quinta-feira, janeiro 11, 2007
As vezes, tudo o que eu preciso
Foto tirada do Planalto Central, as 05h36 AM, nascer do Sol, de dentro do ônibus de excursão dos alunos de História do Brasil Independente II/USP. Trabalho de Campo feito em 2004 consistiu numa viagem à Brasília, Goiás Velho e Goiânia, e visitas a pessoas ligadas ao MST (Movimento Sem Terra) e a CPT (Comissão Pastoral da Terra).
Muita injustiça e matança pelos latifúndios do Brasil mas, esta foto é para celebrar a Vida!
R.C.
Saboreie com/sem moderação!
diretamente extraído do Orkut de uma pessoa especial, aí vai:
“O mínimo que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão propícia aos ladrões, aos assassinos, aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não deserdamos do nosso posto”.
Érico Veríssimo, "Solo de Clarineta"
“O mínimo que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão propícia aos ladrões, aos assassinos, aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não deserdamos do nosso posto”.
Érico Veríssimo, "Solo de Clarineta"
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Com a palavra, Zeca:
Ai, Galera, vendo as manchetes dos jornais de hoje, só veio a confirmar a observação de uns 3 meses para cá, quanto a tal reforma da Praça da Sé pelo Poder Público. Eles colocaram tapumes, o que para reformas são importantes, porém aquelas fotos que eles colocam mostrando uma Utópica Praça da Sé (mais limpa, mais bonita, mais organizada) é propaganda para inglês ver. Explico: os jornais de hoje noticiam que ao redor do famoso espelho d'agua da Sé está sendo construindo FOSSAS de LAMA e muretas ponteagudas para as pessoas que eventualmente lavam suas roupas e tomam banho não possam mais fazer isto. Ora que MERDA de Politica Pública é está??? O Prefeito Kassab está tratando de pessoas como se fossem PORCOS? Explico: se a pessoa pula a mureta conseguindo chegar ao espelho d'agua e consegue se lavar, quando ele voltar vai se sujar de Lama nestas fossas que estaõ sendo abertas. Infelizmente o povo paulista continua dando "Pérolas aos verdadeiros PORCOS" em época de eleição, elegendo sim estes que são verdadeiros PORCOS no campo das idéias de se fazer Politicas Publicas para um segmento da população já tão desrespeitado. Mas dia de 19 de Janeiro vai ter Dia de Luta do Povo de Rua e este tipo de atitude da Prefeitura só nos da força para continuar na luta!
José Fernandes Júnior, o Zeca, é vendedor da revista Ocas"
www.ocas.org.br
José Fernandes Júnior, o Zeca, é vendedor da revista Ocas"
www.ocas.org.br
Novas obras do nosso Prefeito!
Notícias Populares 2
Saúde Pública – Assistência Social
Praça da Sé terá canteiros de banho de lama a antigos banhistas
São Paulo 10/01/2007 - por Rodrigo Ciríaco
Prefeito Gilberto
QuemSabe?
Dá continuidade à maestria obra
Tucano-Pefelista
De revitalização
Da região Central de São Paulo.
Canteiros Públicos de Lama
Serão inaugurados
Ao redor do já conhecido
Espelho d’água
Na Praça da Sé,
Local freqüentemente utilizado
Para o banho
De adultos e crianças
Em situação de rua
Quebrando o estereótipo de que
Quem sobrevive na rua
Só tem fome de comida!
O digníssimo prefeito
Diz-se preocupado
Com a saúde e as condições de vida
Desta tão desprezada
População
E que sua estimada obra,
Projeto de Política Pública
Na tendência de uma rampa já instalada
Na luxuosa Avenida Paulista
Atende demandas antigas
De movimentos e organizações
Representantes deste setor.
Em declarações
Extra-oficiais
O excelentíssimo prefeito
Afirma esperar ainda
Uma maior integração
Durante os banhos de lama
Entre a população de rua
Atual ocupante das ruas, albergues
E bocas de rango do centro
E dos futuros postulantes
Sempre-novos-ricos
Loucos para retomar
A grandiloqüência
Do que dizem ser
O abandonado
Centro da cidade.
Grande festa foi agendada
Para o dia de sua
Apresentação.
Fofocas ressaltam que
O Sr. Prefeito pretende
No dia da Inauguração
Juntar alguns de seus
‘Alcaides’
Botar o seu melhor
Traje de banho
E atolar-se
Na própria lama
Provando a eficácia dos efeitos
Estéticos e medicinais
De sua nova obra-prima
Na antiga piscina.
Convites a Autoridades,
Celebridades e outros
Verdadeiros representantes
Da tão sempre honrada
População paulistana
Estão sendo distribuídos!
Ação Higienista da Prefeitura!
Folha de São Paulo - Cotidiano
São Paulo, quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Praça da Sé terá canteiros antibanho
Fossos foram projetados para dificultar o acesso ao espelho d'água, onde moradores de rua da região costumam se lavar
Espaços serão preenchidos com terra muito úmida e plantas, terão largura mínima de dois metros e bordas em forma de cunha
FLÁVIO FERREIRADO "AGORA"
A praça da Sé, que terá sua reforma concluída pela prefeitura até o final deste mês ou o começo de fevereiro, vai ganhar canteiros ao redor do espelho d'água, concebidos para dificultar o acesso a ele. Antes do início das obras, em 2005, a lâmina d'água costumava ser usada para banhos por moradores e crianças de rua.Os engenheiros encarregados pelas obras chamam os fossos de "canteiros alagados". Ao todo, serão construídos 16, com alturas entre 30 cm e 60 cm, ao redor do espelho d'água. Pelo projeto, um sistema hidráulico fará com que a terra dos canteiros esteja sempre molhada. Na superfície serão colocadas plantas que vivem em terrenos com muita umidade.O projeto inclui outras barreiras para dificultar o acesso à lâmina d'água. Os canteiros terão largura mínima de dois metros e suas bordas terão a forma de cunha, para impedir que alguém tente se equilibrar nelas.Apenas dois trechos do espelho d'água não terão canteiros alagados ao seu redor. É porque o desnível entre o piso e a água será de 2 m em um dos locais e de 3 m no outro.Os canteiros antibanho lembram as rampas antimendigo construídas pela prefeitura na passagem subterrânea que liga a avenida Paulista à Doutor Arnaldo. Os pisos inclinados, com superfície áspera, desalojaram os moradores de rua que costumavam dormir nesse local.A medida foi tomada em setembro de 2005, pelo então prefeito José Serra (PSDB), sucedido no começo de 2006 pelo seu vice, Gilberto Kassab (PFL).Em 2005, quando a reforma da praça da Sé foi anunciada, seu projeto já incluía mudanças destinadas a desestimular a presença de moradores de rua.Um exemplo era a remoção dos vãos entre os canteiros, que acabavam servindo de abrigo para moradores de rua e desestimulando a circulação de pedestres pelo interior da praça.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1001200717.htm
Prefeitura diz que reforma visa segurança
DA REPORTAGEM LOCAL
A assessoria de imprensa da prefeitura negou que o projeto de reforma da praça da Sé tenha criado um "fosso antimendigo". O objetivo da reforma, de acordo com a assessoria, foi melhorar a segurança para os usuários do local.Porém, a assessoria afirmou que o projeto da reforma também teve o objetivo de dificultar o acesso aos espelhos d'água instalados na praça.Antes, conforme a prefeitura, os canteiros eram altos e isso criou locais onde as pessoas podiam se esconder, o que aumentava a sensação de insegurança dos usuários.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1001200718.htm
São Paulo, quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Praça da Sé terá canteiros antibanho
Fossos foram projetados para dificultar o acesso ao espelho d'água, onde moradores de rua da região costumam se lavar
Espaços serão preenchidos com terra muito úmida e plantas, terão largura mínima de dois metros e bordas em forma de cunha
FLÁVIO FERREIRADO "AGORA"
A praça da Sé, que terá sua reforma concluída pela prefeitura até o final deste mês ou o começo de fevereiro, vai ganhar canteiros ao redor do espelho d'água, concebidos para dificultar o acesso a ele. Antes do início das obras, em 2005, a lâmina d'água costumava ser usada para banhos por moradores e crianças de rua.Os engenheiros encarregados pelas obras chamam os fossos de "canteiros alagados". Ao todo, serão construídos 16, com alturas entre 30 cm e 60 cm, ao redor do espelho d'água. Pelo projeto, um sistema hidráulico fará com que a terra dos canteiros esteja sempre molhada. Na superfície serão colocadas plantas que vivem em terrenos com muita umidade.O projeto inclui outras barreiras para dificultar o acesso à lâmina d'água. Os canteiros terão largura mínima de dois metros e suas bordas terão a forma de cunha, para impedir que alguém tente se equilibrar nelas.Apenas dois trechos do espelho d'água não terão canteiros alagados ao seu redor. É porque o desnível entre o piso e a água será de 2 m em um dos locais e de 3 m no outro.Os canteiros antibanho lembram as rampas antimendigo construídas pela prefeitura na passagem subterrânea que liga a avenida Paulista à Doutor Arnaldo. Os pisos inclinados, com superfície áspera, desalojaram os moradores de rua que costumavam dormir nesse local.A medida foi tomada em setembro de 2005, pelo então prefeito José Serra (PSDB), sucedido no começo de 2006 pelo seu vice, Gilberto Kassab (PFL).Em 2005, quando a reforma da praça da Sé foi anunciada, seu projeto já incluía mudanças destinadas a desestimular a presença de moradores de rua.Um exemplo era a remoção dos vãos entre os canteiros, que acabavam servindo de abrigo para moradores de rua e desestimulando a circulação de pedestres pelo interior da praça.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1001200717.htm
Prefeitura diz que reforma visa segurança
DA REPORTAGEM LOCAL
A assessoria de imprensa da prefeitura negou que o projeto de reforma da praça da Sé tenha criado um "fosso antimendigo". O objetivo da reforma, de acordo com a assessoria, foi melhorar a segurança para os usuários do local.Porém, a assessoria afirmou que o projeto da reforma também teve o objetivo de dificultar o acesso aos espelhos d'água instalados na praça.Antes, conforme a prefeitura, os canteiros eram altos e isso criou locais onde as pessoas podiam se esconder, o que aumentava a sensação de insegurança dos usuários.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1001200718.htm
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Aviso aos Navegantes

Car@s navegantes que acessam este blog:
Estou inteiramente envolvido em um projeto pessoal - espero poder comunicar logo por aqui - e escasso está o tempo para escrever ou pensar coisas para este blog.
Acredito que na próxima semana já estarei mais tranquilo e voltarei a postar fotos, poemas, textos.
Enquanto isso, deixo como sugestão a (re)leitura de textos já postados, ou os links, aqui neste blog indicados, de Amigos e/ou pessoas que admiro.
Saudações da terra da Garoa - ultimamente com fortes chuvas, enchentes e 'mais do mesmo' sempre desgraças...
R.C.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Confissões

Lembra dos dias que passamos juntos?
Tardes de verão regadas a pancadas de chuvas,
Amor e Disposição,
Sem fim?
Quantos beijos nos demos?
Quantas vezes nos abraçamos?
Quantas vezes acariciei a sua pele lisa,
Perna fina coxa grossa sobre o meu nem sempre duro membro?
Deitados lado a lado no sofá não nos reconhecíamos
Ondeterminaeuecomeçavocê?
Já não sei.
Somos dois animais.
Mas lembro-me bem de traçar seus contornos
Em minha retina.
Baixa manhã, deitada sobre a cama
Pequena fresta de janela aberta
Você nua, a luz do sol ardia.
E nós nos amávamos feito dois animais...
Disso me lembro.
De seu doce olhar na porta do banheiro,
Espiando, sutilmente me despia.
Ou quando me abraçava, me beijava
E dizia me querer por inteiro
Na cama, na mesa da sala,
No sofá ou em cima da pia.
Esta noite
A vida inteira,
Só você
e
Eu.
Eu em Você.
Tua língua, minha nuca,
Teu pescoço.
Teu seio em minha boca
Meu membro em tua vagina.
Sussuros, besteiras ao pé do ouvido
Um gozo, e abraços
e beijos.
Só eu e você.
Feito dois animais.
Tudo Pela Dinha
DEBATE ABERTO
Direito de Sonhar
O futuro dos jovens está ameaçado. Em 22 anos, foram 100 mil jovens pobres mortos. Os números deveriam ser suficientes para uma mobilização nacional, uma marcha pelo direito do jovem ter a perspectiva do amanhã.
Luciana Burlamaqui
O futuro dos jovens no Brasil está ameaçado. Pesquisas divulgadas na última semana pela revista Carta Capital revelam números que comprovam a falta de perspectiva de vida da juventude pobre brasileira. Uma delas, “Homicídios de Crianças e Jovens no Brasil 1980-1992”, lançada em novembro passado, pelo Núcleo de Estudos de Violência (NEV) da Universidade de São Paulo, revelou que as maiores vítimas de homicídio concentram-se entre 15 e 19 anos (87,6%) e vêm de regiões onde faltam os direitos básicos sociais e econômicos. Foram quase 100 mil jovens pobres mortos, em 22 anos. Os números já deveriam ser suficientes para uma mobilização nacional, uma marcha pelo direito à vida, pelo direito do jovem pobre ter a perspectiva de um amanhã. A juventude brasileira que está excluída da sociedade do consumo e vive à margem da justiça social quer, como qualquer outra juventude do mundo, planejar um futuro e poder sonhar com ele, livremente.
A adolescente paulista Maria Nilda da Motta, Dinha, chamou a atenção de jovens de várias partes do mundo por lutar por esses direitos. A conheci quando gravava um documentário para a BBC World, sobre a desigualdade social no Brasil, a partir do olhar de jovens do movimento hip hop. Dinha vivia em um ambiente completamente desfigurado de inspiração para sonhar. Sua determinação e luta chamaram a atenção de jovens de várias partes do mundo quando o documentário foi ao ar. As cartas que chegaram a ela e, vieram até do Nepal, sustentaram que sonhar é um sentimento universal de qualquer jovem do planeta.
Dinha cresceu numa favela, no Parque Bristol, zona sul de São Paulo. Uma escada de madeira estreita improvisada a levava até seu pequeno quarto. Era lá que passava preciosas horas do seu dia escrevendo. Da janela do quarto via casebres enfileirados e sobrepostos. Um córrego a céu aberto contornava sua humilde casa, ainda inacabada. Ruas de terra, poeira, cheiro de tijolo, lixo e esgoto eram seu entorno. Olhar para o céu a inspirava a sair daquela realidade e voltar-se para seu rico mundo interior. Nele havia horizontes, montanhas, cores que através de sua imaginação a salvaram e transformaram seus desejos em versos, seus sonhos em lindas poesias. “Jogaram fora a linha do horizonte. E eu fiz com ela um ninho que repousa em minhas mãos. Senhor, olha os prédios horizontais - o esparadrapo sujo que puseram – e tende piedade de nós. (...) sociedade infecunda – vide favela – sou dela.”
O sonho de Dinha era ser escritora. Obstinada criou um grupo de estudo no bairro e conseguiu furar o bloqueio do capital, que privilegia estudantes das caríssimas escolas particulares e tornam-se maioria nas melhores universidades públicas do país. Entrou na estatística de 8% da população entre 18 a 24 anos que têm acesso ao ensino superior. Os dados estão no “Atlas da Exclusão Social”, resultado de uma pesquisa coordenada pelo professor de economia da UNICAMP, Márcio Pochmann. O estudo, além de confirmar o monopólio da elite na educação, revela que, de cada 10 crianças que iniciam a primeira série do Ensino Fundamental, apenas uma chega à universidade.
Dinha conseguiu contrariar a previsão do jovem que vem das frágeis escolas públicas do país e não consegue estudar numa universidade pública. Entrou em uma das mais prestigiadas, a USP, e começou a estudar Letras. Talvez o poder que a literatura tem de tocar a alma das pessoas e tornar real o que é invisível aos olhos tenha ajudado Dinha a agarrar-se nos seus sonhos mais profundos e perseguir com força e coragem o que havia traçado para seu futuro.
Mas a história de Dinha é uma exceção. É difícil enxergar além do barraco e do esgoto a céu aberto, na porta da frente de casa, e sair da sensação de engessamento e imobilidade para avançar na busca dos direitos básicos que não são garantidos com dignidade pelo Estado e pela sociedade brasileira. São 4 milhões de jovens no Brasil, segundo o IBGE, que não trabalham, não estudam e, ainda pior, nem sequer procuram trabalho. Tateiam, no escuro, um caminho para dar o próximo passo, sem saber para onde vão.
O jovem sem perspectiva torna-se um jovem sem horizontes, sem o direito de sonhar. A dimensão do tempo para este jovem sem sonhos e horizonte é completamente diferente da dimensão do tempo para aquele que tem oportunidades.
24 horas na vida de quem acredita em um amanhã pode significar um dia a mais para lutar por suas metas traçadas. Já na vida do outro, onde só existe o hoje, as mesmas horas podem representar o tempo que precisa para satisfazer seus desejos imediatos. Um dia na vida dele, para planejar algo, executar e vencer, aliado a isso o gosto pela adrenalina da fase da juventude, da sensação do sucesso de um roubo, do dinheiro rápido no bolso e do prazer imediato da compra de uma roupa “da hora”, por exemplo, podem valer pelo risco de perder sua vida. A dimensão do tempo muda.
Trinta dias de glória para um menino pobre podem ter a mesma dimensão de trinta anos na vida de outro que tem oportunidades. O que para o rico pode significar o risco de perder tudo, para o pobre não arriscar pode significar perder tudo. Os jovens da periferia não carregam o peso de nobres sobrenomes, da reputação social, da possibilidade do intercâmbio no exterior. Muitos preferem correr o risco de morrer cedo, vencendo no hoje, do que morrer tarde com seus desejos frustrados e reprimidos. Esse olhar diferente sobre a mesma realidade também aparece no documentário “De Volta à Vida”, realizado por seis jovens que passaram pela Febem de São Paulo. Com a câmera na mão, mostram seus simples cotidianos: onde moram, o que comem, como brincam, o encontro com os parceiros que ainda estão no crime. Um diálogo entre o garoto, com a câmera no ombro, e o outro, com a arma na mão, marca a nítida diferença entre aquele que tem um amanhã e o outro cujo olhar só alcança o hoje.
O encapuzado e armado revela: “escolhi roubar, foi o lado mais fácil e mais rápido de ganhar dinheiro”. “Olha aí” – mostra várias notas de cinqüenta. “Acabei de voltar de um assalto. Tenho dinheiro no bolso para sustentar minha “véia”, gastar um pouquinho, ir à praia, pra gandaia e catar umas mina”. Já o menino que segura a câmera conta que passou pela Febem refletiu, e agora, quando pensa em sair para roubar, avalia que poderá não voltar amanhã. O amanhã dele voltou a existir. Seus sonhos também. Quer ser cinegrafista e documentarista. Suas reflexões sobre o que teria a perder se voltasse à vida do crime só vieram depois que saiu da prisão e começou a participar de oficinas de vídeo realizadas pelo Projeto Quixote - ONG que trabalha com jovens egressos da Febem.
Hoje, o garoto trabalha gravando a experiência de outros projetos que atendem a crianças em situação de risco, no centro de São Paulo. A valiosa documentação, além de servir de base para estudo, deverá virar outro filme. O incentivo para investir na carreira veio com o reconhecimento de seu documentário dentro e fora do Brasil.
O vídeo foi apresentado, recentemente, em um congresso sobre Saúde Mental na Universidade de Calgary, no Canadá. Junto com o grupo de jovens que participou do trabalho, o garoto já foi duas vezes ao país para compartilhar sua experiência de enfrentar o mundo, depois de passar pela prisão. “De Volta à Vida” também foi exibido no Festival de Cine Vídeo de Gramado deste ano.
Mas a realidade destes garotos, assim como a de Dinha, também é uma exceção. O número de projetos sociais públicos e não-governamentais não é suficiente para atender à demanda dos jovens brasileiros que perderam seus sonhos e a perspectiva do amanhã. Os desafios são ainda maiores pelo país possuir uma das piores distribuições de renda do mundo.
Em meio a tantas adversidades, Dinha conseguiu lançar sementes para seu futuro. Resolvi procurá-la para saber como estava a menina aguerrida e sonhadora. Há 7 anos não nos víamos. Hoje estaria com 27 anos. Teria conseguido terminar o curso de Letras? Segundo a pesquisa do professor Pochmann, a maioria dos jovens abandona os estudos para trabalhar. Um destino muito provável para ela, já que além de não possuir uma renda fixa, precisava cuidar de sua filha Katrine, na época com três anos.
Consegui localizá-la por telefone, num domingo, na hora do almoço. Enquanto ela lavava a louça me contava que não só concluiu o curso de Letras como agora estudava a cultura, a religião e a literatura da África e do Brasil, em um curso de pós-graduação na Universidade Castelo Branco, no Rio de Janeiro. Ganhou uma bolsa, através de uma ex-professora da USP e, uma vez por mês, viajava para lá. Junto com a filha dividia a nova casa (ainda na mesma rua de quando a visitei) com Dalila, Bambam, Maria Chiquinha e De Sempre, seus quatro gatos. Contava que sua próxima batalha era fazer mestrado na USP, sobre a Literatura da África e do Brasil.
Além da conquista nos estudos, Dinha tornou-se educadora de rua de uma organização não-governamental. Complementa sua renda dando aulas de português para estrangeiros. Não abandonou sua veia militante. Ensina literatura para a comunidade do bairro, participa de um núcleo cultural, ajudou a fundar a biblioteca comunitária “Livro Pra Quê Te Quero”, e não perde as noites de sarau, às quartas-feiras, com escritores da periferia.
A grande novidade é que seus poemas viraram livro: “De Passagem, Mas Não A Passeio”. O sonho de ser escritora tornava-se real. Publicado este ano, a 1ª edição de 500 exemplares já está esgotada. O livro é confeccionado em papel reciclado e a impressão com letras manuscritas. A publicação teve o apoio da ONG Ação Educativa e foi editada pelo selo independente “Edições Toró”.
No último parágrafo do livro é resumida a história da brava menina: “Dinha é educadora, mediadora de leitura, fanzineira, mãe de Katrine e representante da literatura produzida nas periferias do Brasil afora”.
A esta descrição, acrescentaria que as poesias de Dinha carregam o grito de tantos jovens no Brasil que não aceitam ser emparedados pelas amarras do sistema e querem garantir o direito de sonhar, de olhar para frente, encontrar horizontes e o infinito.
Em “Os Cegos” a poeta reverbera esta angústia e este desejo:
“Era preciso um poema, mas é que sem horizontes quem consegue ver além dessa moça da esquina?
O ônibus segue seu curso: é parte de rabo de luz, gasolina e fumaça: constelação de estrelas melancólicas e mecânicas. Cidade.
Nada aqui tem harmonia, e se o caos não tem seu ritmo, é outra vez a falta que faz olhar o longe.
Avenida 9 de Julho, saindo da Estados Unidos. Primeiro ponto: desce um homem. Segundo ponto: desce outro.
Do outro lado da rua há carros na contramão. Estou caminhando sozinha, ou já me cegaram também?
Também busco horizontes. Um lugar que de tão longe, já nem existe mais.”
Luciana Burlamaqui é jornalista, documentarista e produtora da Zora Mídia, voltada para produção de documentários e longa-metragens focados em temáticas humanistas.
Extraído do Sítio da Agência Carta Maior:
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3444
Direito de Sonhar
O futuro dos jovens está ameaçado. Em 22 anos, foram 100 mil jovens pobres mortos. Os números deveriam ser suficientes para uma mobilização nacional, uma marcha pelo direito do jovem ter a perspectiva do amanhã.
Luciana Burlamaqui
O futuro dos jovens no Brasil está ameaçado. Pesquisas divulgadas na última semana pela revista Carta Capital revelam números que comprovam a falta de perspectiva de vida da juventude pobre brasileira. Uma delas, “Homicídios de Crianças e Jovens no Brasil 1980-1992”, lançada em novembro passado, pelo Núcleo de Estudos de Violência (NEV) da Universidade de São Paulo, revelou que as maiores vítimas de homicídio concentram-se entre 15 e 19 anos (87,6%) e vêm de regiões onde faltam os direitos básicos sociais e econômicos. Foram quase 100 mil jovens pobres mortos, em 22 anos. Os números já deveriam ser suficientes para uma mobilização nacional, uma marcha pelo direito à vida, pelo direito do jovem pobre ter a perspectiva de um amanhã. A juventude brasileira que está excluída da sociedade do consumo e vive à margem da justiça social quer, como qualquer outra juventude do mundo, planejar um futuro e poder sonhar com ele, livremente.
A adolescente paulista Maria Nilda da Motta, Dinha, chamou a atenção de jovens de várias partes do mundo por lutar por esses direitos. A conheci quando gravava um documentário para a BBC World, sobre a desigualdade social no Brasil, a partir do olhar de jovens do movimento hip hop. Dinha vivia em um ambiente completamente desfigurado de inspiração para sonhar. Sua determinação e luta chamaram a atenção de jovens de várias partes do mundo quando o documentário foi ao ar. As cartas que chegaram a ela e, vieram até do Nepal, sustentaram que sonhar é um sentimento universal de qualquer jovem do planeta.
Dinha cresceu numa favela, no Parque Bristol, zona sul de São Paulo. Uma escada de madeira estreita improvisada a levava até seu pequeno quarto. Era lá que passava preciosas horas do seu dia escrevendo. Da janela do quarto via casebres enfileirados e sobrepostos. Um córrego a céu aberto contornava sua humilde casa, ainda inacabada. Ruas de terra, poeira, cheiro de tijolo, lixo e esgoto eram seu entorno. Olhar para o céu a inspirava a sair daquela realidade e voltar-se para seu rico mundo interior. Nele havia horizontes, montanhas, cores que através de sua imaginação a salvaram e transformaram seus desejos em versos, seus sonhos em lindas poesias. “Jogaram fora a linha do horizonte. E eu fiz com ela um ninho que repousa em minhas mãos. Senhor, olha os prédios horizontais - o esparadrapo sujo que puseram – e tende piedade de nós. (...) sociedade infecunda – vide favela – sou dela.”
O sonho de Dinha era ser escritora. Obstinada criou um grupo de estudo no bairro e conseguiu furar o bloqueio do capital, que privilegia estudantes das caríssimas escolas particulares e tornam-se maioria nas melhores universidades públicas do país. Entrou na estatística de 8% da população entre 18 a 24 anos que têm acesso ao ensino superior. Os dados estão no “Atlas da Exclusão Social”, resultado de uma pesquisa coordenada pelo professor de economia da UNICAMP, Márcio Pochmann. O estudo, além de confirmar o monopólio da elite na educação, revela que, de cada 10 crianças que iniciam a primeira série do Ensino Fundamental, apenas uma chega à universidade.
Dinha conseguiu contrariar a previsão do jovem que vem das frágeis escolas públicas do país e não consegue estudar numa universidade pública. Entrou em uma das mais prestigiadas, a USP, e começou a estudar Letras. Talvez o poder que a literatura tem de tocar a alma das pessoas e tornar real o que é invisível aos olhos tenha ajudado Dinha a agarrar-se nos seus sonhos mais profundos e perseguir com força e coragem o que havia traçado para seu futuro.
Mas a história de Dinha é uma exceção. É difícil enxergar além do barraco e do esgoto a céu aberto, na porta da frente de casa, e sair da sensação de engessamento e imobilidade para avançar na busca dos direitos básicos que não são garantidos com dignidade pelo Estado e pela sociedade brasileira. São 4 milhões de jovens no Brasil, segundo o IBGE, que não trabalham, não estudam e, ainda pior, nem sequer procuram trabalho. Tateiam, no escuro, um caminho para dar o próximo passo, sem saber para onde vão.
O jovem sem perspectiva torna-se um jovem sem horizontes, sem o direito de sonhar. A dimensão do tempo para este jovem sem sonhos e horizonte é completamente diferente da dimensão do tempo para aquele que tem oportunidades.
24 horas na vida de quem acredita em um amanhã pode significar um dia a mais para lutar por suas metas traçadas. Já na vida do outro, onde só existe o hoje, as mesmas horas podem representar o tempo que precisa para satisfazer seus desejos imediatos. Um dia na vida dele, para planejar algo, executar e vencer, aliado a isso o gosto pela adrenalina da fase da juventude, da sensação do sucesso de um roubo, do dinheiro rápido no bolso e do prazer imediato da compra de uma roupa “da hora”, por exemplo, podem valer pelo risco de perder sua vida. A dimensão do tempo muda.
Trinta dias de glória para um menino pobre podem ter a mesma dimensão de trinta anos na vida de outro que tem oportunidades. O que para o rico pode significar o risco de perder tudo, para o pobre não arriscar pode significar perder tudo. Os jovens da periferia não carregam o peso de nobres sobrenomes, da reputação social, da possibilidade do intercâmbio no exterior. Muitos preferem correr o risco de morrer cedo, vencendo no hoje, do que morrer tarde com seus desejos frustrados e reprimidos. Esse olhar diferente sobre a mesma realidade também aparece no documentário “De Volta à Vida”, realizado por seis jovens que passaram pela Febem de São Paulo. Com a câmera na mão, mostram seus simples cotidianos: onde moram, o que comem, como brincam, o encontro com os parceiros que ainda estão no crime. Um diálogo entre o garoto, com a câmera no ombro, e o outro, com a arma na mão, marca a nítida diferença entre aquele que tem um amanhã e o outro cujo olhar só alcança o hoje.
O encapuzado e armado revela: “escolhi roubar, foi o lado mais fácil e mais rápido de ganhar dinheiro”. “Olha aí” – mostra várias notas de cinqüenta. “Acabei de voltar de um assalto. Tenho dinheiro no bolso para sustentar minha “véia”, gastar um pouquinho, ir à praia, pra gandaia e catar umas mina”. Já o menino que segura a câmera conta que passou pela Febem refletiu, e agora, quando pensa em sair para roubar, avalia que poderá não voltar amanhã. O amanhã dele voltou a existir. Seus sonhos também. Quer ser cinegrafista e documentarista. Suas reflexões sobre o que teria a perder se voltasse à vida do crime só vieram depois que saiu da prisão e começou a participar de oficinas de vídeo realizadas pelo Projeto Quixote - ONG que trabalha com jovens egressos da Febem.
Hoje, o garoto trabalha gravando a experiência de outros projetos que atendem a crianças em situação de risco, no centro de São Paulo. A valiosa documentação, além de servir de base para estudo, deverá virar outro filme. O incentivo para investir na carreira veio com o reconhecimento de seu documentário dentro e fora do Brasil.
O vídeo foi apresentado, recentemente, em um congresso sobre Saúde Mental na Universidade de Calgary, no Canadá. Junto com o grupo de jovens que participou do trabalho, o garoto já foi duas vezes ao país para compartilhar sua experiência de enfrentar o mundo, depois de passar pela prisão. “De Volta à Vida” também foi exibido no Festival de Cine Vídeo de Gramado deste ano.
Mas a realidade destes garotos, assim como a de Dinha, também é uma exceção. O número de projetos sociais públicos e não-governamentais não é suficiente para atender à demanda dos jovens brasileiros que perderam seus sonhos e a perspectiva do amanhã. Os desafios são ainda maiores pelo país possuir uma das piores distribuições de renda do mundo.
Em meio a tantas adversidades, Dinha conseguiu lançar sementes para seu futuro. Resolvi procurá-la para saber como estava a menina aguerrida e sonhadora. Há 7 anos não nos víamos. Hoje estaria com 27 anos. Teria conseguido terminar o curso de Letras? Segundo a pesquisa do professor Pochmann, a maioria dos jovens abandona os estudos para trabalhar. Um destino muito provável para ela, já que além de não possuir uma renda fixa, precisava cuidar de sua filha Katrine, na época com três anos.
Consegui localizá-la por telefone, num domingo, na hora do almoço. Enquanto ela lavava a louça me contava que não só concluiu o curso de Letras como agora estudava a cultura, a religião e a literatura da África e do Brasil, em um curso de pós-graduação na Universidade Castelo Branco, no Rio de Janeiro. Ganhou uma bolsa, através de uma ex-professora da USP e, uma vez por mês, viajava para lá. Junto com a filha dividia a nova casa (ainda na mesma rua de quando a visitei) com Dalila, Bambam, Maria Chiquinha e De Sempre, seus quatro gatos. Contava que sua próxima batalha era fazer mestrado na USP, sobre a Literatura da África e do Brasil.
Além da conquista nos estudos, Dinha tornou-se educadora de rua de uma organização não-governamental. Complementa sua renda dando aulas de português para estrangeiros. Não abandonou sua veia militante. Ensina literatura para a comunidade do bairro, participa de um núcleo cultural, ajudou a fundar a biblioteca comunitária “Livro Pra Quê Te Quero”, e não perde as noites de sarau, às quartas-feiras, com escritores da periferia.
A grande novidade é que seus poemas viraram livro: “De Passagem, Mas Não A Passeio”. O sonho de ser escritora tornava-se real. Publicado este ano, a 1ª edição de 500 exemplares já está esgotada. O livro é confeccionado em papel reciclado e a impressão com letras manuscritas. A publicação teve o apoio da ONG Ação Educativa e foi editada pelo selo independente “Edições Toró”.
No último parágrafo do livro é resumida a história da brava menina: “Dinha é educadora, mediadora de leitura, fanzineira, mãe de Katrine e representante da literatura produzida nas periferias do Brasil afora”.
A esta descrição, acrescentaria que as poesias de Dinha carregam o grito de tantos jovens no Brasil que não aceitam ser emparedados pelas amarras do sistema e querem garantir o direito de sonhar, de olhar para frente, encontrar horizontes e o infinito.
Em “Os Cegos” a poeta reverbera esta angústia e este desejo:
“Era preciso um poema, mas é que sem horizontes quem consegue ver além dessa moça da esquina?
O ônibus segue seu curso: é parte de rabo de luz, gasolina e fumaça: constelação de estrelas melancólicas e mecânicas. Cidade.
Nada aqui tem harmonia, e se o caos não tem seu ritmo, é outra vez a falta que faz olhar o longe.
Avenida 9 de Julho, saindo da Estados Unidos. Primeiro ponto: desce um homem. Segundo ponto: desce outro.
Do outro lado da rua há carros na contramão. Estou caminhando sozinha, ou já me cegaram também?
Também busco horizontes. Um lugar que de tão longe, já nem existe mais.”
Luciana Burlamaqui é jornalista, documentarista e produtora da Zora Mídia, voltada para produção de documentários e longa-metragens focados em temáticas humanistas.
Extraído do Sítio da Agência Carta Maior:
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3444
sexta-feira, dezembro 29, 2006
É tempo de festas
Quando alguém morre vai embora uma pessoa única, singular, irrepetível.
"novas modalidades de uso para carrinho de supermercado e de obra."
É tempo de festas
Todos celebram a conquista do ouro.
Marcham pela rua fazendo serestas
Ou pulando sete ondinhas.
Quando a peste que ronda na sombra da noite
Ou a flecha que voa em pleno dia
Subir o morro
Não terás carneiro para abater
A proteção de sangue
Serão cordeiros e raposas
Escorrendo em rios de sangue
Ou no carrinho de mão
Que traz luz e corpos
Para os olhos que não enxergam
Ao vislumbrar a sua nova serventia.
É tempo de festas
Todos celebram a conquista do ouro.
Marcham pela rua fazendo serestas
Ou pulando sete ondinhas.
Mas quando a morte passeia
E ter fé não basta para dias de calmaria
É preciso que o poeta se arme!
Não há espaço para poesia.
(rodrigo ciríaco)
Mães rezam o Salmo 91 no RJ

Desejo toda Paz e Proteção, as Mães, Pais e Filhos, dos morros do Brasil. Pois nesta guerra em que dois elefantes brigam,
quem mais sofre é a grama!
Novos ataques
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u129867.shtml
Mílicia (POLÍCIA) quer espaço de Traficantes
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u129287.shtml
E eu continuo a me fazer a mesma pergunta: o que fazer quando aqueles que deveriam nos proteger são os algozes - participantes ou executores - da violência?
Segurança Pública não é Privada!
Poesia da Dinha! - ou de como passado, presente e futuro se confundem...
Notícia de Israel
(Panfleto contra todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família)
Ontem, no Quilombo de São José, eu olhava os rapazes, negros, bonitos, pintas de rappers - entretanto dançavam as danças de roda. Tão iguais e tão diferentes dos que ontem morreram nas mãos da polícia. Dos que ontem mataram "os polícias".
Era dia das mães e os tiros, entraram nos meus ouvidos ao mesmo tempo em que imagens da gente toda que eu conheço e confio, me passava pelos olhos, e rezas – mais com o corpo, que com a lógica – me pesavam por cada um deles. Desordenadamente.
Mas, ai, esqueci de alguns!!! e foram 3 os que amanheceram mortos.
Três mães acordaram sem filhos – nem dormiram – o que diz mais.
E eu não ouvi notícia em nenhum telejornal.
Em casa, a recomendação: Dinha, não sai de casa, nem volta de madrugada que a polícia ta matando todo mundo.
Quem começou essa briga?
Quem está brigando com quem?
"Quem é marginal?
Quem é a lei?".
Polícia contra bandido?
Ou fardados contra sem farda? Como o jogo de "solteiro contra casado", no primeiro dia do ano?
Bandido contra bandido.
E Israel no meio, às 11.20 da noite, voltando pra casa da mãe.
Explorado contra explorado.
Me mandem matar a polícia!
Eu vou, se isso trouxer
Israel,
Sandro,
Luciano,
Márcio,
Cometa,
Buiú
(toda a família de Elisângela)
Edmarcos e
Hilário
(toda os mortos dos CEDECAS)
de volta.
Me mandem matar os bandidos!
Eu vou, se me deixarem
Matar todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família.
Eu mataria capitães do mato
Se eles não fossem de fato
Tão vítimas como são vítimas:
Os policiais fardados,
Os meninos sem camisa,
A mulher que voltava pra casa,
Israel, no colo da mãe.
O fuzil de minha palavra
Precisa estar voltado
Pra verdadeira revolução.
Dinha* 15/05/06
*Dinha é educadora social, integrante do Espaço Cultural Maloca e autora do livro "De passagem mas não a passeio". Edições Toró - Independente. 'Escreve pra corromper as estatísticas'. Contatos: dinhapro@hotmail.com
terça-feira, dezembro 26, 2006
VERGONHA !!!
GCM ACABA COM FESTA DE NATAL DA POPULAÇÃO DE RUA
"A Guarda Civil Metropolitana da cidade de São Paulo interrompeu a festa do 3º Natal Solidário com violência e uso de armas.
No dia 24 de dezembro de 2006, aproximadamente 15 horas, logo após o início do 3º Natal Solidário – festa de 24 horas, programada pelo Movimento Nacional da População de Rua, em parceria com organizações sociais e outras ligadas ao poder público municipal, além da Caixa Econômica Federal – viaturas da Guarda Civil Metropolitana desceram as rampas no Vale do Anhangabaú e guardas civis começaram uma operação de identificação das pessoas que se encontravam a cem metros do palco onde se desenrolava a festa. Essa ação resultou num grande tumulto, pois os guardas metropolitanos extrapolaram suas funções, utilizando-se de violência. Essa tentativa de acabar com a festa e criminalizar as pessoas alí presentes provocaram revolta e indignação de todos. (Reportagem completa na próxima edição do O Trecheiro)" - informações recebidas por email.
veja mais informações no link:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/12/369714.shtml
e veja ainda sobre outra agressão da GCM, exatos 11 meses atrás, véspera do Aniversário de São Paulo - matéria minha - "E agora José?", link abaixo:
http://www.rizoma.net/interna.php?id=207&secao=anarquitextura
domingo, dezembro 24, 2006
Sobre o Natal, boas festas (ou não) e agradecimentos...
Então...
Algumas palavras se fazem necessárias por este momento e pelo ano que se passou.
Não sou muito chegado ao Natal. Sempre fico meio deprimido, cabisbaixo nesta época. Não sei o porquê. Talvez por ouvir muitas histórias de minha família, mais especificamente da minha mãe. O seu sofrimento nesta época, as dificuldades que enfrentou quando ainda era pequena, no interior de SP, a separação de meus avós, as privações entre outras coisas são justos motivos para não gostar do Natal. Talvez por ser algo mais família, mais pessoal, e eu não conseguir desconectar das pessoas que não tem mais a sua família- por opção ou não. Mas o principal é o fato do Natal ter se transformado na data mais Capitalista do Ano, essa coisa falsa, hipócrita e que aqui, somente nesta época, devemos perdoar e olhar com mais humanidade o próximo, o nosso "irmão".
Sinceramente, este discursinho é o pior do Natal.
Não podemos fazer da ação de solidariedade (definida por Che como "correr os mesmos riscos") como um discurso de Natal, mas uma prática e exercício cotidiano. Sempre. Hasta la vitória!
Mas eu quero dar neste momento um forte abraço a algumas pessoas especiais que compõem a minha vida, e agradecer por todos os anos e, especialmente, este 2006.
Se no começo do ano de 2006, alguém chegasse para mim e falasse: "olha, você este ano vai se aproximar da Cooperifa. A Dinha vai te levar por lá. Você vai conhecer o Jairo e o Kennya, do Periafricania, o Helber Ladislau, Seu Lourival, Binho, Dinho Love, Sales, Márcio Baptista, Elizandra, Tadeu, Dugueto, Silvio Diogo, Allan da Rosa e vários outros. Vai se tornar amigo do Robson e Neide Canto, Sérgio Vaz, Sacolinha, Alessandro Buzo. Vai ser premiado com o 2º Prêmio Cooperifa" Cê acha que eu acreditaria?
E se dissesse ainda: "este será o seu primeiro ano como professor efetivo da rede pública estadual. Sua missão será trabalhar com alunos de 11 aos 54 anos. Será preciso cuidado, atenção, paciência e responsabilidade. Você vai tremer na base algumas vezes mas, no final dará conta do recado. E o mais importante: conhecerá seres humanos fantásticos." Você acha que eu acreditaria?
E se dissesse ainda que a Fernanda iria casar? Que a Tânia iria para Santos mas, seguraríamos as pontas. Que meu avô iria falecer, a melhor coisa a ser feita seria mesmo deixar a Fundação Empresa-Projeto Travessia e que eu finalmente teria coragem de produzir e divulgar alguns zines e meus poemas, você acreditaria? Nem eu...
Também não acreditaria que um "partidão" botaria a república de joelhos, todos amendrotados. E como resposta, vários suspeitos - não interessa apurar culpas - seriam executados. Também não acreditaria na barbaridade do Líbano e - ainda - do Iraque.
Sem contar a nacionalização do gás - Viva Evo Morales! - na Bolívia e a morte do Pinochet. Melhor ainda do Coronel Ubiratan. Já foram tarde...
Bem, isto foi um pouco do meu ano. Quem quiser saber um pouco mais, veja no histórico do meu curto blog. Um ótimo ano, principalmente na questão profissional. Sem grandes retornos financeiros mas, de grande crescimento humano. Triste pelo projeto Contornos (com o Ed, Cadu, Vivi, Paulo, Iarlei, Rera e eu) ter acabado mas, extremamente feliz por saber que suas sementes frutificaram, espalhadas por aí. Triste por achar medíocre as coisas que escrevo - já não bastava ser um ator, dançarino, pintor e músico frustrado - mas feliz por ter conhecido o Marcelino Freire e outros escritores (acima ou não mencionados) e ter uma única certeza: escrever vale a pena.
"Não há salvação fora da literatura."
Acreditar nisso é o que me garante mais vida.
Quero mandar - e vou dar hoje a noite - um forte Abraço em meu Pai e minha Mãe, sempre ao meu lado, me ajudando, me incentivando, concordando ou não comigo. Aos meus irmãos e suas esposas, que deram duas grandes riquezas para mim: Mariana e Willinha.
Aos meus tios e primas.
Um forte Abraço a amigos que, próximos, estão longe: Hugo, Fernando, Emanuele.
E Tânia. Hoje estaremos juntos... Tudo em família.
Bem, independente de você celebrar estes dias ou não, desejo Saúde, Amor e muita, muita Luta para que dias melhores deixem de ser sonhos e se tornem realidade. Posso ser medíocre, mas é pelo sono dos justos que eu luto, e vou dar as mãos a quem quiser somar neste sonho comigo.
E agora, acho que só em 2007 por aqui.
Para não se sentir abandonado, não deixe de visitar e ler alguns sítios abaixo. Vale ler coisa antiga, são blogs, sítios muito bons.
Aquele abraço,
Rodrigo Ciríaco
poetas e escritores:
http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/
http://www.robsoncanto.blogspot.com/
http://www.suburbanoconvicto.blogger.com.br/
http://www.sacolagraduado.blogspot.com/
http://ferrez.blogspot.com/
http://www.eraodito.blogspot.com/
http://peixedeaquario.blogspot.com/
http://zonabranca.blog.uol.com.br/index.html
http://www.portunholselvagem.blogspot.com/
http://ptostes.blogspot.com/
http://vivileao.blogspot.com/
http://www.desconcertos.com.br/
a outra cara da notícia/informação:
http://www.midiaindependente.org/
http://carosamigos.terra.com.br/
http://agenciacartamaior.uol.com.br/
http://www.adital.com.br/
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/
http://apocalipsemotorizado.blogspot.com/
http://cremilda.blig.ig.com.br/
Algumas palavras se fazem necessárias por este momento e pelo ano que se passou.
Não sou muito chegado ao Natal. Sempre fico meio deprimido, cabisbaixo nesta época. Não sei o porquê. Talvez por ouvir muitas histórias de minha família, mais especificamente da minha mãe. O seu sofrimento nesta época, as dificuldades que enfrentou quando ainda era pequena, no interior de SP, a separação de meus avós, as privações entre outras coisas são justos motivos para não gostar do Natal. Talvez por ser algo mais família, mais pessoal, e eu não conseguir desconectar das pessoas que não tem mais a sua família- por opção ou não. Mas o principal é o fato do Natal ter se transformado na data mais Capitalista do Ano, essa coisa falsa, hipócrita e que aqui, somente nesta época, devemos perdoar e olhar com mais humanidade o próximo, o nosso "irmão".
Sinceramente, este discursinho é o pior do Natal.
Não podemos fazer da ação de solidariedade (definida por Che como "correr os mesmos riscos") como um discurso de Natal, mas uma prática e exercício cotidiano. Sempre. Hasta la vitória!
Mas eu quero dar neste momento um forte abraço a algumas pessoas especiais que compõem a minha vida, e agradecer por todos os anos e, especialmente, este 2006.
Se no começo do ano de 2006, alguém chegasse para mim e falasse: "olha, você este ano vai se aproximar da Cooperifa. A Dinha vai te levar por lá. Você vai conhecer o Jairo e o Kennya, do Periafricania, o Helber Ladislau, Seu Lourival, Binho, Dinho Love, Sales, Márcio Baptista, Elizandra, Tadeu, Dugueto, Silvio Diogo, Allan da Rosa e vários outros. Vai se tornar amigo do Robson e Neide Canto, Sérgio Vaz, Sacolinha, Alessandro Buzo. Vai ser premiado com o 2º Prêmio Cooperifa" Cê acha que eu acreditaria?
E se dissesse ainda: "este será o seu primeiro ano como professor efetivo da rede pública estadual. Sua missão será trabalhar com alunos de 11 aos 54 anos. Será preciso cuidado, atenção, paciência e responsabilidade. Você vai tremer na base algumas vezes mas, no final dará conta do recado. E o mais importante: conhecerá seres humanos fantásticos." Você acha que eu acreditaria?
E se dissesse ainda que a Fernanda iria casar? Que a Tânia iria para Santos mas, seguraríamos as pontas. Que meu avô iria falecer, a melhor coisa a ser feita seria mesmo deixar a Fundação Empresa-Projeto Travessia e que eu finalmente teria coragem de produzir e divulgar alguns zines e meus poemas, você acreditaria? Nem eu...
Também não acreditaria que um "partidão" botaria a república de joelhos, todos amendrotados. E como resposta, vários suspeitos - não interessa apurar culpas - seriam executados. Também não acreditaria na barbaridade do Líbano e - ainda - do Iraque.
Sem contar a nacionalização do gás - Viva Evo Morales! - na Bolívia e a morte do Pinochet. Melhor ainda do Coronel Ubiratan. Já foram tarde...
Bem, isto foi um pouco do meu ano. Quem quiser saber um pouco mais, veja no histórico do meu curto blog. Um ótimo ano, principalmente na questão profissional. Sem grandes retornos financeiros mas, de grande crescimento humano. Triste pelo projeto Contornos (com o Ed, Cadu, Vivi, Paulo, Iarlei, Rera e eu) ter acabado mas, extremamente feliz por saber que suas sementes frutificaram, espalhadas por aí. Triste por achar medíocre as coisas que escrevo - já não bastava ser um ator, dançarino, pintor e músico frustrado - mas feliz por ter conhecido o Marcelino Freire e outros escritores (acima ou não mencionados) e ter uma única certeza: escrever vale a pena.
"Não há salvação fora da literatura."
Acreditar nisso é o que me garante mais vida.
Quero mandar - e vou dar hoje a noite - um forte Abraço em meu Pai e minha Mãe, sempre ao meu lado, me ajudando, me incentivando, concordando ou não comigo. Aos meus irmãos e suas esposas, que deram duas grandes riquezas para mim: Mariana e Willinha.
Aos meus tios e primas.
Um forte Abraço a amigos que, próximos, estão longe: Hugo, Fernando, Emanuele.
E Tânia. Hoje estaremos juntos... Tudo em família.
Bem, independente de você celebrar estes dias ou não, desejo Saúde, Amor e muita, muita Luta para que dias melhores deixem de ser sonhos e se tornem realidade. Posso ser medíocre, mas é pelo sono dos justos que eu luto, e vou dar as mãos a quem quiser somar neste sonho comigo.
E agora, acho que só em 2007 por aqui.
Para não se sentir abandonado, não deixe de visitar e ler alguns sítios abaixo. Vale ler coisa antiga, são blogs, sítios muito bons.
Aquele abraço,
Rodrigo Ciríaco
poetas e escritores:
http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/
http://www.robsoncanto.blogspot.com/
http://www.suburbanoconvicto.blogger.com.br/
http://www.sacolagraduado.blogspot.com/
http://ferrez.blogspot.com/
http://www.eraodito.blogspot.com/
http://peixedeaquario.blogspot.com/
http://zonabranca.blog.uol.com.br/index.html
http://www.portunholselvagem.blogspot.com/
http://ptostes.blogspot.com/
http://vivileao.blogspot.com/
http://www.desconcertos.com.br/
a outra cara da notícia/informação:
http://www.midiaindependente.org/
http://carosamigos.terra.com.br/
http://agenciacartamaior.uol.com.br/
http://www.adital.com.br/
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Vitória do Governo Lula !
O Lula já não é mais o mesmo, isso é fato! Mas, não podemos dizer que não há diferenças entre tucanos e petistas e suas formas de governar...
24/12/2006 - 09h31
Desde 2001, crescimento favorece pobres
24/12/2006 - 09h31
Desde 2001, crescimento favorece pobres
MARCELO BILLI da Folha de S.Paulo
O crescimento econômico brasileiro continua anêmico, mas há uma parcela da população para a qual a renda cresceu a taxas muito superiores às da economia. Ao contrário dos anos 70 e até 80, quando o Brasil crescia ou se estagnava concentrando riqueza, os anos 2000 inauguraram um período de crescimento "pró-pobres".
Entre 2001 e 2004, a renda dos mais pobres cresceu a um ritmo muito superior ao da renda per capita, tendência que se repete em 2005 e, provavelmente, neste ano.
O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV, calculou, junto com os economistas Nanak Kakwani e Hyun H. Son, das Nações Unidas, as taxas de crescimento que refletem a evolução da renda dos mais pobres.Os números mostram que, apesar do desempenho decepcionante da economia, a população de baixa renda obteve, em período de relativa estagnação, o que Neri chama de "experimento de crescimento chinês".
Entre 2001 e 2004, mostra o estudo, a taxa de crescimento da renda per capita "pró-pobre", ou seja, aquela que reflete os ganhos da população de baixa renda, foi, em média, de 3,1% ao ano. No mesmo período, a renda per capita caiu a um ritmo de 1,35% ao ano.
A contradição entre o desempenho ruim do ponto de vista econômico e o bom desempenho do ponto de vista social é explicada pelo fato de, mesmo em período em que a economia patinou, o governo ter destinado mais recursos aos programas de combate à pobreza -que, na prática, aumentam a renda dos mais pobres.
Os números podem ser olhados de outra maneira também: eles refletem a queda na desigualdade de renda brasileira, já que os pobres conseguiram, ainda que timidamente, reduzir o abismo que os separa dos mais ricos. Neri ainda faz as contas para os anos de 2005 e 2006. Ele avalia que a melhora de distribuição de renda ocorreu, mas em velocidade menor do que a de, por exemplo, 2004. Em 2005, lembra ele, a renda dos mais pobres cresceu 8,5%, contra 6% da renda média.
"Ano espetacular"
Já é um ganho. Mas um ganho que empalidece quando a comparação é com 2004. Naquele ano, em que a economia cresceu 4,9%, a taxa de crescimento da renda per capita para os mais pobres, estimada por Neri, foi de nada menos do que 14,1%, enquanto a renda per capita média cresceu 3,6%. "2004 é o grande ano da queda da desigualdade no Brasil, um ano espetacular", diz o economista.
A pesquisa mostra o quanto o gasto social tem sido importante para a redução da desigualdade e a melhoria das condições de vida dos mais pobres, mas sugere também que nada melhor do que o crescimento econômico para ajudá-los.Em 2004, uma conjunção de fatores "pró-pobres" contribuiu para a redução da desigualdade. O aumento dos gastos sociais, presente em todo o período, ajudou, mas em 2004 a estrela foi mesmo o mercado de trabalho: o aumento do emprego e da renda beneficiou proporcionalmente os mais pobres. "O desempenho é muito puxado pela renda do trabalho. O que é muito importante, porque é algo que não acontecia."
Aliás, o ano de 2004, quando a recuperação do mercado de trabalho beneficiou muito os pobres, foi inédito não apenas pelo fato de o Brasil ter crescido mais que a média dos últimos anos, mas também por ter crescido e desconcentrado riqueza.
Ficou famosa no Brasil a tese de que "o bolo precisa crescer para ser dividido", frase de Delfim Netto, que, de alguma maneira, tentava justificar o fato de, nos anos 70, com forte crescimento, o Brasil ter passado também por processo de forte concentração de riqueza.
Crescimento, dizem os economistas, leva à concentração, a não ser que o Estado aja de maneira a torná-lo mais justo. Ainda há dúvidas se esse é o caso do Brasil e sobre o que ocorrerá quando e se o país voltar à rota do crescimento. Mas os resultados de 2004 parecem sugerir que não é impossível, no caso da economia brasileira, conseguir crescer e, ao mesmo tempo, repartir melhor a riqueza, mostra o estudo.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u113347.shtml
Será que essa matéria é importante? É, mas a capa da Folha foi... crise dos Aeroportos! Vai entender essa Falha de São Paulo.
sábado, dezembro 23, 2006
"A geografia que me importa é o território dos afetos..."
como ele disse que gostou (rs), reproduzo aqui o diálogo que tive com meu amigo Fernando Evangelista, jornalista, com várias matérias na Caros Amigos.
Fernando vive em Malta, Europa. Desde o Fórum Social Mundial, 2005, onde nos conhecemos pessoalmente não nos vimos mais mas, vamos nos falando, né Fernando?
Olha que coisa linda que ele enviou via email, frase do tio Emanuel:
"Realmente, a geografia que me importa é o território dos afetos."
Fernando, te Admiro muito. Saudades
segue abaixo então o texto
"Meu caro Amigo Fernando,
Não apenas ao leitor desavisado, que recebe suas palavras ao vento – verdadeiras tempestades – e tem a possibilidade do exercício de reflexão, você faz a mim um pedido mais direto: gostaria de saber a sua opinião sobre o texto “Vale a pena ser Jornalista?”, Caros Amigos nº 117, Dezembro de 2006.
O título em si já é uma provocação. “Vale a pena ser Jornalista?” poderia ser substituído por “Somos imprescindíveis?”, questões extremamente relevantes neste mundo dito Moderno e no qual os Jornalistas, na maioria das vezes, prestam-se a um desserviço a população, reproduzindo discursos prontos, deturpando depoimentos e a realidade para preservar o próprio rabo e o status quo.
Você próprio responde a questão, de maneira exemplar. Ser jornalista vale a pena se for para ‘desafinar o coro dos contentes’. Lembro ainda de Pessoa: ‘tudo vale a penas se a alma não for pequena’.
Aliás, no mundo de hoje, onde tudo que é sólido desmancha no ar, onde – supostamente – dizem não existir mais ideologias, foi decretado o fim da história, a vitória do Capital, o jornalismo se torna imprescindível.
“Quando os crimes acontecem como a chuva que cai, ninguém mais grita: alto!
Quando as maldades se multiplicam, tornam-se invisíveis.
Também os gritos caem como chuvas de verão.” (Bertolt Brecht)
Penso que o seu texto deveria ser adotado nos cursos de jornalismo deste país. Se eu fosse professor de jornalismo, o faria. Porque se o jornalismo é imprescindível, mais necessário ainda se faz explicar que tipo de jornalismo é imprescindível. Porque de mediocridades estamos cheias, a maldade, a mentira, tornaram-se banais, cotidianas. Como o professor, o poeta, o jornalista precisa armar-se para romper este muro, esta redoma de vidro invisível que insiste em nos manter na mediocridade, ignorando os problemas, tentando salvar o próprio umbigo.
Infelizmente, jornalismo hoje é shownarlismo, como bem escreveu o Arbex. Não importa a análise da notícia, o que importa é o espetáculo. Não importa a busca da verdade – ainda que seja sempre possível questionar o que é a verdade – o que vale é o entretenimento. A mídia julga, condena e executa pessoas, com total impunidade.
Gosto do seu texto porque ele tem um aspecto fundamental: recupera o papel do jornalista. Ou seja, aquele camarada crítico, que assume a sua parcialidade sim, mas que não impede de exercer um julgamento, uma análise de juízo, de criticar os seus próprios valores e tudo aquilo que acredita quando se faz necessário. O papel do jornalista que vai ao front, ouve todas as partes, pisa no barro, vê a senhora ser assassinada, questiona as maldades, questiona porque elas se tornaram invisíveis. O jornalista em si é um provocador. Um questionador nato da realidade, do sistema, da política, da sociedade e, acima de tudo, de si mesmo.
O que penso que faltou citar no seu texto, mas é extremamente perdoável tendo em vista que conheço os textos que você escreve e só percebi que faltou porque encontro esta qualidade nos seus textos mas não foi citada aqui, é a sensibilidade que o jornalista deve ter ao escrever suas matérias, suas notícias. A paixão, a emoção, que podem ser postas sem prejudicar a (im)parcialidade, uma análise mais racional presente no texto. Uma reportagem não pode ser um ‘boletim de ocorrência’, simples enumeração e citação de fatos – como não pode ser a reprodução de discursos feitos em gabinetes ou releases. É preciso ter uma literatura no texto jornalístico. É preciso imaginar a carne putrefata, a criança morta, o cheiro de podre ou o cheiro das rosas. E isso você tem. É preciso ser jornalista mas é preciso, acima de tudo, ser humano. E tratar as pessoas de suas reportagens como tal. Você tem isso, essa sensibilidade. Você não apenas descreve uma notícia, você a vive. Você a respeita. Talvez por estar no front, por observar os sofrimentos, as conquistas e derrotas, talvez por isso você tenha essa sensibilidade. E ela é indispensável àqueles que querem ser chamados de jornalistas. Penso.
Eliane Brum, uma jornalista da Época (eu acho) lançou um livro chamado A vida que ninguém vê. Fantástico! Esta é a sensibilidade que eu falo. Encontrei nela, encontrei em você. É isso o que difere vocês de simples jornalistas. E é isso que faz o jornalismo valer a pena. Se possível, leia o livro. É muito bonito.
Fernando, parabéns pelo texto. Gostei dele. Acredito que ser jornalista vale a pena sim, se for para ser como você citou. Porque o Chico Buarque pode dizer para quem ele quiser que a repressão acabou, que não vivemos mais em dias tão difíceis mas, muito próximo de minha casa vejo pessoas serem executadas, queima de arquivo, ‘cala-te bocas’ e muitas vezes eu preciso calar a minha para não prejudicar outras pessoas. E a mídia sabe destas mortes mas, silencia. Como soube das chacinas pós PCC e nada falou. Como sabe das mortes cotidianas na periferia ou dos trabalhadores cortadores de cana, mortos de tanto trabalhar, mas preferem cobrir a crise dos aeroportos, o choro da classe mérdia frustrada.
Seria muito bom ter jornalistas como você mais próximos da gente.
Forte Abraço
Rodrigo Ciríaco"
Fernando vive em Malta, Europa. Desde o Fórum Social Mundial, 2005, onde nos conhecemos pessoalmente não nos vimos mais mas, vamos nos falando, né Fernando?
Olha que coisa linda que ele enviou via email, frase do tio Emanuel:
"Realmente, a geografia que me importa é o território dos afetos."
Fernando, te Admiro muito. Saudades
segue abaixo então o texto
"Meu caro Amigo Fernando,
Não apenas ao leitor desavisado, que recebe suas palavras ao vento – verdadeiras tempestades – e tem a possibilidade do exercício de reflexão, você faz a mim um pedido mais direto: gostaria de saber a sua opinião sobre o texto “Vale a pena ser Jornalista?”, Caros Amigos nº 117, Dezembro de 2006.
O título em si já é uma provocação. “Vale a pena ser Jornalista?” poderia ser substituído por “Somos imprescindíveis?”, questões extremamente relevantes neste mundo dito Moderno e no qual os Jornalistas, na maioria das vezes, prestam-se a um desserviço a população, reproduzindo discursos prontos, deturpando depoimentos e a realidade para preservar o próprio rabo e o status quo.
Você próprio responde a questão, de maneira exemplar. Ser jornalista vale a pena se for para ‘desafinar o coro dos contentes’. Lembro ainda de Pessoa: ‘tudo vale a penas se a alma não for pequena’.
Aliás, no mundo de hoje, onde tudo que é sólido desmancha no ar, onde – supostamente – dizem não existir mais ideologias, foi decretado o fim da história, a vitória do Capital, o jornalismo se torna imprescindível.
“Quando os crimes acontecem como a chuva que cai, ninguém mais grita: alto!
Quando as maldades se multiplicam, tornam-se invisíveis.
Também os gritos caem como chuvas de verão.” (Bertolt Brecht)
Penso que o seu texto deveria ser adotado nos cursos de jornalismo deste país. Se eu fosse professor de jornalismo, o faria. Porque se o jornalismo é imprescindível, mais necessário ainda se faz explicar que tipo de jornalismo é imprescindível. Porque de mediocridades estamos cheias, a maldade, a mentira, tornaram-se banais, cotidianas. Como o professor, o poeta, o jornalista precisa armar-se para romper este muro, esta redoma de vidro invisível que insiste em nos manter na mediocridade, ignorando os problemas, tentando salvar o próprio umbigo.
Infelizmente, jornalismo hoje é shownarlismo, como bem escreveu o Arbex. Não importa a análise da notícia, o que importa é o espetáculo. Não importa a busca da verdade – ainda que seja sempre possível questionar o que é a verdade – o que vale é o entretenimento. A mídia julga, condena e executa pessoas, com total impunidade.
Gosto do seu texto porque ele tem um aspecto fundamental: recupera o papel do jornalista. Ou seja, aquele camarada crítico, que assume a sua parcialidade sim, mas que não impede de exercer um julgamento, uma análise de juízo, de criticar os seus próprios valores e tudo aquilo que acredita quando se faz necessário. O papel do jornalista que vai ao front, ouve todas as partes, pisa no barro, vê a senhora ser assassinada, questiona as maldades, questiona porque elas se tornaram invisíveis. O jornalista em si é um provocador. Um questionador nato da realidade, do sistema, da política, da sociedade e, acima de tudo, de si mesmo.
O que penso que faltou citar no seu texto, mas é extremamente perdoável tendo em vista que conheço os textos que você escreve e só percebi que faltou porque encontro esta qualidade nos seus textos mas não foi citada aqui, é a sensibilidade que o jornalista deve ter ao escrever suas matérias, suas notícias. A paixão, a emoção, que podem ser postas sem prejudicar a (im)parcialidade, uma análise mais racional presente no texto. Uma reportagem não pode ser um ‘boletim de ocorrência’, simples enumeração e citação de fatos – como não pode ser a reprodução de discursos feitos em gabinetes ou releases. É preciso ter uma literatura no texto jornalístico. É preciso imaginar a carne putrefata, a criança morta, o cheiro de podre ou o cheiro das rosas. E isso você tem. É preciso ser jornalista mas é preciso, acima de tudo, ser humano. E tratar as pessoas de suas reportagens como tal. Você tem isso, essa sensibilidade. Você não apenas descreve uma notícia, você a vive. Você a respeita. Talvez por estar no front, por observar os sofrimentos, as conquistas e derrotas, talvez por isso você tenha essa sensibilidade. E ela é indispensável àqueles que querem ser chamados de jornalistas. Penso.
Eliane Brum, uma jornalista da Época (eu acho) lançou um livro chamado A vida que ninguém vê. Fantástico! Esta é a sensibilidade que eu falo. Encontrei nela, encontrei em você. É isso o que difere vocês de simples jornalistas. E é isso que faz o jornalismo valer a pena. Se possível, leia o livro. É muito bonito.
Fernando, parabéns pelo texto. Gostei dele. Acredito que ser jornalista vale a pena sim, se for para ser como você citou. Porque o Chico Buarque pode dizer para quem ele quiser que a repressão acabou, que não vivemos mais em dias tão difíceis mas, muito próximo de minha casa vejo pessoas serem executadas, queima de arquivo, ‘cala-te bocas’ e muitas vezes eu preciso calar a minha para não prejudicar outras pessoas. E a mídia sabe destas mortes mas, silencia. Como soube das chacinas pós PCC e nada falou. Como sabe das mortes cotidianas na periferia ou dos trabalhadores cortadores de cana, mortos de tanto trabalhar, mas preferem cobrir a crise dos aeroportos, o choro da classe mérdia frustrada.
Seria muito bom ter jornalistas como você mais próximos da gente.
Forte Abraço
Rodrigo Ciríaco"
sexta-feira, dezembro 22, 2006
"É pela paz que eu não quero seguir admitindo..."
Como Dugueto Shabazz que dedicou seu Prêmio Cooperifa à Rita de Cássia Sampaio de Souza, quero manifestar toda a minha solidariedade e apoio a esta brasileira que exerceu um direito cívico e político: esfaqueou um deputado federal - ACM Neto.
Acusaram-na de sofrer de um desequilíbrio mental visível. Rita, para mim, você é a brasileira mais lúcida deste país!
Sou eternamente grato a você por este gesto de justiça, coragem e sinceridade!
Vida longa e Justiça à você, Rita de Cássia.
E, classe política: É PRA TER MEDO DA GENTE SIM VIU! Rita foi um exemplo! Outros virão!
Abaixo entrevista de Rita na Folha:
"entrevista
Deputados têm tudo e eu, nada, diz agressora
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR
Presa em flagrante e autuada por tentativa de homicídio por esfaquear o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), a pensionista Rita de Cássia Sampaio de Souza, 45, disse ontem, antes de ser encaminhada ao Presídio Feminino de Salvador, "que os deputados têm tudo" e ela nem consegue sacar seu FGTS.
PERGUNTA - Por que a sra. esfaqueou o deputado ACM Neto?
RITA DE CÁSSIA SAMPAIO DE SOUZA - Estou muito revoltada com a classe política. Eles têm tudo, altos salários, mordomias, e eu nem sequer consigo sacar o meu FGTS.
PERGUNTA - Quando começou a revolta da sra.?
RITA DE CÁSSIA - Faz tempo que detesto deputados, porque eles não fazem nada. Mas este aumento [salarial de 91% aos parlamentares] aumentou a minha revolta.
PERGUNTA - A sra. já esteve no escritório do deputado?
RITA DE CÁSSIA - Duas vezes. Ele prometeu me ajudar e nada fez. Os assessores também prometeram a liberação, mas até agora, nada."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1912200612.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1912200611.htm
Ela, desequilibrada? Fala sério...
Eles brincam com a gente
Primeiro foram os Juízes. Sim, aqueles caras que, dizem, são responsáveis por defender a justiça em nosso país.
Depois os promotores e procuradore de Justiça, foram autorizados a ter um aumento de salário. Ganham pouco, coitados...
Depois, os parlamentares.
E a Farra não pára!
Abro hoje o jornal e vejo: "PR, MT e ES aumentam o salário dos governadores" !!!
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u87984.shtml)
É muita provocação! Esses estrupícios estão brincando com a gente.
E o desgraçado do Aécio Neves vem dizer que o aumento é justo pois sua gestão não pode perder pessoas de qualidade? Desde quando o Estado é empresa? Esses caras estão prestando um serviço público! Devem ter um salário sim, mas condizente com a realidade do país.
E se o que recebem é pouco, eles que recusem os cargos. Conheço pessoas muito melhor qualificadas e que fariam um trabalho mais decente, honesto, ético e responsável por muito menos.
Safados! Hipócritas! Bandidos! Criminosos! Vocês é que deveriam estar em uma jaula. Na cadeia!
E querem que eu diga Boas Festas? Feliz Natal, Feliz Ano Novo? Pro Inferno!
E toda SOLIDARIEDADE A RITA DE CÁSSIA SAMPAIO DE SOUZA, brasileira que exerceu a minha vontade e esfaqueou um parlamentar: ACM Neto!
Acusam-na de Desequílibrio Emocional. O Caralho! Esta é a mulher mais lúcida do País!
Depois os promotores e procuradore de Justiça, foram autorizados a ter um aumento de salário. Ganham pouco, coitados...
Depois, os parlamentares.
E a Farra não pára!
Abro hoje o jornal e vejo: "PR, MT e ES aumentam o salário dos governadores" !!!
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u87984.shtml)
É muita provocação! Esses estrupícios estão brincando com a gente.
E o desgraçado do Aécio Neves vem dizer que o aumento é justo pois sua gestão não pode perder pessoas de qualidade? Desde quando o Estado é empresa? Esses caras estão prestando um serviço público! Devem ter um salário sim, mas condizente com a realidade do país.
E se o que recebem é pouco, eles que recusem os cargos. Conheço pessoas muito melhor qualificadas e que fariam um trabalho mais decente, honesto, ético e responsável por muito menos.
Safados! Hipócritas! Bandidos! Criminosos! Vocês é que deveriam estar em uma jaula. Na cadeia!
E querem que eu diga Boas Festas? Feliz Natal, Feliz Ano Novo? Pro Inferno!
E toda SOLIDARIEDADE A RITA DE CÁSSIA SAMPAIO DE SOUZA, brasileira que exerceu a minha vontade e esfaqueou um parlamentar: ACM Neto!
Acusam-na de Desequílibrio Emocional. O Caralho! Esta é a mulher mais lúcida do País!
quarta-feira, dezembro 20, 2006
JUSTIÇA ainda que tardia
I
Não Daniele, não bastava
ser acusada de infanticídio
da próprio filha.
Era preciso mais.
Como a Príamo de Tróia
Que recebeu um presente de grego
Mas antes, teve durante certo tempo
O corpo de seu filho Heitor negado,
À você o enterro de sua filha
também foi objetado.
Foi chamada de monstro,
Acusada de assassina
A imprensa fez o seu digníssimo papel
Datena na TV,
Close, provocação para a pose,
Execração ao vivo.
Foi-lhe negada o direito à defesa
Foi-lhe negada o crédito, o grito
Foi-lhe negada a justiça,
Foi-lhe negada o enterro do próprio filho.
De injusta opressora
Se tornou um justo oprimido
“joga o bicho da mamadeira pra cá”
diziam outras presas
confundindo papéis antes definidos.
Foi espancada, surrada,
sua mandíbula quebrada,
seu ouvido, com meia caneta enfiada
por súbita misericórdia, de enfiá-la inteira
foi poupada, mas não o seu
castigo.
Pós 30 e sete dias
O laudo decreta
A matéria confirma:
“MAMADEIRA DE BEBÊ MORTO
NÃO TINHA COCAÍNA.”
E junto com a notícia
Ouça agora fatos antigos, ocorridos
Mas antes parcialmente escondidos.
A pequena filha, um ano e poucos dias
uma doença com diagnóstico não definido.
O hospital, cotidiano
A tratava com 04, 05 remédios por dia
1825 por ano
inclusive um, com pó branco
em sua boca e na mamadeira
por COCAÍNA confundidos.
Antes de quase mártir na cadeia
Daniele no hospital em que a atendia
Já havia sofrido.
Onde deveria receber ajuda pública, alheia
Foi estuprada, violentada,
Por um aluno quintanista de medicina
Aproveitando-se do infortúnio de sua filha
E a sua permanente dependência dos clínicos.
Denúncia no DP registrada
Exame de corpo delito confirmava
O estupro cometido.
O quintanista não foi punido!
Apenas Daniele e sua filha
Que passaram a ser desprezadas nos hospitais
E não mais receber atendimento digno.
37 dias presa
o laudo confirma o engano cometido
Daniele foi solta
Finalmente pode ver a pequena cova, cheia
Que contrastava com o seu grande coração, vazio.
Ela espera justiça,
Saber se o óbito da filha
Foi omissão de socorro
Pelas muitas horas não atendidas
Ou se foi morte natural
Um pedido de deus atendido.
II
A inocência de Daniele
Não teve a mesma repercussão
Que mereceu o suposto
Infanticídio.
Poucos jornais recontaram
a sua história.
Não vi ninguém pedir desculpas
Pelo mal entendido.
Nem o Estado, responsável pelas omissões de socorro,
Diariamente nos hospitais, milhares
Não são socorridos.
Nem a polícia, responsável pela prisão,
Diariamente presos são maltratados e agredidos.
Nem as presas, responsáveis pela agressão,
Tão oprimidas quanto ela,
Engrenagens nas mãos de verdadeiros bandidos.
Nem a TV, responsável pela execração,
Pela matéria, julga condena, profere a sentença
Sem que todas as partes sejam ouvidos.
Nem o quintanista, estuprador
Que usou camisinha, não pôde ser reconhecido
e sente-se ainda, agora
Protegido e prevenido.
Quer saber, de que adianta desculpas,
Não é Daniele.
Nenhuma redimirá a sua dor, de mãe,
De mulher, ofendida e violentada,
Acusada, julgada e condenada,
Calada,
Sem culpa, sem direito ao grito.
Nenhuma trará a Victória de volta,
Sorridente, sem dores,
Uma vida sem sofrimento vivido.
De que adianta desculpas Daniele,
Nenhuma redimirá a sua dor.
Você precisa de Justiça!
JUSTIÇA!
Ainda que tardia.
I
Não Daniele, não bastava
ser acusada de infanticídio
da próprio filha.
Era preciso mais.
Como a Príamo de Tróia
Que recebeu um presente de grego
Mas antes, teve durante certo tempo
O corpo de seu filho Heitor negado,
À você o enterro de sua filha
também foi objetado.
Foi chamada de monstro,
Acusada de assassina
A imprensa fez o seu digníssimo papel
Datena na TV,
Close, provocação para a pose,
Execração ao vivo.
Foi-lhe negada o direito à defesa
Foi-lhe negada o crédito, o grito
Foi-lhe negada a justiça,
Foi-lhe negada o enterro do próprio filho.
De injusta opressora
Se tornou um justo oprimido
“joga o bicho da mamadeira pra cá”
diziam outras presas
confundindo papéis antes definidos.
Foi espancada, surrada,
sua mandíbula quebrada,
seu ouvido, com meia caneta enfiada
por súbita misericórdia, de enfiá-la inteira
foi poupada, mas não o seu
castigo.
Pós 30 e sete dias
O laudo decreta
A matéria confirma:
“MAMADEIRA DE BEBÊ MORTO
NÃO TINHA COCAÍNA.”
E junto com a notícia
Ouça agora fatos antigos, ocorridos
Mas antes parcialmente escondidos.
A pequena filha, um ano e poucos dias
uma doença com diagnóstico não definido.
O hospital, cotidiano
A tratava com 04, 05 remédios por dia
1825 por ano
inclusive um, com pó branco
em sua boca e na mamadeira
por COCAÍNA confundidos.
Antes de quase mártir na cadeia
Daniele no hospital em que a atendia
Já havia sofrido.
Onde deveria receber ajuda pública, alheia
Foi estuprada, violentada,
Por um aluno quintanista de medicina
Aproveitando-se do infortúnio de sua filha
E a sua permanente dependência dos clínicos.
Denúncia no DP registrada
Exame de corpo delito confirmava
O estupro cometido.
O quintanista não foi punido!
Apenas Daniele e sua filha
Que passaram a ser desprezadas nos hospitais
E não mais receber atendimento digno.
37 dias presa
o laudo confirma o engano cometido
Daniele foi solta
Finalmente pode ver a pequena cova, cheia
Que contrastava com o seu grande coração, vazio.
Ela espera justiça,
Saber se o óbito da filha
Foi omissão de socorro
Pelas muitas horas não atendidas
Ou se foi morte natural
Um pedido de deus atendido.
II
A inocência de Daniele
Não teve a mesma repercussão
Que mereceu o suposto
Infanticídio.
Poucos jornais recontaram
a sua história.
Não vi ninguém pedir desculpas
Pelo mal entendido.
Nem o Estado, responsável pelas omissões de socorro,
Diariamente nos hospitais, milhares
Não são socorridos.
Nem a polícia, responsável pela prisão,
Diariamente presos são maltratados e agredidos.
Nem as presas, responsáveis pela agressão,
Tão oprimidas quanto ela,
Engrenagens nas mãos de verdadeiros bandidos.
Nem a TV, responsável pela execração,
Pela matéria, julga condena, profere a sentença
Sem que todas as partes sejam ouvidos.
Nem o quintanista, estuprador
Que usou camisinha, não pôde ser reconhecido
e sente-se ainda, agora
Protegido e prevenido.
Quer saber, de que adianta desculpas,
Não é Daniele.
Nenhuma redimirá a sua dor, de mãe,
De mulher, ofendida e violentada,
Acusada, julgada e condenada,
Calada,
Sem culpa, sem direito ao grito.
Nenhuma trará a Victória de volta,
Sorridente, sem dores,
Uma vida sem sofrimento vivido.
De que adianta desculpas Daniele,
Nenhuma redimirá a sua dor.
Você precisa de Justiça!
JUSTIÇA!
Ainda que tardia.
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