terça-feira, agosto 10, 2010

FLIP 2010


salve, rápa.

voltei de viagem na correria total: arrumar casa, lavar roupa, preparar aula, separar materiais, contar lucros e prejuízos e tal, mas finalmente consegui um tempinho para tecer comentários sobre os últimos dias.

viajar para Parati foi ótimo. eu, ingrid, vagnão (da brasa), michel e raquel (do elo), saímos, montados num opaloza 87 - estilo "pique bandidão" rs - na manhã da quinta-feira, por volta das 06hs. fomos na manha, afinal era uma manhã fria, com uma garoa fina e um pouco de chuva no caminho e, como não tinhamos pressa pra chegar, fui guiando na moral.

dai já começou uma parada muito interessante da viagem: a oportunidade de trocar idéias, conversar calmamente com pessoas que estão conosco nos corres culturais e literários mas, que por conta da correria, não dá muitas vezes tempo para fortificar/frutificar as idéias. e em quatro horas de viagem, tanto ida quanto volta, deu pra rolar papos e idéias que são muito importantes para todos, sejam pessoas ou movimentos.

na chegada em Parati, fomos logo pro Camping pra montar as barracas e deixar tudo no jeito. a surpresa, boa diga-se de passagem, é que os metereologistas não servem pra nada: disseram que iríamos encontrar muito frio, chuva e tal, principalmente na quinta e sexta. mas, quando chegamos, o tempo já estava abrindo.

montamos a barraca, separamos as coisas e fomos pra lida. no caminho, trombamos os manos maloqueiristas. perguntei se estavam embaçando, como no ano passado, e até ali, tudo tranquilo. fomos então manguear.

até a primeira venda, muito foda. você está enferrujado, tímido, seus argumentos ainda não estão engatilhados. uma moça pediu para ver meu livro, pediu uma sugestão de contos. indiquei um, dois, ela leu cinco contos do livro. estava interessada. achei que ia levar. disse obrigado e foi embora. o vagnão deu risada - rs.

depois de uma meia hora encarando nãos, caras frescas e esnobes me ignorando, outras pessoas desinteressadas, fiz a minha primeira venda. diga-se de passagem, venda dupla. daí abriu as portas e, vâmbora.

sexta-feira parecia que ia ser o dia para arrebentarmos. a parada estava fluindo bem. havia bastante escolas, sugeri a galera pra fazermos uma intervenção na praça e foi lôco. só na batida das palmas a molecada já colou, fizeram a roda e pudemos gingar com as palavras bonito. momento marcante.

mas na sequência, quando estávamos indo para a igreja do rosário, vimos fiscais aglomerando. colamos, pois pensei que estavam embaçando com os livros de alguém, mas eles estavam confiscando o material de trabalho de um povo indígena que veio da bahia. a parada me subiu no sangue, começamos a tirar algumas fotos. dei alguns gritos de protesto naquela cena, outras pessoas sensibilizaram-se. acompanharam os fiscais até a prefeitura pra entender o destino do trampo dos índios.
.
nessa hora deu um clima mal. eu, particularmente, ficava pensando: porra, se eles que são os donos originários desta terra, não tem direito ao seu trabalho - e consequentemente, a uma vida digna - quem somos nós para invadir o espaço e manguear nosso trampo? mas aí é perceber que é a lógica do sistema, que esses caras querem cada vez mais privatizar Parati, patrimônio histórico da humanidade e do Brasil, tão marcada pelo escoamento de nossas riquezas para o estrangeiro que não podemos abaixar a cabeça e aceitarmos.

no mais, sabadão prometeu e cumpriu: foi o melhor dia da Festa, tanto para a venda quanto para trocar idéias com o povo, fortalecer laços, agitar a FLIP. consegui o suficiente para pagar o camping, comida, gasosa e trazer um qualquer pra sobreviver no dia-a-dia. afinal de contas, pra mim e pra galera, livros, além de resistência, não é hobby, mas uma oportunidade de trabalho.

agora pra quem pergunta o que fomos fazer lá, dou algumas dicas:

- fortalecer a corrente, já que fomos em grupo, aprofundamos idéias, nos aproximamos ainda mais;

- divulgar a literatura periférica, fazer novos contatos, parcerias;

- valorizar ainda mais a molecadinha e a juventude, que curte muito os nossos trampos;

- ficar puto e mais puto com a elite arrogante e antipática, que nos ignora na frente quando abordamos e faz comentários nojentos por trás, depois que passam;

- observar a natureza, sentir a brisa do mar, a areia limpa da praia, observar os cachorros brincando, as crianças correndo sem preocupação dos carros atropelarem-nas, a charrete, as amizades, as festas. enfim, energizar a alma, coisa fundamental pra sobreviver no dia a dia.

enfim, por alguns dias fomos felizes. em grupo, no coletivo e na família. só por isso já valeu.

já estou pensando em comprar uma van ou alugar um buzão pra irmos numa galera grande pra outros eventos desta estirpe. se já bagunçamos a cidade da maneira como bagunçamos estando em cinco, imagine se estivéssemos em dez, vinte, trinta!?

pra ver comentários dos meus camaradas michel e vagnão, clique AQUI e AQUI TAMBÉM.

abraço pra nóis.

rodrigo ciríaco.

2 comentários:

raka disse...

salve rodrigo...também escrevi um texto da uma olhada: http://esperanca-garcia.blogspot.com/

axé

raquel almeida

Deveras disse...

È, o trabalho em grupo rende mais frutos e dá margem ainda para relaxar um tanto no final da coisa.

Parabéns aí pela coragem de encarar a estrada e exercitar a literatura "full-contact".