segunda-feira, novembro 24, 2008

EXPLODE CORAÇÃO

hoje estou com o coração apertado, angustiado. é triste voltar pra realidade.

principalmente depois de quase uma semana vivenciando os sonhos possíveis. os sonhos de paz na quebrada, de paz entre os irmãos, manos e minas. sonhos de ser respeitado - e respeitar; sonhos de ver o teatro desabrochando, a literatura se espalhando, o cinema crescendo, a dança se expandindo, o caldeirão fervendo e, a música... a música simplesmente tocando, com a palma da mão, os nossos singelos corações.

ontem acabou a 1ª Mostra Cultural da Cooperifa, com exibições mais do que especiais de Wesley Nóog e 1Banda, Periafricania, Preto Soul, Versão Popular e Z'África Brasil.

som de primeira, público de primeira, num ambiente totalmente família. nada de drogas, nada de tretas, só os trutas, a família. nem segurança tinha na festa - também, segurar o que, qual B.O. quando fazemos a festa na nossa casa, entre irmãos? não precisa.

estou emocionado com o que participei nesta semana. emocionado e feliz com o que eu vivi. não quero, mas posso dizer que estou preparado para morrer hoje só por ter vivivo tudo isso. vocês não fazem idéia do que é ter como família a Cooperifa, ser contemporâneo de pessoas tão magníficas e especiais que dá medo até de citar para não esquecer ninguém. não há dinheiro no mundo que substitua isso. não há coração suficiente para tanta emoção.

por várias e várias vezes me peguei com o meu em lágrimas, literalmente, apesar delas não quererem escorrer pelo meu rosto. não por machismo, por achar que homem não chora, essas paradas; simplesmente por não conseguir fazê-las desaguar. pois bem, algumas delas estão agora, molhando a minha face ao lembrar desta semana vivida.

durante muitas vezes eu me perguntei: por que que nas outras quebradas também não pode ser assim? por que que na minha escola também não pode ser assim? o respeito prevalecer, a conversa; as brigas, discussões, mas com muita compreensão, confiança, envolvimento. por quê? não sei, mas quero saber, pois depois que você consegue sonhar com os olhos abertos, não quer mais fechar. e você tem cada vez mais convicção de que, sim, tudo é possível.

valeu família Cooperifa, valeu mesmo, por tudo. durante muitos anos me senti um joão-sem-lugar, deslocado no espaço, no mundo. é bom saber que este sentimento foi passageiro. é bom saber que posso contar com tantas guerreiras e guerreiros.

pra quem não foi, paciência. só posso lamentar e dizer: perdeu!

pra quem zicou, falou, não ajudou mas criticou, três coisas: 1) boa sorte na vida, 2) faça melhor, mas faça (falar é fácil) e 3) sai da frente senão nóis atropela.

e pra quem quer bem, pra todos nóis, um abraço forte, apertado, de uns dois minutos, molhado com muitas lágrimas, força e suor.

"a periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor" - Sérgio Vaz

"tem festa na favela, quem quiser pode chegar, chega miudinho, chega devagar" - Wesley Nóog

"quem disse que na periferia não dá pra curtir?" - Z'África Brasil

salve! hoje e sempre. axé!

sábado, novembro 22, 2008

HOJE - CALDEIRÃO CULTURAL


- Feira de livros com autores independentes, periféricos e marginais;



- Exposição de pinturas Natural da Periferia, de Jair Guilherme;
- Exposição de pinturas Revestrés, de Carolzinha;

- Grafites.
Onde?

sexta-feira, novembro 21, 2008

SOBRE A MOSTRA - EVENTOS

ontem, dia da consciência negra, rolou no CEU Campo Limpo a exibição da sessão de cinema da Cooperifa, com a Mostra Africala, curtas-metragens produzidos em vários países africanos: Moçambique, Quênia, Ruanda, África do Sul. destaque para o curta animado É aí onde nasce a poeira, que fala sobre o estupro - história real - de uma menina, um bebê de nove meses, no ano de 2001. só que o filme fala sobre um assunto tão forte, tão pesado, de uma maneira tão poética, tão lírica, tão delicada que só as pedras não se emocionam porque não tem olhos para chorar. com toda a certeza, um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, quiçá na vida.

se puderem assistir na Cinemateca - pois primeiro veio pra nóis, depois vai pros boy (rs) -, não percam.

e eu já sabia, mas ontem, ao olhar os filmes, o povo africano com suas ruas, suas casas, o seu jeito de ser retratado na tela, eu tive a certeza: periferia são eles lá, e África somos nós aqui, também.

rolou também a exibição de vários curtas de produção nacional, mais especificamente do pessoal da quebrada, como o Imagens de uma vida Simples, do Daniel do NCA, que fala sobre a vida do poeta Solano Trindade, além de outras cositas mais.

a mesa de debate: Rogério Pixote (Cine Becos), Daniel Fagundes (NCA) e Jeferson De, com mediação do Sérgio Gagliarde foi muito boa, para mim a melhor até aqui da nossa Mostra. vários assuntos muito pertinentes - e espinhosos - foram postos a mesa. não vou entrar em detalhes porque acho que quem tinha interesse tem que estar lá e segundo, estou com uma baita dor de cabeça - e não é ressaca, pois ontem não bebi. talvez seja crise de abstinência - rs.

para quem não visitou a Mostra Cultural da Cooperifa, três avisos:

1) pode vir que nóis recebe vocês, seja lá quem for, muito bem;
2) é tudo na faixa, de "grátis" e
3) hoje (sexta-feira) eu estarei numa mesa

as 17hs, junto com o Márcio Batista (poeta, autor do Meninos do Brasil), Michel da Silva (poeta, escritor, do Elo da Corrente) e mediação do Eleilson, da Ação Educativa. o tema da mesa é Realidade e Ficção no Cotidiano da Periferia, e você não pode perder.

principalmente porque depois, a partir das 20hs, tem espetáculo e apresentações de dança com os grupos Espírito de Zumbi e Instituto Umoja.

ah!, e amanhã tem FEIRA DE LIVROS INDEPENDENTES. e depois debate. e depois SARAU.

e domingo tem show. vários grupos, várias bandas.

e você tá perdendo tudo isso? eu não acredito!

mano, chega aí, mina, chega aí!


*** OBSERVAÇÃO: fotos, outras informações, acesse:
www.colecionadordepedras.blogspot.com - Blog do Sérgio Vaz

quarta-feira, novembro 19, 2008

JÁ COMEÇOU: MOSTRA CULTURAL DA COOPERIFA

clique no cartaz para ampliar

“Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz.” Teatro Mágico

Começou ontem, na Zona Sul de São Paulo, a 1ª Mostra Cultural da Cooperifa, evento que de 18 a 23 de novembro – durante a Semana Nacional da Consciência Negra – apresentará o que se está fazendo de melhor pelas periferias de São Paulo na Literatura, Teatro, Dança, Cinema e Música.

Organizada pela Cooperifa – Cooperativa Cultural da Periferia – movimento que há sete anos transformou um bar da Zona Sul, o já famoso Zé Batidão, em ponto cultural, e que nas noites de quarta-feira, independente de novelas “Favoritas” ou futebol, consegue agregar mais de trezentas, quatrocentas pessoas, noite após noite para se reunir em torno da palavra, em torno da poesia, a Mostra fará ferver o já nada pacato cotidiano cultural da periferia da Zona Sul de São Paulo.

Neste ano, além dos debates, apresentações musicais, saraus, FEIRA DE LIVROS INDEPENDENTES(!), teremos na quinta-feira, dia da Consciência Negra, a apresentação de vários filmes, curta-metragens da Mostra Africala de Filmes Africanos, vindo diretamente do México para o Brasil, com o apoio da Embaixada Espanhola.

As atividades acontecerão nos CEUs Casa Blanca, Campo Limpo; na Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim e, claro, no Zé Batidão, com participação mais do que especial do público da quebrada, que teve atenção zelosa para ser recebido no evento.

Mas quem não é também pode chegar que será muito bem-vindo e recebido, com toda certeza.

Confira na programação abaixo maiores detalhes sobre o evento, tire a bunda da poltrona e pare de chorar. “Quem disse que na periferia não dá pra curtir? Mano, chega aí, mina, chega aí.”



Apresentação de ontem: Teatro Mágico

Música

Apresentação Circense

E poesia: mais de 600 pessoas presentes!

terça-feira, novembro 18, 2008

A TRAVESSIA DO NADA

Era como se folhas brancas fossem espalhadas por todo o espaço: no chão, no teto, sobre as árvores, as ruas, os céus. Sobre todos os objetos. O Nada oprimindo as cores. O Nada dominando tudo. As poucas cores que ainda havia era sobre as pessoas, sobre as roupas que elas usavam, para que não esquecessem que nem sempre foi daquela forma. Um dia o mundo fora colorido.

Por não ter mais chão, a sensação era de que andar era um eterno flutuar. Ou uma eterna queda, na qual as pessoas caíam sempre lado a lado, ao mesmo tempo. Ninguém mais sentia fome, frio; as pessoas não sentiam cansaço, não precisavam fechar os olhos para dormir. Ninguém mais morria, não havia desigualdade entre as pessoas. Ninguém precisava sofrer.

No principio, apesar da dificuldade de adaptação, as pessoas gostaram do Nada. Bastava sentar e conversar, botar os assuntos em dia. Contar histórias. E assim fizeram: ficaram meses dialogando, filosofando, trazendo para a boca histórias puxadas das memórias, das lembranças em cores que ficavam do mundo que haviam vivido. E foi isso que passou a incomodar. Pois o problema de não se passar mais fome é também não ter o prazer de comer. O problema de não mais sentir frio é não ter a sensação de calor, mesmo entre os corpos. O problema de não mais morrer é descobrir que, viver eternamente, sem dificuldades, é um viver sem sentido.

Algumas pessoas quiseram ficar loucas com a brancura do Nada. Não puderam. Esqueceram que não mais podiam ficar doentes. Fingiram. Um fingimento artificial, ninguém acreditava em suas dores, apesar de apenas elas serem reais.

Alguém lembrou de uma história. Quem em tempos remotos, nos momentos de maiores dificuldades, organizava-se sempre um grupo para caminhar, atravessar morros, desfiladeiros, os mistérios das estradas para a busca de uma solução, um antídoto. Este seria o pote das cores, envolta na caixa negra dos mistérios. Ele estaria em algum lugar entre a brancura do Nada. Bastasse que alguns voluntários saíssem em sua busca, sabendo que poderiam se perder nessa caminhada sem fim.

Entre bilhões de pessoas, milhares se candidataram. Um número pequeno, se comparado ao número de pessoas existentes e insatisfeitas com aquela situação. Mas nenhum número é desprezível. O grupo se organizou e partiu. Andando. Sem direção, sem caminho certo. Andar para a direita, para a esquerda, para frente ou para trás, não importava. De todos os lados, apenas o Nada havia.

Como não dormiam, não sentiam fome, não faziam outra coisa além de viver, perderam a noção do tempo. Em nossa época, não se saberia dizer por quantas andaram: dias, meses, anos, décadas? A única certeza é que, durante o caminho, muitos ficaram para trás. Desistiram. Optaram por nada fazer, no Nada viver, ao invés de prosseguir numa caminhada que não sabia que frutos daria. Não sabia se daria certo. Preferiram ficar pelo caminho a tentar, e o Nada conseguir.

Um grupo de dez seguiu. E seguiram tantos passos juntos que já haviam se tornado mais do que amigos. Haviam se tornado íntimos. Nenhum segredo mais havia para ser compartilhado. Eram mais do que irmãos, eram uma pessoa só. E todos confiavam em todos, sentiam-se fortes por causa disso.

Até o dia em que viram um ponto escuro do outro lado da vista. E como não cansassem mais, eles correram. Correram, correram, até que o ponto foi mudando de forma, foi crescendo. Eles estavam se aproximando, chegando mais perto. O ponto deixou de ser um ponto escuro, começou a criar forma. Cores alaranjadas, cores amarelas, não lembravam ao certo. O ponto ganhara contornos: eram tábuas, de madeira, amarradas uma as outras com uma corda. Na verdade, o que eles viam era uma ponte. Mas estranho: do outro havia... O Nada.

A frustração tomou conta do grupo. Caminharam por tanto tempo para encontrar uma ponte que liga o Nada ao lugar nenhum? Que perda de tempo. Para quê? Deveriam ter ficado no mesmo lugar, um deles disse. Pelo menos estariam com o grupo maior, estariam seguros. Seguros do quê, outro questionou. O que pode nos atormentar aqui a não ser o Nada, a não ser os nossos próprios medos? Uma pessoa do grupo disse que eles deveriam atravessar a ponte, que aquilo deveria ter um significado. As pessoas o olharam, indiferentes. O ignoraram totalmente. Deram as costas e voltaram. Para o Nada. Ele continuou gritando, acreditando: -“Vamos atravessar, voltem.” Ninguém deu ouvidos, as pessoas se foram.

Ele ficou. Olhando fixamente para a ponte. E aconteceu: do outro lado, um imenso jardim surgiu. Como num passe de mágica, alguém pintando um quadro colorido. Com muitas folhas, árvores, pássaros. Ele podia ouvir o cantar dos animais, ele podia ver que, por acreditar, do outro lado o Nada havia desaparecido. Então ele soube: para o Nada sumir, bastava que um, que ele acreditasse e atravessasse a ponte, e tudo voltaria a ser como antes, Tudo mudaria outra vez.

Mas ele não atravessou. Sentou em frente a ponte e ficou olhando as maravilhas do mundo. Era apenas uma ponte, eram apenas alguns passos para Tudo se transformar. Mas, ele ficou. Teve a certeza que uma trajetória como esta não se faz sozinho.

segunda-feira, novembro 17, 2008

SOBRE OS COMENTÁRIOS

Ok, eu sei, eu sei. Sou uma pessoa suscetível, influenciável.

E como várias pessoas que não comentavam ficaram reclamando: -"Pô, mas você tirou os comentários? Justo agora que eu ia falar disso, elogiar as mudanças do blog, dar um toque daquilo?" Por essas pessoas, e por não perder alguns avisos, contrapontos; para não perder a curiosidade, a opção comentários retornou ao blog. Em definitivo.

Algum comentário? - rs

VAI COMEÇAR: PRA QUEM ESTIVER EM SP

VAI COMEÇAR - PRA QUEM ESTIVER NA BAHIA

sábado, novembro 15, 2008

PUBLICAÇÕES

aviso aos navegantes:

alguns dos títulos adicionados da qual eu participo como autor ou convidado estão disponíveis para compra. são eles:

- TE PEGO LÁ FORA - R$ 15,00 (quinze reais)
- SARAU DA COOPERIFA - R$ 5,00 (cinco reais)
- MOSCAS - R$ 5,00 (cinco reais)
- SARAU ELO DA CORRENTE - R$ 15,00 (quinze reais)
- UM SEGREDO NO CÉU DA BOCA - R$ 20,00 (vinte reais)

nas compras ACIMA de R$ 40,00 (quarenta reais), leve como BRINDE o livro AMOR LÚBRICO - CONTOS E POEMAS ERÓTICOS.

IMPORTANTE: nos valores não está inclusivo a taxa de envio via correio - se esta for a opção.

outras informações, entre em contato:

rodrigociriaco@yahoo.com.br

abraço,

r.c.

quinta-feira, novembro 13, 2008

DIAS DIFÍCEIS

ontem não fui para a escola.

o que sei, me contaram.

disseram que ontem um aluno da sétima série foi espancado.

e que o diretor, após intervir, quase apanhou, não fosse o amparo de outros professores.

o bicho pegando, crescendo. o bicho, ficando cada vez mais feio.

quem cria cobra, acaba sendo picado.

mas vamos a hoje:

levei um DVD para exibir para os alunos, o "Zumbi Somos Nós", organizado pela Frente 03 de Fevereiro, um coletivo criado para discutir a questão da discriminação racial, depois que um dentista, negro, Flávio Sant'Anna foi sumariamente executado pela polícia, que não investigou o que acontecia e o confundiu com um bandido que havia recém roubado um veículo.

um DVD louco, feito com apoio do VAI, da prefeitura, com imagens pertinentes, músicas pertinentes, entrevistas pertinentes. num tempo de exibição para a aula certinho: 47 minutos.

fiz a introdução do assunto, que será discutido nas próximas semanas. passei a exibi-lo para as sétimas séries. estavam curtindo, muito. não se ouvia conversas, não se ouvia barulhos. apenas o som dos berimbaus, atabaques, os cantos, poemas. o DVD chamava atenção para quem estava de fora. quando pedia, com educação, para entrar, eu deixava.

mas eis que houve um estouro. morteiro, rojão, não sei. e foi normal. mas houve outro, e outro, e outro, e outro. as vezes mais fortes, mais próximos. o cheiro de pólvora no ar.

resultado: não acabamos de ver o DVD. na terceira aula, os alunos foram dispensados.

clima tenso.

um grupo de alunos não queria sair da escola. um grupo que causa. fui tentar conversar, que o melhor naquele momento era ir, iríamos conversar depois. não tem papo, não tem conversa, alguns me disseram. insisti. mesmo porque eu não tenho medo de dialogar. mesmo porque eu acredito que não deva ter medo dentro da minha escola. minha conduta sempre foi ética, profissional, respeitosa. não vou ter medo.

mas não teve muito papo. um aluno veio com umas idéias de que o diretor tinha passado o meu blog e ele tinha visto: eu só falo mal da escola, só critico. os professores só falam mal dos alunos.

perguntei que professores falam mal dos alunos. para dar nomes. porque eu não faço.

mas desconsiderei porque as pessoas que disseram isso não são meus alunos. não conhecem de perto o meu trabalho. nunca conviveram um ano letivo dentro da sala de aula comigo.

mas uma coisa marcou:

1) se falo das coisas da escola - e não só das ruins - o faço porque tenho este direito: de me expressar. e tenho responsabilidade nas minhas palavras. NUNCA FALEI QUE O PROBLEMA DA ESCOLA SÃO OS ALUNOS. NUNCA FALEI MAL DOS ALUNOS AQUI, CHAMANDO-OS DE VAGABUNDO, TRASTE OU QUALQUER OUTRO TERMO. NUNCA. falo do que acontece, com as palavras exatas, sem abusar da verborragia. não poupo dirigentes, diretores(as), coordenadores(as), professores(as); eu não me poupo. também não vou poupar alunos quando estes não estiverem agindo de maneira correta. agora se quando olhamos para o nosso "espelho", no caso os textos, e eles não agradam, NÃO TEMOS QUE MUDAR O TEXTO. TEMOS QUE MUDAR A NOSSA POSTURA, A NOSSA ATITUDE!

2) EU GOSTO DA MINHA ESCOLA, A EE JORNALISTA FRANCISCO MESQUITA, SIM. eu adoro os meus alunos. eles me deixam mais vivos, eles me trazem mais alegrias do que tristeza. o que eu não gosto, o que eu não suporto é o sistema educacional na qual vivemos. o que eu não admito é a omissão, a indiferença de várias pessoas da escola frente aos problemas que existem. porque escola é, em primeiro lugar, o lugar do conhecimento, do crescimento, do aprendizado. e do primeiro de todos: a nos tornar seres humanos melhores. se ela não está cumprindo o seu papel, eu direi, falarei sobre isso, sim. importe quem goste ou não. não estou dando uma de "zé-povinho". e quem não gostar, contraponha, fale. vamos conversar. o que eu não admito é violência. ameaça. não violento ninguém, não ameaço ninguém, não vou aceitar isso.

e 3) é preciso separar o joio do trigo. botar todo mundo na panela, misturar, e dizer que todo mundo é igual, que ninguém presta, não pode. não dá. generalizar, seja do lado do professor, seja do lado do aluno, é o fim. não avançamos para lugar nenhum.

espero que o ambiente escolar melhores. afinal, todos estamos sendo prejudicados, todos. não podemos continuar assim.

eu quero é paz. respeito, aprendizado, diálogo. tenho certeza que não é pedir muito. para ninguém.

Rodrigo Ciríaco
professor com orgulho da
EE Jornalista Francisco Mesquita

terça-feira, novembro 11, 2008

sábado, novembro 08, 2008

MOSTRA CULTURAL DA PERIFERIA


com certeza, eu estarei lá

ELIANE BRUM CONVIDA


eu estarei lá

COMENTÁRIOS

a opção comentários foi excluída deste blog.

a opção comentários existia para as pessoas comentarem, contrapor ao que penso, ao que vomito no teclado, as minhas angústias. como poucos, ou quase ninguém, contrapõe, discute, comenta, resolvi excluir esta opção. assim ninguém comenta nada - de verdade - e acaba-se de vez com a minha esperança de que alguém converse, discuta via net algumas coisas comigo.

mesmo porque quem espera, cansa.

algum comentário sobre isso ?

RESUMO DA SEMANA ESCOLAR

registro de eventos intra-oficiais de minha escola, que conta algumas histórias, além do cotidiano de preparar aula, corrigir atividades, dar as aulas, etecetera e etecetera:

sexta-feira, 31 de outubro: bateram na porta da minha sala, durante a 5ª aula, para dar uma força para a Coordenação da escola. tinha acontecido uma briga e o pátio estava o Caos. para entender: como a troca de aula de professores na minha escola é novo intervalo para os alunos - todos saem da sala, todas as aulas, inclusive perdemos quase que uns dez minutos em cada início de nova aula - alguns alunos da 8ª estavam com "brincadeirinha de mão" com os alunos da 6ª, os alunos do ensino médio se doeram e começou o pau. voou até um banco de dois metros na cabeça de um aluno e nos pés de outro. algumas turmas foram dispensadas mais cedo. o bicho pegou.

segunda-feira, 03 de novembro: reunião extraordinária entre professores, coordenação e direção. conversamos sobre o ocorrido de sexta, o ocorrido de vários dias, o fato do período manhã estar abandonado, o fato de um grupo de alunos fazerem o que quer sem que nada aconteçam. discutimos, conversamos, alguns falaram. conversa vai, conversa vem. conversa.

terça-feira, 04 de novembro: alunos pegaram a porta de um armário - melhor dizer, arrancaram - e jogaram contra a recém instalada luminária de um corredor. resultado, duas lâmpadas fluorescentes moídas no corredor, luminária amassada. ninguém viu, ninguém sabe quem foi (você acredita em papai noel?). ninguém foi responsabilizado.

quarta-feira, 05 de novembro: aqui eu vou enumerar, se eu lembrar; 1) durante a aula de educação física de uma sala, os alunos estavam na quadra, outros alunos entraram nesta sala, fuçaram nas coisas dos alunos. resultado: levaram dinheiro, outros objetos, e tacaram fogo no lixo. estava indo para outra sala mas vi o que aconteceu na sala: fumaça total, alunos sem condições de entrar, assistir aula. ah, detalhe: a porta do hidrante do corredor ESTAVA AMARRADA COM UM CADARÇO, impossibilitando a sua abertura;

2) como rescaldo ainda da briga de sexta-feira, na qual poucas providências tomadas, nenhuma solução efetiva, um grupo de aproximadamente seis alunos, adolescentes - dezesseis, dezessete anos - espancaram UM aluno de uma sala. isso mesmo, seis contra um. o aluno ficou bem machucado, outros ficaram bem assustados.

e 3) uma pessoa ligada a Coordenação da escola, foi xingada em alto e bom som de: vaca, vadia e vagabunda, além do stress geral que foi a situação.

DETALHE: no dia seguinte, as pessoas envolvidas nestas situações, tanto alunos que bateram ou xingaram, estavam na escola circulando normalmente. pensei em colocar "assistiram aula normalmente", mas estes alunos não assistem as aulas.

quinta-feira, 06 de novembro: depois de EU separar uma briga de adolescentes da 7ª série na saída das aulas, uma professora veio me procurar pois um aluno meu estava no posto de saúde passando mau. aluno meu, mas não foi na minha aula, pergunto: quem deveria dar conta do caso? bom, mas EU não podia me omitir da situação, fui no posto. o aluno estava com uma dor abdominal aguda, a médica que o atendeu não acreditava ser apendicite, mas só um exame podia confirmar. teria que ser levado para um hospital. o hospital de ermelino não tinha ambulância. o SAMU, ATENDENDO POR TELEFONE, DECIDIU QUE O MENINO NÃO CORRIA RISCO DE VIDA, NÃO IA ENVIAR A AMBULÂNCIA. a médica falou se eu não podia levar. sim, eu podia, mas parece que tudo acontece e só procuram EU, EU, EU. bom, EU fui na escola e repassei a situação. não estava em condições de levar ninguém, tinha acabado de separar uma briga, a escola não sou EU, somos TODOS, alguém também poderia levá-lo. conseguimos o transporte. o aluno foi encaminhado ao hospital.

sexta-feira, 07 de novembro. pedi a minha folga TRE, estava um trapo, um fiapo do que poderia ser chamado de ser humano. sem condições de trabalho.

apenas para constar: faço aqui estes relatos pois escrever é a minha terapia, em primeiro lugar. segundo: além de comunicar nos lugares de direito, faço-o aqui para as pessoas saberem do que se passa e, que nenhum problema começa grande, e as tragédias são denunciadas, mas nem sempre isso significa resolver alguma coisa. e terceiro: um livro acho que foi pouco, já estou pensando em escrever um filme.

sexta-feira, novembro 07, 2008

PODIA SER "O CAMINHO DA MINHA ESCOLA"

NO CAMINHO COM MAIAKOVSKI
(Eduardo Alves da Costa)

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

METAMORFOSE

Para se transformar num verme
Cometa injustiças
Ou então
Aceite-as
_______________Sérgio Vaz

terça-feira, novembro 04, 2008

RACISMO E OUTRAS VIOLÊNCIAS

Estava lá eu numa 6a Série passando um texto na lousa sobre a Formação dos Estados Nacionais, quando percebo uma discussão mais acalorada de um aluno e uma aluna:

- Você qui é!
- Você!
- Ah, vai, o cabelo de bombril.
- Melhor do qui ser mijão!
- Vai lá na cozinha ver se as tias tão precisando de bombril.
- Vai você.
- Vai passar não sei o quê no cabelo...

E a discussão seguiu por mais um minuto pois, apesar de virar para os alunos e observar calmamente o que estavam fazendo - uma das minhas táticas, ao invés de berrar, esgoelar, é virar e apenas olhar nos olhos dos alunos, até interromperem o que estão fazendo e me darem atenção - os alunos continuaram falando. A menina, do "cabelo bombril", saiu arrasada da discussão, pois o argumento do garoto foi mais "forte", e as risadas dos colegas em apoio a ele deixaram a mesma sem graça. Para os alunos, ela tinha o "cabelo bombril" e pronto.

Virei para o aluno que fez o comentário e perguntei:
- Fulano, tem algum problema com o cabelo de Ciclana?
Cinicamente, e com ar de superior - sim, um adolescente de doze anos, consegue ser cruel a esse ponto - disse:
- Tem. Ele é duro!

De certa forma eu perdi a compostura. Apesar de toda a preparação, todos os argumentos possíveis, todo o conhecimento adquirido, é difícil lidar com as questões de preconceito racial na escola. Seja ele velado ou não, como foi neste caso.

Disse ao aluno que ele estava fazendo um comentário racista, ele disse que não. Inclusive ele tem um parente negro na família, me disse. E fui discutir o comentário, a questão dos porquês do cabelo crespo ser ruim e o liso ser bom, do negro ser inferior e o branco melhor, de quem vive no Verônia ser vagabundo, marginal, ladrão e outros preconceitos que nada ajudam em nossa vida e relação social. Fiquei mais de 20 minutos conversando com eles. Já havia acabado o texto, apenas não deu para explicar, mas esta questão colocou-se como mais urgente e necessária.

Eles me ouviram, pouco falaram. Não me dei por satisfeito. Ainda porque acho que o que fiz foi pouco com relação a isso.

E é sempre muito difícil discutir este assunto. Estou tentando.

***

E não mudou muita coisa na minha escola. Ontem tivemos reunião, professores, coordenação e direção. Um novo vice-diretor chegou para o período da manhã. Expectativas foram criadas.

No primeiro dia pós reunião e pós nova vice-direção, pouco mudou. Muitos alunos circulando em horário de aula, muita bagunça pela escola. Na última aula, parecia intervalo. Mais de quarenta alunos no pátio, conversando, ouvindo música, paquerando. Tive que me ausentar da minha sala para pegar um livro na biblioteca. Fui cruzar o pátio uma aluna me questionou:

- Já vai chamar alguém da direção, professor?

Eu preciso fazer isso? É claro que não.

Todos temos olhos, ouvidos. Entendemos e percebemos o que acontece. Não precisa ninguém ficar avisando. "Cada um no seu quadrado".

***

Muitas vezes na escola me sinto como um Quixote lutando contra Moinhos de Vento.
E o problema é que eu sempre caio do cavalo.