sexta-feira, janeiro 22, 2010

DESABAFO: VIOLENTO? ou NÃO ME PEÇA PRA MEDIR AS PALAVRAS

Violento? Não sou violento. Talvez um pouco vingativo. Rancoroso. Nunca matei ninguém. Se for pra bater, esfolar, socar, me chamem; que eu vou pegar o papel. Dedo no teclado, caneta e dicionário. Minha bala será a fala. Oralizada. Escrita. E não vou medir gatilho. Disparo. À queima-roupa, se for necessário. Resposta sincera do que recebo de ordenado. Diário. Da vida. Violento. Nada. Talvez nas palavras. Mas palavra dizem, hoje, não vale. Nada. Ninguém assunta o que se ouvê. Nada. Não se cumpre o que se escreve. Nada. Pra mim, tudo bem. Nem não sou profeta. Só quero matar a raiva. O ódio, a bílis, a inveja. Que suma a desigualdade e injustiça macabra. E todos os responsáveis por ela. Palavra. Minha palavra. Ela não é violenta. É violentada. Vezes fica quieta. Vezes escancara. Pra não ficar um silêncio de pé. Por isso cuspo, espirro. Palavra. Palavra que não disfarça. Palavra que não se esconde. Palavra que revela. Violento? Talvez. Nem por isso não me calo. A lona do barraco não desarmo. E grito. Palavra que atinge, mas não mata. Palavra que morde, mas não envenena. A palavra me liberta. Por isso atiro: na cabeça. Palavra. Tá com medo por que veio? Não se esconda por inteiro. Atrás do muro, em cima do armário. Não precisa tomar cuidado. Palavra quando atinge não derruba de pronto o mutilado. Espera o cabra botá a cabeça no travesseiro, dormir e voltá acordado. Não se preocupe. Minha palavra é rubra mas não espirra; sangue. Espirra?

Um comentário:

Adriana disse...

Nossa Rô, estou a me perguntar o que te fez escrever isso? A chuva de sampa? O descaso das autoridades?
Quero saber de vc, escreve um e-mail quando der. Estou com saudades.

Bjos Dri.