quarta-feira, julho 13, 2011

DE ALMA LAVADA

Salve, Rápa.

Peço primeiro desculpas a quem chega por aqui e está encontrando posts cada vez mais defasados. Mas é que estes dias - apesar do recesso na escola - está de correria louca, com mil e uma fitas pra fazer. A principal delas, terminar o meu segundo livro, e é mó responsa, e tá foda. Mas vamo que vamo.

FLIP - Paraty foi simplesmente bonito demais. Sai e cheguei de alma lavada, com outra perpectiva sobre muitas coisas. Mais calmo, mais tranquilo, mas com a mesma pegada de sempre. É bom relaxar de vez em quando.

A expressão "alma lavada" traduz mesmo a sensação de frescor e felicidade que senti nesta FLIP, principalmente no domingo, depois da apresentação na Casa de Cultura. Pra quem já correu de segurança e guarda municipal - por estar vendendo livro! -, pra quem já pegou uma broncopneumonia (por pegar chuva no camping, na barraca), pra quem tem que aturar muita gente mal educada que não sabe minimamente respeitar as pessoas que estão nas ruas - tem algumas que se abaixarem um pouco o nariz, capaz de sair fora do seu eixo de órbita e se esborracharem no chão -, enfim... pra quem já passou vários perrengues, nunca sozinho, ter a oportunidade de subir naquele palco e mandar umas paradas, é um puta orgulho.

Dito em público mas reforçando aqui: agradecimento ao Poeta Sérgio Vaz pelo convite, pela parceria. Você tá ligado, Vazgabundo: tamo junto e misturado.

Bom, retomando um pouco, viajamos eu, Michel, Ingrid e Raka na madrugada de quinta, praticamente. Me perdi no caminho, pegamos transito, e chegamos em Parati no meio da tarde. Tava um pouco frio. Logo em seguida chegaram pra somar também o João Nascimento e a Mar Eu, do Elo da Corrente.

Quinta foi zoado de vendas. Trampo embaçado. Foi bacana mais pra divulgar, conhecer um pouco o ambiente. E o almoço.... Putz. Restaurante zoado, comida cara. Indicação do Berimba, Maloqueirista. Obrigado!

Sexta-feira, fomos cedo para o bang. Muita gente circulando, transitando. Muita, muita gente. Circulando, transitando. Muita, muita gente: circulando, transitando - rs. Porque no mais era isso: uma galera dando altas e altas voltas, salto-agulha dez centímetros pra se equilibrar em cima das pedras. Desfile na ponte. Mas tá valendo.

O almoço foi melhor: 8,00, preço justo, comida caseira, fresca.

A boa da sexta-feira a noite foi um grupo local que tocou na praça: Maracatu, Ciranda de Roda, entre outras coisas. Os caras seguraram bem demais...

Sábadão, sol estralando, dez da matina já estávamos no bang de novo. Mangueando os livros. Esse dia foi da hora, Emerson Alcalde chegou junto com Cristina, Sonia Bischain também. Fizemos a nossa primeira roda de rua, em Paraty, pra recitar uns poemas. Depois, trombamos ainda com o Vaz, Sônia e o Cocão. Time completo. Almoçamos e fomos pro bang de novo.

A noite rolou um evento na OFF-Flip, no bar Zaratustra: Sarau da Cooperifa. Quem mais chegou: Nelson Maca, diretamente da Bahia-Preta, Zinho e Manuel Trindade, Prof. Fábio e Camila de Jesus. Time de peso, apresentação de responsa.

A atividade seguinte foi no domingão e, chave de ouro.

Agradecimento a todos que prestigiaram, estiveram presentes, foram atentos ou ao menos trocaram uma ideia pelas ruas de Paratoza.

E se tudo correr bem, ano que vem tem mais.

Abraço,

R.C.

quarta-feira, julho 06, 2011

POR ESTES (E PELOS PRÓXIMOS) DIAS

salve, rápa.

correria maluca por estes dias, mas finalmente as coisas vão sossegar um pouco pois vou entrar em recesso.

sossegar só um pouco pois neste recesso tenho alguns trampos muito importantes para fazer, entre eles parir um filho. na verdade, falo do meu 2o livro que, de um jeito ou de outro, vou finalizá-lo por estes próximos dias. até porque são três anos e meio trampando em cima dele - desde que eu publiquei o "te pego" já tinha algumas coisas - e estou enjoado da cara desta criança.

bom, pelos dias que se passaram, participei no sábado, 02 de julho, da apresentação dos trabalhos dos jovens e adolescentes do SE LIGA!, ligado ao SESC Santo André. sabadão a noite foi dia de encerrar os trabalhos, participar de uma festa e sarau e ver como ficou os postais-poéticos, produzidos pelos educandos em orientação poética minha e fotográfica da mônica cardim. posso dizer que ficou muito lôko. mas não tenho muitos para dar ou vender. pena.

amanhã estarei de partida para PARATI. mais um ano em caminho da FLIP (Festa Literária Internacional de Parati). o meu quarto, para manguear meus livros. o primeiro em que vou participar de uma atividade OFICIAL do evento. a convite do poeta Sérgio Vaz e do Itaú Cultural, vou participar no domingo, 10 de julho, as 11hs da matina do "Autores em Cena", na Casa de Cultura de Paraty. quem estiver por lá, chega com nóis. somando ainda no bangue Cocão do Versão Popular e Marcelino Freire. (mais detalhes, CLICA AQUI).

acho muito lôko participar da programação oficial sendo que dois anos atrás, junto com outros camaradas de correria, estava correndo dos seguranças e guardas municipais de Parati para eles não apreenderem nossos livros.

e ainda este mês, estarei junto do Poeta em mais um evento: o sarau "Contos e Cantos", no dia 28 de julho, no SESC do Carmo. seremos Sérgio Vaz, Sacolinha, Marco Pezão, Binho e Rodrigo Ciríaco (eu!). 28.07, quinta, a partir das 19hs. (mais detalhes, CLICA AQUI)

bom ver que o trabalho, apesar de duro e árduo, está sendo reconhecido, gerando frutos.

vamos espalhar mais sementes então. para frutificar a mim e a outros, que correm pela gente e com a gente. nossa idéia é essa.

abraço e, a gente se tromba por aí.

r.c.

segunda-feira, julho 04, 2011

LIBERDADE DE EX-PRESSÃO

Não é fácil você ir para um sarau quando sua mãe tem um derrame. Não é fácil você participar de uma sessão de cinema quando o seu pai tem um infarto. Não é fácil você organizar uma reunião cultural de cinco horas de duração em um domingo a noite para discutir a cultura para a quebrada quando seu irmão ex-dependente químico depressivo com sintomas auto-destrutivos está querendo se matar, corre com seu carro a mais de cento e sessenta quilômetros por hora, bate em dois carros, agride pessoas se machuca e diz estar triste por não ter conseguido concluir seu atentado. Não é fácil estar presente para sua família de sangue quando você opta em transformar a comunidade em sua família de bom grado. Não é fácil você explicar para o seu amigo que não foi no aniversário pois tinha um evento com pessoas que você nem conhece pré-agendado. Não é fácil continuar trabalhando em um local que você ganha pouco, não tem apoio, não é valorizado, recebendo melhores proposta mas você fica pois acredita que ali é que faz diferença o seu trabalho e pensar apenas em dinheiro é opção de mesquinhos-paspalhos. Não é fácil bater no martelo da cultura, cultura, cultura, quando você tem que enfrentar a massa, massa, massa, televisiva, radioativa, sensacionalista, explosiva. Não é fácil. E ainda assim a gente faz. E ainda assim a gente insiste. E com todos os problemas e dinheiro limitado e muitas vezes sem apoio do Estado e com a torcida contra de pessoas que não entendem e diz que isso não é seu trabalho isso não é necessário e que você faz coisas demais de graça deveria estar ganhando dinheiro mulheres fama porque você fala bem tem preza é inteligente só precisa deixar de ser otário. E você acredita as vezes que é otário. Por ser ativista, militante, voluntário. Mas você insiste. Pois desde o começo sabia que não seria fácil. E não estou choramingando reclamando pitangas. Isso aqui é só um desabafo. Pois chorar não adianta. Ninguém soube das vezes que você enfiou a cara no travesseiro e deixou as lágrimas rolarem abaixo. Você também não soube dos outros. Pois pra vários, cê tá ligado, que também não é fácil. E desistir nunca foi opção. Pois você não sabe o que fazer se se entregar para a desilusão. Não é fácil. Quando você quer quebrar tudo, prato, cadeira, mesa, televisão, carro e tem que ser racional. Senta e vai espancar o teclado. E escrever este texto pra não mandar tudo pra casa do caralho. Não é fácil. Agora você sabe. Você que está aí do outro lado. Da ponte. Da página. Ninguém aqui escreve pra ficar brincando com a dor. A fita é outra. A gente escreve porque as palavras aqui tem sabor: sangue, suor e lágrimas. Não são meras letras nas mãos do artista-burguês que brincam em bordar, pintar o papel só pra conseguir mais um freguês. As palavras aqui doem. Sem piegas. Cristalizam. Se transformam em sangue pisado. E precisam vazar. Para que nós sejamos lembrados. Nossa história. Bonitas histórias. Que machucam. As histórias nem sempre tem finais felizes. Apesar da gente sempre querer o contrário. E viver remando contra a maré pra atingir isso: este é nosso trabalho. Literatura, teatro. Música, dança, graffite, cinema, pintura. Na quebrada, não é fácil. Então respeite o nosso trabalho. De vocês, não queremos muita coisa. Só respeito ao nosso trabalho. Porque acho que vocês tem uma mínima noção: ele não é fácil.

"RACISTAS OTÁRIOS NOS DEIXEM EM PAZ"

03/07/2011 13h02 - Atualizado em 03/07/2011 13h50

Jovens são presos suspeitos de racismo e agressão a negros em SP

Um dos cinco presos usava camiseta com a inscrição ‘orgulho branco’.
Também foram apreendidos facão e machado, diz Secretaria da Segurança.


Cinco jovens foram presos pela Polícia Civil em São Paulo por suspeita de racismo e agressão a negros na região central da capital durante a madrugada deste domingo (3). A informação é da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Segundo a secretaria, junto com os suspeitos, que têm idades entre 18 e 21 anos, também foram apreendidos um facão, um machado, quatro punhais, três jaquetas e uma camiseta com a inscrição em inglês "White Pride" (orgulho branco, na tradução para o português).

De acordo com a Secretaria da Segurança, policiais civis da 1ª Delegacia Seccional passavam de carro pela Rua Vergueiro, na região da Aclimação, quando um homem de 34 anos acenou pedindo ajuda por volta da 1h deste domingo. Ele disse que tinha sido agredido por um grupo de jovens, que também bateram em mais três de seus amigos.

Os suspeitos foram presos em seguida pelos policiais, que os conduziram ao 5º Distrito Policial, na Aclimação, onde o caso foi registrado.

Um estudante de 21 anos de idade e um orientador socioeducativo de 19, que são negros, manifestaram o desejo de representação pela injúria racial contra os suspeitos. Os presos foram indiciados por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e injúria racial. Eles permanecerão presos à disposição da Justiça, segundo a Secretaria da Segurança.

O G1 não teve acesso aos suspeitos. De acordo com a secretaria, os presos ainda não constituíram advogados para defendê-los das acusações.


domingo, junho 26, 2011

SARAU DOS MESQUITEIROS - JUNHO

(Des)Encontro Literário

com Michel Yakini

Bonito na foto

e no olhar atento da "câmera"

idéias literárias

atenção do público fiel

mano de caminhada e correrias

Andrio Candido e Glauber Marques

Exibição de "Paralelo"

Andrio observando sua cria

Foto da galera

Samuel Cecio cuidando de nossa mesa de riquezas

a galera descontraída

ou concentrada

posando pra foto

ou num bom papo

bom mesmo (mas nem tanto...)

o silêncio é uma prece...

Andrio abrindo o Sarau

Josi e Gabi na cozinha

Mano Michel mandando a letra

Thainá

o público

Camila de Jesus

Dona Izilda, minha mãe, dona Terezinha, Camila (ao fundo) e Mirela

Gabryella

Vander CHE

Rodrigo

Samuel

Janaína, estreando na recita no Sarau

Gabi de Jesus (e dos Mesquiteir@s)

Vitor

Mayra, nas filmagesn

Daniel

Grazi Pi

Camila

Emerson Alcalde

Jéssica

detalhe da mesa de pintura

Joice

trampo do mano Allan, professor do Filomena que chegou com nóis

Vandeí - ou seu Zé

nós também!

quem será?

Mayra, Randerson e Djoy

Thiago Beats e Slim Rimografia

no swingue e na ginga

no verso

no improviso

nos beats e nas rimas

saudações por terem chegado, guerreiros

Quem nós somos? MESQUITEIROS!

Salve, salve, rápa.

Neste sábado, 25 de junho rolou mais um sarau dos Mesquiteiros na Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita.

Como já está virando uma rotina “positiva”, ontem tivemos uma programação mais do que especial: encontro literário com Michel Yakini, do Sarau do Elo da Corrente, exibição do curta-metragem “Paralelo”, direção de Glauber Marques e participação mais do que especial de Andrio Candido e o lançamento do cd-single de Slim Rimografia e Thiago Beats, pra fechar com chave de ouro.

O encontro com o Michel foi muito bonito. Digo isso porque foi uma oportunidade minha e da galera de conhecer um pouco mais da sua história, sua caminhada; seus trampos literários, sua visão sobre a literatura e o processo de criação, além de suas influências. Garanto que quem esteve presente pode se enriquecer mais, literariamente e humanamente falando. E olha que não foram poucas pessoas, pensando principalmente num encontro literário na quebrada, num sábado a noite de feriado prolongado!

Na sequência, o mano Andrio apresentou seu curta-experimental e juntamente com o diretor Glauber Marques deu uma palhinha sobre cinema, a visão estética sobre o negro e a periferia, entre outras paradas.

Quase as sete horas, demos início as poesia, com microfone aberto a quem quisesse participar. Mais de trinta pessoas estiveram inscritas, entre Mesquiteiros, convidados, visitantes. E não foram poucos: tinha gente de Campo Limpo, São Miguel, Embu das Artes, Capão Redondo, Pirituba, Grajaú, Santo André e até da Alemanha... rs.

Por volta das oito e meia foi a vez de Thiago Beats e Slim Rimografia darem um show de talento. Thiago nos Beats impressionou a galera, que algumas vezes pelos olhares questionava se o mano fazia todos aqueles sons apenas com a boca mesmo. Slim mandou uma rima no improviso, outra do disco “Mais que Existir” e um samba muito lôko: “Mas o que que há, Maitê: cê tá com ciúmes da MPC?”, tudo isso com muito swingue, gingado e a colaboração entusiasmada do público.

Enfim, mais uma noite mágica de resistência cultural na quebrada. Pra sentir um pouco, dá um ligo nas fotos.

Próximo mês tem mais. Anota aí, dia 30 de julho, sábado, a partir das 17hs. Exibição do média-metragem “Jennifer”, de Renato Cândido. Apresentação de alguns curtas, produzidos pela galera da Escola, Mesquiteiros, Mundo em Foco e Criar, além do lançamento do livro “Amar é Crime”, de Marcelino Freire.

Ufa. Quem disse que na periferia não da pra curtir?

Mano chega aí, mana chega aí!

É nóis. Um por Todos, Todos por Um.

Rodrigo Ciríaco

Os Mesquiteiros