domingo, agosto 29, 2010

IMAGENS - SARAU DOS MESQUITEIROS

quadro pintado pela Carolzinha e molecada da escola

Sacolinha, lançando seus dois livros

parte da galera do sarau

apresentação Raio de Sol

Teatro: Núcleo do Coração




vista da galera geral

maracatu fez a roda


grupo suburbaque




andrio



rayza, talita e juliana, recitando no sarau


elizandra souza - mjiba

sacolinha

VAMOS PRA PALMARES



Vídeo gravado no encerramento do Sarau dos Mesquiteiros - 28 de Agosto de 2010 - na EE Jornalista Francisco Mesquita, Jardim Verônia, Zona Leste de Sampa

sábado, agosto 28, 2010

HOJE: ZONA LOST PEGA FOGO!

TENDA LITERÁRIA
A PARTIR DAS 14:OOHS

LANÇAMENTO DOS LIVROS
DO SACOLINHA

E AINDA, AS 18:00HS
SARAU DOS MESQUITEIROS!

É a Zona Leste unida
em prol da Cultura da Periferia.

É só chegá!
VEM, VEM, VEM!

sexta-feira, agosto 27, 2010

MENTE EM EBULIÇÃO

Nem sei como começar. Sei que tenho que dizer. Escrever.

A parada dói demais pra ficar depurando dentro de mim. Somatizar no meu corpo, virar uma doença. Prefiro botar pra fora, jogar merda no ventilador e depois, limparmos a bosta juntos.

Limparmos? Juntos?

Pra quem não quiser ler, a parada se resume, na minha opinião, em individualismos, falta de comprometimento, solidariedade. "Venha nós, tudo. Vosso reino, nada".

Pra quem não sabe, minha escola é considerada entre as dez piores da Diretoria de Ensino Leste-1. Isso quem diz é o Saresp. E em muito eu concordo, principalmente quando vejo: estrutura, administração, planejamento, organização, corpo docente, participação da comunidade. Estamos entre as piores escolas de São Paulo. E isto há alguns anos.

Eu, que completo na escola cinco anos de trabalho, estou cansado: desta imagem de pior escola, da imagem de alunos "nóias, vagabundos, drogados; putas, galinhas, sem-futuro, sem-esperança, sem-nada". Estou cansado porque eu conheço o meu potencial, tenho comprometimento e dedicação no meu trabalho, deixo muitos projetos pessoais pra ficar por lá - fique claro, por livre e espontânea escolha.

Mas me sinto mal porque estou lá, trabalhando duro há cinco anos. Não são cinco segundos. Dias, meses. São cinco anos.

E assim como o jardineiro que planta quer ver o jardim florido, o pedreiro que constrói quer ver a casa de pé, eu quero ver a minha escola crescer. Mudar.

Estou de saco cheio de gente derrubando o meu muro, destruindo as flores no meu jardim.

Ontem tivemos uma reunião na escola pra conversarmos sobre os problemas. Novamente. Conhecidos há muito tempo: pela Secretaria de Educação, pela Diretoria de Ensino, pela Direção, por professores. Pra quem não conhece, vamos a eles:

- DÍVIDAS (Din-Din): a escola estava com um problema para receber verbas. Tal fato se deve a má administração de gestão anteriores, que por falta de prestação de contas nos anos 2006, 2007, 2008, fez acumular uma dívida na escola de aproximadamente R$ 111.000,00 (CENTO E ONZE MIL REAIS). Estas contas precisavam ser regularizadas para que a escola recebesse verbas. Através do trabalho da direção, conseguiu-se acertar muita coisa, mas a APM da escola ainda encontra-se com uma dívida de R$ 16.000,00 com a FDE, que será saldada em 60 meses.

Olha só que legal: pessoas irresponsáveis, não fazem seu trabalho direito, destroem uma escola, vão embora, e deixam para os que ficam, no caso a APM da escola, uma dívida de 16 mil!

- Falta de Planejamento, Organização: pra começar, a escola não tem um Projeto Político-Pedagógico, que a pense a curto, médio e longo prazo. Não, é sempre o apagar de fogo, é sempre a toque de caixa. Nunca tomamos uma ação, agimos. Estamos sempre REagindo. Estamos sempre apagando incêndios. Algumas vezes literalmente falando. E o que é pior, as coisas simples que combinamos, não acontecem.

- Teoria e Prática, Discurso e Ação: Muitas coisas existem apenas no papel. Ou melhor, não existem no papel, são combinados, avulsos, ao vento. Não valem nada. E o pior, quando se questiona sobre isso, as pessoas, ao invés de reconhecerem que erraram e ok, vamos fazer diferente, ficam na defensiva. Apenas se justificando. Não quero justificativas. Não apenas. Quero ações, atitudes, que mudem comportamentos, mudem situações. Falar apenas não dá.

E outra coisa: a crítica existe não para se falar mal de pessoas, mas para avaliar trabalhos. Então, caros colegas de trabalho, quando conversamos sobre as coisas que não estão dando certas, o faço porque gostaria de vê-las funcionando. Não estou chamando ninguém de incompetente. Se a pessoa assim se sente, não é problema meu. E tem mais: não sou perfeito, também aceito críticas. Mas tem que mostrar o que está fazendo pra poder criticar o que falo e o que faço. Justiça.

Só pra entenderem: dia 16 de agosto foi dia de AVALIAÇÃO DO SARESP, na rede estadual. Todas as escolas pararam pra conversar sobre essa parada. Planejamos, discutimos, falamos e tal. O que acontece na semana seguinte na minha escola? Um CRIME. Qual crime? Uma semana morta.

Já viu uma escola em que na terça-feira tem PLAYCENTER, na quarta-feira visita a uma FÁBRICA, mais TEATRO, mais divulgação de COMPUTADOR, na quinta-feira CINEMA e na sexta-feira AGITA GALERA (ops, cancelado pelo GOVERNO)?

Ok, pode parecer uma programação da hora pra um clube de férias, agora pra uma escola não. Principalmente uma escola com inúmeros problemas que a minha escola tem. Porque colocar tantas atividades numa única semana resulta numa semana morta, com escola quase vazia, com poucos alunos. Além do sarau, que eu postei as fotos, eu não consegui trabalhar nada esta semana. E diga-se de passagem, eu e acredito todos.

Uma semana ótima para quem não quer nada com nada. Como eu trabalho, me sinto incomodado. Mas, vamos aos "folgados"

- Como diria o GOG: “paredão pros parasitas”, ou melhor, respeito as regras. Em todos os lugares existem pessoas muito folgadas. Querem tudo, sem oferecer nada em troca. Em todos os lugares, em todas as profissões. Mas vejo isso mais flagrante, muito mais grave, quando me deparo com estas situações na educação. Caraca, véi, as vezes não temos o comprometimento mínimo com a molecada, com a escola, com a comunidade; com os colegas, com ninguém. Tudo se resume a uma questão de dinheiro e pronto. E uma opção burra, estúpida, de gente que não tem qualificação e competência pra estar em outro lugar, porque estar na educação e pensar apenas no dinheiro... faça-me o favor. As únicas pessoas que ganham dinheiro com educação são os políticos, seus paus-mandados e donos de editoras, construtoras, alguns diretores de escola. É pensando bem, tem bastante gente. Mas, professor, pensando só em ganhar dinheiro na educação, é burrice.

Pois bem, voltando: tem colegas que são assim. Não tem comprometimento nenhum. Não colaboram em projetos, não compartilham responsabilidades. Pior, atravessam e atrapalham os outros: com faltas, diz-que-me-disse, falta de comprometimento na aula (“Hoje não vou dar aula porque estou com o braço doendo. Hoje não vou dar aula porque minha amiga está mal. Hoje não vou dar aula porque de manhã soltei um pum”). E o pior: ninguém chama na chincha. Ninguém “orienta” essas pessoas, colocam elas no devido lugar. O que acontece é que muitas vezes se faz conchavo com essas pessoas, tem privilégios: saem mais cedo, entram mais tarde; chegam atrasados e tiram professores da sala de aula. Fazem troca-troca, permutas, acordos extra-oficiais. O famoso “jeitinho brasileiro”, que não respeita o que deveria ser seguido: as regras, as leis. Porque se elas funcionassem, as coisas seriam diferentes.

Em tempo, ontem ainda tive que presenciar esta cena: alguém chega para um professor: "-Pode vir ao Sarau?" Ele responde: "-Não sei." A pessoa diz: "-Olha, se vier ao sarau, dá para contar como reposição da Greve." O professor responde: "-Ah, eu vou trocar? Eu vou ganhar? Então eu venho." Mas, ainda na dúvida, pergunta: "-Mas eu vou receber neste mês." A pessoa responde: "-Não, só no outro." Aí, o professor dá a cartada final: "-Ah, então eu não venho."

Sim, eu escrevo ficção. Mas isso aconteceu. Na minha frente! Ha ha ha ha ha...

Esclarecendo: muitos colegas dizem que não podem vir ao Sarau (que é uma vez por mês) porque tem outros compromissos, atividades INADIÁVEIS. Mas, se rolar uma merreca, eles até chegam.

Cê acha que eu quero essas pessoas por perto?

Ha ha ha ha ha ha...

Só rindo.

Bom, se alguém chegou até aqui neste relato, deve perceber que eu estou de saco cheio. E estou mesmo. Não do meu trabalho, não de fazer o que faço. Amo, gosto muito. Curto muito estar ao lado da molecada, mas eu quero ver resultado. Eu quero vê-los crescer. To de saco cheio de ver alunos meus deixando de ir pra escola, pra ficar do lado de fora passando droga. Entrando nas biqueira, fazendo fita, virando correria, cainda na Febem, morrendo cedo. Estou cansado da imagem de derrota, desesperança e abandono da minha escola. Estou cansado de ser chamado de dez menos. Estou cansado.

Me considero guerreiro. Bom de briga. Um lutador. E um pouquinho inteligente. Uma pessoa com esse perfil, pra sobreviver, tem que ser no mínimo estrategista. Saber quando avançar e quando recuar. E estou pensando: acho que está na hora de jogar a toalha. Mudar de ares. Partir pro combate em outras frentes. Até porque, dentro desta miscelânea toda que narrei, me sinto sozinho. Ou melhor, sozinho totalmente não, sempre tem mais uns dois ou três loucos que não te abandonam, entram na briga contigo. Mas pensando na reunião de ontem, de outros ontem, de outros dias, a impressão que tenho é que estamos em dois, três, quatro, contra cento e vinte pessoas. E apesar da desvantagem numérica, ainda não caímos. Batemos, socamos, apanhamos, avançamos, recuamos, mas não caímos. Apenas demos uma pausa. Mas não somos bobos. Até quando vamos cair pro pau pra uma briga que é de cara desigual?

E o pior: desigual porque a maioria prefere ficar inerte. Na platéia. Observando. Isso é o que mais me dói. Não ter conseguido agregar, ainda, de maneira suficiente, efetiva pra transformar, o maior número de pessoas. Sejam alunos, pais, professores. Sim, como eu disse, tem alguns. Mas são poucos.

“O que me preocupa não é o grito dos maus. Mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King).

E aproveitando a reflexão, lembro do Boal, fazendo uma análise sobre o fracasso do Che na sua campanha na Bolívia: é que diferente de Cuba, em que os revolucionários conseguiram o apoio da população, na Bolívia Che esteve isolado. Sozinho. Isso foi a sua morte, literalmente falando. A CIA apenas apertou o gatilho.

Porque a gente não transforma a vida PARA as pessoas. A gente transforma a vida COM as pessoas.

Não vejo muitas pessoas comigo. Não o suficiente para mudar. Talvez seja a hora de ser estrategista. Reconhecer a derrota na batalha, mudar, pra amanhã não ter que reconhecer que perdemos a guerra.

Mente em ebulição. Para quem acredita em mim, não se preocupe: não desisti. Essa opção não me cabe. Apenas estou cansado de apanhar. Não sou Cristo. Quero também socar, bater.

E no lugar certo!

Rodrigo Ciríaco

P.S.: pra quem quiser saber mais detalhes sobre as coisas que estão acontecendo, com força pra poder colaborar na mudança dessa parada, escreve aí pra gente quem sabe, bater um papo, pensarmos juntos: rodrigociriaco@yahoo.com.br

terça-feira, agosto 24, 2010

PREPARAÇÃO - SARAU DOS MESQUITEIROS

Hoje foi um dia muito especial na escola. Não apenas porque estava ensolarado, um clima gostoso, a escola não estava tão cheia por conta do passeio ao Playcenter (?!?), mas aproveitei que a semana foi quebrada por uma avalanche de atividades mal-acumuladas que praticamente inviabilizaram um trabalho adequado e fiz um sarau com as minhas salas de quinta e sexta série.

A diferença para os outros saraus que faço em sala foi que desta vez convidei as turmas de terceira e quarta para participarem, junto conosco. Sarau rolando na escola, da uma até as cinco e meia da tarde (isso mesmo, quatro horas e meia de sarau!!!), dez turmas diferentes, mais de cento e cinquenta alunos passando pela nossa atividade, fora outros que acompanharam de longe, observaram durante os intervalos.

O bacana é que quanto mais novos, mais espontâneos, participativos, interessados... Não sei como alguém pode ainda dizer que essa molecadinha não gosta de ler, que é chato e tal... Bom, vejam as fotos, elas falam por si.


aquecendo os motores, com um Colecionador de Pedras

meninas mandando bala!

elemento de alta periculosidade

vista panorâmica da área

tem coisa mais bela que uma criança interessada
com um livro na mão?

tava chaaaaato... desanimado...

dando uma forcinha pro Arthur

trio parada dura

eu arranhando o violão

ana p. lendo, ao lado de beatriz:
concentração total na leitura da colega

cabeças pensantes...

gabriel, que tocou uma música comigo
ainda depois...

sim, "menina maluquinha" - rs

Carlos Assumpção na área

sarau, sarau, sarau...

mesa farta, gracias...

até a Profa. Néia entrou na dança

lindo, lindo...

sem palavras...

é isso aí.

sem menos palavras e
com muito mais atitude.

foi um dia feliz.

FIM DE SEMANA LÔCO NA ZONA LOST!!!

SARAU DOS MESQUITEIROS

LANÇAMENTOS - SACOLINHA

TENDA LITERÁRIA - ELIZANDRA SOUZA

e você, vai perder?

quinta-feira, agosto 19, 2010

CRÔNICA NÃO ANUNCIADA


O desperta/dor tocou cinco vezes. Na sexta, desliguei a função "soneca" e resolvi que não ia trabalhar. Não valia a pena. A começar pela condição física de meu corpo: moído. Parece que colocaram no liquidificador, bateram, coaram e depois despejaram na cama. Eu estava lá, todo dolorido. A garganta inflamada. E um sentimento de impotência e frustração que desde ontem me acompanham.

É duro trabalhar com pessoas. Se confrotar com pessoas. Acreditar em pessoas. Talvez eu preferisse trabalhar com máquinas. Linha de produção. E ver, a cada segundo, semana, mês ou dia o resultado do meu trabalho. Mas máquinas não falam. Máquinas só trabalham. Máquinas não pensam, não questionam, não vivem. Máquinas são máquinas demais. E eu sou afeiçoado demais as pessoas para não poder trabalhar com elas. Não estar com elas. Gosto de estar perto de gente. Gosto de crianças. Mas gostaria de ver resultado.

Não tenho grandes ambições, além de ver o meu mundo melhor.

Ha ha ha ha ha!

Na escola parecemos cachorros correndo atrás do próprio rabo. É impressionante como não conseguimos sair do lugar. Mudam-se as caras, mudam-se as pessoas, mudam-se os planos, planejamentos, propostas, projetos e nada muda. Estou cansado. Hoje estou cansado, e por isso resolvi ficar em casa. Combinados não funcionam. Acordos de nada valem. Quando ditos, são palavras perdidas no ar. Quando escritos, magoam, não deveríamos cobrar. E eu me pergunto: estamos todos acomodados? Estaria o mundo certo e eu errado ao ter a pretensão de consertá-lo?

Não tenho grandes pretensões, além de ver a minha escola melhor.

Ha ha ha ha ha! - (risada ensandecida)

Cinco toques, cinco campainhas. Cinco vezes o braço esticando pra fora da cama e calando o criado-mudo, que insistia em falar e, quer saber: não fui trabalhar. Pesei os prós e contras. Os R$ 7,58 que ganho por hora/aula. E vi que não trabalho por dinheiro. E se não trabalho por dinheiro, não vale a pena ir ao trabalho quando o sonho é questionado. Quando eu me deparo encostado no paredão, diante do olho escuro da escopeta. E por trás deles, pessoas esperando a minha próxima deixa. O meu próximo ataque, o meu próximo discurso. Para poderem dispararem:

"- Cara, desista.!"

"- Não vai dar certo."

"- Isso aqui vai te (con)sumir."

"- Eu já fui assim."

Ha ha ha ha ha é... hum... hum.

Nem no meu palco as coisas parecem caminhar. Falar tornou-se mais importante do que fazer. Fazer maldades tornou-se mais cotidiano do que sorrir. E longe da depressão me pegar, jogar no chão, derrubar, pisar sobre a minha cabeça, eu me questiono: pra quê? Vale a pena tanto esforço, pra quê? Se não consigo fazer do meu sonho o sonho de todos. Se não consigo tocar no sonho de todos e fazê-los meu. Se não sou suficientemente capaz de chamar, unir, agregar, somar. Pra quê?

Sei lá, oras bolas. Se soubesse a resposta o mundo tinha conserto.

Não tenho grandes desejos, apenas pagar a dívida do meu apartamento. Algum salário mínimo todo mês. Poder tocar meu violão no parque uma vez por semana e escrever um romance, estilo Guimarães Rosa. Um amor se pintar. A saúde se viver.

E Clarice L., pra me consolar nestes dias.

domingo, agosto 15, 2010

ANTOLÓGICO - ADONIRAN E ELIS



muito respeito à aqueles
que antes de nós
já mostravam, falavam,
cantavam e recitavam
em prosa, música e versos
a nossa favela!

SARAU DOS MESQUITEIROS - 28 DE AGOSTO



HOMENAGENS:

100 ANOS DE ADONIRAN BARBOSA

50 ANOS DE QUARTO DE DESPEJO
CAROLINA MARIA DE JESUS

SARAU DOS MESQUITEIROS

mesa de pintura
+ banca de livros +
grafite + música
+ dança + esquetes teatrais +
alegria
+ sua presença + comida +
microfone aberto
pra poesia = festa completa

TÁ NA DÚVIDA DE COMO CHEGAR?
visita o nosso blog pra saber como faz:

www.mesquiteiros.blogspot.com

realização:
MESQUITEIR@S

CAROLINA MARIA DE JESUS



PRA QUEM QUISER SABER MAIS: BRÓDER

SALVE JEFERSON DE, PARABÉNS!


"Bróder", de Jeferson De, vence prêmio de melhor filme em Gramado

“Bróder”, de Jeferson De, foi o grande vencedor do 38o Festival de Gramado, levando três troféus: melhor filme, diretor e ator (Caio Blat). Blat, que está filmando “Xingu” na Amazônia com Cao Hamburger, veio especialmente para Gramado e fez o agradecimento mais emocionado da noite.

“Macu (o personagem de Caio no filme) foi o presente mais lindo que recebi na carreira. E agora posso dizer, Jeferson, que sou negão igual a você”, afirmou Caio. Em seguida, o ator dedicou o filme aos moradores do Capão. “Cada família ali tem um Macu dentro de casa. Este prêmio vai pra eles, pra eles mudarem essa história”. Já o diretor Jeferson De, vestindo uma camisa do Internacional – como tinha feito há dias, na coletiva do filme -, fez questão de agradecer a Mano Brown e Daniel Filho por sua participação para o sucesso do filme. O cineasta também convocou a platéia do Palácio dos Festivais para um coro de “Parabéns a você” para a filha Joana. “Mais uma vez, por causa do filme, não estou com ela neste dia, mas ela está me assistindo” (a cerimônia de premiação estava sendo transmitida pelo Canal Brasil).

Igualmente com três prêmios, a produção carioca “Não se pode viver sem amor”, de Jorge Duran, ficou com os Kikitos de melhor fotografia (para Luis Abramo), roteiro (Dani Patarra e Jorge Duran) e atriz: (Simone Spoladore). Um único prêmio ficou para outro filme carioca, “O último romance de Balzac”, de Geraldo Sarno, um dos catalisadores da polêmica sobre obras psicografadas, um dos temas inegáveis deste festival.

Os prêmios da crítica ficaram para o curta “Babás”, de Consuelo Lins, o documentário brasileiro “Diário de uma busca”, de Fávia Castro, e o filme colombiano “El vuelco del cangrejo”, de Oscar Ruiz Navia. O júri popular preferiu o curta “Ratão”, de Santiago Dellape, o longa brasileiro “180º”, de Eduardo Vaisman (RJ) e o latino “Mi vida com Carlos”, de German Berger (Chile).

Longas latinos

Na seção latina, o júri oficial deu ao documentário chileno “Mi vida con Carlos” levou outros dois prêmios, de melhor filme e melhor fotografia (Miguel Littin). Comemorando muito, o diretor lembrou “a necessidade de lembrar o passado para construir uma sociedade mais justa. Um pais sem documentários é como família sem fotografias”.

Outros dois troféus ficaram para a produção argentina , “La vieja de atrás”, de Pablo Meza, que venceu melhor roteiro, ator (Martin Piroyansky, que dividiu este prêmio com o mexicano Gabino Rodriguez, de “Perpetuum Mobile”).

O filme mexicano “Perpetuum móbile”ficou ainda com o Kikito de melhor diretor para Nicolas Pereda. A comédia dramática nicaragüense “La Yuma”, de Florence Jaugey, venceu o prêmio Especial do júri e também melhor atriz para Alma Blanco.

Kikitos de curtas

No formato, grande vencedor foi “Haruo Ohara”, do paranaense Rodrigo Grota – que levou o de melhor filme (dividido com o baiano “Carreto”, de Claudio Marques e Marília Hughes), além de fotografia (Carlos Ebert) e direção. “Carreto” ficou também com o de melhor roteiro.

O kikito de melhor atriz foi para a gaúcha Elisa Volpato, de “Um animal menor”. O melhor ator, Flávio Bauraqui, do paulista “Ninjas”, de Dennison Ramalho. O prêmio especial do júri ficou para a animação “Os anjos do meio da praça”, de Ale Camargo e Camila Carrossine.

FONTE: Uol Cinema

ABSURDO: DESMONTE DA TV CULTURA!!!

12/08/2010

TV Cultura: a saga de desmonte do patrimônio público


Trabalhadores da TV Cultura vivem dias de tensão na emissora sob ameaça de demissões, enquanto o bem público segue servindo ao privado em São Paulo

Por Débora Prado

Os funcionários da TV Cultura estão preocupados. Não é para menos. Há anos não recebem um reajuste real no salário, nem hora extra, as denúncias de assedio moral são recorrentes e cada vez mais a carteira assinada é substituída pelo famoso PJ (quando o funcionário é obrigado a se tornar uma ‘pessoa jurídica’ para que num contrato entre ‘empresas’, o patrão não precise arcar com os direitos trabalhistas). Para piorar, no começo do mês, o colunista do R7 Daniel Castro afirmou que a direção da emissora prepara uma reestruturação que deve gerar mais de mil demissões.

Os rumores consternaram e não é para menos. Embora não haja nenhuma confirmação dos cortes, o economista João Sayad – a frente da presidência da Fundação Padre Anchieta - também não afirma que os empregos serão mantidos. A precarização das condições trabalhistas é crescente e, pior, é apenas um dos braços do desmonte e desvio da emissora, que deveria ser um bem público paulista.

Sayad fala somente em uma ‘reestruturação de conteúdo’ e em enxugar o orçamento. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no dia 9 de agosto, disse que a grade da televisão está sendo estudada e haverá repercussões. Em reunião com o Conselho da emissora, falou em abrir o espaço para “produções independentes”.

Está armado o golpe. Com o PSDB há 20 anos a frente do governo estadual em São Paulo, acontece na cultura o que já aconteceu em várias outras áreas: a administração promove o desmonte de um bem público e depois o acusa de ineficiência para privatizar.

O discurso é frágil e baseado em premissas generalistas. Por exemplo, a emissora pode não custar tão caro quanto ele diz. Um dos funcionários fez uma conta simples e apresentou na última assembleia: a partir de um DVD institucional comemorativo calculou que, nos 41 anos de vida da emissora, ela recebeu, em média, R$ 87 milhões (valores atualizados) por ano. O montante, dividido pelos cerca de 40 milhões de habitantes do Estado, resulta na pouco substanciosa cifra de R$ 2,18. Ou seja, a emissora custa ao contribuinte menos de três reais POR ANO.

A TV Cultura já não produz nenhum programa infantil, área bem reconhecida por grande parte do público. A programação para jovens e adolescentes também está sendo atacada. Já acabaram com as gravações do Teatro Rá Tim Bum, Cocoríco, Pé na Rua e Cambalhota. O próximo alvo deve ser o Login, que, segundo os rumores internos, deve parar de ser gravado em algumas semanas.

O Manos e Minas, um dos poucos programas na televisão brasileira que retratava o universo do jovem da periferia, já parou de ser gravado. No dia 5, uma movimentação no twitter com a tag #salveomanoseminas ficou no trending topics Brasil, ou seja, foi uma das mais citadas na rede social do País. Diante dos protestos, estão sendo colhidas assinaturas para um abaixo assinado contra o fim do programa (veja mais informações). A equipe continua indo na emissora, pois o contrato ainda não acabou, mas não sabe o que fazer. Para piorar, dos 18 funcionários, 17 são contratados pela fraude dos PJs e estão em situação super instável.

Sayad pegou os trabalhadores que de fato constroem a grade da emissora em dois pontos sensíveis: a autoestima e o emprego. Em assembléia em frente à emissora no dia 9 de agosto, muitos deles defendiam a qualidade da programação e aquilo que deveria ser a essência de uma TV pública. O deputado federal Ivan Valente (PSOL) esteve lá conversando com os funcionários e disse que “onde há fumaça, há fogo”, classificando a reestruturação como um ataque a lógica do que deve ser uma emissora pública e uma ameaça ao emprego e dignidade dos trabalhadores.

Outra assembléia aconteceu no dia 12 de agosto, na praça em frente às instalações da Cultura, em São Paulo. O Sindicato dos Radialistas de São Paulo e o dos Jornalistas devem realizar assembléias todas as quintas-feiras para tentar frear as demissões. A idéia é conseguir uma liminar na justiça que impeça qualquer corte enquanto a situação está em debate.

Segundo a direção informou às lideranças sindicais, há hoje na Cultura 2.150 funcionários, sendo 880 contratados pelo esquema de PJs. Alguns funcionários relataram, ainda na assembléia, que trabalham como cooperados. Desse total, cerca de 450 funcionários da Cultura estão atuando na TV Justiça e TV Assembleia e estão com os contratos para vencer – correndo sério risco de perder seus empregos. Os números não são exatos, nem oficiais e há muito pouca transparência nesse sentido.

A TV cultura não pertence ao Governo, mas sim ao público de São Paulo, ou seja, a sociedade civil. Ela deveria ser supervisionada pelo Conselho Curador, que infelizmente atua mais ratificando os desmandos tucanos do que supervisionando de fato se a concessão está servindo ao interesse público.

É pública
A grosso modo, o patrimonialismo é a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e do privado. O termo foi muito usado para qualificar as monarquias do absolutismo. Pois em São Paulo, alguns monarcas tucanos parecem possuir tal qualidade. Quando não privatizam diretamente, se apropriam do público para atender aos interesses privados dos grupos próximos da sigla. Isto acontece na educação, na saúde, nos transportes e até na coleta de lixo. E acontece também na comunicação.

A TV Cultura é uma rede pública e não estatal. Mas, não atua como tal. Não deveria servir ao governo do Estado, muito menos a mandatos específicos, mas na prática a coisa se complica. Ser pública significa que a vontade da sociedade civil deveria ser consultada antes de qualquer mudança estrutural. Funciona ali a mesma lógica que torna o Brasil um campo de batalha pela democratização das comunicações, onde a mídia é um dos mais fortes aparelhos privados de hegemonia ideológica.

O sistema de comunicações brasileiro é uma “herança maldita” da ditadura militar, que funciona via incentivo estatal ao desenvolvimento do capital privado. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso, do mesmo PSDB, promoveu a maior privatização na área e rifou o Sistema Telebrás.

E o governo Lula não mudou este modelo. Os meios de comunicação seguem centrados nas mãos de poucos grupos e as concessões públicas de televisão vencidas foram renovadas automaticamente, sem nenhum debate com a população. A nomeação de Hélio Costa (PMDB), conhecido no movimento pela democratização como "o ministro da Globo", é emblemática.

Desenvolver uma verdadeira TV pública no Brasil implicaria numa concepção realmente pública de radiodifusão, subordinada então ao controle público (não só estatal, mas também da população) e não à lógica comercial. Deveria conter uma programação interessante e de qualidade que representasse a diversidade cultural e regional do País.

Para isto, seria necessário termos o controle social da mídia, que poderia funcionar, por exemplo, por meio de conselhos onde a população e o os trabalhadores de uma emissora pudessem estar devidamente representados. Mas a pequena parcela que senta em cima da comunicação brasileira atualmente não abre espaço para este debate. Quando se fala em democratização pelo controle social logo gritam – censura! E fim de papo.

Débora Prado é jornalista
debora.prado@carosamigos.com.br

terça-feira, agosto 10, 2010

FLIP 2010


salve, rápa.

voltei de viagem na correria total: arrumar casa, lavar roupa, preparar aula, separar materiais, contar lucros e prejuízos e tal, mas finalmente consegui um tempinho para tecer comentários sobre os últimos dias.

viajar para Parati foi ótimo. eu, ingrid, vagnão (da brasa), michel e raquel (do elo), saímos, montados num opaloza 87 - estilo "pique bandidão" rs - na manhã da quinta-feira, por volta das 06hs. fomos na manha, afinal era uma manhã fria, com uma garoa fina e um pouco de chuva no caminho e, como não tinhamos pressa pra chegar, fui guiando na moral.

dai já começou uma parada muito interessante da viagem: a oportunidade de trocar idéias, conversar calmamente com pessoas que estão conosco nos corres culturais e literários mas, que por conta da correria, não dá muitas vezes tempo para fortificar/frutificar as idéias. e em quatro horas de viagem, tanto ida quanto volta, deu pra rolar papos e idéias que são muito importantes para todos, sejam pessoas ou movimentos.

na chegada em Parati, fomos logo pro Camping pra montar as barracas e deixar tudo no jeito. a surpresa, boa diga-se de passagem, é que os metereologistas não servem pra nada: disseram que iríamos encontrar muito frio, chuva e tal, principalmente na quinta e sexta. mas, quando chegamos, o tempo já estava abrindo.

montamos a barraca, separamos as coisas e fomos pra lida. no caminho, trombamos os manos maloqueiristas. perguntei se estavam embaçando, como no ano passado, e até ali, tudo tranquilo. fomos então manguear.

até a primeira venda, muito foda. você está enferrujado, tímido, seus argumentos ainda não estão engatilhados. uma moça pediu para ver meu livro, pediu uma sugestão de contos. indiquei um, dois, ela leu cinco contos do livro. estava interessada. achei que ia levar. disse obrigado e foi embora. o vagnão deu risada - rs.

depois de uma meia hora encarando nãos, caras frescas e esnobes me ignorando, outras pessoas desinteressadas, fiz a minha primeira venda. diga-se de passagem, venda dupla. daí abriu as portas e, vâmbora.

sexta-feira parecia que ia ser o dia para arrebentarmos. a parada estava fluindo bem. havia bastante escolas, sugeri a galera pra fazermos uma intervenção na praça e foi lôco. só na batida das palmas a molecada já colou, fizeram a roda e pudemos gingar com as palavras bonito. momento marcante.

mas na sequência, quando estávamos indo para a igreja do rosário, vimos fiscais aglomerando. colamos, pois pensei que estavam embaçando com os livros de alguém, mas eles estavam confiscando o material de trabalho de um povo indígena que veio da bahia. a parada me subiu no sangue, começamos a tirar algumas fotos. dei alguns gritos de protesto naquela cena, outras pessoas sensibilizaram-se. acompanharam os fiscais até a prefeitura pra entender o destino do trampo dos índios.
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nessa hora deu um clima mal. eu, particularmente, ficava pensando: porra, se eles que são os donos originários desta terra, não tem direito ao seu trabalho - e consequentemente, a uma vida digna - quem somos nós para invadir o espaço e manguear nosso trampo? mas aí é perceber que é a lógica do sistema, que esses caras querem cada vez mais privatizar Parati, patrimônio histórico da humanidade e do Brasil, tão marcada pelo escoamento de nossas riquezas para o estrangeiro que não podemos abaixar a cabeça e aceitarmos.

no mais, sabadão prometeu e cumpriu: foi o melhor dia da Festa, tanto para a venda quanto para trocar idéias com o povo, fortalecer laços, agitar a FLIP. consegui o suficiente para pagar o camping, comida, gasosa e trazer um qualquer pra sobreviver no dia-a-dia. afinal de contas, pra mim e pra galera, livros, além de resistência, não é hobby, mas uma oportunidade de trabalho.

agora pra quem pergunta o que fomos fazer lá, dou algumas dicas:

- fortalecer a corrente, já que fomos em grupo, aprofundamos idéias, nos aproximamos ainda mais;

- divulgar a literatura periférica, fazer novos contatos, parcerias;

- valorizar ainda mais a molecadinha e a juventude, que curte muito os nossos trampos;

- ficar puto e mais puto com a elite arrogante e antipática, que nos ignora na frente quando abordamos e faz comentários nojentos por trás, depois que passam;

- observar a natureza, sentir a brisa do mar, a areia limpa da praia, observar os cachorros brincando, as crianças correndo sem preocupação dos carros atropelarem-nas, a charrete, as amizades, as festas. enfim, energizar a alma, coisa fundamental pra sobreviver no dia a dia.

enfim, por alguns dias fomos felizes. em grupo, no coletivo e na família. só por isso já valeu.

já estou pensando em comprar uma van ou alugar um buzão pra irmos numa galera grande pra outros eventos desta estirpe. se já bagunçamos a cidade da maneira como bagunçamos estando em cinco, imagine se estivéssemos em dez, vinte, trinta!?

pra ver comentários dos meus camaradas michel e vagnão, clique AQUI e AQUI TAMBÉM.

abraço pra nóis.

rodrigo ciríaco.

SÁB, 28 DE AGOSTO, SARAU DOS MESQUITEIROS + LANÇAMENTOS SACOLINHA + TENDA LITERÁRIA

(RE)EXISTÊNCIA CULTURAL
NA ZONA LOST!



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terça-feira, agosto 03, 2010

PARATI. PARAMIM? QUEM SABE

salve, rápa.

depois de uma semana corrida organizando algumas paradas da escola, teatro, sarau e otras cositas mais, quinta-feira de madruga parto pra Parati. seria só alegria se a ida não fosse a trabalho, com receio de pegar dias com chuva, frio no camping e pensando que os cães podem ladrar novamente, como fizeram no ano passado.

mas, se vier, que venham armados. nos argumentos. porque, diferente do ano passado, não vai ser tão simples assim de "recolhe e não pode vender". até porque o trampo ultrapassa a questão da difusão da literatura periférica nas ruas estreitas de pedras tortas da antiga cidade da trilha do ouro: é questão de trabalho mesmo. de tentar levantar uma grana extra pra pagar as dívidas que já não são curtas e tendem mais a aumentar.

mas, sem problema. a disposição tá a mil e se a gente não se derruba nada vai nos segurar. no mais, o blog vai ficar um pouco de lado já que todas as minhas energias vão ficar conectadas no trampo. e não tem muita lan e internet disponível por lá.

então, como dizemos no teatro: "merda" pra nóis e até segunda-feira. espero que com boas fotos e notícias e talz...

salve,

r.c.