quinta-feira, julho 19, 2007

uma outra cara para o mesmo dia: 17 de julho

Ontem, no intervalo da fria garoa que caía nos dias quentes de inverno
Fui passear com meus pés pela rua.
Parei num posto de gasolina
E me abasteci de cigarros.
Atravessei ruas, subi ladeiras
E no muro de uma escola eu vi um pássaro
Levemente agachar as pernas
E cagar

Síntese de nossa civilização!

Muros pichados me apresentavam
Golfinhos, praias, rios,
Tucanos, onças e pardais
Preserve a natureza!
Cegamente eu me perguntava
Mas onde está ela?

Um carro com grandes rodas passa lentamente ao meu lado
Não me diz boa tarde, apenas me encara
Apontando escuros olhos para os meus olhos quase vazios
Abaixo a minha cabeça, enquanto na rua deserta
A minha alma não sorri

Por que tenho medo?

Catadores de papelão trabalham,
Na porta do bar um copo segura um homem, e pergunta:
Pra quê?

Entro no mercadinho da esquina
Observo cuidadosamente as paredes, o seu azulejo quadrado
Chocolates, salgadinhos, o piso vermelho encerado
Lembro que estes mercadinhos estão em vias de extinção.
O homem atrás do balcão não é simpático
Na verdade sabe dizer apenas
Obrigado
Depois de ver a cor do meu dinheiro, que é pouco
Mas é o movimento do dia.

Caminho lentamente de volta a minha casa
Vejo uma Casa Espírita, muros baixos
E espinhos fazendo as cercas entre os vizinhos.
Ouço algumas pombas,
Vejo bonitos pássaros
Tento adivinhar os seus nome, que na escola, infelizmente,
eu nunca aprendi.
Me aproximo de um
Ele não voa, mas tem medo
Em pequenos saltimbancos, escapa e sai.
Vai beber a água suja debaixo de um carro
Parece feliz.

Chego na porta do meu prédio
Um homem não se apresenta, não há para quem dizer
Boa tarde, boa noite, bom dia
Apenas o portão eletrônico se abre
Após o olho eletrônico identificar-me e seguramente
Registrar a confirmação.
Vidros fumes escondem o rosto do trabalhador do meu prédio
Segurança é tudo hoje em dia.

Abro a porta do meu apartamento
Dentro da caixa não há ninguém para me receber
Apenas a voz de Lenine no rádio ligado, esquecido, dizendo
Paciência. A vida é tão rara,
A vida não pára não
A vida não pára.

2 comentários:

Renata disse...

na porta do bar um copo segura um homem! que sacada mega-boa!
superbeijos, Rô.

rodrigo ciríaco disse...

valeu rera. de vez em nunca elas acontecem - rs.
Beijabraço - e aperto de mão!