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segunda-feira, abril 13, 2015

PREFEITURA DE SÃO PAULO E O DURO GOLPE NA CULTURA DE PERIFERIA


Programa “Veia e Ventania – Literatura Periférica nas Bibliotecas de São Paulo”, que acontecia desde 2011 nas Bibliotecas Municipais com alguns dos principais saraus da cidade está há 05 (cinco) meses parado, sem previsão de retorno por “falta de recursos”.

A cidade de São Paulo tem atualmente um dos principais movimentos culturais do cenário contemporâneos: a literatura marginal e os saraus da periferia. E isso não sou eu quem estou dizendo, é possível constatar através do crescente movimento pela cidade nos últimos anos, do volume de estudos, teses acadêmicas (mestrado e doutorado) sobre o assunto, de alguns (ainda poucos) editais que preocupam-se em atender a grande demanda dos coletivos literários. Das feiras, festas e eventos, nacionais e internacionais, que cada vez mais nossos autores participam.

Saraus participam da 40a Feria Internacional del Libro - Buenos Aires, Argentina (maio/2014)

Desde 2011, que acontece um importante programa de ampliação de público, formação de leitores, fomento a leitura e difusão literária: o “Veia e Ventania – Literatura Periférica nas Bibliotecas de São Paulo” envolvendo os saraus da quebrada. Ou melhor: acontecia. O programa está desde dezembro do ano passado parado. O motivo: “falta de recursos”.

Sarau dos Mesquiteiros na Biblioteca Municipal Rubens Borba, Ermelino Matarazzo

Grupos como Sarau do Binho, Cooperifa, Elo da Corrente, Sarau da Brasa, Arte Maloqueira (Juntas na Luta), Mesquiteiros, O que Dizem os Umbigos?!, Perifatividade, A voz do Povo, Encontro de Utopias, A Plenos Pulmões, Maloqueirista e Marginaliaria foram alguns dos que passaram pelo programa ao longo destes 04 anos, através de contratações artísticas. E que desde julho do ano passado estavam em diálogo com o Sistema Municipal de Bibliotecas, da Secretaria Municipal de Cultura para a criação de um edital do programa, para ampliar o número de grupos e bibliotecas atendidas pelo mesmo.

Neste período, mais de 08 encontros foram realizados entre integrantes dos saraus e representantes da secretaria de cultura, discutindo formato do edital, contratações, organização, valores.

Em 09 de dezembro do ano passado, vários coletivos de saraus estiveram presentes na Câmara Municipal de São Paulo, durante a Audiência Pública sobre o Orçamento da cidade para 2015, e apresentaram a proposta de emenda no valor de R$ 1.800.000,00 (hum milhão, oitocentos mil reais). Com este valor, seria possivel realizar o programa durante 10 (dez) meses, com a contratação de 30 grupos/saraus para atuar nas bibliotecas da rede municipal. A emenda foi aprovada e os grupos celebraram esta grande conquista para a cultura da periferia.

Ruivo Lopes em fala na Audiência Pública na Câmara, 
09 de dezembro de 2014


Rodrigo Ciríaco em fala na Audiência Pública na Câmara, 
09 de dezembro de 2014


Detalhe da emenda ao orçamento, publicado no D.O. do município,
em 18 de dezembro de 2014 
LINK da publicação: CLIQUE AQUI


Após a posse do novo secretário de cultura, Nabil Bonduki, os coletivos pediram uma reunião para discutir, entre outras coisas: 1) Edital Veia e Ventania, 2) PMLLLB – Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas e 3) Carta – Existe Diálogos Saraus, pauta de reivindicações dos coletivos entregues em novembro de 2013 ao então secretário de cultura Juca Ferreira mas, que houve poucos avanços práticos, no que se refere a literatura na cidade de São Paulo.

No dia 09 de março deste ano, representantes dos coletivos de saraus foram recebidos e informados pelo secretário no corte de 30% (trinta por cento) do orçamento da cultura para a cidade, mas que o programa seria mantido, com algumas mudanças nos volume de recursos. E que as ações voltadas para os saraus e a literatura marginal seriam incluídas em importantes ações como o “Circuito SP de Cultura” e a programação cultural dos CEU – Centro de Educação Unificada. Bastaria aguardar até a primeira semana de abril para a definição.

Todavia, até o presente momento, não temos resposta sobre a continuidade ou não do programa. O programa “Veia e Ventania – Literatura Periférica” está há 05 meses parado. Todo o trabalho fortalecido pelos saraus como o estabelecimento de parcerias entre a biblioteca e escolas, comunidades; a formação de público, a divulgação e realização de cursos, encontros literários promovidos pelo Veia virou poeira. E o amargo gosto de ter sido passado para traz está na boca dos coletivos...


Galera presente no último Sarau dos Mesquiteiros
na biblioteca, novembro de 2014

E o que é pior: se houve corte de 30% (trinta por cento) no orçamento da cultura, este “facão” parece que foi integral para os coletivos literários da quebrada: de março à maio de 2015, não há nada da literatura marginal e dos saraus periféricos no “Circuito SP de Cultura”. E a revista “EmCartaz”, que divulga as ações culturais da prefeitura, também ficam devendo. Chega-se a pensar: seria intencional esta retirada da literatura marginal-periférica do circuito cultural da cidade? Esperamos que não.

CircuitoSP de Cultura e "EmCartaz": facão geral na #programação
de literatura marginal-periférica!

Cansados apenas de aguardar, aguardar, aguardar, vários coletivos literários resolveram chamar um ato/sarau para divulgar e exigir respostas desta situação: o #FORCALITERÁRIA, que acontecerá na sexta-feira, dia 17 de abril, a partir das 18hs, em frente ao prédio da Galeria Olido, na Avenida São João (próximo da Ipiranga), local em que está instalada a Secretaria de Cultura. Clique aqui e veja o link do evento no Facebook.

Clique na imagem para ampliar

O sarau dos Mesquiteiros, que desde meados de 2012 integrou o programa “Veia e Ventania”, participou de várias reuniões de organização do edital e ampliação do programa, e assim como os outros grupos está decepcionado com a postura e atitude da secretaria municipal de cultura de SP em relação ao assunto, apoia o ato e estará presente.

Esperamos que o prefeito Fernando Haddad, assim como o atual secretário municipal de cultura Nabil Bonduki, possam rever a política cultural que está sendo pensada e implementada para a cidade no que se refere a literatura e que a literatura marginal e o saraus da periferia tenham respeito e reconhecimento devido pelo poder público a eles.

Rodrigo Ciríaco, educador e escritor, coordenador do Sarau dos Mesquiteiros, integrante do movimento de saraus da Periferia.

#FORCALiterária
#VoltaVeiaVentania
#ReSPeitoSarausPeriferia

Para ver outro artigo importante sobre o assunto, no parceiro Michel Yakini, clique aqui na página do BRASIL DE FATO.

terça-feira, março 31, 2015

BON VOYAGE - SALÃO DO LIVRO DE PARIS, 2015 - #04

Encerra-se março. E com o mês, mais um ciclo. O primeiro trimestre vai embora. E a marca mais importante para mim foi esta viagem para a França. O reencontro com a minha literatura. O encontro com novas pessoas. Novas amizades se fortaleceram. Com certeza, renderão frutos. E aprendizados, muitos aprendizados. De não perder as raízes. De perceber as nuances da escrita e dos escritores. De não ser mais explorado, usado. De falar, na hora certa, para as pessoas certas, no local certo. Enfim, seguimos.

O saldo da viagem foram duas atividades na programação oficial do Salão do Livro de Paris, visita ao College Berange, ao Lycee Sophie Germain, visita a Alma, entidade que realiza um trabalho relacionado a direitos humanos na América Latina e África, além de batepapo com os alunos da Universidade Paul Valery, em Montpellier, pouco mais de 500 quilômetros de Paris, ao Sul da França.

O saldo da viagem foi a certeza da importância de finalizar logo o meu romance. De não se permitir travar no texto. De exercitar a escrita, sim. Mas exercitar também o ouvido, a observação. A leitura. Sempre e sempre. Com técnica, sensibilidade e disciplina.

Enfim, algumas poucas palavras por aqui. O momento é também de introspecção. E curtir as fotos. Vejam aí.

Abraço,


Mesa de autógrafos, no stand do Brasil


Eu e Fernando Morais


Sim, os doces são maravilhosos


Alunos do College Beranger


No Liceu Sophie German


Fotos com os alunos


Dedicatória na Universidade Paul Valery, em Montpellier

segunda-feira, março 02, 2015

A HORA E VEZ DO PNLL! - RODRIGO CIRÍACO

A HORA E VEZ DO PNLL!



PNLL é abreviação do Plano Nacional do Livro e Leitura. Trocando em miúdos, é uma proposta de institucionalizar no Brasil uma política voltada para o livro e leitura e toda a chamada “cadeia produtiva”: escritores, editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, administradores, gestores públicos e outros profissionais do livro, bem como educadores, bibliotecários, universidades, especialistas, organizações da sociedade, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral, além do público leitor. Ufa! A turma é grande.

Essa discussão não é recente. O PNLL tem quase dez anos de atuação, com um acúmulo de discussões, textos, encontros, plenárias, propostas muito produtivas feitas por todo o Brasil. E além do PNLL, quando pensamos em políticas para o livro, leitura e biblioteca, podemos dar um salto ainda maior, de 90 anos atrás. Por exemplo em 1925, quando Monteiro Lobato cria uma editora brasileira de alcance nacional, com inovador sistema de distribuição que incluía lombo de burro, trem e barco. Ou ainda de 80 anos, quando em 1935, Mario de Andrade, diretor de cultura do município de São Paulo, expandiu a ideia de biblioteca, abrindo espaço para jovens e crianças, criando unidades móveis na biblioteca que hoje leva seu nome e, dois anos depois (1937), cria o Instituto Nacional do Livro, que existiu até 1990, quando o governo Collor entre suas “boas ações” extinguiu o Instituto e dispersou dezenas de seus funcionários, reduzindo ao Departamento Nacional do Livro (com apenas quatro funcionários), dentro da FBN – Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.[1]

Pensar um Plano Nacional do Livro e Leitura é colocar a formação de leitores como uma política de Estado, não apenas de um ou outro governo. É encarar a formação de leitores como estratégica no desenvolvimento do país, dentro de perspectivas indissociáveis como cultura e educação; governo e sociedade.

A primeira proposta do Plano para que isso efetivamente aconteça é deixar de ser um plano e tornar-se Lei, a partir da aprovação de seu projeto – que no presente momento está na Casa Civil, aguardando liberação de seu jurídico para ser encaminhado ao Congresso. Com isso, o Estado se vê obrigado a criar instrumentos gerenciais para sua aplicabilidade, que dentro da proposta é a (re)criação de um “Instituto Nacional do Livro e Leitura”, com equipe, estrutura e orçamentos necessários para efetivar esta política a nível nacional, estimulando os municípios e estados a elaborarem seus planos com diretrizes claras oferecidas pelo PNLL.

Uma política de formação de leitores, de incentivo a leitura, literatura e bibliotecas, não pode ser associada simplesmente a escola e educação, como muitas vezes acontece hoje. Até porque seus desafios vão muito além do ambiente escolar, com consequência para toda a vida: universitária, profissional (basta pensar nos milhões de jovens e adolescentes, que concluem o Ensino Médio ou abandonam a escola ainda como “analfabetos funcionais”). Ela necessita ser permanente, continuada, atrativa. É uma questão de “saúde pública”, como diria o poeta Sérgio Vaz - “Quem lê enxerga melhor”. De conscientização e libertação: crítica e política, como diria o poeta Binho – “Uma andorinha só não faz verão, mas pode acordar o bando todo”. De redução das margens e da desigualdade social, como bem expressou o poeta Marco Pezão – “Nóis é ponte e atravessa qualquer rio”. Aliás, Sérgio Vaz, Binho e Marco Pezão, referências como poetas e produtores culturais, na criação dos dois mais antigos e importantes saraus periféricos da cena paulistana: o sarau da Cooperifa e sarau do Binho.

A referência aos saraus aqui não é gratuita. Notoriamente reconhecidos como uma das ações mais importantes e significativas no campo da cultura brasileira contemporânea, são responsáveis pela “popularização” da literatura nos espaços mais diferentes e dinâmicos possíveis: bares, praças, ruas, ônibus, trens, metrôs, associações de moradores, e até mesmo em centros culturais, bibliotecas e escolas! Tem uma grande contribuição na mediação de leitura, na ressignificação do que é o livro, literatura e poesia; além de fomentar o surgimento de novos poetas, escritores, editores independentes e todo um mercado do livro e leitura para além do “mercado tradicional”, de grandes editoras e redes de livrarias.

Não apenas por ser “cria” dos saraus, mas vejo que estes são a referência mais explícita do que é a essência prática do PNLL – e seus 04 eixos de trabalho – em ação: 1) Democratização do acesso; 2) Fomento à leitura e à formação de mediadores; 3) Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e 4) Desenvolvimento da economia do livro.

Com uma política nacional do livro, a perspectiva é que ações como a dos saraus, bibliotecas comunitárias, contação de histórias entre outros sejam ainda mais conhecidas, amplificadas e, principalmente, tenham condições e recursos para realizar seus trabalhos muito além de uma vontade política de governo ou partido “A, B, C”, ou de ações sociais de editoras, organizações não governamentais, ou ainda de militâncias pessoais, educativas e culturais. É imprescindível que ações como essa se tornem política de Estado. A formação de leitores como um verdadeiro (e não deturpado) ato de segurança e integridade nacional.

É chegada a hora e vez do PNLL. É chegado o momento de retomar ações de formação de leitores para além da escola, além de iniciativas pessoais ou localizadas. É chegado o momento de dar, ao livro e leitura, o status e importância que merecem. É como disse o poeta Mario Quintana: “Livros não mudam o mundo. Livros mudam as pessoas. As pessoas mudam o mundo”. Que possamos ser protagonistas destas mudanças, colocando as políticas do livro e leitura no lugar de destaque e projeção que elas merecem.


Rodrigo Ciríaco é educador e escritor, integrante do movimento de saraus periféricos de SP e representante da sociedade civil no Conselho Diretivo do PNLL – Plano Nacional do Livro e Leitura.




[1] SANT’ANNA, Affonso Romano; Apresentação em: CASTILHO, José Castilho (organizador). Plano Nacional do Livro e Leitura – Textos e Histórias (2006 – 2010) – São Paulo: CulturaAcadêmica Editora, 2010.



PARA SABER MAIS: 

PNLL: http://www.cultura.gov.br/pnll - site oficial do PNLL, com informações gerais, publicações e decretos.

PMLLLB / SP: http://pmlllbsp.com/ - A cidade de São Paulo está na fase de construção do seu Plano Municipal, entrando na etapa dos encontros regionais. #ProcureSaber e participe!

quarta-feira, novembro 26, 2014

FORTIFICANDO A MISSÃO: TRÁFICOS LITERÁRIOS

FLAQ – AQUIRAZ, CEARÁ. DOMINGO, 23 DE NOVEMBRO DE 2014

Estes dias tem sido de correria, trabalho intenso e muito, muito tráfico literário.

Domingo estive com o Ferréz na Festa Literária de Aquiraz, a FLAQ, em Aquiraz, Ceará. Um evento que está em seu segundo ano de realização, dentro de um ecoparque, a Engenhoca. Tivemos uma mesa com o tema “Literatura Marginal”, mediada por Nelson Lourenço.



Atividade bacana, público participativo, ideias loucas.

Mas o que mais marcou foi um menino, que acabei não perguntando o nome. Eu no bazar do lugar, comprando uma água e umas cachaças artesanais, ele perguntou: tinha, o que tem de R$ 1,00. A menina olhou e disse: nada. Ainda assim ele olhou, olhou os chocolates. Quanto é esse. Dois e cinquenta.

Fui lá, peguei o chocolate, pus na minha conta e dei pra ele. Como é que eu ia comprar cachaça e ver um moleque com vontade de comer chocolate do meu lado? Maldade pura.

Ele agradeceu muito, quis me dar o um real dele. Falei que não precisava, nos demos as mãos e saímos, ele para um lado, eu para o outro, felizes.

Da hora é que depois eu vi este mesmo menino, assistindo a minha palestra. E mais da hora ainda é que fiquei sabendo que ele havia ido todos – sim, todos – os dias da feira e assistido atentamente a todas – sim, todas – as palestras. Era fascinado não apenas por chocolate. Mas por literatura.

Achei da hora ter pago um chocolate para um futuro escritor...


Eu e Ferréz dormimos na casa do Rafael, camarada da hora que trombamos por lá e convidou a gente pra ficar em sua residência. Segunda a tarde, volta pra Sampa.

PAIXÃO DE LER, RJ. TERÇA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO

Ontem mesmo peguei voo das 07hs da matina e vim aqui para o RJ, onde estou no momento participando da 22ª edição do PAIXÃO DE LER, evento da Secretaria Municipal de Cultura que realiza atividades em Museus, Centros Culturais, Escolas, Bibliotecas, enfim, vários espaços de arte e cultura espalhados pela cidade.


Ontem estive na Escola Municipal Joracy Camargo, na Vila Cruzeiro, com uns 60 alunos de duas turmas, do quarto e sexto ano. Realizei o SARAUZIM – sarau pra molecada. E foi muito louco. Chegar na masmorra disfarçada de escola, pegar aquela molecada pressionada pelo silêncio, atenção forçada para uma atividade que eles não tem a mínima ideia do que vai acontecer, do que vai falar, e conseguir prender a atenção, recitar poemas, explicar o seu trampo, distribuir livros e ao final ouvir uma menina chegar em você e dizer:


- Sabe o que eu vou ser quando crescer?
- O quê?
- Poeta.

Não foi a primeira vez que vi esta fita. Mas sempre emociona. Assim como os olhos arregalados, as risadas, a troca. E a pergunta: você volta no ano que vem?

Claro que eu volto.

A noite, teve evento de abertura das atividades, no Memorial Municipal Getulio Vargas. E qual a minha surpresa quando chego e vejo vários versos, de uns 06 poetas selecionados, espalhados pelos muros, tal qual lambe-lambe que se espalham pela cidade. E quem estava ali nos muros, mochilas, camisetas? Sim, este camarada que vos fala.





Sem contar que, dentro das bolsas que a galera recebeu de brinde, levaram os pinos pó...éticos. Mais de 800 pinos encomendados pela Secretaria de Cultura e espalhados nas atividades.

Quer saber se estou feliz? Felicidade é meu sobrenome.

Fico por aqui no RJ até amanhã, dia 27. Hoje, atividade no MAR – Museu de Arte do Rio, com minha palestra “Vendo pó. Vendo pó... Vendo pó...esia”. Amanhã, encontro com outra molecadinha pra bater papo sobre escrita, produção literária e o que mais eles quiserem.

E a certeza: nós, poetas e escritores, temos uma longa, longa missão pela frente. A de formação de leitores literários, pessoas apaixonadas pela literatura, pela poesia. Há muitos, dezenas de milhares de vilas, comunidades, cidades, escolas, bibliotecas que temos que visitar para trocar ideia, espalhar a literatura. Nosso povo é muito, muito carente da cultura literária. E precisamos chegar até eles. E precisamos de apoio, incentivo, subsidio para chegar até eles. Fica a dica.

Eu to na missão. Sempre que precisar, eu to na pista.

É nóis.


Rodrigo Ciríaco

quarta-feira, novembro 19, 2014

LANÇAMENTO: TE PEGO LÁ FORA, RODRIGO CIRÍACO – LIVRARIA CULTURA











VEJA O ÁLBUM COMPLETO DE FOTOS AQUI:

Terça-feira, 18 de novembro foi um dia para ficar assim, tatuado na retina. Com tinta fresca. Expressiva. Para lembrar e relembrar e contar. O quanto é importante a nossa caminhada literária. Marginal, periférica. Solidária. Um caminho que não se constrói só. E principalmente, não se celebra só. A primeira vez, lançando um livro dentro de uma livraria. Parece estranho esta frase: livro na livraria. Pra gente não é. Pra gente o normal é livro no boteco. Na escola. Centro cultural, biblioteca, rua, praça, ônibus, terminal. Pra gente é normal o livro assim: internacional. Nas feiras, nos festivais literários. Na praia, na estrada, nos becos e vielas. Livro na livraria é quase luxo. Entende agora quando a gente fala “literatura marginal”? É por isso, meu camarada.

Mas deixa eu falar: da alegria da noite. Do livro exposto na bancada. Ao lado do “Contos Reunidos”, do João Antônio. E do Xico Sá. E me vem na memória Carolina Maria de Jesus, Plinio Marcos. Lima Barreto. E tantos outros parceiros. Que trilharam e venceram na estrada. Ainda que longe dos holofotes. Suas obras estão aí, marcadas. E a gente segue. Na caminhada. Livraria lotada. Havia outros eventos, mas eu reconheci quem esteve lá por conta da nossa pegada. Da nossa literatura, da nossa quebrada. E foi bonito. Saber. Que a Livraria Cultura queria apenas 50 livros pra vender. A Editora DSOP acreditou, apostou, insistiu. “Melhor pegar mais, vai bombar”. Ok, então me dá 80 livros. E foram. Assim. Saíram voando. Feito passarinhos. Uma atrás do outro. Algumas vezes em bando, que é como a gente gosta. E teve gente que ficou assim, sem pássaros na mão. “Acabou os livros”? Sim. Aqui na livraria acabou. A gente bombou, esgotou. Mas tem mais. Tem muito mais. Agora estará em todas as livrarias. De norte a sul do país. Uma distribuição que é assim, muito difícil sendo independente, periférico, marginal. Agora é isso, nego: a gente vai brigar de igual pra igual. E pode ter certeza. Não vamos brigar só. Estamos apenas alargando uma brecha de um movimento que veio pra dar nó. No mercado editorial. Nessa ditadura: cultural e desigual. Que diz que na quebrada não se gosta de ler. A gente não é possível criar, escrever. Não fica de toca. A gente tá fazendo trampo sério, bonito. Nossos livros não ficam parados, as moscas. Tem muita gente boa por aí. Precisando de uma oportunidade, um empurrão para as portas aí, se abrir. E a gente segue. Foi bonito. Foi festivo. Foi literário. O susto. Gritando na livraria: “Mãos ao alto, isso aqui é um assalto. Mãos ao alto: eu to roubando a sua atenção, mãos ao alto”. A galera em choque, mas passou. Ufa, é só poema, literatura, interpretação. Ou não. A gente tá vindo buscar o que é nosso. Por direito, por conquista. Por mérito – pra vocês que adoram uma “meritocracia”.

Sem ilusões. Sem atolar o chapéu. Ontem foi glória, hoje é mais. O trabalho segue: nos mesmos locais em que encontro aqueles que me fizeram grande: meus iguais. Que são gigantes. Minha mãe disse: “agora é um novo passo, né filho”. Eu disse: não, mão. É a continuação da caminhada. Não adianta a ilusão de achar que já tá tudo conquistado. Não, sigamos na mesma pegada. Boteco, escola, sarau; biblioteca, rua, praça, centro cultural. O artista tem de ir onde o povo está. E nós somos o povo e o artista. Há muita coisa ainda pra batalhar. A mochila segue pesada. Com livros pra espalhar, dividir na quebrada. Mas confesso: estou feliz. De chegar em uma das maiores livrarias da América Latina, com os amigos e parceiros, estourar no “norte” e sair assim, feliz.

Agradecimento a toda equipe DSOP: Reinaldo Domingos, Simone Paulino, André Palme, Christine Baptista, Renata Sá, Amanda Torres, Priscila Moreira, Alana Santos, Thais Ramone, Paulo Fabrício Uccelli. Rita Ramos, Adelino Martins, André Argolo. A todos, o meu fraterno abraço. Minha gratidão: pelo respeito, pela consideração, pela forma como fui recebido e até hoje tratado. Obrigado.

Gratidão ao mano Ferréz: que escreve essa caminhada da literatura marginal, com seu trampo autoral, revistas, publicações coletivas. Abrindo portas. Obrigado, Mano. Muito obrigado. Esse meu sonho está se propagando também por sua culpa. Os erros são meus. Os acertos são nossos. Gratidão. Valeu mesmo.

E sigamos em frente. Agora mais energizados e encorajados. Não apenas por acreditar, mas por saber (ainda mais) que somos possíveis.


Rodrigo Ciríaco

terça-feira, novembro 18, 2014

TE PEGO LÁ FORA - RODRIGO CIRÍACO


Foi o primeiro rebento. E como todo filho – na maioria das vezes – ele veio assim, inesperado. Nunca havia pensado em ser “escritor”. Quando pequeno, queria ser “artista”. Sem saber o que isso era, o que significava. Queria ser artista. Fiz desenho, fiz dança. Fiz música, fiz teatro. Ah, o teatro. O palco, a luz, a plateia. Ah, o teatro. O “semancol”. Não dava para o palco. Não era suficiente. Nunca era. Abandonei as pretensões. Mas sempre gostei de ler. Sempre gostei de escrever, muito. E conhecendo uma poeta chamada #Dinha, descobri que a palavra também podia ser arte. Ser linguagem. Ser literatura, poesia. E através da Dinha, e por outros caminhos, conheci os #saraus. O guerreiro #Sergio Vaz foi o primeiro que me chamou de poeta. O camarada #Sacolinha foi o primeiro a publicar um texto. E daí que comecei a gostar cada vez mais desta coisa de escrever, criar, recitar. Foi #Marcelino Freire que disse: “Ciríaco, você deveria escrever as histórias da escola. Só você pode fazer. Se não fizer, vai se arrepender”. E segui o que o cabramigo disse, investi. E um dia o #Allan da Rosa me chamou de canto, e falou: vamos publicar isso aí? Publicar o que? Não sou escritor, não sou poeta. Eu era. Para eles, eu já era. Tinha uma responsa nas mãos: organizar os textos, rejuntar as dores e os escritos, propagar a literatura da quebrada, marginal, periférica. E bater com eles, por aí. E assim fiz. E foi assim que me descobri “escritor”. Meus textos voando. Eu quebrando o casulo, desabrochando. Em São Paulo, no Rio. Pernambuco, Bahia, Minas Gerais. E outros voos, até internacionais: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Argentina. Até na África, Argélia. Sem ter agente literário, sem ter editora: Paula Anacaona achou meus textos assim, na busca, na escolha. Nessa imensidão do mundo virtual. E foi: autor independente, periférico, marginal é convidado do Salão do Livro de Paris, em 2013. Sim, internacional. E tudo, tudo o que consegui, as viagens que fiz, todas pagas, foi por causa de você, literatura. Isso que alguém disse um dia que não ia dar em nada. Levar a nada, a lugar nenhum. Me deu amores, me deu amigos. Me deu uma esposa, companheira, amante, amiga: #Mônica. E com ela, a minha maior obra, a minha joia rara e preciosidade maior: Malu, Maria Luiza, Maluzinha. Minha filha. Minha luz, meu norte-sul, meu guia. Minha alegria. Agradeço a você, literatura. Por me dar tantas pessoas, tantos lugares: escolas, ruas, praças, parques. Bibliotecas, associações, universidades. Mas um lugar faltava. Um lugar que ainda não havia sido ocupado: as livrarias. De mão em mão, de mano a mano, mais de dois mil e quinhentos “Te Pego Lá Fora” espalhados, mas ainda faltava as livrarias. Doce pretensão. Este não é o seu lugar. Aqui é para os raros, os clássicos. Os comprados. Você não pode entrar. Até chegar um mano e dizer: chega mais. Borá arrebentar. O espaço é nosso, sim, vamos ocupar. Reginaldo Ferreira da Silva, o #Ferréz. Tão perto aqui, há treze anos na Caros Amigos, Pecando no Capão. Chega mais, vamos causar. Como causamos na gringa. Assustando os gringos, fazendo aquele teatro da “briga”. “Calma, calma, rapazes. Não precisa disso”. A gente na Sorbonne apavorando. Maloqueirando. “Ufa, era brincadeirinha”. As vezes. A parada aqui é séria. A nossa literatura é séria. Tem compromisso. Tem responsabilidade. Muito do que vai pro papel é o espelho da realidade. Distorcido, ficcionalizado, mas reflexo da realidade. Que agora a DSOP apostou em compartilhar. Que Simone Paulino, vinda também na sua origem, de Guaianazes, lado leste, veio a acreditar. Nesta criança. Que completa seis aninhos de sua produção independente. E que com essa idade já pode ser admitida no primeiro ano do Ensino Fundamental, dizem para virar “gente”. Mas o que ela quer mesmo é torcer. As grades da masmorra. Quebrar. Os muros que nos dividem. Ajudar: a transformar a escola. Sejam bem-vindos. Provocação garantida ou sua televisão e sofá de volta. Boa leitura. Ou não. Fique esperto, se vacilar: TE PEGO LÁ FORA!

segunda-feira, novembro 17, 2014

LANÇAMENTO - TE PEGO LÁ FORA - LIVRARIA CULTURA


VENHA CELEBRAR JUNTO!

Nesta terça-feira, 18 de novembro, 19hs, tem lançamento da 2a edição do livro #TePegoLáFora, contos ficcionais sobre o cotidiano da escola. O livro faz parte da coleção #LiteraturaMarginal, da Editora DSOP com curadoria do escritor #Ferréz.

O lançamento será na #LivrariaCultura da Av. Paulista, 2073. Teremos um pocket sarau, coquetel, sessão de autógrafos e muita, muita idéia, cultura e alegria.

A todos que se interessam pelo movimento de saraus, pela literatura marginal-periférica, a todos que trabalham ou são envolvidos com educação, a todos que desejam um novo modelo de sociedade e escola, chega junto. Venha fortalecer a sua #revolta, a sua #labuta. 

Porque é importante lembrar quem são nossos pares. Que não estamos sozinhos.


sábado, abril 19, 2014

VENDO PÓ. VENDO PÓ... VENDO PÓ...ESIA! - #MAIO, NAS MELHORES BIQUEIRAS



Em maio, lançarei o meu novo livro: "Vendo Pó...esia!"
Livro que reúne mais de 50 poemas de minha autoria, alguns já publicados
em outras coletâneas, antologias, vários outros inéditos.

O trabalho conta com a primorosa arte gráfica de Silvana Martins
(Sarau da Ademar), e trará no próprio livro um formato bem diferente
a ser revelado apenas no seu lançamento.

Portanto, não perca, em #Maio
nas melhores #BiqueirasLiterárias

Vendo Pó...esia!
Rodrigo Ciríaco
Edições Um por Todos

Abaixo, alguns poemas que farão parte do livro. Confira aí:











domingo, março 30, 2014

MAS É PRECISO TER FORÇA, É PRECISO TER RAÇA, É PRECISO TER GANA, SEMPRE!


Noite de sábado, 29 de março, escola estadual Jornalista Francisco Mesquita. Periferia, Zona Leste de São Paulo. Vencemos. Aconteceu mais uma vez o Sarau dos Mesquiteiros, especial “mês da mulher”, com homenagem a escritora Carolina Maria de Jesus. Mulher, negra, favelada, catadora de papel, e uma das mais importantes escritoras representativas da literatura marginal-periférica, que faria 100 anos caso estivesse viva.

Uma mulher forte, guerreira: expressiva. Nada mais representativa do ser mulher, neste mês em que pesquisa recém divulgada do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) demonstra que aproximadamente 65% dos homens acreditam que mulheres que usam roupas curtas merecem ser atacadas!

#Cadeia para estes babacas!

O sarau é só no final da tarde mas os preparativos começam cedo. As 10 horas da manhã estava na escola, colando alguns cartazes, divulgando o evento. Um menino, o Luan, de aproximadamente uns 09 anos veio me perguntar: - O que que vai ter na escola, tio? Expliquei o sarau, a festa, as brincadeiras, os comes e bebes. Que ia ser no final da tarde. “Não tem problema, vou ficar aqui o dia inteiro”.

E ficou: da hora em que eu o encontrei, as 10hs da manhã até a hora em que fomos embora, as 20:30hs da noite. E eu, sempre com a mesma pergunta: não há ninguém por este menino? Ninguém preocupado por ele? Será que se alimentou direito? Tomou café? Almoçou? Está com frio?

O que ele estaria fazendo se nós não estivéssemos aqui? Por onde andará nos próximos dias em que não estaremos?

O sarau começou pontualmente as 17hs. No primeiro momento, algumas músicas representando, homenageando as mulheres: Clara Nunes, Elis Regina, Ellen Oléria, Nana Caymmi, Rosa do Morro (Inquérito).

Desde antes do início do Sarau, tivemos uma grata surpresa-esperada: a chegada do ônibus com os alunos da EMEF Vianna Moog, lá de Taboão da Serra, extremo-sul de São Paulo, que no comando da professora Fabiana e outros (que perdoem, não lembro o nome agora) estiveram presentes e trouxeram vida, cor e animação ao nosso sarau. Obrigado por fortalecer com a gente. Em breve a gente compensa esta troca e visita grata – e bem-vinda!

Depois da execução das músicas, tivemos a pré-estréia do documentário “Vidas de Carolina”, que aborda a história de Carolina, com entrevistas de Vera Eunice (filha), Audálio Dantas (jornalista), além de depoimentos de outras duas mulheres, também catadoras, fazendo assim um paralelo, com a escritora. O documentário é uma produção de Jéssica Queiroz, Mayra Jóia, Randerson Barbosa entre outros, que já foram integrantes da escola e dos Mesquiteiros, e hoje seguem a própria história.

As 18hs, pegamos em armas – megafone, alfaia, palmas e gargantas – e saímos pelas ruas de Ermelino para abrir os trabalhos e convidar a galera a participar do sarau com a gente. E foi bonito: mais de 50 pessoas, principalmente jovens, crianças e adolescentes ocupando as ruas do bairro, gritando, convidando a galera, cantando: “Pra onde eu vou? Vou pro sarau! Pra onde eu vou? Vou pro sarau, vai, vai! Vai, sarau. Vai, sarau”.

Mais de 35 poetas estiveram presentes em nosso palco-escola. E como a gente não se contenta com pouco, tivemos ainda dois lançamentos de livros: Para Brisa, do parceiro Ni Brisant, e Uma Vez Poetas Ambulantes, do coletivo Poetas Ambulantes. Novamente agradecido por chegar no espaço, compartilhar voz, livros e palavras.

O tom do sarau, como não poderia ser diferente foram as mulheres: sejam com homenagens, sejam com protestos, discursos, lembranças e principalmente: alegria, arte, revolta e poesia. Foi um dia/noite bonito. Especial para recarregar as energias, fortalecer nossas convicções. Romper o ordinário que existe em nosso cotidiano. E tornar a vida um pouco menos cruel, principalmente nestes tempos difíceis que vivemos.

Agradecimento a todos e principalmente a todas que estiveram presentes. Gostaria de dar nomes a todos que chegaram colaram, muitos de longe, com dificuldades, mas não deixaram de vir, acreditar: obrigado, obrigado, obrigado. Quando outras pessoas acreditam em nossos sonhos a gente não apenas acredita que ele é possível: a gente vê ele tornar-se real e sendo realizado.

Por uma escola pública, em que exista arte cultura e educação, não apenas no final de semana.
Por um mundo onde o machismo seja apenas a lembrança de um tempo sem razão.
Por um universo onde as mulheres tenham direito de liberdade, respeito e dignidade.

#NãoMerecemosSerEstuprad@s

Um por todos, Todos por Um

Rodrigo Ciríaco
Mesquiteiros

sexta-feira, março 21, 2014

SARAU DOS MESQUITEIROS NA ESCOLA - ESPECIAL MÊS DAS MULHERES - CENTENÁRIO CAROLINA MARIA DE JESUS

SARAU DOS MESQUITEIROS

SÁBADO, 29 DE MARÇO
DAS 17HS AS 20HS

ESPECIAL MÊS DA MULHER
CENTENÁRIO CAROLINA MARIA DE JESUS

PRÉ-ESTREIA DOCUMENTÁRIO
VIDAS DE CAROLINA

LANÇAMENTO DO LIVROS:
“PARA BRISA”, DE NI BRISANT E
ANTOLOGIA “UMA VEZ POETAS AMBULANTES”

ATIVIDADE GRATUITA, PARA TODA A FAMÍLIA

EE JORNALISTA FRANCISCO MESQUITA
RUA VENCESLAU GUIMARÃES, 581 – ERM. MATARAZZO

INFOS: www.mesquiteiros.blogspot.com
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segunda-feira, novembro 04, 2013

NOVEMBRO TEM: SARAU DOS MESQUITEIROS NA BIBLIOTECA


LITERATURA PERIFÉRICA
VEIA E VENTANIA NAS BIBLIOTECAS DE SAMPA CONVIDA:

SARAU DOS MESQUITEIROS NA BIBLIOTECA
(ARTE, MÚSICA, CULTURA E POESIA)

SÁBADO, 09 DE NOVEMBRO
DAS 13hs às 14h30

ATIVIDADE GRATUITA - INTEGRANTE DO
3º FESTIVAL DO LIVRO E DA LITERATURA - SÃO MIGUEL

BIBLIOTECA MUNICIPAL RUBENS BORBA DE MORAIS
RUA SAMPEI SATTO, 440 - ERMELINO MATARAZZO
PRÓX. DA ESTAÇÃO DO TREM E DA EE PROFA. BENEDITA

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terça-feira, outubro 29, 2013

SARAU DOS MESQUITEIROS NA ESCOLA - ESPECIAL MÊS DAS CRIANÇAS FOI LINDO!!!

“A esperança é o sonho do homem acordado” (Aristóteles)


Nosso singelo palco de transformações


crianças brincando no pula-pula


bexigas,


bexigas


Guerreiros e Guerreiras


Abre alas...


Sarau


Julinha, na mesa de pintura


Debora Garcia


recitando,


leituras


e o público vibra!


Jade


Minha filhota mais linda do Universo


Julia ganhou livros, e não foi só ela:






Algodão doce e poesia: quer combinação melhor?


Família.


Há 07 anos atrás, quando comecei a fazer saraus dentro da sala de aula na escola, eu tinha um sonho: compartilhar a minha paixão pela literatura com os jovens, crianças, adolescentes. Simples assim. Apenas isso.

Gostaria que eles tivessem o mesmo gosto  que tenho pela leitura. O mesmo prazer, vivenciar as mesmas sensações, de alegria e tristeza, de dor, frio, angústia ou quentura; de arrepio ou medo que eu tenho, até hoje, quando leio um bom livro.

O trabalho não foi nada fácil, passamos por duros e maus bocados. Só pra lembrar: no primeiro sarau das crianças, com a escola aberta, tinha aproximadamente 15 pessoas, fora os Mesquiteiros. Quinze pessoas?

Você conhece a frustração de organizar um evento, dispor de seu tempo, suas faculdades mentais, energia, dinheiro e ver tudo aquilo não dar certo. E ainda assim, continuar insistindo? Pois bem, eu sei. E o melhor: pude viver tudo isso ser superado. E pude ver o meu sonho, de 07 anos atrás, de olhos bem abertos.

Definitivamente, ao menos para mim, o sarau de sábado, 26 de outubro, exatos 07 anos e 05 meses de trabalho na escola, foi o mais bonito. Foi o mais singelo, o mais singular de ter vivido.

Não pelos números: mais de 250 pessoas que passaram pela escola, mais de 350 livros distribuídos, outros 500 algodões doces entregues de graça, e mais pipoca, refrigerante, lanches, pula-pula-inflável, piscina de bolinhas. As mais de 20 crianças que recitaram. Tudo isso já bastaria para dizer que foi um evento maravilhoso. E foi.

Para mim teve um sabor bem peculiar. Pois, como diria o Pequeno Príncipe, “o essencial é invisível aos olhos”. Mas eu vi: o brilho dos olhares, a saliva pelo algodão, os abraços e apertos de mão de gratidão, a energia que transbordava os poros. Eu vi, eu senti, eu quase chorei. Pois não estava dormindo. Estava sonhando, de olhos bem abertos.

E como é gostoso dar livros de graça para quem fica quase três horas sentados, aguardando pra receber. Não é doação, é redenção.

A todos, todos os que estiveram presentes: obrigado, obrigado e obrigado.

Aos Mesquiteiros e Mesquiteiras, que compartilham deste duro trabalho de serem produtores culturais dentro de uma escola públia na quebrada. Obrigado, obrigado e obrigado e: parabéns, parabéns. Vocês são guerreiros e guerreiras.

A quem acredita e torce não por nós, mas pela arte, educação e cultura, eu posso dizer: sábado, nós vencemos.

Que venham outras batalhas. Estamos cada vez mais preparados para a guerra.

Saboreando ainda os louros da vitória.

Rodrigo Ciríaco