de sim, em diversos momentos ter ojeriza a política, principalmente a institucional e a partidária, também cada vez mais eu tenho a certeza de que devemos nos interessar mais na política. nos envolvermos mais em assuntos políticos. pois não adianta ficar apenas do lado da janelinha vendo esses caras tocar o barco e apenas reclamar. precisamos fazer. precisamos mostrar que sabemos fazer. de maneira mais competente, justa, muito melhor que eles.
estou triste com a derrota de Marta para a prefeitura. para ser mais preciso, o sentimento mais verdadeiro é de raiva. mas tudo bem.
não que Marta Suplicy salvaria São Paulo, não que Marta Suplicy é a melhor candidata que existe, não que a Marta não tenha cometido algumas gafes, erros. mas com toda certeza, dentro os candidatos apresentados era a mais preparada, a mais aberta ao diálogo com as classes trabalhadoras e populares; era sim a candidata que poderia fazer um governo voltado ao combate a injustiça, a desigualdade social. um governo para transformar a nossa tão precária cidade.
o sentimento é de derrota. mas é passageiro. política não pode ser jogo de perde e ganha, espera quatro anos para jogar novamente. política se faz no dia a dia. política é disputa, é conversa, é discussão. como disse, política é a arte de mudar o mundo. e o mundo está mudando, todos os dias, temos que acompanhá-lo. temos que modificá-lo. não podemos simplesmente ficar ao seu doce sabor, temos que prová-lo, dar dicas para melhorar a receita, meter a colher, o pitaco, sem deixar azedar.
não posso deixar de comentar algumas cenas esquizofrênicas desta campanha:
primeiro: o acordão, parceria entre PT e PSDB em Belo Horizonte. o que é aquilo?
segundo: dos 06 anos que trabalho como mesário na seção eleitoral, nunca vi tanta criança acompanhar os pais na hora da votação. muita, muita criança. influência dos políticos que vão votar com neto, sobrinho, amigo do vizinho; cachorro, gato, papagaio, periquito.
terceiro: você deve achar bonitinho, um monte de criança junto, votando mas não quando acontece o que aconteceu hoje - e não foi apenas uma vez. uma mãe - ou pai - virando para o filho de quatro, cinco anos e perguntando: -"filho, em quem a mamãe vai votar?
- no kassabinho.
- tem certeza?
- sim, no kassabinho, no kassabinho!"
este segundo turno, deveria ter três candidatos. se assim fosse, o resultado seria outro:
Marta: 39%
Kassabinho: 41%
Gilberto Kassab: 20%
de qualquer forma, devido à grande rejeição que há para o PT em Sampa - e isto tem um motivo que deve ser pensado e refletido- a Marta perderia para um boneco, para um sabão em pó, ou para qualquer outro produto que os competentes marqueteiros da campanha do Kassab desejassem vender. e aí vem a questão que abri este assunto: política é a arte de mudar o mundo.
que política estamos fazendo?
bom, que o Kassab, prefeito finalmente eleito, faça um bom governo. que cumpra as suas promessas de campanha, que beneficie, melhore a vida das pessoas, enfim, faça o seu dever, faça o seu papel, cumpra com a obrigação que lhe foi entregue a partir dos milhões de votos recebidos.
mesmo porque, se tropeçar, se vacilar, se der mancada, muitos estarão de prontidão vigiando e cobrando. eu serei um deles.
agora, quem diria: o PFL, Partido da Frente Liberal, de Antônio Carlos Magalhães (o Toninho Malvadeza), Jorge Bonhaussen; o antigo Arena - hoje Democrata - governando São Paulo.
que merda.
apesar de sim, em diversos momentos ter ojeriza a política, principalmente a institucional e a partidária, também cada vez mais eu tenho a certeza de que devemos nos interessar mais na política. nos envolvermos mais em assuntos políticos. pois não adianta ficar apenas do lado da janelinha vendo esses caras tocar o barco e apenas reclamar. precisamos fazer. precisamos mostrar que sabemos fazer. de maneira mais competente, justa, muito melhor que eles.
estou triste com a derrota de Marta para a prefeitura. para ser mais preciso, o sentimento mais verdadeiro é de raiva. mas tudo bem.
não que Marta Suplicy salvaria São Paulo, não que Marta Suplicy é a melhor candidata que existe, não que a Marta não tenha cometido algumas gafes, erros. mas com toda certeza, dentro os candidatos apresentados era a mais preparada, a mais aberta ao diálogo com as classes trabalhadoras e populares; era sim a candidata que poderia fazer um governo voltado ao combate a injustiça, a desigualdade social. um governo para transformar a nossa tão precária cidade.
o sentimento é de derrota. mas é passageiro. política não pode ser jogo de perde e ganha, espera quatro anos para jogar novamente. política se faz no dia a dia. política é disputa, é conversa, é discussão. como disse, política é a arte de mudar o mundo. e o mundo está mudando, todos os dias, temos que acompanhá-lo. temos que modificá-lo. não podemos simplesmente ficar ao seu doce sabor, temos que prová-lo, dar dicas para melhorar a receita, meter a colher, o pitaco, sem deixar azedar.
não posso deixar de comentar algumas cenas esquizofrênicas desta campanha:
primeiro: o acordão, parceria entre PT e PSDB em Belo Horizonte. o que é aquilo?
segundo: dos 06 anos que trabalho como mesário na seção eleitoral, nunca vi tanta criança acompanhar os pais na hora da votação. muita, muita criança. influência dos políticos que vão votar com neto, sobrinho, amigo do vizinho; cachorro, gato, papagaio, periquito.
terceiro: você deve achar bonitinho, um monte de criança junto, votando mas não quando acontece o que aconteceu hoje - e não foi apenas uma vez. uma mãe - ou pai - virando para o filho de quatro, cinco anos e perguntando: -"filho, em quem a mamãe vai votar?
- no kassabinho.
- tem certeza?
- sim, no kassabinho, no kassabinho!"
este segundo turno, deveria ter três candidatos. se assim fosse, o resultado seria outro:
Marta: 39%
Kassabinho: 41%
Gilberto Kassab: 20%
de qualquer forma, devido à grande rejeição que há para o PT em Sampa - e isto tem um motivo que deve ser pensado e refletido- a Marta perderia para um boneco, para um sabão em pó, ou para qualquer outro produto que os competentes marqueteiros da campanha do Kassab desejassem vender. e aí vem a questão que abri este assunto: política é a arte de mudar o mundo.
que política estamos fazendo?
bom, que o Kassab, prefeito finalmente eleito, faça um bom governo. que cumpra as suas promessas de campanha, que beneficie, melhore a vida das pessoas, enfim, faça o seu dever, faça o seu papel, cumpra com a obrigação que lhe foi entregue a partir dos milhões de votos recebidos.
mesmo porque, se tropeçar, se vacilar, se der mancada, muitos estarão de prontidão vigiando e cobrando. eu serei um deles.
agora, quem diria: o PFL, Partido da Frente Liberal, de Antônio Carlos Magalhães (o Toninho Malvadeza), Jorge Bonhaussen; o antigo Arena - hoje Democrata - governando São Paulo.
que merda.
sexta-feira, outubro 24, 2008
LIVROS MARCANTES
há poucas coisas nesta vida tão prazerosas quanto ler um livro. principalmente quando se trata de um livro bom, aquele que te marca, te vara, te transforma. aquele livro que faz de você um antes e um depois de ter passado por ele.
já tive a felicidade de viver esta experiência várias vezes: grande sertão: veredas, cem anos de solidão, querô - uma reportagem maldita, memórias de um sobrevivente, autobiografia de malcom x, de passagem mas não a passeio, a poesia dos deuses inferiores, rastilho da pólvora, baléralé... enfim! a lista é grande e se eu for lembrar aqui, fico até amanhã - e não digo o que eu quero.
pois bem, hoje tive a felicidade de cruzar com outro livro destes. um livro já considerado clássico, um livro que não sei o porquê não o li antes. um livro para alguns ingênuo, bobinho, mas feito por um cara que é gênio. estou falando do O Menino Maluquinho, do Ziraldo.
que livro gostoso de ler. alegre, brincante, sério, sem ser sisudo. com idéias fantásticas, que fala de uma maneira tão viva, mágica sobre um dos períodos mais marcantes, traumáticas e importantes de nossas vidas: a infância.
O Menino Maluquinho é um livro para crianças de todas as idades, principalmente adultos. eu tive a felicidade de ser presenteado com ele na cooperifa e hoje eu já o li duas vezes. acho que vou ler mais uma, já está dando vontade. e se você não tem ou não leu, procure na biblioteca do seu bairro, da sua escola; compre-o num sebo. faça este favor para a sua cabecinha maluquinha, o seu coração teimosinho. tenho certeza que ambos vão agradecer.
bom, tá dada a indicação de leitura. aquele abraço,
r.c.
quinta-feira, outubro 23, 2008
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES
quem é, tá ligado que treze (13) é o número da favela.
então domingo é isso. pra bom entendedor
meia palavra basta.
então domingo é isso. pra bom entendedor
meia palavra basta.
07 ANOS DE COOPERIFA
salve, povo.
ontem a cooperifa completou sete anos. sete velinhas de vida.
como vários guerreiros e guerreiras frizaram por lá, sete anos já é idade de uma criança, em fase escolar, ou seja, segura a criança que a pequena já está dando mais trabalho, exigindo mais responsabilidade. e sete anos não é sete minutos, não é sete meses. gramaticalmente correto falando, não são sete dias.
e ontem foi uma festa linda, maravilhosa, como não compartilhava há bons tempos. não que as já tradicionais quarta-feiras cooperiféricas não tenham mais sabor, tenham perdido a sua magia; longe disso. mas os dias não são iguais, e há momento mais marcantes, mais saborosos, há dias e noites mais especiais do que outras. ontem foi uma delas.
os poetas afinadíssimos, pareciam que haviam ensaiado suas apresentações. e não duvido que o tenham feito. cada escolha, cada palavra muito bem dita e acertada. o espaço belamente preenchido e enfeitado com livros pendurados, além das obras - quadros, pinturas - da carolzynha. pena que eu não estava com a minha máquina para compartilhar parte disso com vocês. mas algumas fotos vocês conferem no blog do Poeta - Sérgio Vaz, link ao lado. as outras, diretamente no meu coração - com acesso restrito à amigos e chegados.
e o mais lindo de ontem também foram as pessoas. quanta gente linda naquele lugar. ô lugar! e uma beleza que vai longe da esteticidade consumista que nos é goela abaixo vendida todos os dias nos jornais, nas revistas, na tv, na sala dos professores, etc. uma beleza interior, espiritual; pessoas irradiantes que nos contagiam com o seu abraço e com sua alegria.
ontem tive o prazer e privilégio de dividir a mesa só com vagabundo nato. marcelino freire, que há tempos não via, conversava, tomava umas cachaça; lirinha, do cordel do fogo encantado - cara gente finíssima, dotado de uma sensibilidade artística e poética que é chavão eu ficar babando ovo aqui, mas precisa ser ressaltada -, ferréz, 1dasul, além do robson canto. aliás, como disse o próprio robson, se a PM baixasse por lá ontem, seria mais de 1000 anos de cadeia por tráfico de informação.
e no final, ainda, distribuição de livros. gratuita. na faixa. a vonts. eu peguei só um livro, para todos poderem pegarem. eu vi alguns zoião grande que pegarão uns três, quatro, sete(!). não vi quem ficou sem mas, ô comunidade: vamos socializar direito a parada. não podemos capitalizar nossos sonhos, nossa ganância, certo?
mas o barato foi lôco, o processo tá em mil grau e, se você ficar moscando, no bonde da história - que estamos neste exato momento escrevendo - tu não vai conseguir ficar nem na janelinha. então, se liga e chega mais, vem construir este momento com a gente.
sem palavras, um cooperiférico que apaga só três velinhas de cooperifa, mas com momentos contados que dão milhas e histórias para esta e outras vidas,
rodrigo ciríaco
ontem a cooperifa completou sete anos. sete velinhas de vida.
como vários guerreiros e guerreiras frizaram por lá, sete anos já é idade de uma criança, em fase escolar, ou seja, segura a criança que a pequena já está dando mais trabalho, exigindo mais responsabilidade. e sete anos não é sete minutos, não é sete meses. gramaticalmente correto falando, não são sete dias.
e ontem foi uma festa linda, maravilhosa, como não compartilhava há bons tempos. não que as já tradicionais quarta-feiras cooperiféricas não tenham mais sabor, tenham perdido a sua magia; longe disso. mas os dias não são iguais, e há momento mais marcantes, mais saborosos, há dias e noites mais especiais do que outras. ontem foi uma delas.
os poetas afinadíssimos, pareciam que haviam ensaiado suas apresentações. e não duvido que o tenham feito. cada escolha, cada palavra muito bem dita e acertada. o espaço belamente preenchido e enfeitado com livros pendurados, além das obras - quadros, pinturas - da carolzynha. pena que eu não estava com a minha máquina para compartilhar parte disso com vocês. mas algumas fotos vocês conferem no blog do Poeta - Sérgio Vaz, link ao lado. as outras, diretamente no meu coração - com acesso restrito à amigos e chegados.
e o mais lindo de ontem também foram as pessoas. quanta gente linda naquele lugar. ô lugar! e uma beleza que vai longe da esteticidade consumista que nos é goela abaixo vendida todos os dias nos jornais, nas revistas, na tv, na sala dos professores, etc. uma beleza interior, espiritual; pessoas irradiantes que nos contagiam com o seu abraço e com sua alegria.
ontem tive o prazer e privilégio de dividir a mesa só com vagabundo nato. marcelino freire, que há tempos não via, conversava, tomava umas cachaça; lirinha, do cordel do fogo encantado - cara gente finíssima, dotado de uma sensibilidade artística e poética que é chavão eu ficar babando ovo aqui, mas precisa ser ressaltada -, ferréz, 1dasul, além do robson canto. aliás, como disse o próprio robson, se a PM baixasse por lá ontem, seria mais de 1000 anos de cadeia por tráfico de informação.
e no final, ainda, distribuição de livros. gratuita. na faixa. a vonts. eu peguei só um livro, para todos poderem pegarem. eu vi alguns zoião grande que pegarão uns três, quatro, sete(!). não vi quem ficou sem mas, ô comunidade: vamos socializar direito a parada. não podemos capitalizar nossos sonhos, nossa ganância, certo?
mas o barato foi lôco, o processo tá em mil grau e, se você ficar moscando, no bonde da história - que estamos neste exato momento escrevendo - tu não vai conseguir ficar nem na janelinha. então, se liga e chega mais, vem construir este momento com a gente.
sem palavras, um cooperiférico que apaga só três velinhas de cooperifa, mas com momentos contados que dão milhas e histórias para esta e outras vidas,
rodrigo ciríaco
quarta-feira, outubro 22, 2008
POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu, passarinho.
Mário Quintana
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu, passarinho.
Mário Quintana
terça-feira, outubro 21, 2008
A IMPLOSÃO DA MENTIRA
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Affonso Romano de Sant'Anna
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Affonso Romano de Sant'Anna
domingo, outubro 19, 2008
SEMINÁRIO SOBRE ARTE-EDUCAÇÃO - IPJ
ontem, além de dia de muita chuva - que deixou eu e a tânia quase que molhados feito pinguim de manhã - rolou um debate sobre projetos de arte-educação envolvendo escolas, organizado pelo IPJ - instituto paulista da juventude lá na Ação Educativa.
várias iniciativas e projetos foram apresentados das 09hs da matina até as 16hs, quando tivemos que sair de lá correndo porque os trabalhadores também precisam descansar. santo amaro, guaianazes, taboão da serra, itaim paulista, jardim verônia, entre outros bairros estiveram presentes com os seus respectivos representantes. teve apresentação de muitas fotos, vídeos, dança de break e muita conversa, troca de experiências.
tirando uma certa desorganização do IPJ que, me desculpem, mas eu tive que falar, e alguns ongueiros que estavam por lá mais preocupados em apresentar resultados e justificar números do que falar da proposta do projeto, o dia foi muito bom. minha apresentação foi meia atropelada já que começou com uma hora e quarenta e cinco minutos de atraso e com o tempo diminuido mas, emendando com a apresentação do projeto do parceiro James Bantu, a fala com o Sarau improvisado acabou rolando de uma maneira bem legal.
no mais, consegui vender alguns livros, meus e das edições toró, e distribuir como brinde ainda algumas revistas Grap e o livro "Amor Lúbrico".
aquele abraço,
r.c.
várias iniciativas e projetos foram apresentados das 09hs da matina até as 16hs, quando tivemos que sair de lá correndo porque os trabalhadores também precisam descansar. santo amaro, guaianazes, taboão da serra, itaim paulista, jardim verônia, entre outros bairros estiveram presentes com os seus respectivos representantes. teve apresentação de muitas fotos, vídeos, dança de break e muita conversa, troca de experiências.
tirando uma certa desorganização do IPJ que, me desculpem, mas eu tive que falar, e alguns ongueiros que estavam por lá mais preocupados em apresentar resultados e justificar números do que falar da proposta do projeto, o dia foi muito bom. minha apresentação foi meia atropelada já que começou com uma hora e quarenta e cinco minutos de atraso e com o tempo diminuido mas, emendando com a apresentação do projeto do parceiro James Bantu, a fala com o Sarau improvisado acabou rolando de uma maneira bem legal.
no mais, consegui vender alguns livros, meus e das edições toró, e distribuir como brinde ainda algumas revistas Grap e o livro "Amor Lúbrico".
aquele abraço,
r.c.
quinta-feira, outubro 16, 2008
A EDUCAÇÃO E A PAIXÃO DE CONHECER O MUNDO
é neste sabadão, na Ação Educativa, vai rolar um bate-papo sobre vários projetos de Arte-Educação na escola.
eu estarei lá a partir das 13hs. livros estarão expostos para serem apreciados e comprados então, se o tema interessa à você, chega mais pra gente se ver, conversar, trocar umas idéias e energias positivas.
Sábado, 18 de Outubro
Ação Educativa - Rua General Jardim, 660
Vila Buarque - Centro - Próx. à Praça da República
quarta-feira, outubro 15, 2008
07 ANOS DE COOPERIFA
salve, povo.
ontem a cooperifa completou sete anos. sete velinhas de vida.
como vários guerreiros e guerreiras frizaram por lá, sete anos já é idade de uma criança, em fase escolar, ou seja, segurança a criança que a pequena já está dando mais trabalho, exigindo mais responsabilidade. e sete anos não é sete minutos, não é sete meses. gramaticalmente correto falando, não são sete dias. e ontem foi uma festa linda, maravilhosa, como não compartilhava há bons tempos.
não que as já tradicionais quarta-feiras cooperiféricas não tenham mais sabor, tenham perdido a sua magia; longe disso. mas os dias não são iguais, e há momento mais marcantes, mais saborosos, há dias e noites mais especiais do que outras. ontem foi uma delas. os poetas afinadíssimos, pareciam que haviam ensaiado suas apresentações. e não duvido que o tenham feito. cada escolha, cada palavra muito bem dita e acertada. o espaço belamente preenchido e enfeitado com livros pendurados, além das obras - quadros, pinturas - da carolzynha. pena que eu não estava com a minha máquina para compartilhar parte disso com vocês. mas algumas fotos vocês conferem no blog do Poeta - Sérgio Vaz, link ao lado. as outras, diretamente no meu coração - com acesso restrito à amigos e chegados.
e o mais lindo de ontem também foram as pessoas. quanta gente linda naquele lugar. ô lugar! e uma beleza que vai longe da esteticidade consumista que nos é goela abaixo vendida todos os dias nos jornais, nas revistas, na tv, na sala dos professores, etc. uma beleza interior, espiritual; pessoas irradiantes que nos contagiam com o seu abraço e com sua alegria.
ontem tive o prazer e privilégio de dividir a mesa só com vagabundo nato. marcelino freire, que há tempos não via, conversava, tomava umas cachaça; lirinha, do cordel do fogo encantado - cara gente finíssima, dotado de uma sensibilidade artística e poética que é chavão eu ficar babando ovo aqui, mas precisa ser ressaltada -, ferréz, 1dasul, além do robson canto. aliás, como disse o próprio robson, se a PM baixasse por lá ontem, seria mais de 1000 anos de cadeia por tráfico de informação. e no final, ainda, distribuição de livros. gratuita. na faixa. a vonts. eu peguei só um livro, para todos poderem pegarem. eu vi alguns zoião grande que pegarão uns três, quatro, sete(!). não vi quem ficou sem mas, ô comunidade: vamos socializar direito a parada. não podemos capitalizar nossos sonhos, nossa ganância, certo?
mas o barato foi lôco, o processo tá em mil grau e, se você ficar moscando, no bonde da história - que estamos neste exato momento escrevendo - tu não vai conseguir ficar nem na janelinha. então, se liga e chega mais, vem construir este momento com a gente.
sem palavras, um cooperiférico que apaga só três velinhas de cooperifa, mas com momentos contados que dão milhas e histórias para esta e outras vidas,
rodrigo ciríaco
ontem a cooperifa completou sete anos. sete velinhas de vida.
como vários guerreiros e guerreiras frizaram por lá, sete anos já é idade de uma criança, em fase escolar, ou seja, segurança a criança que a pequena já está dando mais trabalho, exigindo mais responsabilidade. e sete anos não é sete minutos, não é sete meses. gramaticalmente correto falando, não são sete dias. e ontem foi uma festa linda, maravilhosa, como não compartilhava há bons tempos.
não que as já tradicionais quarta-feiras cooperiféricas não tenham mais sabor, tenham perdido a sua magia; longe disso. mas os dias não são iguais, e há momento mais marcantes, mais saborosos, há dias e noites mais especiais do que outras. ontem foi uma delas. os poetas afinadíssimos, pareciam que haviam ensaiado suas apresentações. e não duvido que o tenham feito. cada escolha, cada palavra muito bem dita e acertada. o espaço belamente preenchido e enfeitado com livros pendurados, além das obras - quadros, pinturas - da carolzynha. pena que eu não estava com a minha máquina para compartilhar parte disso com vocês. mas algumas fotos vocês conferem no blog do Poeta - Sérgio Vaz, link ao lado. as outras, diretamente no meu coração - com acesso restrito à amigos e chegados.
e o mais lindo de ontem também foram as pessoas. quanta gente linda naquele lugar. ô lugar! e uma beleza que vai longe da esteticidade consumista que nos é goela abaixo vendida todos os dias nos jornais, nas revistas, na tv, na sala dos professores, etc. uma beleza interior, espiritual; pessoas irradiantes que nos contagiam com o seu abraço e com sua alegria.
ontem tive o prazer e privilégio de dividir a mesa só com vagabundo nato. marcelino freire, que há tempos não via, conversava, tomava umas cachaça; lirinha, do cordel do fogo encantado - cara gente finíssima, dotado de uma sensibilidade artística e poética que é chavão eu ficar babando ovo aqui, mas precisa ser ressaltada -, ferréz, 1dasul, além do robson canto. aliás, como disse o próprio robson, se a PM baixasse por lá ontem, seria mais de 1000 anos de cadeia por tráfico de informação. e no final, ainda, distribuição de livros. gratuita. na faixa. a vonts. eu peguei só um livro, para todos poderem pegarem. eu vi alguns zoião grande que pegarão uns três, quatro, sete(!). não vi quem ficou sem mas, ô comunidade: vamos socializar direito a parada. não podemos capitalizar nossos sonhos, nossa ganância, certo?
mas o barato foi lôco, o processo tá em mil grau e, se você ficar moscando, no bonde da história - que estamos neste exato momento escrevendo - tu não vai conseguir ficar nem na janelinha. então, se liga e chega mais, vem construir este momento com a gente.
sem palavras, um cooperiférico que apaga só três velinhas de cooperifa, mas com momentos contados que dão milhas e histórias para esta e outras vidas,
rodrigo ciríaco
07 ANOS DE COOPERIFA
salve, povo.
ontem a cooperifa completou sete anos. sete velinhas de vida.
como vários guerreiros e guerreiras frizaram por lá, sete anos já é idade de uma criança, em fase escolar, ou seja, segurança a criança que a pequena já está dando mais trabalho, exigindo mais responsabilidade. e sete anos não é sete minutos, não é sete meses. gramaticalmente correto falando, não são sete dias.
e ontem foi uma festa linda, maravilhosa, como não compartilhava há bons tempos. não que as já tradicionais quarta-feiras cooperiféricas não tenham mais sabor, tenham perdido a sua magia; longe disso. mas os dias não são iguais, e há momento mais marcantes, mais saborosos, há dias e noites mais especiais do que outras. ontem foi uma delas.
os poetas afinadíssimos, pareciam que haviam ensaiado suas apresentações. e não duvido que o tenham feito. cada escolha, cada palavra muito bem dita e acertada. o espaço belamente preenchido e enfeitado com livros pendurados, além das obras - quadros, pinturas - da carolzynha. pena que eu não estava com a minha máquina para compartilhar parte disso com vocês. mas algumas fotos vocês conferem no blog do Poeta - Sérgio Vaz, link ao lado. as outras, diretamente no meu coração - com acesso restrito à amigos e chegados.
e o mais lindo de ontem também foram as pessoas. quanta gente linda naquele lugar. ô lugar! e uma beleza que vai longe da esteticidade consumista que nos é goela abaixo vendida todos os dias nos jornais, nas revistas, na tv, na sala dos professores, etc. uma beleza interior, espiritual; pessoas irradiantes que nos contagiam com o seu abraço e com sua alegria.
ontem tive o prazer e privilégio de dividir a mesa só com vagabundo nato. marcelino freire, que há tempos não via, conversava, tomava umas cachaça; lirinha, do cordel do fogo encantado - cara gente finíssima, dotado de uma sensibilidade artística e poética que é chavão eu ficar babando ovo aqui, mas precisa ser ressaltada -, ferréz, 1dasul, além do robson canto. aliás, como disse o próprio robson, se a PM baixasse por lá ontem, seria mais de 1000 anos de cadeia por tráfico de informação.
e no final, ainda, distribuição de livros. gratuita. na faixa. a vonts. eu peguei só um livro, para todos poderem pegarem. eu vi alguns zoião grande que pegarão uns três, quatro, sete(!). não vi quem ficou sem mas, ô comunidade: vamos socializar direito a parada. não podemos capitalizar nossos sonhos, nossa ganância, certo?
mas o barato foi lôco, o processo tá em mil grau e, se você ficar moscando, no bonde da história - que estamos neste exato momento escrevendo - tu não vai conseguir ficar nem na janelinha. então, se liga e chega mais, vem construir este momento com a gente.
sem palavras, um cooperiférico que apaga só três velinhas de cooperifa, mas com momentos contados que dão milhas e histórias para esta e outras vidas
rodrigo ciríaco
ontem a cooperifa completou sete anos. sete velinhas de vida.
como vários guerreiros e guerreiras frizaram por lá, sete anos já é idade de uma criança, em fase escolar, ou seja, segurança a criança que a pequena já está dando mais trabalho, exigindo mais responsabilidade. e sete anos não é sete minutos, não é sete meses. gramaticalmente correto falando, não são sete dias.
e ontem foi uma festa linda, maravilhosa, como não compartilhava há bons tempos. não que as já tradicionais quarta-feiras cooperiféricas não tenham mais sabor, tenham perdido a sua magia; longe disso. mas os dias não são iguais, e há momento mais marcantes, mais saborosos, há dias e noites mais especiais do que outras. ontem foi uma delas.
os poetas afinadíssimos, pareciam que haviam ensaiado suas apresentações. e não duvido que o tenham feito. cada escolha, cada palavra muito bem dita e acertada. o espaço belamente preenchido e enfeitado com livros pendurados, além das obras - quadros, pinturas - da carolzynha. pena que eu não estava com a minha máquina para compartilhar parte disso com vocês. mas algumas fotos vocês conferem no blog do Poeta - Sérgio Vaz, link ao lado. as outras, diretamente no meu coração - com acesso restrito à amigos e chegados.
e o mais lindo de ontem também foram as pessoas. quanta gente linda naquele lugar. ô lugar! e uma beleza que vai longe da esteticidade consumista que nos é goela abaixo vendida todos os dias nos jornais, nas revistas, na tv, na sala dos professores, etc. uma beleza interior, espiritual; pessoas irradiantes que nos contagiam com o seu abraço e com sua alegria.
ontem tive o prazer e privilégio de dividir a mesa só com vagabundo nato. marcelino freire, que há tempos não via, conversava, tomava umas cachaça; lirinha, do cordel do fogo encantado - cara gente finíssima, dotado de uma sensibilidade artística e poética que é chavão eu ficar babando ovo aqui, mas precisa ser ressaltada -, ferréz, 1dasul, além do robson canto. aliás, como disse o próprio robson, se a PM baixasse por lá ontem, seria mais de 1000 anos de cadeia por tráfico de informação.
e no final, ainda, distribuição de livros. gratuita. na faixa. a vonts. eu peguei só um livro, para todos poderem pegarem. eu vi alguns zoião grande que pegarão uns três, quatro, sete(!). não vi quem ficou sem mas, ô comunidade: vamos socializar direito a parada. não podemos capitalizar nossos sonhos, nossa ganância, certo?
mas o barato foi lôco, o processo tá em mil grau e, se você ficar moscando, no bonde da história - que estamos neste exato momento escrevendo - tu não vai conseguir ficar nem na janelinha. então, se liga e chega mais, vem construir este momento com a gente.
sem palavras, um cooperiférico que apaga só três velinhas de cooperifa, mas com momentos contados que dão milhas e histórias para esta e outras vidas
rodrigo ciríaco
PRIMEIRA PÁGINA*
* dedicado à todos(as) aqueles(as) que já foram cerceados ou constrangidos no seu direito constitucional: a liberdade de expressão
_______Aberto inquérito policial contra escritor da periferia. Motivo: apologia ao crime. O réu foi acusado de escrever duros textos sobre a realidade de trabalhadores e desempregados, suas dificuldades nos trens e ônibus sempre lotados, a falta de atendimento adequado nos postos de saúde e escolas, a batalha diária iniciada as cinco da matina e até mesmo sobre os sonhos de uma casa digna e outras fantasias. Após denúncia anônima a polícia invadiu a casa do elemento e fez o flagrante: lápis, caneta, cadernos em branco; contos, romances e até poemas foram apreendidos. Um policial indignado com os objetos confiscados e o seu conteúdo revelador perdeu a esportiva: queimou ali mesmo alguns livros, rasgou o dicionário com rancor, cuspiu na cara do escritor e disse: -“Escreve agora sobre isso, seu trouxa”. Textos ainda vivos foram enviados para análise no Instituto Médico Legal. Previsões informam que o resultado sairá nos próximos trinta dias. Até lá, o escritor, considerado elemento de alta periculosidade ficará isolado na solitária, juntamente aos seus pensamentos. Após ampla cobertura na primeira página do caderno policial da imprensa, especialistas comentaram o caso defendendo a ação militar, explicando que a censura para situações como esta é algo corriqueiro e tradicional nas democracias verdadeiramente constituídas. Moradores da comunidade local onde a ação foi deflagrada informam que homens encapuzados identificados como membros do esquadrão da morte estão circulando no bairro à caça de amigos e familiares do escritor detido. A alegação foi prontamente desmentida pelo Delegado de polícia que afirmou que o verdadeiro meliante e seus nocivos instrumentos já foram apreendidos e que a partir de agora, todos os cidadãos de bem da cidade podem encostar a cabeça no seu travesseiro e dormirem tranqüilos. Boa noite.
terça-feira, outubro 14, 2008
COMEMORAR O QUÊ?
amanhã é o dia dos professores. algumas pessoas acham que é uma data para celebração, comemoração. ou eu sou um cara muito pessimista e só vejo o lado ruim, negativo das coisas, ou deveria também comemorar. não sei porque mas não consigo.
a educação no brasil é uma das piores no mundo. e não sou eu, o "prof. rodrigo" que está dizendo isso. existem estatísticas que comprovam. se você é como eu que desconfia das estatísticas, procure uma das escolas públicas do seu bairro. confira você mesmo.
na minha escola, apesar de algumas mudanças nos últimos meses - como por exemplo na direção da escola -, parece que não mudou muita coisa. hoje tive que me estressar, e muito, com problemas de alunos do ensino médio no corredor da sétima série. aquilo parecia uma selva: alunos sem camiseta circulando livremente, chutando portas, abrindo hidrantes, invadindo em bloco e sem autorização a sala de aula, gritando, paquerando as minas e, por aí vai. a minha atividade de leitura e interpretação de um texto, foi pro espaço. pior ainda foi aguentar a agressividade verbal - quase física(!) - de um aluno que ficou puto comigo pois eu fui até a direção exigir que desse um jeito naquela situação. "pô professor, o senhor é folgado hein. tá querendo arrastar porquê?", ficava lá gritando o moleque de dezessete anos e maior do que eu do ensino médio querendo me encarar/intimidar. não deixei para trás e conversamos, como homem, dialogando, até porque eu não aceito essa agressividade sem motivo e gratuita. mas, eu começo a mudar o meu pensamento, por mais que doa: a partir de agora a escola pode estar caindo, os alunos colocando fogo, que eu vou fazer como todos: não vi nada, não sei de nada. acho que tenho esse direito também. até porque, "sozim, ninguém guenta"
porque falar não adianta. eu fico gritando para quem deve ouvir - não só aqui no blog, mas dentro das vias institucionais e burocráticas - e parece que eu falo com as paredes. pior: corro o risco de sofre punições administrativas. pior ainda: os alunos - os que tocam o puteiro e tão dominando a escola - estão começando a ficar com raiva de mim por tentar fazer algo que está além da minha competência (botar ordem em TODA a escola) e eu estou vendo que daqui a pouco vão juntar uns dois, três ou quatro e vai sobrar para mim.
enfim, amanhã não é um dia de celebração. não me sinto um profissional competente, não me sinto realizado, não me sinto realizando um bom trabalho. não apenas pelas minhas limitações intelectuais, pedagógicas, mas porque Educação, de verdade é só um bláblábláblá pra todo mundo, que diz que é importante só da boca para fora mas não estão nem aí.
e só para acabar pois o tempo aqui na lan house chegou ao fim, eu penso: celebrar o dia dos professores para que se ninguém mais respeita os professores? quem quer ser professor, de verdade, hoje em dia? quem?
conheço poucos. muitos só vestem o avental. estão longe de honrar com dignidade a profissão.
a educação no brasil é uma das piores no mundo. e não sou eu, o "prof. rodrigo" que está dizendo isso. existem estatísticas que comprovam. se você é como eu que desconfia das estatísticas, procure uma das escolas públicas do seu bairro. confira você mesmo.
na minha escola, apesar de algumas mudanças nos últimos meses - como por exemplo na direção da escola -, parece que não mudou muita coisa. hoje tive que me estressar, e muito, com problemas de alunos do ensino médio no corredor da sétima série. aquilo parecia uma selva: alunos sem camiseta circulando livremente, chutando portas, abrindo hidrantes, invadindo em bloco e sem autorização a sala de aula, gritando, paquerando as minas e, por aí vai. a minha atividade de leitura e interpretação de um texto, foi pro espaço. pior ainda foi aguentar a agressividade verbal - quase física(!) - de um aluno que ficou puto comigo pois eu fui até a direção exigir que desse um jeito naquela situação. "pô professor, o senhor é folgado hein. tá querendo arrastar porquê?", ficava lá gritando o moleque de dezessete anos e maior do que eu do ensino médio querendo me encarar/intimidar. não deixei para trás e conversamos, como homem, dialogando, até porque eu não aceito essa agressividade sem motivo e gratuita. mas, eu começo a mudar o meu pensamento, por mais que doa: a partir de agora a escola pode estar caindo, os alunos colocando fogo, que eu vou fazer como todos: não vi nada, não sei de nada. acho que tenho esse direito também. até porque, "sozim, ninguém guenta"
porque falar não adianta. eu fico gritando para quem deve ouvir - não só aqui no blog, mas dentro das vias institucionais e burocráticas - e parece que eu falo com as paredes. pior: corro o risco de sofre punições administrativas. pior ainda: os alunos - os que tocam o puteiro e tão dominando a escola - estão começando a ficar com raiva de mim por tentar fazer algo que está além da minha competência (botar ordem em TODA a escola) e eu estou vendo que daqui a pouco vão juntar uns dois, três ou quatro e vai sobrar para mim.
enfim, amanhã não é um dia de celebração. não me sinto um profissional competente, não me sinto realizado, não me sinto realizando um bom trabalho. não apenas pelas minhas limitações intelectuais, pedagógicas, mas porque Educação, de verdade é só um bláblábláblá pra todo mundo, que diz que é importante só da boca para fora mas não estão nem aí.
e só para acabar pois o tempo aqui na lan house chegou ao fim, eu penso: celebrar o dia dos professores para que se ninguém mais respeita os professores? quem quer ser professor, de verdade, hoje em dia? quem?
conheço poucos. muitos só vestem o avental. estão longe de honrar com dignidade a profissão.
segunda-feira, outubro 13, 2008
"SE O BARATO É LÔCO E O PROCESSO É LENTO...
no momento, deixa eu caminhar contra o vento."
bom, vamos numa retrospectiva dia a dia - até porque é bom para eu pensar sobre o que tô fazendo da minha vida.
08/10 - quarta: o dia bonito, ou melhor, ou noite linda. foi o lançamento do livro "um segredo no céu da boca - pra nossa mulecada", mais um filho que chega das edições toró e esse, como diz o subtítulo, total responsa, pra nossa mulecada. o livro ficou lindo, jóia rara mesmo, de verdade e, apesar de meu texto ficar diminuído no meio de tanta gente boa que participa, eu tenho orgulho de fazer parte dele. valeu silvio, valeu da rosa, os verdadeiros engenheiros gráficos e poéticos da periferia.
09/10 - quinta: teve literatura (é) possível, com a mulecada da minha escola. encontro caseiro, nóis por nóis mesmo, mas foi muito bacana. estava sentindo falta de tocar nos textos da molecada e, quando eles escreveram, a navalha cortou fundo no estômago. dolorido. de chorar mas também de rir. eita mulecada criativa. para o final do ano estou bolando uma publicaçãozinha com eles, coisa simples, uma revista. aguardem mais informações.
na quinta mesmo, depois do encontro de literatura, eu tomei um rodo. sim, um rodo bonito! meu diretor me comunicou que ele leu o livro, viu as fotos, gostou e tal mas, teve que comunicar à minha dirigente de ensino. o motivo: o uso não autorizado das fotos da escola - sabe, a foto da capa, que mostra uma escola alagada depois de uma reforma de meio milhão de reais? esta mesma.
apesar de não citar o nome da escola no livro, nenhuma informação que leve a mesma, disse que pode dar problema. eu assumi a responsa, disse que sabia da lei - estatuto do funcionalismo público - retrógrada, de 1968, época em que a PM invadia as escolas para retirar professor da sala de aula por falar mal da ditadura militar mas... voltando. disse que sabia da lei mas decidi usar as fotos por: a) opção estética; b) opção política. um por não concordar com o estatuto, como já disse e dois: acho que MAIS GRAVE do que publicar fotos sobre uma escola alagada, com paredes esburacadas, risco de curto-circuito, falta de segurança, higiene e etc é PERMITIR QUE UMA SITUAÇÃO COMO ESTAS OCORRA, ou não? mas, dentro da loucura cotidiana que vivemos, há uma inversão (i)lógica das coisas: crime é denunciar, não quem comete o crime. é, vai saber, talvez eu esteja errado e eles certos e, tudo bem.
só uma coisa: SENTIREI ORGULHO EM SOFRER UMA PUNIÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO PELO ESTADO SE O MOTIVO FOR O LIVRO. NÃO TENHO DO QUE ME ENVERGONHAR, NÃO TENHO DO QUE ME ESCONDER E NÃO ME ARREPENDO DE NADA DO QUE FIZ. FARIA TUDO DE NOVO, PROCURANDO SER MAIS LITERÁRIO E MAIS PROFUNDO NA CRÍTICA.
e na sexta-feira eu desci para a baixada santista, pois
11/12 - sábado: foi dia de Chá na Concha, evento artístico-cultural-antimanicomial que acontece já há dois anos quase em santos, na Concha acústica, um espaço maravilhoso localizado na orla da praia, abandonado há muito tempo pela Prefeitura municipal de lá e que a turma do De Lírios, da qual a Tânia participa, está recuperando. o Chá na Concha foi lindo, muita gente, muita criança brincando, pintando, ouvindo um som, declamando poesia, curtindo a brisa do mar. aviso: quem não foi ou não conhece o chá na concha, não sabe o que está perdendo. e desculpinha de que fica em Santos, não cola. se quiser ir no próximo, é só dar um toque que hospedagem a gente garante, certo?
12/12 - domingo: dia das crianças, amanheceu chovendo na praia, ainda assim eu e tânia e sua mãe fomos para o Guarujá encontrar nossos sobrinhos, cunhados, cachorro, gato, periquito e outras personas bem gratas por lá. apesar do tempo fechado, deu pra curtir uma areia lá na praia do tombo, bater uma bolinha, pegar umas onda e até uma corzinha. eita final de semana bom, desligado de tudo, desligado da vida, da tecnologia, da poluição, da pressão de ser paulista e só curtindo o mar, areia, praia, junto com parte da família. nem queria vir embora mas, fazer o que, a gente precisa encarar a realidade e segunda é dia de trampo, não tem jeito.
no mais, é isso aí. sábado estarei na ação educativa num evento organizado pelo IPJ. falarei sobre o Literatura (é) Possível, a partir das 13hs. quem quiser, é só colar pra gente se ver, conversar, se abraçar, tomar um suco e trocar umas idéias.
ou então a gente vai conversando neste monólogo tecladístico por aqui memo.
abraço,
r.c.
bom, vamos numa retrospectiva dia a dia - até porque é bom para eu pensar sobre o que tô fazendo da minha vida.
08/10 - quarta: o dia bonito, ou melhor, ou noite linda. foi o lançamento do livro "um segredo no céu da boca - pra nossa mulecada", mais um filho que chega das edições toró e esse, como diz o subtítulo, total responsa, pra nossa mulecada. o livro ficou lindo, jóia rara mesmo, de verdade e, apesar de meu texto ficar diminuído no meio de tanta gente boa que participa, eu tenho orgulho de fazer parte dele. valeu silvio, valeu da rosa, os verdadeiros engenheiros gráficos e poéticos da periferia.
09/10 - quinta: teve literatura (é) possível, com a mulecada da minha escola. encontro caseiro, nóis por nóis mesmo, mas foi muito bacana. estava sentindo falta de tocar nos textos da molecada e, quando eles escreveram, a navalha cortou fundo no estômago. dolorido. de chorar mas também de rir. eita mulecada criativa. para o final do ano estou bolando uma publicaçãozinha com eles, coisa simples, uma revista. aguardem mais informações.
na quinta mesmo, depois do encontro de literatura, eu tomei um rodo. sim, um rodo bonito! meu diretor me comunicou que ele leu o livro, viu as fotos, gostou e tal mas, teve que comunicar à minha dirigente de ensino. o motivo: o uso não autorizado das fotos da escola - sabe, a foto da capa, que mostra uma escola alagada depois de uma reforma de meio milhão de reais? esta mesma.
apesar de não citar o nome da escola no livro, nenhuma informação que leve a mesma, disse que pode dar problema. eu assumi a responsa, disse que sabia da lei - estatuto do funcionalismo público - retrógrada, de 1968, época em que a PM invadia as escolas para retirar professor da sala de aula por falar mal da ditadura militar mas... voltando. disse que sabia da lei mas decidi usar as fotos por: a) opção estética; b) opção política. um por não concordar com o estatuto, como já disse e dois: acho que MAIS GRAVE do que publicar fotos sobre uma escola alagada, com paredes esburacadas, risco de curto-circuito, falta de segurança, higiene e etc é PERMITIR QUE UMA SITUAÇÃO COMO ESTAS OCORRA, ou não? mas, dentro da loucura cotidiana que vivemos, há uma inversão (i)lógica das coisas: crime é denunciar, não quem comete o crime. é, vai saber, talvez eu esteja errado e eles certos e, tudo bem.
só uma coisa: SENTIREI ORGULHO EM SOFRER UMA PUNIÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO PELO ESTADO SE O MOTIVO FOR O LIVRO. NÃO TENHO DO QUE ME ENVERGONHAR, NÃO TENHO DO QUE ME ESCONDER E NÃO ME ARREPENDO DE NADA DO QUE FIZ. FARIA TUDO DE NOVO, PROCURANDO SER MAIS LITERÁRIO E MAIS PROFUNDO NA CRÍTICA.
e na sexta-feira eu desci para a baixada santista, pois
11/12 - sábado: foi dia de Chá na Concha, evento artístico-cultural-antimanicomial que acontece já há dois anos quase em santos, na Concha acústica, um espaço maravilhoso localizado na orla da praia, abandonado há muito tempo pela Prefeitura municipal de lá e que a turma do De Lírios, da qual a Tânia participa, está recuperando. o Chá na Concha foi lindo, muita gente, muita criança brincando, pintando, ouvindo um som, declamando poesia, curtindo a brisa do mar. aviso: quem não foi ou não conhece o chá na concha, não sabe o que está perdendo. e desculpinha de que fica em Santos, não cola. se quiser ir no próximo, é só dar um toque que hospedagem a gente garante, certo?
12/12 - domingo: dia das crianças, amanheceu chovendo na praia, ainda assim eu e tânia e sua mãe fomos para o Guarujá encontrar nossos sobrinhos, cunhados, cachorro, gato, periquito e outras personas bem gratas por lá. apesar do tempo fechado, deu pra curtir uma areia lá na praia do tombo, bater uma bolinha, pegar umas onda e até uma corzinha. eita final de semana bom, desligado de tudo, desligado da vida, da tecnologia, da poluição, da pressão de ser paulista e só curtindo o mar, areia, praia, junto com parte da família. nem queria vir embora mas, fazer o que, a gente precisa encarar a realidade e segunda é dia de trampo, não tem jeito.
no mais, é isso aí. sábado estarei na ação educativa num evento organizado pelo IPJ. falarei sobre o Literatura (é) Possível, a partir das 13hs. quem quiser, é só colar pra gente se ver, conversar, se abraçar, tomar um suco e trocar umas idéias.
ou então a gente vai conversando neste monólogo tecladístico por aqui memo.
abraço,
r.c.
terça-feira, outubro 07, 2008
INDIFERENÇA
solidariedade eu aguardo dos cães
vira-latas
dos homens, nada.
estou cansado desses vampiros
que chupam até a coleira
e não devolvem o osso
vira-latas
dos homens, nada.
estou cansado desses vampiros
que chupam até a coleira
e não devolvem o osso
CHÁ NA CONCHA
CONVITE
clique nas imagens para ampliá-las


- nesta quarta-feira, dia 08 de outubro, a edições Toró lançam mais um livro pra nossa alegria, o "Um segredo no céu da boca". este livro está muito bacana, vinte e tres autores foram convidados para escrever contos ou poemas pra nossa mulecada, e o resultado está aí. os livros serão vendidos pelos autores, a cota é pequena então, se tiver interesse, corra para adquirir o seu;
- no sábado, dia 18 de outubro, estarei na Ação Educativa a convite do Instituto Paulista da Juventude, para falar sobre as atividades literárias desenvolvidas na escola, tanto o sarau quanto o Literatura (é) Possível.
a gente se tromba por aí.
segunda-feira, outubro 06, 2008
QUE DIA!
ontem foi um dia complicado para mim.
pleno domingão, acordei as cinco horas da matina. fazia frio, chuva. quem disse que o corpo queria levantar da cama? mas não tinha jeito. era dia de eleição e eu seria mesário-presidente da minha seção então, vamos lá. deixei Tânia dormindo na cama quentinha e fui para a minha casa.
rotina normal. tomei um banho quente pra despertar, escovei os dentes, arrumei minhas roupas e, 'bora. peguei o meu carrinho que acabei de pagar as parcelas há menos de um mês e fui em direção a zona leste. parei no cruzamento da avenida do estado, farol vermelho, esperei. vi que estava sem o cinto de segurança, coloquei o cinto - "tá chovendo muito, pensei" - o farol abriu, os carros avançaram, eu avancei, passamos o primeiro cruzamento, no segundo, eu só vi o vulto:
- PLAW!
quando percebi estava segurando o volante, o carro girando tal como se fosse a avenida uma pista de patinação a gelo. o carro rodopiou três vezes, parou chegando próximo a uma mureta, na direção contrária da avenida. deu tempo ainda de olhar o retrovisor e ver o carro que tinha me batido avançando sem controle nenhum, raspando e subindo a lateral direita na mureta que dividia as pistas.
car@s amig@s, isto não é ficção. ontem eu sofri um acidente de carro. só Deus sabe como eu tô aqui. bom, não era a minha hora.
nem eu nem a pessoa do outro carro nos machucamos, fisicamente falando. só sei que na hora que eu desci eu quase não poderia responder o meu nome. chovia ainda, bastante, os três ali - o outro carro tinha o motorista e um passageiro - feito pinto molhados, na pista. eles vieram falar comigo meio agressivos - estavam em dois -, apesar de terem passado no farol vermelho, mas não pegou nada. eu consegui ligar para os meus pais, as únicas pessoas que vieram na minha mente naquele momento e acionar a Polícia Militar para registrar o B.O. e fiquei por ali, dentro do carro, tentando entender o que estava acontecendo.
o que me deixou muito triste, além da batida do automóvel, é que havia vários carros bem próximos no momento do acidente, inclusive um ônibus. e ninguém, NINGUÉM parou. nem sequer para ver se havia vítimas, se as pessoas estavam bem, já que o choque foi bem feio. ninguém parou, ninguém voltou, as pessoas simplesmente seguiram.
bem-vindo ao nosso mundo, né não?
os carros ficaram bem detonados. eu consegui levar o meu para casa, já que estava bem próximo, com a lateral direita e a frente bem zoadas. o outro carro teve que ser guinchado: quebrou a barra de direção e as duas rodas da lateral direita foram comidas pela mureta. no mais, o meu celtinha 03 tem seguro mas, prejú agora tendo que pagar a franquia - o mocinho que passou o farol vermelho não está querendo pagar.
bom, apesar dos pesares eu ainda fui trabalhar. não queria ficar em casa pensando no que aconteceu, não queria mais complicações depois para justificar a minha ausência então, fui. até ao meio-dia eu estava totalmente aéreo, não consegui fazer nada mas, depois do almoço, trabalhei tranquilo.
para prefeita votei na marta e vereador no Nabil Nonbuki (professor da FAU-USP, ligado à movimentos de moradia, proponente da lei que criou o VAI entre outras coisas). a Marta foi para o segundo turno, em segundo lugar (!), o Nabil, apesar da votação expressiva (mais de 24.000 votos) não conseguiu ser eleito, já que os vereadores mais bem votados acabam puxando alguns "nanicos". a bancada ligada a esquerda diminuiu e, caso a Marta ganhe, vai ter problemas com o legislativo pois dificilmente vai conseguir maioria.
no mais, estou correndo atrás dos meus prejuízos, tirando a minha primeira folga TRE para resolver o problema do acidente e corrigir provas e trabalhos, se tiver cabeça e é isso.
apesar dos pesares, é muito bom estar vivo. é o que pensava após rodar sem controle dentro do carro: é Rodrigão, que sorte hein? é, é muito bom estar vivo.
pleno domingão, acordei as cinco horas da matina. fazia frio, chuva. quem disse que o corpo queria levantar da cama? mas não tinha jeito. era dia de eleição e eu seria mesário-presidente da minha seção então, vamos lá. deixei Tânia dormindo na cama quentinha e fui para a minha casa.
rotina normal. tomei um banho quente pra despertar, escovei os dentes, arrumei minhas roupas e, 'bora. peguei o meu carrinho que acabei de pagar as parcelas há menos de um mês e fui em direção a zona leste. parei no cruzamento da avenida do estado, farol vermelho, esperei. vi que estava sem o cinto de segurança, coloquei o cinto - "tá chovendo muito, pensei" - o farol abriu, os carros avançaram, eu avancei, passamos o primeiro cruzamento, no segundo, eu só vi o vulto:
- PLAW!
quando percebi estava segurando o volante, o carro girando tal como se fosse a avenida uma pista de patinação a gelo. o carro rodopiou três vezes, parou chegando próximo a uma mureta, na direção contrária da avenida. deu tempo ainda de olhar o retrovisor e ver o carro que tinha me batido avançando sem controle nenhum, raspando e subindo a lateral direita na mureta que dividia as pistas.
car@s amig@s, isto não é ficção. ontem eu sofri um acidente de carro. só Deus sabe como eu tô aqui. bom, não era a minha hora.
nem eu nem a pessoa do outro carro nos machucamos, fisicamente falando. só sei que na hora que eu desci eu quase não poderia responder o meu nome. chovia ainda, bastante, os três ali - o outro carro tinha o motorista e um passageiro - feito pinto molhados, na pista. eles vieram falar comigo meio agressivos - estavam em dois -, apesar de terem passado no farol vermelho, mas não pegou nada. eu consegui ligar para os meus pais, as únicas pessoas que vieram na minha mente naquele momento e acionar a Polícia Militar para registrar o B.O. e fiquei por ali, dentro do carro, tentando entender o que estava acontecendo.
o que me deixou muito triste, além da batida do automóvel, é que havia vários carros bem próximos no momento do acidente, inclusive um ônibus. e ninguém, NINGUÉM parou. nem sequer para ver se havia vítimas, se as pessoas estavam bem, já que o choque foi bem feio. ninguém parou, ninguém voltou, as pessoas simplesmente seguiram.
bem-vindo ao nosso mundo, né não?
os carros ficaram bem detonados. eu consegui levar o meu para casa, já que estava bem próximo, com a lateral direita e a frente bem zoadas. o outro carro teve que ser guinchado: quebrou a barra de direção e as duas rodas da lateral direita foram comidas pela mureta. no mais, o meu celtinha 03 tem seguro mas, prejú agora tendo que pagar a franquia - o mocinho que passou o farol vermelho não está querendo pagar.
bom, apesar dos pesares eu ainda fui trabalhar. não queria ficar em casa pensando no que aconteceu, não queria mais complicações depois para justificar a minha ausência então, fui. até ao meio-dia eu estava totalmente aéreo, não consegui fazer nada mas, depois do almoço, trabalhei tranquilo.
para prefeita votei na marta e vereador no Nabil Nonbuki (professor da FAU-USP, ligado à movimentos de moradia, proponente da lei que criou o VAI entre outras coisas). a Marta foi para o segundo turno, em segundo lugar (!), o Nabil, apesar da votação expressiva (mais de 24.000 votos) não conseguiu ser eleito, já que os vereadores mais bem votados acabam puxando alguns "nanicos". a bancada ligada a esquerda diminuiu e, caso a Marta ganhe, vai ter problemas com o legislativo pois dificilmente vai conseguir maioria.
no mais, estou correndo atrás dos meus prejuízos, tirando a minha primeira folga TRE para resolver o problema do acidente e corrigir provas e trabalhos, se tiver cabeça e é isso.
apesar dos pesares, é muito bom estar vivo. é o que pensava após rodar sem controle dentro do carro: é Rodrigão, que sorte hein? é, é muito bom estar vivo.
sábado, outubro 04, 2008
SARAU
Terça-feira, dia 30 de setembro, foi dia de Sarau na minha escola, o primeiro deste Semestre. Fazia tempo que o sarau não acontecia, por motivos diversos, e os alunos estavam cobrando.
Foram cinco salas: 8ªA e C, 6ªs A e B e 7ªB. Em algumas os alunos bem empolgados, noutras, não muito, preferiram ficar lendo à declamar, mas no geral foi muito bom. A pedido dos alunos eu levei um violãozinho e no final dos Saraus - onde a literatura é soberana - rolou até um somzinho.
No ambiente intoxicado da escola pública, é mais do que necessário estes momentos de poesia viva para recarregar um pouco as baterias e, ir seguindo.
Veja aí algumas fotos
Nayara fazendo leitura de um conto de um livro aí, "Te Pego Lá Fora"
Foram cinco salas: 8ªA e C, 6ªs A e B e 7ªB. Em algumas os alunos bem empolgados, noutras, não muito, preferiram ficar lendo à declamar, mas no geral foi muito bom. A pedido dos alunos eu levei um violãozinho e no final dos Saraus - onde a literatura é soberana - rolou até um somzinho.
No ambiente intoxicado da escola pública, é mais do que necessário estes momentos de poesia viva para recarregar um pouco as baterias e, ir seguindo.
Veja aí algumas fotos
Adriana, concentrada na leitura do Gibi
Professor babão também participa do sarau - rs
Henrique e Levy, "Pelas Periferias do Brasil"
Beatriz e Nayara
Essa molecadinha é fogo, tiram um som do corpo: Jefferson, Rafael, Washington, Julia, João e Luis. Muito bom, muito bom...
Karyane com "Negrices em flor"
Douglas com o "Sarau Elo da Corrente"
Denis com "De Passagem mas Não a Passeio"
Rafael com o "Justiça para a Periferia"
Alex Sandro
sexta-feira, outubro 03, 2008
EM FASE DE DESCONSTRUÇÃO
minha vida ultimamente anda como uma montanha russa: cheia de altos e baixos, curvas em alta velocidade, bruscas paradas. nada de reclamação, apenas uma constatação: as vezes eu não dou conta. nos últimos tempos, esta sensação é muito frequente e nítida.
há mais de dois meses que não produzo nada, não escrevo. há quase um mês que não vou na cooperifa. há tempos que não vejo bons amigos, não desejo parabéns e felicidades a outros, não converso, não viajo, não respiro, não faço as coisas como gostaria. você também se sente assim?
o foda é ainda aguentar amigos, família, cachorro, papagaio, periquito e galinha reclamando disso tudo. como se eu fizesse de propósito, como se fosse displicente, como se não tivesse nem aí, como se eu gostasse dessa situação. só uma coisa: eu estou aí sim, infelizmente para muita coisa - acho que este é o problema. quero abraçar o mundo e algumas vezes não consigo abraçar nem a pessoa na minha frente. ah!
hoje foi-está sendo um bom dia para mim. não tive aula pois a escola foi pedida pelo TRE então, dormi até as 09hs, não tomei café, não fiz nada. só fiquei vendo um filme na tv a gato, almocei na minha mãe e agora aqui, ouvindo um som com tim maia e o cazuza. a noite eu quero mais encher a cara até cair na cama e dormir.
quarta-feira eu fiz a inscrição para o concurso de remoção da escola. trocando em miúdos, para quem não entende, inscrevi-me numa prova para ir para outra escola, outro lugar. o único pedido foi para Santos. juntar as escovas lá, com a Tânia, que já está morando por lá e trabalhando na prefeitura. vamos ver no que dá: se eu consigo a transferência e se dá tudo certo.
acho que eu estou precisando é disso mesmo: o barulho das ondas do mar e água de cocô. no momento, acho que não estou precisando de outra coisa na vida.
há mais de dois meses que não produzo nada, não escrevo. há quase um mês que não vou na cooperifa. há tempos que não vejo bons amigos, não desejo parabéns e felicidades a outros, não converso, não viajo, não respiro, não faço as coisas como gostaria. você também se sente assim?
o foda é ainda aguentar amigos, família, cachorro, papagaio, periquito e galinha reclamando disso tudo. como se eu fizesse de propósito, como se fosse displicente, como se não tivesse nem aí, como se eu gostasse dessa situação. só uma coisa: eu estou aí sim, infelizmente para muita coisa - acho que este é o problema. quero abraçar o mundo e algumas vezes não consigo abraçar nem a pessoa na minha frente. ah!
hoje foi-está sendo um bom dia para mim. não tive aula pois a escola foi pedida pelo TRE então, dormi até as 09hs, não tomei café, não fiz nada. só fiquei vendo um filme na tv a gato, almocei na minha mãe e agora aqui, ouvindo um som com tim maia e o cazuza. a noite eu quero mais encher a cara até cair na cama e dormir.
quarta-feira eu fiz a inscrição para o concurso de remoção da escola. trocando em miúdos, para quem não entende, inscrevi-me numa prova para ir para outra escola, outro lugar. o único pedido foi para Santos. juntar as escovas lá, com a Tânia, que já está morando por lá e trabalhando na prefeitura. vamos ver no que dá: se eu consigo a transferência e se dá tudo certo.
acho que eu estou precisando é disso mesmo: o barulho das ondas do mar e água de cocô. no momento, acho que não estou precisando de outra coisa na vida.
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