Hoje foi dia de casa cheia para mais um #Sarauzim dos #Mesquiteiros aqui na Leste, no #CEUAzulDaCorDoMar. Turma dos 6os e 7os anos participaram em peso e contribuíram com mais um dia de #arte, #educação e #poesia.
Seguimos com o trabalho de formação poética nas escolas. Quem quiser, chama nóis:
biqueiraliteraria@gmail.com
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terça-feira, março 29, 2016
segunda-feira, abril 13, 2015
PREFEITURA DE SÃO PAULO E O DURO GOLPE NA CULTURA DE PERIFERIA
A cidade de São Paulo tem atualmente um dos principais
movimentos culturais do cenário contemporâneos: a literatura marginal e os
saraus da periferia. E isso não sou eu quem estou dizendo, é possível constatar
através do crescente movimento pela cidade nos últimos anos, do volume de
estudos, teses acadêmicas (mestrado e doutorado) sobre o assunto, de alguns
(ainda poucos) editais que preocupam-se em atender a grande demanda dos
coletivos literários. Das feiras, festas e eventos, nacionais e internacionais,
que cada vez mais nossos autores participam.
Saraus participam da 40a Feria Internacional del Libro - Buenos Aires, Argentina (maio/2014)
Desde 2011, que acontece um importante programa de ampliação
de público, formação de leitores, fomento a leitura e difusão literária: o “Veia
e Ventania – Literatura Periférica nas Bibliotecas de São Paulo” envolvendo os saraus da quebrada. Ou melhor:
acontecia. O programa está desde dezembro do ano passado parado. O motivo: “falta
de recursos”.

Sarau dos Mesquiteiros na Biblioteca Municipal Rubens Borba, Ermelino Matarazzo
Grupos como Sarau do Binho, Cooperifa, Elo da Corrente,
Sarau da Brasa, Arte Maloqueira (Juntas na Luta), Mesquiteiros, O que Dizem os
Umbigos?!, Perifatividade, A voz do Povo, Encontro de Utopias, A Plenos
Pulmões, Maloqueirista e Marginaliaria foram alguns dos que passaram pelo programa ao longo
destes 04 anos, através de contratações artísticas. E que desde julho do ano
passado estavam em diálogo com o Sistema Municipal de Bibliotecas, da
Secretaria Municipal de Cultura para a criação de um edital do programa, para
ampliar o número de grupos e bibliotecas atendidas pelo mesmo.
Neste período, mais de 08 encontros foram realizados entre
integrantes dos saraus e representantes da secretaria de cultura, discutindo
formato do edital, contratações, organização, valores.
Em 09 de dezembro do ano passado, vários coletivos de saraus
estiveram presentes na Câmara Municipal de São Paulo, durante a Audiência
Pública sobre o Orçamento da cidade para 2015, e apresentaram a proposta de
emenda no valor de R$ 1.800.000,00 (hum milhão, oitocentos mil reais). Com este valor, seria possivel realizar o programa durante 10 (dez) meses, com a contratação de 30 grupos/saraus para atuar nas bibliotecas da rede municipal. A emenda foi aprovada e os grupos celebraram esta grande conquista para a cultura da periferia.
Ruivo Lopes em fala na Audiência Pública na Câmara,
09 de dezembro de 2014
09 de dezembro de 2014
09 de dezembro de 2014

Detalhe da emenda ao orçamento, publicado no D.O. do município,
em 18 de dezembro de 2014
LINK da publicação: CLIQUE AQUI
Após a posse do novo secretário de cultura, Nabil Bonduki,
os coletivos pediram uma reunião para discutir, entre outras coisas: 1) Edital
Veia e Ventania, 2) PMLLLB – Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e
Bibliotecas e 3) Carta – Existe Diálogos Saraus, pauta de reivindicações dos
coletivos entregues em novembro de 2013 ao então secretário de cultura Juca
Ferreira mas, que houve poucos avanços práticos, no que se refere a literatura
na cidade de São Paulo.
No dia 09 de março deste ano, representantes dos coletivos de
saraus foram recebidos e informados pelo secretário no corte de 30% (trinta por
cento) do orçamento da cultura para a cidade, mas que o programa seria mantido,
com algumas mudanças nos volume de recursos. E que as ações voltadas para os
saraus e a literatura marginal seriam incluídas em importantes ações como o “Circuito
SP de Cultura” e a programação cultural dos CEU – Centro de Educação Unificada. Bastaria aguardar até a primeira semana de abril para a definição.
Todavia, até o presente momento, não temos resposta sobre a continuidade ou não do programa. O programa “Veia e Ventania – Literatura Periférica” está há 05 meses parado. Todo o trabalho fortalecido pelos saraus como o estabelecimento de parcerias entre a biblioteca e escolas, comunidades; a formação de público, a divulgação e realização de cursos, encontros literários promovidos pelo Veia virou poeira. E o amargo gosto de ter sido passado para traz está na boca dos coletivos...
Todavia, até o presente momento, não temos resposta sobre a continuidade ou não do programa. O programa “Veia e Ventania – Literatura Periférica” está há 05 meses parado. Todo o trabalho fortalecido pelos saraus como o estabelecimento de parcerias entre a biblioteca e escolas, comunidades; a formação de público, a divulgação e realização de cursos, encontros literários promovidos pelo Veia virou poeira. E o amargo gosto de ter sido passado para traz está na boca dos coletivos...

Galera presente no último Sarau dos Mesquiteiros
na biblioteca, novembro de 2014
E o que é pior: se houve corte de 30% (trinta por cento) no
orçamento da cultura, este “facão” parece que foi integral para os coletivos
literários da quebrada: de março à maio de 2015, não há nada da literatura
marginal e dos saraus periféricos no “Circuito SP de Cultura”. E a revista “EmCartaz”,
que divulga as ações culturais da prefeitura, também ficam devendo. Chega-se a
pensar: seria intencional esta retirada da literatura marginal-periférica do
circuito cultural da cidade? Esperamos que não.
Cansados apenas de aguardar, aguardar, aguardar, vários
coletivos literários resolveram chamar um ato/sarau para divulgar e exigir
respostas desta situação: o #FORCALITERÁRIA, que acontecerá na sexta-feira, dia
17 de abril, a partir das 18hs, em frente ao prédio da Galeria Olido, na
Avenida São João (próximo da Ipiranga), local em que está instalada a
Secretaria de Cultura. Clique aqui e veja o link do evento no Facebook.
Clique na imagem para ampliar
O sarau dos Mesquiteiros, que desde meados de 2012 integrou o
programa “Veia e Ventania”, participou de várias reuniões de organização do
edital e ampliação do programa, e assim como os outros grupos está decepcionado
com a postura e atitude da secretaria municipal de cultura de SP em relação ao
assunto, apoia o ato e estará presente.
Esperamos que o prefeito Fernando Haddad, assim como o atual
secretário municipal de cultura Nabil Bonduki, possam rever a política cultural
que está sendo pensada e implementada para a cidade no que se refere a literatura e que a literatura marginal
e o saraus da periferia tenham respeito e reconhecimento devido pelo poder
público a eles.
Rodrigo Ciríaco, educador e escritor, coordenador do Sarau dos Mesquiteiros, integrante do movimento de saraus da Periferia.
Rodrigo Ciríaco, educador e escritor, coordenador do Sarau dos Mesquiteiros, integrante do movimento de saraus da Periferia.
#FORCALiterária
#VoltaVeiaVentania
#ReSPeitoSarausPeriferia
Para ver outro artigo importante sobre o assunto, no parceiro Michel Yakini, clique aqui na página do BRASIL DE FATO.
terça-feira, março 31, 2015
BON VOYAGE - SALÃO DO LIVRO DE PARIS, 2015 - #04
Encerra-se março. E com o mês, mais um ciclo. O primeiro trimestre vai embora. E a marca mais importante para mim foi esta viagem para a França. O reencontro com a minha literatura. O encontro com novas pessoas. Novas amizades se fortaleceram. Com certeza, renderão frutos. E aprendizados, muitos aprendizados. De não perder as raízes. De perceber as nuances da escrita e dos escritores. De não ser mais explorado, usado. De falar, na hora certa, para as pessoas certas, no local certo. Enfim, seguimos.
O saldo da viagem foram duas atividades na programação oficial do Salão do Livro de Paris, visita ao College Berange, ao Lycee Sophie Germain, visita a Alma, entidade que realiza um trabalho relacionado a direitos humanos na América Latina e África, além de batepapo com os alunos da Universidade Paul Valery, em Montpellier, pouco mais de 500 quilômetros de Paris, ao Sul da França.
O saldo da viagem foi a certeza da importância de finalizar logo o meu romance. De não se permitir travar no texto. De exercitar a escrita, sim. Mas exercitar também o ouvido, a observação. A leitura. Sempre e sempre. Com técnica, sensibilidade e disciplina.
Enfim, algumas poucas palavras por aqui. O momento é também de introspecção. E curtir as fotos. Vejam aí.
Abraço,
O saldo da viagem foram duas atividades na programação oficial do Salão do Livro de Paris, visita ao College Berange, ao Lycee Sophie Germain, visita a Alma, entidade que realiza um trabalho relacionado a direitos humanos na América Latina e África, além de batepapo com os alunos da Universidade Paul Valery, em Montpellier, pouco mais de 500 quilômetros de Paris, ao Sul da França.
O saldo da viagem foi a certeza da importância de finalizar logo o meu romance. De não se permitir travar no texto. De exercitar a escrita, sim. Mas exercitar também o ouvido, a observação. A leitura. Sempre e sempre. Com técnica, sensibilidade e disciplina.
Enfim, algumas poucas palavras por aqui. O momento é também de introspecção. E curtir as fotos. Vejam aí.
Abraço,
Mesa de autógrafos, no stand do Brasil
Eu e Fernando Morais
Sim, os doces são maravilhosos
Alunos do College Beranger
No Liceu Sophie German
Fotos com os alunos
Dedicatória na Universidade Paul Valery, em Montpellier
segunda-feira, março 02, 2015
A HORA E VEZ DO PNLL! - RODRIGO CIRÍACO
A HORA E VEZ DO PNLL!

PNLL é
abreviação do Plano Nacional do Livro e Leitura. Trocando em miúdos, é uma
proposta de institucionalizar no Brasil uma política voltada para o livro e
leitura e toda a chamada “cadeia produtiva”: escritores, editores, livreiros,
distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, administradores, gestores
públicos e outros profissionais do livro, bem como educadores, bibliotecários,
universidades, especialistas, organizações da sociedade, empresas públicas e
privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral, além do
público leitor. Ufa! A turma é grande.
Essa discussão
não é recente. O PNLL tem quase dez anos de atuação, com um acúmulo de
discussões, textos, encontros, plenárias, propostas muito produtivas feitas por
todo o Brasil. E além do PNLL, quando pensamos em políticas para o livro,
leitura e biblioteca, podemos dar um salto ainda maior, de 90 anos atrás. Por
exemplo em 1925, quando Monteiro Lobato cria uma editora brasileira de alcance
nacional, com inovador sistema de distribuição que incluía lombo de burro, trem
e barco. Ou ainda de 80 anos, quando em 1935, Mario de Andrade, diretor de
cultura do município de São Paulo, expandiu a ideia de biblioteca, abrindo
espaço para jovens e crianças, criando unidades móveis na biblioteca que hoje
leva seu nome e, dois anos depois (1937), cria o Instituto Nacional do Livro,
que existiu até 1990, quando o governo Collor entre suas “boas ações” extinguiu
o Instituto e dispersou dezenas de seus funcionários, reduzindo ao Departamento
Nacional do Livro (com apenas quatro funcionários), dentro da FBN – Fundação
Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.[1]
Pensar um Plano Nacional do Livro e Leitura é colocar a formação de leitores como uma política de Estado, não apenas de um ou outro governo. É encarar a formação de leitores como estratégica no desenvolvimento do país, dentro de perspectivas indissociáveis como cultura e educação; governo e sociedade.
A primeira
proposta do Plano para que isso efetivamente aconteça é deixar de ser um plano
e tornar-se Lei, a partir da aprovação de seu projeto – que no presente momento
está na Casa Civil, aguardando liberação de seu jurídico para ser encaminhado
ao Congresso. Com isso, o Estado se vê obrigado a criar instrumentos gerenciais
para sua aplicabilidade, que dentro da proposta é a (re)criação de um
“Instituto Nacional do Livro e Leitura”, com equipe, estrutura e orçamentos
necessários para efetivar esta política a nível nacional, estimulando os
municípios e estados a elaborarem seus planos com diretrizes claras oferecidas
pelo PNLL.
Uma política de
formação de leitores, de incentivo a leitura, literatura e bibliotecas, não
pode ser associada simplesmente a escola e educação, como muitas vezes acontece
hoje. Até porque seus desafios vão muito além do ambiente escolar, com
consequência para toda a vida: universitária, profissional (basta pensar nos
milhões de jovens e adolescentes, que concluem o Ensino Médio ou abandonam a
escola ainda como “analfabetos funcionais”). Ela necessita ser permanente,
continuada, atrativa. É uma questão de “saúde pública”, como diria o poeta
Sérgio Vaz - “Quem lê enxerga melhor”. De conscientização e libertação: crítica
e política, como diria o poeta Binho – “Uma andorinha só não faz verão, mas
pode acordar o bando todo”. De redução das margens e da desigualdade social,
como bem expressou o poeta Marco Pezão – “Nóis é ponte e atravessa qualquer
rio”. Aliás, Sérgio Vaz, Binho e Marco Pezão, referências como poetas e
produtores culturais, na criação dos dois mais antigos e importantes saraus
periféricos da cena paulistana: o sarau da Cooperifa e sarau do Binho.
A referência aos
saraus aqui não é gratuita. Notoriamente reconhecidos como uma das ações mais
importantes e significativas no campo da cultura brasileira contemporânea, são
responsáveis pela “popularização” da literatura nos espaços mais diferentes e
dinâmicos possíveis: bares, praças, ruas, ônibus, trens, metrôs, associações de
moradores, e até mesmo em centros culturais, bibliotecas e escolas! Tem uma
grande contribuição na mediação de leitura, na ressignificação do que é o livro,
literatura e poesia; além de fomentar o surgimento de novos poetas, escritores,
editores independentes e todo um mercado do livro e leitura para além do
“mercado tradicional”, de grandes editoras e redes de livrarias.
Não apenas por
ser “cria” dos saraus, mas vejo que estes são a referência mais explícita do que
é a essência prática do PNLL – e seus 04 eixos de trabalho – em ação: 1)
Democratização do acesso; 2) Fomento à leitura e à formação de mediadores; 3)
Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e 4)
Desenvolvimento da economia do livro.
Com uma
política nacional do livro, a perspectiva é que ações como a dos saraus,
bibliotecas comunitárias, contação de histórias entre outros sejam ainda mais
conhecidas, amplificadas e, principalmente, tenham condições e recursos para
realizar seus trabalhos muito além de uma vontade política de governo ou partido
“A, B, C”, ou de ações sociais de editoras, organizações não governamentais, ou
ainda de militâncias pessoais, educativas e culturais. É imprescindível que ações
como essa se tornem política de Estado. A formação de leitores como um
verdadeiro (e não deturpado) ato de segurança e integridade nacional.
É chegada a
hora e vez do PNLL. É chegado o momento de retomar ações de formação de
leitores para além da escola, além de iniciativas pessoais ou localizadas. É
chegado o momento de dar, ao livro e leitura, o status e importância que
merecem. É como disse o poeta Mario Quintana: “Livros não mudam o mundo. Livros
mudam as pessoas. As pessoas mudam o mundo”. Que possamos ser protagonistas
destas mudanças, colocando as políticas do livro e leitura no lugar de destaque
e projeção que elas merecem.
Rodrigo Ciríaco é educador e escritor,
integrante do movimento de saraus periféricos de SP e representante da
sociedade civil no Conselho Diretivo do PNLL – Plano Nacional do Livro e
Leitura.
[1]
SANT’ANNA, Affonso Romano; Apresentação em: CASTILHO, José Castilho
(organizador). Plano Nacional do Livro e
Leitura – Textos e Histórias (2006 – 2010) – São Paulo: CulturaAcadêmica
Editora, 2010.
PARA SABER MAIS:
PNLL: http://www.cultura.gov.br/pnll - site oficial do PNLL, com informações gerais, publicações e decretos.
PMLLLB / SP: http://pmlllbsp.com/ - A cidade de São Paulo está na fase de construção do seu Plano Municipal, entrando na etapa dos encontros regionais. #ProcureSaber e participe!
PARA SABER MAIS:
PNLL: http://www.cultura.gov.br/pnll - site oficial do PNLL, com informações gerais, publicações e decretos.
PMLLLB / SP: http://pmlllbsp.com/ - A cidade de São Paulo está na fase de construção do seu Plano Municipal, entrando na etapa dos encontros regionais. #ProcureSaber e participe!
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quarta-feira, novembro 26, 2014
FORTIFICANDO A MISSÃO: TRÁFICOS LITERÁRIOS
FLAQ – AQUIRAZ, CEARÁ. DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014
Estes dias tem sido de correria, trabalho intenso e muito,
muito tráfico literário.
Domingo estive com o Ferréz na Festa Literária de Aquiraz, a
FLAQ, em Aquiraz, Ceará. Um evento que está em seu segundo ano de realização,
dentro de um ecoparque, a Engenhoca. Tivemos uma mesa com o tema “Literatura
Marginal”, mediada por Nelson Lourenço.


Atividade bacana, público participativo, ideias loucas.
Mas o que mais marcou foi um menino, que acabei não
perguntando o nome. Eu no bazar do lugar, comprando uma água e umas cachaças
artesanais, ele perguntou: tinha, o que tem de R$ 1,00. A menina olhou e disse:
nada. Ainda assim ele olhou, olhou os chocolates. Quanto é esse. Dois e
cinquenta.
Fui lá, peguei o chocolate, pus na minha conta e dei pra
ele. Como é que eu ia comprar cachaça e ver um moleque com vontade de comer
chocolate do meu lado? Maldade pura.
Ele agradeceu muito, quis me dar o um real dele. Falei que
não precisava, nos demos as mãos e saímos, ele para um lado, eu para o outro,
felizes.
Da hora é que depois eu vi este mesmo menino, assistindo a
minha palestra. E mais da hora ainda é que fiquei sabendo que ele havia ido
todos – sim, todos – os dias da feira e assistido atentamente a todas – sim,
todas – as palestras. Era fascinado não apenas por chocolate. Mas por
literatura.
Achei da hora ter pago um chocolate para um futuro
escritor...

Eu e Ferréz dormimos na casa do Rafael, camarada da hora que
trombamos por lá e convidou a gente pra ficar em sua residência. Segunda a
tarde, volta pra Sampa.
PAIXÃO DE LER, RJ. TERÇA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO
Ontem mesmo peguei voo das 07hs da matina e vim aqui para o
RJ, onde estou no momento participando da 22ª edição do PAIXÃO DE LER, evento
da Secretaria Municipal de Cultura que realiza atividades em Museus, Centros
Culturais, Escolas, Bibliotecas, enfim, vários espaços de arte e cultura
espalhados pela cidade.

Ontem estive na Escola Municipal Joracy Camargo, na Vila
Cruzeiro, com uns 60 alunos de duas turmas, do quarto e sexto ano. Realizei o
SARAUZIM – sarau pra molecada. E foi muito louco. Chegar na masmorra disfarçada
de escola, pegar aquela molecada pressionada pelo silêncio, atenção forçada
para uma atividade que eles não tem a mínima ideia do que vai acontecer, do que
vai falar, e conseguir prender a atenção, recitar poemas, explicar o seu
trampo, distribuir livros e ao final ouvir uma menina chegar em você e dizer:

- Sabe o que eu vou ser quando crescer?
- O quê?
- Poeta.
Não foi a primeira vez que vi esta fita. Mas sempre
emociona. Assim como os olhos arregalados, as risadas, a troca. E a pergunta:
você volta no ano que vem?
Claro que eu volto.
A noite, teve evento de abertura das atividades, no Memorial
Municipal Getulio Vargas. E qual a minha surpresa quando chego e vejo vários
versos, de uns 06 poetas selecionados, espalhados pelos muros, tal qual
lambe-lambe que se espalham pela cidade. E quem estava ali nos muros, mochilas,
camisetas? Sim, este camarada que vos fala.
Sem contar que, dentro das bolsas que a galera recebeu de
brinde, levaram os pinos pó...éticos. Mais de 800 pinos encomendados pela
Secretaria de Cultura e espalhados nas atividades.
Quer saber se estou feliz? Felicidade é meu sobrenome.
Fico por aqui no RJ até amanhã, dia 27. Hoje, atividade no
MAR – Museu de Arte do Rio, com minha palestra “Vendo pó. Vendo pó... Vendo
pó...esia”. Amanhã, encontro com outra molecadinha pra bater papo sobre
escrita, produção literária e o que mais eles quiserem.
E a certeza: nós, poetas e escritores, temos uma longa,
longa missão pela frente. A de formação de leitores literários, pessoas
apaixonadas pela literatura, pela poesia. Há muitos, dezenas de milhares de
vilas, comunidades, cidades, escolas, bibliotecas que temos que visitar para
trocar ideia, espalhar a literatura. Nosso povo é muito, muito carente da
cultura literária. E precisamos chegar até eles. E precisamos de apoio,
incentivo, subsidio para chegar até eles. Fica a dica.
Eu to na missão. Sempre que precisar, eu to na pista.
É nóis.
Rodrigo Ciríaco
quarta-feira, novembro 19, 2014
LANÇAMENTO: TE PEGO LÁ FORA, RODRIGO CIRÍACO – LIVRARIA CULTURA
VEJA O ÁLBUM COMPLETO DE FOTOS AQUI:
Terça-feira, 18 de novembro foi um dia para ficar assim,
tatuado na retina. Com tinta fresca. Expressiva. Para lembrar e relembrar e
contar. O quanto é importante a nossa caminhada literária. Marginal,
periférica. Solidária. Um caminho que não se constrói só. E principalmente, não
se celebra só. A primeira vez, lançando um livro dentro de uma livraria. Parece
estranho esta frase: livro na livraria. Pra gente não é. Pra gente o normal é
livro no boteco. Na escola. Centro cultural, biblioteca, rua, praça, ônibus,
terminal. Pra gente é normal o livro assim: internacional. Nas feiras, nos
festivais literários. Na praia, na estrada, nos becos e vielas. Livro na
livraria é quase luxo. Entende agora quando a gente fala “literatura marginal”?
É por isso, meu camarada.
Mas deixa eu falar: da alegria da noite. Do livro exposto na
bancada. Ao lado do “Contos Reunidos”, do João Antônio. E do Xico Sá. E me vem
na memória Carolina Maria de Jesus, Plinio Marcos. Lima Barreto. E tantos
outros parceiros. Que trilharam e venceram na estrada. Ainda que longe dos
holofotes. Suas obras estão aí, marcadas. E a gente segue. Na caminhada. Livraria
lotada. Havia outros eventos, mas eu reconheci quem esteve lá por conta da nossa
pegada. Da nossa literatura, da nossa quebrada. E foi bonito. Saber. Que a
Livraria Cultura queria apenas 50 livros pra vender. A Editora DSOP acreditou,
apostou, insistiu. “Melhor pegar mais, vai bombar”. Ok, então me dá 80 livros.
E foram. Assim. Saíram voando. Feito passarinhos. Uma atrás do outro. Algumas vezes
em bando, que é como a gente gosta. E teve gente que ficou assim, sem pássaros
na mão. “Acabou os livros”? Sim. Aqui na livraria acabou. A gente bombou,
esgotou. Mas tem mais. Tem muito mais. Agora estará em todas as livrarias. De norte
a sul do país. Uma distribuição que é assim, muito difícil sendo independente,
periférico, marginal. Agora é isso, nego: a gente vai brigar de igual pra
igual. E pode ter certeza. Não vamos brigar só. Estamos apenas alargando uma
brecha de um movimento que veio pra dar nó. No mercado editorial. Nessa ditadura:
cultural e desigual. Que diz que na quebrada não se gosta de ler. A gente não é
possível criar, escrever. Não fica de toca. A gente tá fazendo trampo sério,
bonito. Nossos livros não ficam parados, as moscas. Tem muita gente boa por aí.
Precisando de uma oportunidade, um empurrão para as portas aí, se abrir. E a
gente segue. Foi bonito. Foi festivo. Foi literário. O susto. Gritando na
livraria: “Mãos ao alto, isso aqui é um assalto. Mãos ao alto: eu to roubando a
sua atenção, mãos ao alto”. A galera em choque, mas passou. Ufa, é só poema,
literatura, interpretação. Ou não. A gente tá vindo buscar o que é nosso. Por direito,
por conquista. Por mérito – pra vocês que adoram uma “meritocracia”.
Sem ilusões. Sem atolar o chapéu. Ontem foi glória, hoje é
mais. O trabalho segue: nos mesmos locais em que encontro aqueles que me fizeram
grande: meus iguais. Que são gigantes. Minha mãe disse: “agora é um novo passo,
né filho”. Eu disse: não, mão. É a continuação da caminhada. Não adianta a
ilusão de achar que já tá tudo conquistado. Não, sigamos na mesma pegada. Boteco,
escola, sarau; biblioteca, rua, praça, centro cultural. O artista tem de ir
onde o povo está. E nós somos o povo e o artista. Há muita coisa ainda pra
batalhar. A mochila segue pesada. Com livros pra espalhar, dividir na quebrada.
Mas confesso: estou feliz. De chegar em uma das maiores livrarias da América
Latina, com os amigos e parceiros, estourar no “norte” e sair assim, feliz.
Agradecimento a toda equipe DSOP: Reinaldo Domingos, Simone Paulino,
André Palme, Christine Baptista, Renata Sá, Amanda Torres, Priscila Moreira,
Alana Santos, Thais Ramone, Paulo Fabrício Uccelli. Rita Ramos, Adelino Martins,
André Argolo. A todos, o meu fraterno abraço. Minha gratidão: pelo respeito,
pela consideração, pela forma como fui recebido e até hoje tratado. Obrigado.
Gratidão ao mano Ferréz: que escreve essa caminhada da
literatura marginal, com seu trampo autoral, revistas, publicações coletivas.
Abrindo portas. Obrigado, Mano. Muito obrigado. Esse meu sonho está se
propagando também por sua culpa. Os erros são meus. Os acertos são nossos.
Gratidão. Valeu mesmo.
E sigamos em frente. Agora mais energizados e encorajados.
Não apenas por acreditar, mas por saber (ainda mais) que somos possíveis.
Rodrigo Ciríaco
terça-feira, novembro 18, 2014
TE PEGO LÁ FORA - RODRIGO CIRÍACO

Foi o primeiro rebento. E como todo filho – na maioria das
vezes – ele veio assim, inesperado. Nunca havia pensado em ser “escritor”. Quando
pequeno, queria ser “artista”. Sem saber o que isso era, o que significava. Queria
ser artista. Fiz desenho, fiz dança. Fiz música, fiz teatro. Ah, o teatro. O palco,
a luz, a plateia. Ah, o teatro. O “semancol”. Não dava para o palco. Não era
suficiente. Nunca era. Abandonei as pretensões. Mas sempre gostei de ler. Sempre
gostei de escrever, muito. E conhecendo uma poeta chamada #Dinha, descobri que
a palavra também podia ser arte. Ser linguagem. Ser literatura, poesia. E
através da Dinha, e por outros caminhos, conheci os #saraus. O guerreiro
#Sergio Vaz foi o primeiro que me chamou de poeta. O camarada #Sacolinha foi o
primeiro a publicar um texto. E daí que comecei a gostar cada vez mais desta
coisa de escrever, criar, recitar. Foi #Marcelino Freire que disse: “Ciríaco,
você deveria escrever as histórias da escola. Só você pode fazer. Se não fizer,
vai se arrepender”. E segui o que o cabramigo disse, investi. E um dia o #Allan
da Rosa me chamou de canto, e falou: vamos publicar isso aí? Publicar o que?
Não sou escritor, não sou poeta. Eu era. Para eles, eu já era. Tinha uma
responsa nas mãos: organizar os textos, rejuntar as dores e os escritos,
propagar a literatura da quebrada, marginal, periférica. E bater com eles, por
aí. E assim fiz. E foi assim que me descobri “escritor”. Meus textos voando. Eu
quebrando o casulo, desabrochando. Em São Paulo, no Rio. Pernambuco, Bahia, Minas
Gerais. E outros voos, até internacionais: Alemanha, França, Itália, Bélgica,
Argentina. Até na África, Argélia. Sem ter agente literário, sem ter editora:
Paula Anacaona achou meus textos assim, na busca, na escolha. Nessa imensidão
do mundo virtual. E foi: autor independente, periférico, marginal é convidado
do Salão do Livro de Paris, em 2013. Sim, internacional. E tudo, tudo o que
consegui, as viagens que fiz, todas pagas, foi por causa de você, literatura. Isso
que alguém disse um dia que não ia dar em nada. Levar a nada, a lugar nenhum. Me
deu amores, me deu amigos. Me deu uma esposa, companheira, amante, amiga:
#Mônica. E com ela, a minha maior obra, a minha joia rara e preciosidade maior:
Malu, Maria Luiza, Maluzinha. Minha filha. Minha luz, meu norte-sul, meu guia.
Minha alegria. Agradeço a você, literatura. Por me dar tantas pessoas, tantos
lugares: escolas, ruas, praças, parques. Bibliotecas, associações,
universidades. Mas um lugar faltava. Um lugar que ainda não havia sido ocupado:
as livrarias. De mão em mão, de mano a mano, mais de dois mil e quinhentos “Te
Pego Lá Fora” espalhados, mas ainda faltava as livrarias. Doce pretensão. Este não
é o seu lugar. Aqui é para os raros, os clássicos. Os comprados. Você não pode
entrar. Até chegar um mano e dizer: chega mais. Borá arrebentar. O espaço é
nosso, sim, vamos ocupar. Reginaldo Ferreira da Silva, o #Ferréz. Tão perto
aqui, há treze anos na Caros Amigos, Pecando no Capão. Chega mais, vamos causar.
Como causamos na gringa. Assustando os gringos, fazendo aquele teatro da “briga”.
“Calma, calma, rapazes. Não precisa disso”. A gente na Sorbonne apavorando.
Maloqueirando. “Ufa, era brincadeirinha”. As vezes. A parada aqui é séria. A nossa
literatura é séria. Tem compromisso. Tem responsabilidade. Muito do que vai pro
papel é o espelho da realidade. Distorcido, ficcionalizado, mas reflexo da
realidade. Que agora a DSOP apostou em compartilhar. Que Simone Paulino, vinda
também na sua origem, de Guaianazes, lado leste, veio a acreditar. Nesta
criança. Que completa seis aninhos de sua produção independente. E que com essa
idade já pode ser admitida no primeiro ano do Ensino Fundamental, dizem para
virar “gente”. Mas o que ela quer mesmo é torcer. As grades da masmorra. Quebrar.
Os muros que nos dividem. Ajudar: a transformar a escola. Sejam bem-vindos. Provocação
garantida ou sua televisão e sofá de volta. Boa leitura. Ou não. Fique esperto,
se vacilar: TE PEGO LÁ FORA!
segunda-feira, novembro 17, 2014
LANÇAMENTO - TE PEGO LÁ FORA - LIVRARIA CULTURA
VENHA CELEBRAR JUNTO!
Nesta terça-feira, 18 de novembro, 19hs, tem lançamento da 2a edição do livro #TePegoLáFora, contos ficcionais sobre o cotidiano da escola. O livro faz parte da coleção #LiteraturaMarginal, da Editora DSOP com curadoria do escritor #Ferréz.
O lançamento será na #LivrariaCultura da Av. Paulista, 2073. Teremos um pocket sarau, coquetel, sessão de autógrafos e muita, muita idéia, cultura e alegria.
A todos que se interessam pelo movimento de saraus, pela literatura marginal-periférica, a todos que trabalham ou são envolvidos com educação, a todos que desejam um novo modelo de sociedade e escola, chega junto. Venha fortalecer a sua #revolta, a sua #labuta.
Porque é importante lembrar quem são nossos pares. Que não estamos sozinhos.
sábado, abril 19, 2014
VENDO PÓ. VENDO PÓ... VENDO PÓ...ESIA! - #MAIO, NAS MELHORES BIQUEIRAS
Em maio, lançarei o meu novo livro: "Vendo Pó...esia!"
Livro que reúne mais de 50 poemas de minha autoria, alguns já publicados
em outras coletâneas, antologias, vários outros inéditos.
O trabalho conta com a primorosa arte gráfica de Silvana Martins
(Sarau da Ademar), e trará no próprio livro um formato bem diferente
a ser revelado apenas no seu lançamento.
Portanto, não perca, em #Maio
nas melhores #BiqueirasLiterárias
Vendo Pó...esia!
Rodrigo Ciríaco
Edições Um por Todos
Abaixo, alguns poemas que farão parte do livro. Confira aí:
domingo, março 30, 2014
MAS É PRECISO TER FORÇA, É PRECISO TER RAÇA, É PRECISO TER GANA, SEMPRE!
Noite de sábado, 29 de março, escola estadual Jornalista
Francisco Mesquita. Periferia, Zona Leste de São Paulo. Vencemos. Aconteceu
mais uma vez o Sarau dos Mesquiteiros, especial “mês da mulher”, com homenagem
a escritora Carolina Maria de Jesus. Mulher, negra, favelada, catadora de
papel, e uma das mais importantes escritoras representativas da literatura
marginal-periférica, que faria 100 anos caso estivesse viva.
Uma mulher forte, guerreira: expressiva. Nada mais
representativa do ser mulher, neste mês em que pesquisa recém divulgada do IPEA
(Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) demonstra que aproximadamente 65%
dos homens acreditam que mulheres que usam roupas curtas merecem ser atacadas!
#Cadeia para estes babacas!
O sarau é só no final da tarde mas os preparativos começam
cedo. As 10 horas da manhã estava na escola, colando alguns cartazes, divulgando
o evento. Um menino, o Luan, de aproximadamente uns 09 anos veio me perguntar:
- O que que vai ter na escola, tio? Expliquei o sarau, a festa, as
brincadeiras, os comes e bebes. Que ia ser no final da tarde. “Não tem
problema, vou ficar aqui o dia inteiro”.
E ficou: da hora em que eu o encontrei, as 10hs da manhã até
a hora em que fomos embora, as 20:30hs da noite. E eu, sempre com a mesma
pergunta: não há ninguém por este menino? Ninguém preocupado por ele? Será que
se alimentou direito? Tomou café? Almoçou? Está com frio?
O que ele estaria fazendo se nós não estivéssemos aqui? Por
onde andará nos próximos dias em que não estaremos?
O sarau começou pontualmente as 17hs. No primeiro momento,
algumas músicas representando, homenageando as mulheres: Clara Nunes, Elis
Regina, Ellen Oléria, Nana Caymmi, Rosa do Morro (Inquérito).
Desde antes do início do Sarau, tivemos uma grata
surpresa-esperada: a chegada do ônibus com os alunos da EMEF Vianna Moog, lá de
Taboão da Serra, extremo-sul de São Paulo, que no comando da professora Fabiana
e outros (que perdoem, não lembro o nome agora) estiveram presentes e trouxeram
vida, cor e animação ao nosso sarau. Obrigado por fortalecer com a gente. Em breve
a gente compensa esta troca e visita grata – e bem-vinda!
Depois da execução das músicas, tivemos a pré-estréia do
documentário “Vidas de Carolina”, que aborda a história de Carolina, com
entrevistas de Vera Eunice (filha), Audálio Dantas (jornalista), além de
depoimentos de outras duas mulheres, também catadoras, fazendo assim um
paralelo, com a escritora. O documentário é uma produção de Jéssica Queiroz,
Mayra Jóia, Randerson Barbosa entre outros, que já foram integrantes da escola
e dos Mesquiteiros, e hoje seguem a própria história.
As 18hs, pegamos em armas – megafone, alfaia, palmas e
gargantas – e saímos pelas ruas de Ermelino para abrir os trabalhos e convidar
a galera a participar do sarau com a gente. E foi bonito: mais de 50 pessoas,
principalmente jovens, crianças e adolescentes ocupando as ruas do bairro,
gritando, convidando a galera, cantando: “Pra onde eu vou? Vou pro sarau! Pra
onde eu vou? Vou pro sarau, vai, vai! Vai, sarau. Vai, sarau”.
Mais de 35 poetas estiveram presentes em nosso palco-escola.
E como a gente não se contenta com pouco, tivemos ainda dois lançamentos de
livros: Para Brisa, do parceiro Ni Brisant, e Uma Vez Poetas Ambulantes, do
coletivo Poetas Ambulantes. Novamente agradecido por chegar no espaço,
compartilhar voz, livros e palavras.
O tom do sarau, como não poderia ser diferente foram as
mulheres: sejam com homenagens, sejam com protestos, discursos, lembranças e
principalmente: alegria, arte, revolta e poesia. Foi um dia/noite bonito.
Especial para recarregar as energias, fortalecer nossas convicções. Romper o
ordinário que existe em nosso cotidiano. E tornar a vida um pouco menos cruel,
principalmente nestes tempos difíceis que vivemos.
Agradecimento a todos e principalmente a todas que estiveram
presentes. Gostaria de dar nomes a todos que chegaram colaram, muitos de longe,
com dificuldades, mas não deixaram de vir, acreditar: obrigado, obrigado,
obrigado. Quando outras pessoas acreditam em nossos sonhos a gente não apenas
acredita que ele é possível: a gente vê ele tornar-se real e sendo realizado.
Por uma escola pública, em que exista arte cultura e
educação, não apenas no final de semana.
Por um mundo onde o machismo seja apenas a lembrança de um
tempo sem razão.
Por um universo onde as mulheres tenham direito de
liberdade, respeito e dignidade.
#NãoMerecemosSerEstuprad@s
Um por todos, Todos por Um
Rodrigo Ciríaco
Mesquiteiros
sexta-feira, março 21, 2014
SARAU DOS MESQUITEIROS NA ESCOLA - ESPECIAL MÊS DAS MULHERES - CENTENÁRIO CAROLINA MARIA DE JESUS
SARAU DOS MESQUITEIROS
SÁBADO, 29 DE MARÇO
DAS 17HS AS 20HS
ESPECIAL MÊS DA MULHER
CENTENÁRIO CAROLINA MARIA DE JESUS
PRÉ-ESTREIA DOCUMENTÁRIO
VIDAS DE CAROLINA
LANÇAMENTO DO LIVROS:
“PARA BRISA”, DE NI BRISANT E
ANTOLOGIA “UMA VEZ POETAS AMBULANTES”
ATIVIDADE GRATUITA, PARA TODA A FAMÍLIA
EE JORNALISTA FRANCISCO MESQUITA
RUA VENCESLAU GUIMARÃES, 581 – ERM. MATARAZZO
INFOS: www.mesquiteiros.blogspot.com
www.facebook.com/mesquiteiros
REALIZAÇÃO
MESQUITEIROS
APOIO
EDIÇÕES UM POR TODOS
segunda-feira, novembro 04, 2013
NOVEMBRO TEM: SARAU DOS MESQUITEIROS NA BIBLIOTECA
LITERATURA PERIFÉRICA
VEIA E VENTANIA NAS BIBLIOTECAS DE SAMPA CONVIDA:
SARAU DOS MESQUITEIROS NA BIBLIOTECA
(ARTE, MÚSICA, CULTURA E POESIA)
SÁBADO, 09 DE NOVEMBRO
DAS 13hs às 14h30
ATIVIDADE GRATUITA - INTEGRANTE DO
3º FESTIVAL DO LIVRO E DA LITERATURA - SÃO MIGUEL
BIBLIOTECA MUNICIPAL RUBENS BORBA DE MORAIS
RUA SAMPEI SATTO, 440 - ERMELINO MATARAZZO
PRÓX. DA ESTAÇÃO DO TREM E DA EE PROFA. BENEDITA
INFOS: www.mesquiteiros.blogspot.com
www.facebook.com/mesquiteiros
REALIZAÇÃO
MESQUITEIROS
SISTEMA MUNICIPAL DE BIBLIOTECAS
SECRETARIA DA CULTURA
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EDIÇÕES UM POR TODOS
MUNDO EM FOCO
terça-feira, outubro 29, 2013
SARAU DOS MESQUITEIROS NA ESCOLA - ESPECIAL MÊS DAS CRIANÇAS FOI LINDO!!!
“A esperança é o sonho do homem acordado” (Aristóteles)
Há 07 anos atrás, quando comecei a fazer saraus dentro da sala de aula na escola, eu tinha um sonho: compartilhar a minha paixão pela literatura com os jovens, crianças, adolescentes. Simples assim. Apenas isso.
Gostaria que eles tivessem o mesmo gosto que tenho pela leitura. O mesmo prazer, vivenciar as mesmas sensações, de alegria e tristeza, de dor, frio, angústia ou quentura; de arrepio ou medo que eu tenho, até hoje, quando leio um bom livro.
O trabalho não foi nada fácil, passamos por duros e maus bocados. Só pra lembrar: no primeiro sarau das crianças, com a escola aberta, tinha aproximadamente 15 pessoas, fora os Mesquiteiros. Quinze pessoas?
Você conhece a frustração de organizar um evento, dispor de seu tempo, suas faculdades mentais, energia, dinheiro e ver tudo aquilo não dar certo. E ainda assim, continuar insistindo? Pois bem, eu sei. E o melhor: pude viver tudo isso ser superado. E pude ver o meu sonho, de 07 anos atrás, de olhos bem abertos.
Definitivamente, ao menos para mim, o sarau de sábado, 26 de outubro, exatos 07 anos e 05 meses de trabalho na escola, foi o mais bonito. Foi o mais singelo, o mais singular de ter vivido.
Não pelos números: mais de 250 pessoas que passaram pela escola, mais de 350 livros distribuídos, outros 500 algodões doces entregues de graça, e mais pipoca, refrigerante, lanches, pula-pula-inflável, piscina de bolinhas. As mais de 20 crianças que recitaram. Tudo isso já bastaria para dizer que foi um evento maravilhoso. E foi.
Para mim teve um sabor bem peculiar. Pois, como diria o Pequeno Príncipe, “o essencial é invisível aos olhos”. Mas eu vi: o brilho dos olhares, a saliva pelo algodão, os abraços e apertos de mão de gratidão, a energia que transbordava os poros. Eu vi, eu senti, eu quase chorei. Pois não estava dormindo. Estava sonhando, de olhos bem abertos.
E como é gostoso dar livros de graça para quem fica quase três horas sentados, aguardando pra receber. Não é doação, é redenção.
A todos, todos os que estiveram presentes: obrigado, obrigado e obrigado.
Aos Mesquiteiros e Mesquiteiras, que compartilham deste duro trabalho de serem produtores culturais dentro de uma escola públia na quebrada. Obrigado, obrigado e obrigado e: parabéns, parabéns. Vocês são guerreiros e guerreiras.
A quem acredita e torce não por nós, mas pela arte, educação e cultura, eu posso dizer: sábado, nós vencemos.
Que venham outras batalhas. Estamos cada vez mais preparados para a guerra.
Saboreando ainda os louros da vitória.
Rodrigo Ciríaco
Nosso singelo palco de transformações
crianças brincando no pula-pula
bexigas,
bexigas
Guerreiros e Guerreiras
Abre alas...
Sarau
Julinha, na mesa de pintura
Debora Garcia
recitando,
leituras
e o público vibra!
Jade
Minha filhota mais linda do Universo
Julia ganhou livros, e não foi só ela:
Algodão doce e poesia: quer combinação melhor?
Família.
Há 07 anos atrás, quando comecei a fazer saraus dentro da sala de aula na escola, eu tinha um sonho: compartilhar a minha paixão pela literatura com os jovens, crianças, adolescentes. Simples assim. Apenas isso.
Gostaria que eles tivessem o mesmo gosto que tenho pela leitura. O mesmo prazer, vivenciar as mesmas sensações, de alegria e tristeza, de dor, frio, angústia ou quentura; de arrepio ou medo que eu tenho, até hoje, quando leio um bom livro.
O trabalho não foi nada fácil, passamos por duros e maus bocados. Só pra lembrar: no primeiro sarau das crianças, com a escola aberta, tinha aproximadamente 15 pessoas, fora os Mesquiteiros. Quinze pessoas?
Você conhece a frustração de organizar um evento, dispor de seu tempo, suas faculdades mentais, energia, dinheiro e ver tudo aquilo não dar certo. E ainda assim, continuar insistindo? Pois bem, eu sei. E o melhor: pude viver tudo isso ser superado. E pude ver o meu sonho, de 07 anos atrás, de olhos bem abertos.
Definitivamente, ao menos para mim, o sarau de sábado, 26 de outubro, exatos 07 anos e 05 meses de trabalho na escola, foi o mais bonito. Foi o mais singelo, o mais singular de ter vivido.
Não pelos números: mais de 250 pessoas que passaram pela escola, mais de 350 livros distribuídos, outros 500 algodões doces entregues de graça, e mais pipoca, refrigerante, lanches, pula-pula-inflável, piscina de bolinhas. As mais de 20 crianças que recitaram. Tudo isso já bastaria para dizer que foi um evento maravilhoso. E foi.
Para mim teve um sabor bem peculiar. Pois, como diria o Pequeno Príncipe, “o essencial é invisível aos olhos”. Mas eu vi: o brilho dos olhares, a saliva pelo algodão, os abraços e apertos de mão de gratidão, a energia que transbordava os poros. Eu vi, eu senti, eu quase chorei. Pois não estava dormindo. Estava sonhando, de olhos bem abertos.
E como é gostoso dar livros de graça para quem fica quase três horas sentados, aguardando pra receber. Não é doação, é redenção.
A todos, todos os que estiveram presentes: obrigado, obrigado e obrigado.
Aos Mesquiteiros e Mesquiteiras, que compartilham deste duro trabalho de serem produtores culturais dentro de uma escola públia na quebrada. Obrigado, obrigado e obrigado e: parabéns, parabéns. Vocês são guerreiros e guerreiras.
A quem acredita e torce não por nós, mas pela arte, educação e cultura, eu posso dizer: sábado, nós vencemos.
Que venham outras batalhas. Estamos cada vez mais preparados para a guerra.
Saboreando ainda os louros da vitória.
Rodrigo Ciríaco
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