terça-feira, janeiro 19, 2010

QUANDO QUERO, FICA TUDO BEM...


desenho toda a calçada
acaba o giz, tem tijolo de construção

eu rabisco o sol
que a chuva apagou...

(giz - legião urbana)

GRANDE SERTÃO: VEREDAS

"Senti pena daqueles pobres, cansados, azombados, quase todos sujos de sangues secos - se via que não tinham esperança nenhuma decente. Iam de leva para a cadeia de Extrema, e de lá para outras cadeias, de certo, até para a da Capital. Zé Bebelo, olhando, me olhou, notou moleza. - "Tem dó não. São os danados de façanhosos..." Ah, era. Disso eu sabia. Mas como ia não ter pena? o que demasia na gente é a força feia do sofrimento, própria, não é a qualidade do sofrente."

sábado, janeiro 16, 2010

O MEU CACHORRO É FODA!

o meu cachorro não me pergunta
onde eu estava, por que eu não liguei
quem era aquela moça, onde foi
que eu errei

o meu cachorro não questiona
se o meu cabelo está cumprido
se o meu tennis tá furado
se a minha conta anda tão cheia
quanto um saco vazio

o meu cachorro não me dá dura
se eu não tomei partido
se eu não tomei remédio
se eu não tomei um engov
antes de ter bebido

o meu cachorro
não faz porra nenhuma
não pergunta nada
não questiona coisa alguma

só sabe abanar a merda do rabo
até quase perder o rebolado
quando me vê

e é por isso que eu gosto tanto dele

NÁDEGAS A DECLARAR

tudo o que eu queria era um buraco onde eu pudesse me colocar e dormir. ali ficar. voltar? talvez. quem sabe? quando essa dor passar. esse sentimento de eu contra o mundo. o que fazer? se tudo está uma bosta, se todos os sonhos não estão mais sobre a mesa posta, o que fazer? chorar, já cansei. rezar, também. lutar. pra quê? quantos venceram? quantos, nesse caminho, já se fuderam? valerá a pena? pena Pessoa, minha alma é pequena. demais. tanto que já se encheu de tantos ais. de tantas explicações, finais. de tudo isso. o que eu queria mesmo era um sorriso. no rosto de minha mãe, de volta o brilho. a fortaleza de meu pai. o sossego de um irmão. a cura do outro. a minha redenção. que ninguém precisasse enfiar o nariz onde é chamado para resolver qualquer questão. que não fossemos tão egoístas, que pudéssemos nos dar as mãos. mas meu irmão, não. está longe. fisicamente, a milhares de quilômetros daqui. intimamente, a anos luz. querendo se afundar. se chafundar na lama. na coca, na brahma. sem saber que o buraco não tem fundo. o buraco é profundo. tão intenso quanto os meus pesadelos. o marco zero que trago no peito. de há tempos não marcar um único gol. estou com saudades de gritar. de berrar, de gemer. não o gemido do gozo, mas o da dor e do prazer. e não sei mais o que fazer. o mundo parece tão besta. as cores tão desbotadas. as pessoas tão desinteressantes. e o amor? são fotos guardadas em arquivos do meu computador. mas como dói.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

SOLIDARIEDADE AO HAITI


talvez palavras não sejam suficientes para descrever o sofrimento de um povo, que se já não padecesse pela miséria de séculos de exploração, colonização e opressão, sofre ainda com a miséria e desastres naturais. por isso, tantas, fotos, imagens. e uma pergunta: qual o motivo do Haiti ser tão ferrado? ser tão abandonado? basta olhar para a cara de suas crianças, seu jovens, velhos; seu povo. na minha opinião, o racismo segue forte no (velho-novo) mundo.

palavras não são suficientes. aqui, não significam nada, quando falta a moradia, a água, alimentação; respeito, família. de qualquer forma, sinto-me na obrigação de dizer: na dor, vocês não estão sozinhos.

daqui, diante de todo o meu sentimento de impotência,

r.c.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

COOPERIFA NO SESC POMPÉIA - 10.01

Sérgio Vaz

Dona Edith

Valmir Vieira

Brau Mendonça

Casulo

FINO

Rose Dorea

Cláudio Laureart

Wesley Nóog

Dill

Seu Jorge Esteves

Camila

Rodrigo Ciríaco (eu mesmo - rs)

Preto Will e Cocão (Versão Popular)

o Respeitável Público

Augusto

Seu Lourival

As crianças curtindo o Sarau

Elizandra Mjiba

Fanti Manumilde

Encerramento com Festa

a Molecada invadindo o palco

É tudo Nosso!

sexta-feira, janeiro 08, 2010

SERÁ QUE VAI?

Jéééésus Cristim. Se isso são férias, o que é trabalhar? Imagine: desde quarta-feira estou há mais de vinte horas quase, em frente ao computador. Manhã, tarde, noite ou madruga, não importa, na hora que dá a gente volta. Ao trabalho. Elaborar esse projeto pro VAI. Será que VAI? Não sei. Tem que ir. Até porque está ficando bom. Bacana. Já pensou: trabalhar e ser remunerado? Olha que avanço. Melhor ainda. Já pensou, escolher quatro alunos para trabalhar contigo e remuerá-los, também. Seria bom demais. Não ficar pedindo esmola, empréstimo. Usar o dinheiro, público, de uma maneira boa, correta, eficiente. O que cabe a nóis, nesse imenso latifúndio. E mão na massa. A parte do orçamento que, acho eu, a mais difícil - muitos detalhes, pesquisa, levantamento do que será usado, planejamento - ficou pronta. Agora vem a parte, digamos, teórica. Justificativa do projeto, objetivos. Bom, isso eu já sei. Já fiz antes. Não escrever, a parte mais difícil, a prática. Escrever é fácil. Basta colocar no papel, o que aconteceu, o que fizemos, onde chegamos; onde erramos. Sem mentiras, sem masturbação. Apenas o que é. E já está bom demais. Se não aprovarem, a gente continua do mesmo jeito. Pois é assim que é. Né não?

quarta-feira, janeiro 06, 2010

COMUNIDADE NO ORKUT

salve, rápa.

criei no Orkut uma comunidade para o grupo litero-teatral da minha escola, @s Mesquiteir@s.

quem quiser participar, clique AQUI!

e aproveitando a deixa, tem também a comunidade do meu livro, o "Te Pego Lá Fora".

quem quiser participar, clica AQUI.

no mais, algumas atualizações de blogs e sítios nas minhas contra-indicações, incluindo o blog dos www.mesquiteiros.blogspot.com - quem quiser acessar, é só chegar.

ah, tem indicações de um sítio, um blog bacana, que envolva literatura, educação, cultura, teatro, política ou mídia alternativa? dá um toque aí. quem sabe não entra aqui.

firmeza?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

"SE ALGUÉM PERGUNTAR POR MIM...

, diz que fui por aí, levando um violão por debaixo do braço."

voltei. pra partir. de novo. daqui a pouco. mas por enquanto, notícias por cá. pra não ficar tudo muito parado.

viajei para o interior de sampa. campo. bichos, família, amigos. piscina e descanso. chuva e sol. e foi bom. muito bom. lembrar do que vale a pena. que a vida tem muitas outras coisas além de sampa city. que a vida acontece além da cidade cinza. gosto daqui, mas gosto de sair, vezemquando, daqui também.

ontem eu vi o céu mas estrelado da minha vida. e entendi o que significa a expressão "azul celeste". coisas que não acontecem todos os dias.

ontem, por isso, fiquei feliz.

agora, correndo atrás de cuidados. de mim. dentista, dermatologista. gastro. fora outros exames. nada preocupante. apenas uma checagem geral. coisas que precisava já ter feito há algum tempo mas, por falta de tempo, vamos adiando. vou aproveitar as férias pra isso. cuidar de mim.

no mais, escrevinhando o projeto teatral-literário para o VAI. tem que ser assim, do contrário, não vai. preciso de recursos pra prosseguir na luta. botar dim-dim do bolso não rola mais. não por não querer, simplesmente por não ter. preferia realizar os projetos sem pedir nada pra ninguém: governo, ong, o escambau. mas nao tem jeito. como o dinheiro do VAI é público, e precisa ter uma boa destinação, vâmo cair pra dentro. bora? por que não?

a meta é pé na estrada de novo. daqui duas semanas. e curtir a estrada de novo. novos lugares, novas emoções. estou aceitando convites. principalmente se vierem acompanhado de hospedagem. por que não? tem que ser cara-de-pau as vezes, né não?

no mais, leituras dentro da guerra. finalmente terminando o livro de gandhi. boal já engatilhado na sequência. junto com joão antônio. e meu livro.

meu livro vai sair. quero que saia. preciso primeiro arrumar meu computador, resgatar os escritos, relê-los, reescrevê-los, enviar para quem queira opinar, criticar, cutucar e, botar forma nos meninos. sai este ano. livro novo. espero.

o nome? hum... se eu te contar você não vai acreditar. então, deixa em off. por enquanto.

e se alguém perguntar por mim, diz que eu fui por aí.

salve,

r.c.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

ADEUS ANO VELHO?

então. não sei se vou aparecer por aqui. tão cedo. viajo na quarta. pra um lugar aí. não quero dizer. férias. chega de pessoas zé-povinhando os meus traços. temos mais o que fazer. não temos? eu não. férias. eu quero sossego. praia, campo e mar. os dois juntos, ou o que vier é lucro. a única certeza é que vou descansar. férias. só quero um livro do lado, uma boa companhia do outro, os dois juntos. ou nada. eu quero é férias. e férias serve para nada. para não pensar em nada. ficarei assim, até o dia 05. quando eu volto. daí, muito trampo. escrever projeto do VAI. terminar um livro. quem sabe dois? não sei. algo pra se pensar depois das férias. depois de deslocar a cabeça da ordem e do progresso. curtir o caos. eros e thanatos. e baco. quem sabe não encontro afrodite. quem sabe ela não se estica nos meus braços. quem sabe ela não me dá - outro - fora. okei... é férias. vale tudo. até velhas promessas.

no ano que vem, eu prometo:

- prometo continuar sendo chato (principalmente para quem acha que ser chato é você ser crítico, e ter o profundo desejo de mudar algumas coisas);
- prometo ser uma pessoa mais tolerante, paciente, mais humana (exercício pleno e permanente);
- prometo que vou estudar mais, faltar menos, ser um melhor professor;
- prometo que vou lançar pelo menos um livro, ainda não sei do que;
- prometo que vou continuar com o meu grupo de teatro - independente se eles irão continuar comigo - kkkk;
- prometo que vou fazer samba-rock e ioga (sem esquecer de namorar a capoeira);
- prometo que vou raspar a cabeça (to cansado de, aos poucos, ficar careca);
- prometo continuar falhando, mancando, decepcionando as pessoas, a começar comigo mesmo, ao chegar ao final do ano que vem e ver que não cumpri quase nenhuma dessas promessas, ou todas, o que dá no mesmo.

quer saber, merda pra nóis. até o ano que vem. que está vindo. ou que já passou.

merda!

FRAUDE?!

a última do ano (deste ano pelo menos, espero):

FRAUDE NAS ELEIÇÕES DO MESQUITA!

explico: houve um processo de avaliação feito pelos alunos sobre professores, funcionários da escola. já falei sobre o mesmo aqui. que havia ganho a categoria de "melhor aula expositiva". que fora o professor melhor indicado em todas as categorias que podia concorrer. enfim. agora, o que eu soube por terceiros - um passarinho verde me contou - é que, na verdade, eu não apenas fui indicado em várias categorias, mas que eu VENCI, EM QUASE TODAS.

fiquei ainda mais feliz. ser reconhecido, lembrado pelos alunos. agora, cade as minhas medalhas?!

parece que a pessoa que realizou a contagem - uma professora - simplesmente ignorou os votos dos alunos - que somando os três períodos, deve ter dado mais de 1.000 votos - e resolveu, ao invés de me premiar, "homenagear" a todos os outros professores que foram indicados, junto a mim.

ou seja, mudança das regras aos 46 do segundo tempo. fraude! não importa quem votou, o que votou, importa o que ela quer!

- não lembra o Toninho Malvadeza, também conhecido como ACM, quando violou o painel do Senado numa votação? cade a Ética, hein o professores(as)?!

agora eu pergunto: se essa pessoa, ela, sozinha, ia decidir quem merecia ganhar, por critérios estritamente pessoais dela, por que fazer uma votação? qual o problema de me premiar, se os alunos assim decidiram?

é, tenho que ficar cada vez mais esperto. parece que estou incomodando muita gente. por enquanto, estão me roubando votos, premiações, prestígio. pode até parecer bobeira, coisa pequena, mas se começa assim, o que vira pela frente?

não sei. mas quem vier, o que vier, que venha preparado. pois eu estou.

sem papas na língua nem medo de cara feia,

rodrigo

quarta-feira, dezembro 23, 2009

SIMONAL - O CARA!!!









o cara era FODA. MONSTRO. e aliás, se alguém ainda quiser me dar um presente, aceito qualquer CD do Simona, certo? rs

terça-feira, dezembro 22, 2009

EDUCADORES

estive pensando, o que um "educador" nos dias atuais deveria ler/assistir - além da formação específica de seu curso, é claro - para educar de maneira crítica, sensível e instigadora, seus estudantes. então, cheguei a uma pequena "bibliografia" de filmes e livros que me provocaram, muito, quando os assisti ou li, e que ajudam a fortificar, nos dias mais difíceis, a luta e prosseguir.

são a eles que eu recorro nos dias de baixa da guerra:

LIVROS:

- Gandhi: Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade
- Autobiografia de Malcom X
- A Descoberta do Mundo - Clarice Lispector
- Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
- Cem Anos de Solidão: Gabriel Garcia Marquez
- Memórias de Um Sobrevivente - Luiz Alberto Mendes
- Querô: Uma reportagem maldita - Plínio Marcos
- Olga - Fernando de Morais
- A vida que ninguém vê - Eliane Brum
- De Passagem mas Não a Passeio - Dinha
- O Colecionador de Pedras - Sérgio Vaz
- Poemas: 1913-1956 - Bertolt Brecht
- O Teatro como Arte Marcial - Augusto Boal
- Poema Pedagógico - Anton Makarenko

FILMES:

- Escritores da Liberdade
- Mentes Perigosas
- Diário de Motocicleta
- Um Grito de Liberdade
- Coach Carter
- Forrest Gump
- Filhos da Esperança
- A Língua das Mariposas
- Pequena Miss Sunshine
- V de Vingança
- Crash - No Limite
- Os Melhores Dias de Nossas Vidas
- A Partida
- Sicko
- Eu sou a Lenda
- Mandela: luta pela Liberdade

É, se você quer ser educador, acho que já dá pra começar. Se você assistiu ou leu alguma dessas obras, e não sentiu nada, nada cutucou, incomodou, desculpe: o problema está contigo. E se quer ser uma pessoa um pouco melhor, deveria correr atrás de alguns desses títulos. É a minha sugestão. Para educadores, ou não.

MELHORES DO ANO(?)

hoje teve uma espécie de despedida na escola. o último dia com atividades. amanhã iremos apenas para fazer a avaliação, resolver pequenos detalhes. e férias.

e na despedida, rolou um cafezão, bancado pelos professores. lanchinhos, frutas, comidinhas. um amigo secreto e, talvez o mais aguardado: a entrega do prêmio "melhores do ano".

na verdade, não foi um prêmio. foi uma avaliação que rolou na escola, dos alunos sobre os professores, nos três períodos: manhã, tarde e noite. foi uma avaliação que começou na brincadeira, tornou-se séria, e gerou expectativa entre os professores e professoras da escola.

pois bem, vamos lá a entrega das medalhas. as categorias eram: melhor diário, professor mais assíduo, melhor aula expositiva, melhor comando em sala, aula mais original, melhor micro-projeto em aula, professor simpatia(? - kkk), voz masculina e feminina, assim vai e, finalmente: funcionário do ano.

na categoria professor mais assíduo, eu passei longe. confesso que faltei mais do que devia este ano. não por querer, mas por problemas familiares e de saúde. mas agora estou bem melhor, e minha meta para o ano que vem é estar indicado também nesta categoria.

porque nas outras, eu estive em quase todas: melhor aula expositiva, melhor comando em sala; melhor aula original, melhor micro-projeto, voz masculina, professor simpatia e funcionário do ano.

tá certo, só levei a medalha em uma: melhor aula expositiva. mas, dentre os quase 120 professores da escola, ser o mais indicado em todas as categorias, ou seja, estar - sempre - entre os 05 melhores professores de toda a escola, nos três períodos, é motivo de orgulho ou não é?

é! principalmente pelo fato de que, os "jurados" desta eleição foram os alunos e alunas. e, pra mim, a opinião deles é a mais importante.

senti que várias pessoas torceram o nariz, ficaram incomodadas com tantas indicações minhas. quando fui receber a minha medalha, senti poucos aplausos, poucas vibrações. okey, sem problemas. os alunos mostraram que me querem. e se fui indicado para

- melhor aula expositiva
- melhor comando em sala
- melhor aula original
- melhor micro-projeto (em sala) e
- funcionário do ano

não tem jeito: tem gente na escola que vai ter que me engolir...

e vice-versa.

té mais,

rodrigo ciríaco
mais feliz, possível
mas não desejável.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

NO MEDÍOCRES!

hoje teve reunião de pais na minha escola. dez horas da manhã, pais, irmãos, alunos, alunas, responsáveis foram chegando a escola. ajeitando-se no pátio. mais de duzentas pessoas. de pé, sentadas. encostadas em alguma coluna. acomodadas em alguma parede.

nesse cenário, a direção havia pedido que Os Mesquiteiros apresentassem uma parte do espetáculo. duas pequenas cenas, esquetes. foi-se lá o Jorginho, de Sérgio Vaz, e o conto Pratos Limpos, de minha autoria.

Liliane, minha aluna que faz Jorginho, pegou de vez o jeito da coisa. a voz tímida, calada, que desejava o grito mas parecia que nao tinha pulmões, desabrochou. o pátio ouviu a voz da aluna que quase não tinha voz pra responder, em sala, a chamada. uma beleza de figura feminina, ainda menina, que vivia escondida. e agora sorri, irradia por onde passa: luz, sol e esperança. seu Jorginho de hoje foi lindo, tão bom quanto o último, que ela apresentou na Ação, e fez especialmente para o Vaz. foi lindo. pela primeira vez, na apresentação das cenas, o público nem esperou acabar a peça para aplaudir: bateram palmas ao final da primeira apresentação mesmo.

depois, leitura de um texto individual pela Gabi, enquanto eu e a Jéssica arrumávamos o cenário para o Pratos Limpos. este era o prato principal da noite. ou melhor, da manhã. uma porque é uma esquete que escrevi sobre a escola, e não há nada mais emocionante do que vê-la encenada no espaço onde nasceu. outro, porque é um chacoalhão na miséria, na pobreza que habita cada um de nós: o descaso com o outro. porque não é fácil a vida das tias da cozinha e da faxina. o trabalho delas, as coisas por quais passam. o desvalor que recebem. e terceiro, porque continha uma provocação especial aos professores e professoras. aqueles, quase 116 (cento e dezesseis), que não se dignaram a mover-se um dia para prestigiar os alunos na escola. mas ok, "a vingança não é um prato que se come frio? porque que eu não posso botar um tempero..."

e não só botamos o tempero. Jéssica também fez uma apresentação energética. vai longe essa menina. uma atriz perfeita. pronta para qualquer espetáculo. sei que ela vai ler isso. espero apenas que nao se "ache" muito. mas, pois bem, voltando. o "frisson" da apresentação foi a hora que diz: "mas tem uma coisa. não é só aluno que faz esse chiqueiro não. professor é bichinho porco também." a galera riu. não para ridicularizar os professores. riu da piada. riu porque é verdade. riu porque professores e professoras, enquanto educadores, são seres humanos. e erram. alguns, mais do que os outros. outros, pior: não reconhecem o erro.

a apresentação foi ótima. muitos aplausos, congratulações. da parte da comunidade, alunos e, principalmente das tias da cozinha. fui especialmente conversar com elas depois, para saber o que acharam, para saber se não haviam ficado chateadas - afinal, a vingança da cozinheira, é "cuspir" na merenda dos alunos. disse que sabia que elas não fazia isso. ali, estava expressa a minha vontade e raiva ao ver o que elas passaram. mas elas entenderam. estavam super felizes. por serem reconhecidas. por estarem vivas, com suas contradições visíveis. e por serem "vingadas". tem coisa melhor que isso?

não, apenas pior. os professores nao gostaram nada da provocação. disseram que não são porcos. que eu devia tomar mais cuidado. que eu devia dar nomes aos bois. as vacas. vários ficaram fazendo cara feia. de quem não comeu, não provou, mas já não gostou. a única coisa que eu disse foi que, se o professor ou professora não faz esse tipo de coisa, não havia porque ficar "indignado". não resolveu.

okei. que fiquem com a sua indignação. eu também tenho as minhas. como todos temos. o que mais me surpreende é que ninguém fica indignado com a situação das cozinheiras, das faxineiras da escola. ninguém fica indignado se o aluno também é provocado na peça, chamado de porco. ninguém fica indignado de dizer que a molecada não presta, que a comunidade é ruim porque tem muito nordestino, ninguém, na sala dos professores, fica indignado com a falta de caráter, escrúpulos de alguns colegas. com a falta de cooperação, coletividade, solidariedade. só ficam chateadinhos, nervosinhos, quando pisam nos seus calos. quando eu os chamo de porquinhos. nãooo..., isso não. isso não pode.

mas, a cena mais cômica, foi ir na sala dos professores meia hora depois da apresentação e ver: a realidade nua, crua, sempre superior - e mais verdadeira - do que a ficção. copos de água espalhados pela mesa. marcas de café caído, derrubado sobre a toalha. farelo de pão, bolacha, bolo. um prato jogado. talheres sujos sobre a geladeira. sujeira.

alguém já disse: algumas vezes, ações valem mais do que palavra.

e como diz arnaldo antunes:

"uh, uh, uh, ô professor:
quem não sabe nada é o senhor!"

salve,

rodrigo ciríaco
em luta constante contra a mediocridade:
em primeiro lugar, a minha própria

p.s.: quando vieram reclamar comigo, que eu tava muito "revoltadinho", que devia tomar mais cuidado com o que escrevia - o povo com zelo excessivo por mim, já viram? - a minha vontade era responder que o meu problema, na verdade, era "falta de sexo." isso mesmo, falta de sexo. não que eu ache que eu tenho um problema, muito mais esse, mas é que eu fiquei indignado com uma colega docente que eu considerava muito que veio me perguntar, de uma maneira bem irônica e séria, se eu queria que ela arranjasse alguém para me aliviar. afinal, uma pessoa revoltada com a miséria do mundo, as mazelas da escola, só pode ser uma pessoa que não trepa.

não sei como, respondi educadamente que meu problema não era sexual, mas político e pedagógico. disse ainda que não precisava da ajuda dela, caso achasse que isso fosse um problema, e que eu podia me virar sozinho (meio ambíguo isso). e lembrei, de uma frase antológica escrota, de uma cara escroto, chamado Paulo Maluf: "o problema das professoras é que elas são mal casadas."

quer dizer, dentro da lógica do que ela disse, se ela achar que está certa, e que meu problema é esse, a falta de sexo, talvez ela deva acreditar que o Maluf também está certo.

fica a pergunta: o pessoa professora, você é casada?

AUTOBIOGRAFIA - (INCOMPLETA, POR ENQUANTO)

branco por fora
negro por dentro

e intenso
como o sangue

que de todos
é vermelho

domingo, dezembro 20, 2009

SÓ PARA DIZER...

que o blog já tem mais de três anos.
e que esta é a postagem de número 1.001.

NADA COM NADA

a vida é foda
mas, a vida é bela

não sofra com a vida
relaxe, goze.

foda com ela.

AOS MESQUITEIROS

o comentário da minha amiga e parceira de luta nas trincheiras escolares, Mei Hua, foi tão bonito, que eu não poderia deixá-lo escondido apenas para quem acessa-se nas entranhas das postagens. então, publico-o aqui. obrigado, Mei. vou repassar também aos aluno e alunas. garanto que ficaram grato e felizes.

"Aos Mesquiteiros:

Ainda acredito que a educação pública tenha jeito. Acredito que o teatro, como arte, envolve uma parcela incomensurável de elementos que formam e educam sem resvalar para o “pedagogês”. Ainda acredito que existam pessoas que botem fé umas nas outras.

As crenças acima são verdadeiras, mas, devo confessar, sofrem ataques constantes dos reveses cotidianos. Ainda mais na esfera escolar, com suas instâncias burocratizadas, com sua enorme ausência do poder público, com sua complexidade de fatores negativos que quase sempre tomam o curso do fracasso, do desânimo ou da revolta.

No entanto, a peça fundamental dessa engrenagem chamada escola ainda é o aluno. Professores, coordenadores, diretores, funcionários e educadores não existiriam em suas funções se acaso não estivesse ali o aluno. E, apesar de presenciarmos repetidas vezes dentro das escolas o descaso quase generalizado – quando não uma atribuição de culpa por todos os problemas existentes – para com eles, alunos e alunas, há momentos em que somos realmente felizes enquanto educadores e seres humanos. Isso ocorre justamente quando há um encontro – geralmente único, especial – entre aqueles que deveriam ensinar e aqueles que deveriam aprender, mas numa via de mão dupla, ou seja, quando todos percebem que, para além das injustiças, do dinheiro, das agruras, das obediências curriculares, existe a possibilidade de enxergar o outro com “olhos livres” e, num ato de extrema coragem, entregar aquilo que nos é mais caro, mais precioso, como oferenda de boa fé ao outro.

Honrada. Foi exatamente assim que me senti ao assistir à peça De aqui de dentro da guerra, apresentada por vocês Mesquiteiros, sob a tutela do persistente e audacioso professor. Rodrigo Ciríaco. Honrada e de alma lavada por ver e sentir do que a rapaziada é capaz quando alguém resolve verdadeiramente acreditar e trabalhar duro com eles. Por que o que se vê ao assistir ao espetáculo se projeta para longe, ultrapassa as barreiras da escola e ocupa o espaço de outras dimensões que, por sua vez, afetam e determinam aquilo que adentra as instituições de ensino. Dialético e profundo, mas feito com uma simplicidade que dispensa elucubrações. Os meninos (ou melhor, menino e meninas) surpreendem e causam espanto, curiosidade. Incitam nos espectadores o riso nervoso ao interpretarem as cenas carregadas de ironia (presente nas falas dos textos contundentes). Encantam com seus relatos e tratam com suavidade e desenvoltura temas densos como abandono, descaso, morte.

E eu, que queria tanto assistí-los na escola, mas não pude, fui brindada com esses momentos mágicos em que realidade e ilusão se misturam, se condensam e viram outras possibilidades.

Obrigada.

Um caloroso abraço a todos(as).

Mei Hua."