quarta-feira, julho 13, 2011
DE ALMA LAVADA
quarta-feira, julho 06, 2011
POR ESTES (E PELOS PRÓXIMOS) DIAS
segunda-feira, julho 04, 2011
LIBERDADE DE EX-PRESSÃO
Não é fácil você ir para um sarau quando sua mãe tem um derrame. Não é fácil você participar de uma sessão de cinema quando o seu pai tem um infarto. Não é fácil você organizar uma reunião cultural de cinco horas de duração em um domingo a noite para discutir a cultura para a quebrada quando seu irmão ex-dependente químico depressivo com sintomas auto-destrutivos está querendo se matar, corre com seu carro a mais de cento e sessenta quilômetros por hora, bate em dois carros, agride pessoas se machuca e diz estar triste por não ter conseguido concluir seu atentado. Não é fácil estar presente para sua família de sangue quando você opta em transformar a comunidade em sua família de bom grado. Não é fácil você explicar para o seu amigo que não foi no aniversário pois tinha um evento com pessoas que você nem conhece pré-agendado. Não é fácil continuar trabalhando em um local que você ganha pouco, não tem apoio, não é valorizado, recebendo melhores proposta mas você fica pois acredita que ali é que faz diferença o seu trabalho e pensar apenas em dinheiro é opção de mesquinhos-paspalhos. Não é fácil bater no martelo da cultura, cultura, cultura, quando você tem que enfrentar a massa, massa, massa, televisiva, radioativa, sensacionalista, explosiva. Não é fácil. E ainda assim a gente faz. E ainda assim a gente insiste. E com todos os problemas e dinheiro limitado e muitas vezes sem apoio do Estado e com a torcida contra de pessoas que não entendem e diz que isso não é seu trabalho isso não é necessário e que você faz coisas demais de graça deveria estar ganhando dinheiro mulheres fama porque você fala bem tem preza é inteligente só precisa deixar de ser otário. E você acredita as vezes que é otário. Por ser ativista, militante, voluntário. Mas você insiste. Pois desde o começo sabia que não seria fácil. E não estou choramingando reclamando pitangas. Isso aqui é só um desabafo. Pois chorar não adianta. Ninguém soube das vezes que você enfiou a cara no travesseiro e deixou as lágrimas rolarem abaixo. Você também não soube dos outros. Pois pra vários, cê tá ligado, que também não é fácil. E desistir nunca foi opção. Pois você não sabe o que fazer se se entregar para a desilusão. Não é fácil. Quando você quer quebrar tudo, prato, cadeira, mesa, televisão, carro e tem que ser racional. Senta e vai espancar o teclado. E escrever este texto pra não mandar tudo pra casa do caralho. Não é fácil. Agora você sabe. Você que está aí do outro lado. Da ponte. Da página. Ninguém aqui escreve pra ficar brincando com a dor. A fita é outra. A gente escreve porque as palavras aqui tem sabor: sangue, suor e lágrimas. Não são meras letras nas mãos do artista-burguês que brincam em bordar, pintar o papel só pra conseguir mais um freguês. As palavras aqui doem. Sem piegas. Cristalizam. Se transformam em sangue pisado. E precisam vazar. Para que nós sejamos lembrados. Nossa história. Bonitas histórias. Que machucam. As histórias nem sempre tem finais felizes. Apesar da gente sempre querer o contrário. E viver remando contra a maré pra atingir isso: este é nosso trabalho. Literatura, teatro. Música, dança, graffite, cinema, pintura. Na quebrada, não é fácil. Então respeite o nosso trabalho. De vocês, não queremos muita coisa. Só respeito ao nosso trabalho. Porque acho que vocês tem uma mínima noção: ele não é fácil.
"RACISTAS OTÁRIOS NOS DEIXEM EM PAZ"
03/07/2011 13h02 - Atualizado em 03/07/2011 13h50
Jovens são presos suspeitos de racismo e agressão a negros em SP
Um dos cinco presos usava camiseta com a inscrição ‘orgulho branco’.
Também foram apreendidos facão e machado, diz Secretaria da Segurança.
Cinco jovens foram presos pela Polícia Civil em São Paulo por suspeita de racismo e agressão a negros na região central da capital durante a madrugada deste domingo (3). A informação é da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.
Segundo a secretaria, junto com os suspeitos, que têm idades entre 18 e 21 anos, também foram apreendidos um facão, um machado, quatro punhais, três jaquetas e uma camiseta com a inscrição em inglês "White Pride" (orgulho branco, na tradução para o português).
De acordo com a Secretaria da Segurança, policiais civis da 1ª Delegacia Seccional passavam de carro pela Rua Vergueiro, na região da Aclimação, quando um homem de 34 anos acenou pedindo ajuda por volta da 1h deste domingo. Ele disse que tinha sido agredido por um grupo de jovens, que também bateram em mais três de seus amigos.
Os suspeitos foram presos em seguida pelos policiais, que os conduziram ao 5º Distrito Policial, na Aclimação, onde o caso foi registrado.
Um estudante de 21 anos de idade e um orientador socioeducativo de 19, que são negros, manifestaram o desejo de representação pela injúria racial contra os suspeitos. Os presos foram indiciados por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e injúria racial. Eles permanecerão presos à disposição da Justiça, segundo a Secretaria da Segurança.
O G1 não teve acesso aos suspeitos. De acordo com a secretaria, os presos ainda não constituíram advogados para defendê-los das acusações.
domingo, junho 26, 2011
SARAU DOS MESQUITEIROS - JUNHO
Salve, salve, rápa.
Neste sábado, 25 de junho rolou mais um sarau dos Mesquiteiros na Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita.
Como já está virando uma rotina “positiva”, ontem tivemos uma programação mais do que especial: encontro literário com Michel Yakini, do Sarau do Elo da Corrente, exibição do curta-metragem “Paralelo”, direção de Glauber Marques e participação mais do que especial de Andrio Candido e o lançamento do cd-single de Slim Rimografia e Thiago Beats, pra fechar com chave de ouro.
O encontro com o Michel foi muito bonito. Digo isso porque foi uma oportunidade minha e da galera de conhecer um pouco mais da sua história, sua caminhada; seus trampos literários, sua visão sobre a literatura e o processo de criação, além de suas influências. Garanto que quem esteve presente pode se enriquecer mais, literariamente e humanamente falando. E olha que não foram poucas pessoas, pensando principalmente num encontro literário na quebrada, num sábado a noite de feriado prolongado!
Na sequência, o mano Andrio apresentou seu curta-experimental e juntamente com o diretor Glauber Marques deu uma palhinha sobre cinema, a visão estética sobre o negro e a periferia, entre outras paradas.
Quase as sete horas, demos início as poesia, com microfone aberto a quem quisesse participar. Mais de trinta pessoas estiveram inscritas, entre Mesquiteiros, convidados, visitantes. E não foram poucos: tinha gente de Campo Limpo, São Miguel, Embu das Artes, Capão Redondo, Pirituba, Grajaú, Santo André e até da Alemanha... rs.
Por volta das oito e meia foi a vez de Thiago Beats e Slim Rimografia darem um show de talento. Thiago nos Beats impressionou a galera, que algumas vezes pelos olhares questionava se o mano fazia todos aqueles sons apenas com a boca mesmo. Slim mandou uma rima no improviso, outra do disco “Mais que Existir” e um samba muito lôko: “Mas o que que há, Maitê: cê tá com ciúmes da MPC?”, tudo isso com muito swingue, gingado e a colaboração entusiasmada do público.
Enfim, mais uma noite mágica de resistência cultural na quebrada. Pra sentir um pouco, dá um ligo nas fotos.
Próximo mês tem mais. Anota aí, dia 30 de julho, sábado, a partir das 17hs. Exibição do média-metragem “Jennifer”, de Renato Cândido. Apresentação de alguns curtas, produzidos pela galera da Escola, Mesquiteiros, Mundo em Foco e Criar, além do lançamento do livro “Amar é Crime”, de Marcelino Freire.
Ufa. Quem disse que na periferia não da pra curtir?
Mano chega aí, mana chega aí!
É nóis. Um por Todos, Todos por Um.
Rodrigo Ciríaco
Os Mesquiteiros