domingo, agosto 29, 2010
IMAGENS - SARAU DOS MESQUITEIROS
VAMOS PRA PALMARES
sábado, agosto 28, 2010
HOJE: ZONA LOST PEGA FOGO!
sexta-feira, agosto 27, 2010
MENTE EM EBULIÇÃO
Nem sei como começar. Sei que tenho que dizer. Escrever.
A parada dói demais pra ficar depurando dentro de mim. Somatizar no meu corpo, virar uma doença. Prefiro botar pra fora, jogar merda no ventilador e depois, limparmos a bosta juntos.
Limparmos? Juntos?
Pra quem não quiser ler, a parada se resume, na minha opinião, em individualismos, falta de comprometimento, solidariedade. "Venha nós, tudo. Vosso reino, nada".
Pra quem não sabe, minha escola é considerada entre as dez piores da Diretoria de Ensino Leste-1. Isso quem diz é o Saresp. E em muito eu concordo, principalmente quando vejo: estrutura, administração, planejamento, organização, corpo docente, participação da comunidade. Estamos entre as piores escolas de São Paulo. E isto há alguns anos.
Eu, que completo na escola cinco anos de trabalho, estou cansado: desta imagem de pior escola, da imagem de alunos "nóias, vagabundos, drogados; putas, galinhas, sem-futuro, sem-esperança, sem-nada". Estou cansado porque eu conheço o meu potencial, tenho comprometimento e dedicação no meu trabalho, deixo muitos projetos pessoais pra ficar por lá - fique claro, por livre e espontânea escolha.
Mas me sinto mal porque estou lá, trabalhando duro há cinco anos. Não são cinco segundos. Dias, meses. São cinco anos.
E assim como o jardineiro que planta quer ver o jardim florido, o pedreiro que constrói quer ver a casa de pé, eu quero ver a minha escola crescer. Mudar.
Estou de saco cheio de gente derrubando o meu muro, destruindo as flores no meu jardim.
Ontem tivemos uma reunião na escola pra conversarmos sobre os problemas. Novamente. Conhecidos há muito tempo: pela Secretaria de Educação, pela Diretoria de Ensino, pela Direção, por professores. Pra quem não conhece, vamos a eles:
- DÍVIDAS (Din-Din): a escola estava com um problema para receber verbas. Tal fato se deve a má administração de gestão anteriores, que por falta de prestação de contas nos anos 2006, 2007, 2008, fez acumular uma dívida na escola de aproximadamente R$ 111.000,00 (CENTO E ONZE MIL REAIS). Estas contas precisavam ser regularizadas para que a escola recebesse verbas. Através do trabalho da direção, conseguiu-se acertar muita coisa, mas a APM da escola ainda encontra-se com uma dívida de R$ 16.000,00 com a FDE, que será saldada em 60 meses.
Olha só que legal: pessoas irresponsáveis, não fazem seu trabalho direito, destroem uma escola, vão embora, e deixam para os que ficam, no caso a APM da escola, uma dívida de 16 mil!
- Falta de Planejamento, Organização: pra começar, a escola não tem um Projeto Político-Pedagógico, que a pense a curto, médio e longo prazo. Não, é sempre o apagar de fogo, é sempre a toque de caixa. Nunca tomamos uma ação, agimos. Estamos sempre REagindo. Estamos sempre apagando incêndios. Algumas vezes literalmente falando. E o que é pior, as coisas simples que combinamos, não acontecem.
- Teoria e Prática, Discurso e Ação: Muitas coisas existem apenas no papel. Ou melhor, não existem no papel, são combinados, avulsos, ao vento. Não valem nada. E o pior, quando se questiona sobre isso, as pessoas, ao invés de reconhecerem que erraram e ok, vamos fazer diferente, ficam na defensiva. Apenas se justificando. Não quero justificativas. Não apenas. Quero ações, atitudes, que mudem comportamentos, mudem situações. Falar apenas não dá.
E outra coisa: a crítica existe não para se falar mal de pessoas, mas para avaliar trabalhos. Então, caros colegas de trabalho, quando conversamos sobre as coisas que não estão dando certas, o faço porque gostaria de vê-las funcionando. Não estou chamando ninguém de incompetente. Se a pessoa assim se sente, não é problema meu. E tem mais: não sou perfeito, também aceito críticas. Mas tem que mostrar o que está fazendo pra poder criticar o que falo e o que faço. Justiça.
Só pra entenderem: dia 16 de agosto foi dia de AVALIAÇÃO DO SARESP, na rede estadual. Todas as escolas pararam pra conversar sobre essa parada. Planejamos, discutimos, falamos e tal. O que acontece na semana seguinte na minha escola? Um CRIME. Qual crime? Uma semana morta.
Já viu uma escola em que na terça-feira tem PLAYCENTER, na quarta-feira visita a uma FÁBRICA, mais TEATRO, mais divulgação de COMPUTADOR, na quinta-feira CINEMA e na sexta-feira AGITA GALERA (ops, cancelado pelo GOVERNO)?
Ok, pode parecer uma programação da hora pra um clube de férias, agora pra uma escola não. Principalmente uma escola com inúmeros problemas que a minha escola tem. Porque colocar tantas atividades numa única semana resulta numa semana morta, com escola quase vazia, com poucos alunos. Além do sarau, que eu postei as fotos, eu não consegui trabalhar nada esta semana. E diga-se de passagem, eu e acredito todos.
Uma semana ótima para quem não quer nada com nada. Como eu trabalho, me sinto incomodado. Mas, vamos aos "folgados"
- Como diria o GOG: “paredão pros parasitas”, ou melhor, respeito as regras. Em todos os lugares existem pessoas muito folgadas. Querem tudo, sem oferecer nada em troca. Em todos os lugares, em todas as profissões. Mas vejo isso mais flagrante, muito mais grave, quando me deparo com estas situações na educação. Caraca, véi, as vezes não temos o comprometimento mínimo com a molecada, com a escola, com a comunidade; com os colegas, com ninguém. Tudo se resume a uma questão de dinheiro e pronto. E uma opção burra, estúpida, de gente que não tem qualificação e competência pra estar em outro lugar, porque estar na educação e pensar apenas no dinheiro... faça-me o favor. As únicas pessoas que ganham dinheiro com educação são os políticos, seus paus-mandados e donos de editoras, construtoras, alguns diretores de escola. É pensando bem, tem bastante gente. Mas, professor, pensando só em ganhar dinheiro na educação, é burrice.
Pois bem, voltando: tem colegas que são assim. Não tem comprometimento nenhum. Não colaboram em projetos, não compartilham responsabilidades. Pior, atravessam e atrapalham os outros: com faltas, diz-que-me-disse, falta de comprometimento na aula (“Hoje não vou dar aula porque estou com o braço doendo. Hoje não vou dar aula porque minha amiga está mal. Hoje não vou dar aula porque de manhã soltei um pum”). E o pior: ninguém chama na chincha. Ninguém “orienta” essas pessoas, colocam elas no devido lugar. O que acontece é que muitas vezes se faz conchavo com essas pessoas, tem privilégios: saem mais cedo, entram mais tarde; chegam atrasados e tiram professores da sala de aula. Fazem troca-troca, permutas, acordos extra-oficiais. O famoso “jeitinho brasileiro”, que não respeita o que deveria ser seguido: as regras, as leis. Porque se elas funcionassem, as coisas seriam diferentes.
Em tempo, ontem ainda tive que presenciar esta cena: alguém chega para um professor: "-Pode vir ao Sarau?" Ele responde: "-Não sei." A pessoa diz: "-Olha, se vier ao sarau, dá para contar como reposição da Greve." O professor responde: "-Ah, eu vou trocar? Eu vou ganhar? Então eu venho." Mas, ainda na dúvida, pergunta: "-Mas eu vou receber neste mês." A pessoa responde: "-Não, só no outro." Aí, o professor dá a cartada final: "-Ah, então eu não venho."
Sim, eu escrevo ficção. Mas isso aconteceu. Na minha frente! Ha ha ha ha ha...
Esclarecendo: muitos colegas dizem que não podem vir ao Sarau (que é uma vez por mês) porque tem outros compromissos, atividades INADIÁVEIS. Mas, se rolar uma merreca, eles até chegam.
Cê acha que eu quero essas pessoas por perto?
Ha ha ha ha ha ha...
Só rindo.
Bom, se alguém chegou até aqui neste relato, deve perceber que eu estou de saco cheio. E estou mesmo. Não do meu trabalho, não de fazer o que faço. Amo, gosto muito. Curto muito estar ao lado da molecada, mas eu quero ver resultado. Eu quero vê-los crescer. To de saco cheio de ver alunos meus deixando de ir pra escola, pra ficar do lado de fora passando droga. Entrando nas biqueira, fazendo fita, virando correria, cainda na Febem, morrendo cedo. Estou cansado da imagem de derrota, desesperança e abandono da minha escola. Estou cansado de ser chamado de dez menos. Estou cansado.
Me considero guerreiro. Bom de briga. Um lutador. E um pouquinho inteligente. Uma pessoa com esse perfil, pra sobreviver, tem que ser no mínimo estrategista. Saber quando avançar e quando recuar. E estou pensando: acho que está na hora de jogar a toalha. Mudar de ares. Partir pro combate em outras frentes. Até porque, dentro desta miscelânea toda que narrei, me sinto sozinho. Ou melhor, sozinho totalmente não, sempre tem mais uns dois ou três loucos que não te abandonam, entram na briga contigo. Mas pensando na reunião de ontem, de outros ontem, de outros dias, a impressão que tenho é que estamos em dois, três, quatro, contra cento e vinte pessoas. E apesar da desvantagem numérica, ainda não caímos. Batemos, socamos, apanhamos, avançamos, recuamos, mas não caímos. Apenas demos uma pausa. Mas não somos bobos. Até quando vamos cair pro pau pra uma briga que é de cara desigual?
E o pior: desigual porque a maioria prefere ficar inerte. Na platéia. Observando. Isso é o que mais me dói. Não ter conseguido agregar, ainda, de maneira suficiente, efetiva pra transformar, o maior número de pessoas. Sejam alunos, pais, professores. Sim, como eu disse, tem alguns. Mas são poucos.
“O que me preocupa não é o grito dos maus. Mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King).
E aproveitando a reflexão, lembro do Boal, fazendo uma análise sobre o fracasso do Che na sua campanha na Bolívia: é que diferente de Cuba, em que os revolucionários conseguiram o apoio da população, na Bolívia Che esteve isolado. Sozinho. Isso foi a sua morte, literalmente falando. A CIA apenas apertou o gatilho.
Porque a gente não transforma a vida PARA as pessoas. A gente transforma a vida COM as pessoas.
Não vejo muitas pessoas comigo. Não o suficiente para mudar. Talvez seja a hora de ser estrategista. Reconhecer a derrota na batalha, mudar, pra amanhã não ter que reconhecer que perdemos a guerra.
Mente em ebulição. Para quem acredita em mim, não se preocupe: não desisti. Essa opção não me cabe. Apenas estou cansado de apanhar. Não sou Cristo. Quero também socar, bater.
E no lugar certo!
Rodrigo Ciríaco
P.S.: pra quem quiser saber mais detalhes sobre as coisas que estão acontecendo, com força pra poder colaborar na mudança dessa parada, escreve aí pra gente quem sabe, bater um papo, pensarmos juntos: rodrigociriaco@yahoo.com.br
terça-feira, agosto 24, 2010
PREPARAÇÃO - SARAU DOS MESQUITEIROS
quinta-feira, agosto 19, 2010
CRÔNICA NÃO ANUNCIADA
O desperta/dor tocou cinco vezes. Na sexta, desliguei a função "soneca" e resolvi que não ia trabalhar. Não valia a pena. A começar pela condição física de meu corpo: moído. Parece que colocaram no liquidificador, bateram, coaram e depois despejaram na cama. Eu estava lá, todo dolorido. A garganta inflamada. E um sentimento de impotência e frustração que desde ontem me acompanham.
domingo, agosto 15, 2010
ANTOLÓGICO - ADONIRAN E ELIS
muito respeito à aqueles
que antes de nós
já mostravam, falavam,
cantavam e recitavam
em prosa, música e versos
a nossa favela!
SARAU DOS MESQUITEIROS - 28 DE AGOSTO



SALVE JEFERSON DE, PARABÉNS!

"Bróder", de Jeferson De, vence prêmio de melhor filme em Gramado
“Bróder”, de Jeferson De, foi o grande vencedor do 38o Festival de Gramado, levando três troféus: melhor filme, diretor e ator (Caio Blat). Blat, que está filmando “Xingu” na Amazônia com Cao Hamburger, veio especialmente para Gramado e fez o agradecimento mais emocionado da noite.
“Macu (o personagem de Caio no filme) foi o presente mais lindo que recebi na carreira. E agora posso dizer, Jeferson, que sou negão igual a você”, afirmou Caio. Em seguida, o ator dedicou o filme aos moradores do Capão. “Cada família ali tem um Macu dentro de casa. Este prêmio vai pra eles, pra eles mudarem essa história”. Já o diretor Jeferson De, vestindo uma camisa do Internacional – como tinha feito há dias, na coletiva do filme -, fez questão de agradecer a Mano Brown e Daniel Filho por sua participação para o sucesso do filme. O cineasta também convocou a platéia do Palácio dos Festivais para um coro de “Parabéns a você” para a filha Joana. “Mais uma vez, por causa do filme, não estou com ela neste dia, mas ela está me assistindo” (a cerimônia de premiação estava sendo transmitida pelo Canal Brasil).
Igualmente com três prêmios, a produção carioca “Não se pode viver sem amor”, de Jorge Duran, ficou com os Kikitos de melhor fotografia (para Luis Abramo), roteiro (Dani Patarra e Jorge Duran) e atriz: (Simone Spoladore). Um único prêmio ficou para outro filme carioca, “O último romance de Balzac”, de Geraldo Sarno, um dos catalisadores da polêmica sobre obras psicografadas, um dos temas inegáveis deste festival.
Os prêmios da crítica ficaram para o curta “Babás”, de Consuelo Lins, o documentário brasileiro “Diário de uma busca”, de Fávia Castro, e o filme colombiano “El vuelco del cangrejo”, de Oscar Ruiz Navia. O júri popular preferiu o curta “Ratão”, de Santiago Dellape, o longa brasileiro “180º”, de Eduardo Vaisman (RJ) e o latino “Mi vida com Carlos”, de German Berger (Chile).
Longas latinos
Na seção latina, o júri oficial deu ao documentário chileno “Mi vida con Carlos” levou outros dois prêmios, de melhor filme e melhor fotografia (Miguel Littin). Comemorando muito, o diretor lembrou “a necessidade de lembrar o passado para construir uma sociedade mais justa. Um pais sem documentários é como família sem fotografias”.
Outros dois troféus ficaram para a produção argentina , “La vieja de atrás”, de Pablo Meza, que venceu melhor roteiro, ator (Martin Piroyansky, que dividiu este prêmio com o mexicano Gabino Rodriguez, de “Perpetuum Mobile”).
O filme mexicano “Perpetuum móbile”ficou ainda com o Kikito de melhor diretor para Nicolas Pereda. A comédia dramática nicaragüense “La Yuma”, de Florence Jaugey, venceu o prêmio Especial do júri e também melhor atriz para Alma Blanco.
Kikitos de curtas
No formato, grande vencedor foi “Haruo Ohara”, do paranaense Rodrigo Grota – que levou o de melhor filme (dividido com o baiano “Carreto”, de Claudio Marques e Marília Hughes), além de fotografia (Carlos Ebert) e direção. “Carreto” ficou também com o de melhor roteiro.
O kikito de melhor atriz foi para a gaúcha Elisa Volpato, de “Um animal menor”. O melhor ator, Flávio Bauraqui, do paulista “Ninjas”, de Dennison Ramalho. O prêmio especial do júri ficou para a animação “Os anjos do meio da praça”, de Ale Camargo e Camila Carrossine.
FONTE: Uol Cinema
ABSURDO: DESMONTE DA TV CULTURA!!!
TV Cultura: a saga de desmonte do patrimônio público
Trabalhadores da TV Cultura vivem dias de tensão na emissora sob ameaça de demissões, enquanto o bem público segue servindo ao privado em São Paulo
Por Débora Prado
Os funcionários da TV Cultura estão preocupados. Não é para menos. Há anos não recebem um reajuste real no salário, nem hora extra, as denúncias de assedio moral são recorrentes e cada vez mais a carteira assinada é substituída pelo famoso PJ (quando o funcionário é obrigado a se tornar uma ‘pessoa jurídica’ para que num contrato entre ‘empresas’, o patrão não precise arcar com os direitos trabalhistas). Para piorar, no começo do mês, o colunista do R7 Daniel Castro afirmou que a direção da emissora prepara uma reestruturação que deve gerar mais de mil demissões.
Os rumores consternaram e não é para menos. Embora não haja nenhuma confirmação dos cortes, o economista João Sayad – a frente da presidência da Fundação Padre Anchieta - também não afirma que os empregos serão mantidos. A precarização das condições trabalhistas é crescente e, pior, é apenas um dos braços do desmonte e desvio da emissora, que deveria ser um bem público paulista.
Sayad fala somente em uma ‘reestruturação de conteúdo’ e em enxugar o orçamento. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no dia 9 de agosto, disse que a grade da televisão está sendo estudada e haverá repercussões. Em reunião com o Conselho da emissora, falou em abrir o espaço para “produções independentes”.
Está armado o golpe. Com o PSDB há 20 anos a frente do governo estadual em São Paulo, acontece na cultura o que já aconteceu em várias outras áreas: a administração promove o desmonte de um bem público e depois o acusa de ineficiência para privatizar.
O discurso é frágil e baseado em premissas generalistas. Por exemplo, a emissora pode não custar tão caro quanto ele diz. Um dos funcionários fez uma conta simples e apresentou na última assembleia: a partir de um DVD institucional comemorativo calculou que, nos 41 anos de vida da emissora, ela recebeu, em média, R$ 87 milhões (valores atualizados) por ano. O montante, dividido pelos cerca de 40 milhões de habitantes do Estado, resulta na pouco substanciosa cifra de R$ 2,18. Ou seja, a emissora custa ao contribuinte menos de três reais POR ANO.
A TV Cultura já não produz nenhum programa infantil, área bem reconhecida por grande parte do público. A programação para jovens e adolescentes também está sendo atacada. Já acabaram com as gravações do Teatro Rá Tim Bum, Cocoríco, Pé na Rua e Cambalhota. O próximo alvo deve ser o Login, que, segundo os rumores internos, deve parar de ser gravado em algumas semanas.
O Manos e Minas, um dos poucos programas na televisão brasileira que retratava o universo do jovem da periferia, já parou de ser gravado. No dia 5, uma movimentação no twitter com a tag #salveomanoseminas ficou no trending topics Brasil, ou seja, foi uma das mais citadas na rede social do País. Diante dos protestos, estão sendo colhidas assinaturas para um abaixo assinado contra o fim do programa (veja mais informações). A equipe continua indo na emissora, pois o contrato ainda não acabou, mas não sabe o que fazer. Para piorar, dos 18 funcionários, 17 são contratados pela fraude dos PJs e estão em situação super instável.
Sayad pegou os trabalhadores que de fato constroem a grade da emissora em dois pontos sensíveis: a autoestima e o emprego. Em assembléia em frente à emissora no dia 9 de agosto, muitos deles defendiam a qualidade da programação e aquilo que deveria ser a essência de uma TV pública. O deputado federal Ivan Valente (PSOL) esteve lá conversando com os funcionários e disse que “onde há fumaça, há fogo”, classificando a reestruturação como um ataque a lógica do que deve ser uma emissora pública e uma ameaça ao emprego e dignidade dos trabalhadores.
Outra assembléia aconteceu no dia 12 de agosto, na praça em frente às instalações da Cultura, em São Paulo. O Sindicato dos Radialistas de São Paulo e o dos Jornalistas devem realizar assembléias todas as quintas-feiras para tentar frear as demissões. A idéia é conseguir uma liminar na justiça que impeça qualquer corte enquanto a situação está em debate.
Segundo a direção informou às lideranças sindicais, há hoje na Cultura 2.150 funcionários, sendo 880 contratados pelo esquema de PJs. Alguns funcionários relataram, ainda na assembléia, que trabalham como cooperados. Desse total, cerca de 450 funcionários da Cultura estão atuando na TV Justiça e TV Assembleia e estão com os contratos para vencer – correndo sério risco de perder seus empregos. Os números não são exatos, nem oficiais e há muito pouca transparência nesse sentido.
A TV cultura não pertence ao Governo, mas sim ao público de São Paulo, ou seja, a sociedade civil. Ela deveria ser supervisionada pelo Conselho Curador, que infelizmente atua mais ratificando os desmandos tucanos do que supervisionando de fato se a concessão está servindo ao interesse público.
É pública
A grosso modo, o patrimonialismo é a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e do privado. O termo foi muito usado para qualificar as monarquias do absolutismo. Pois em São Paulo, alguns monarcas tucanos parecem possuir tal qualidade. Quando não privatizam diretamente, se apropriam do público para atender aos interesses privados dos grupos próximos da sigla. Isto acontece na educação, na saúde, nos transportes e até na coleta de lixo. E acontece também na comunicação.
A TV Cultura é uma rede pública e não estatal. Mas, não atua como tal. Não deveria servir ao governo do Estado, muito menos a mandatos específicos, mas na prática a coisa se complica. Ser pública significa que a vontade da sociedade civil deveria ser consultada antes de qualquer mudança estrutural. Funciona ali a mesma lógica que torna o Brasil um campo de batalha pela democratização das comunicações, onde a mídia é um dos mais fortes aparelhos privados de hegemonia ideológica.
O sistema de comunicações brasileiro é uma “herança maldita” da ditadura militar, que funciona via incentivo estatal ao desenvolvimento do capital privado. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso, do mesmo PSDB, promoveu a maior privatização na área e rifou o Sistema Telebrás.
E o governo Lula não mudou este modelo. Os meios de comunicação seguem centrados nas mãos de poucos grupos e as concessões públicas de televisão vencidas foram renovadas automaticamente, sem nenhum debate com a população. A nomeação de Hélio Costa (PMDB), conhecido no movimento pela democratização como "o ministro da Globo", é emblemática.
Desenvolver uma verdadeira TV pública no Brasil implicaria numa concepção realmente pública de radiodifusão, subordinada então ao controle público (não só estatal, mas também da população) e não à lógica comercial. Deveria conter uma programação interessante e de qualidade que representasse a diversidade cultural e regional do País.
Para isto, seria necessário termos o controle social da mídia, que poderia funcionar, por exemplo, por meio de conselhos onde a população e o os trabalhadores de uma emissora pudessem estar devidamente representados. Mas a pequena parcela que senta em cima da comunicação brasileira atualmente não abre espaço para este debate. Quando se fala em democratização pelo controle social logo gritam – censura! E fim de papo.
Débora Prado é jornalista
debora.prado@carosamigos.com.br
terça-feira, agosto 10, 2010
FLIP 2010
salve, rápa.





