segunda-feira, março 31, 2008

Garagemundo

frase de Giles Deleuze

Foto retirada do blog do Garagemundo, de uma galera firmeza que eu conheci em Recife em Janeiro e que deixou saudades. Grande abraço Thyago, Cariri, Luiz Poeta...
Quer saber mais, acesse: www.garagemundo.blogspot.com

domingo, março 30, 2008

O ÓBVIO DO ÓBVIO

Minha Escola (Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita)
Antes da Reforma - ANO PASSADO:


MEIO-MILHÃO DE REAIS DEPOIS

Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita - Parque Cisper - Zona Leste

Parece que, de repente, o governo descobriu o "ovo de colombo". O óbvio do óbvio. Que, além dos problemas administrativos, pedagógicos, financeiros, as escolas tem problemas estruturais. Físicos. E necessitam de reforma.
Ora, só na minha escola, este problema já acontece, há pelo menos, uns 05 anos(!). Inúmeros ofícios foram enviados para os ditos órgãos (ir)responsáveis. Como a comunidade não se mobilizou, não fez um movimento de luta maior, nada foi feito.
Ou corrigindo, foi. No ano passado foi liberado uma verba de R$ 537.000,00 (Quinhentos e trinta e sete mil reais). Meio-milhão. O resultado? Dá pra conferir nas duas fotos acima.
Sabe qual foi o problema? É que existe uma máfia que ronda as escolas públicas. A máfia das editoras, que faturam milhões com as publicações de livros-didáticos. A máfia dos professores, que encobre os maus profissionais que cagam na Educação. E a máfia das empreiteras. Que faturam milhões, prestando um serviço porco e mal feito.
No ano passado, antes do início das obras, foi constituída uma comissão para acompanhar o trabalho da reforma. A idéia era dar sugestões, dizer o que precisava melhorar, ser reformado, construído. Afinal, nada melhor do que nós, que passamos boa parte do tempo toda semana ali para saber e conhecer o que precisava ser reformado. Sabe o que aconteceu? Vieram com o projeto pronto - ISTO SEM OBSERVAR, ANTES, DETALHADAMENTE, OS PROBLEMAS DA ESCOLA -, não aceitaram as nossas sugestões, e fizeram um serviçozinho qualquer. Com um materialzinho, de qualidade qualquer. Mas aprovado pela FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação. Resultado: uma tinta lá que eles usavam, diziam ser "ultra boa, tinta lavável". Quando fui pendurar um quadro na parede, da sala de aula, o quadro ficou dois dias. Caiu depois com um pedaço da tinta e da parede.
Eta padrão de qualidade bom.
Argh. Essas coisas me revoltam. E eu já falei demais. E quem tem que me ouvir tá dormindo essar horas. Ou sempre. Sempre dormindo no ponto.
Vâmo que vâmo.
Só a união faz a luta. Só na luta tu conquistas.

Rodrigo



MATÉRIA RETIRADA DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 29 DE MARÇO


60% das escolas do Estado precisam de reforma, diz governo


Levantamento da gestão Serra indica que os principais problemas estão nas redes elétrica e hidráulica e nos telhados


Valor estimado para as obras é de R$ 4,5 bilhões; governo diz ter R$ 1,7 bilhão e pediu que o MEC faça uma complementação


FÁBIO TAKAHASHIDA REPORTAGEM LOCAL


Um levantamento realizado pelo próprio governo estadual de São Paulo, apresentado ontem, mostrou que cerca de 60% das escolas que integram a rede precisam de reforma -principalmente nas partes elétrica, hidráulica e de telhado.A divulgação dos dados foi feita durante a cerimônia que marcou a adesão do Estado ao Plano de Desenvolvimento da Educação, do governo federal (leia texto nesta pág.).O estudo mostra ser necessário investir R$ 4,5 bilhões nas obras, valor equivalente aos orçamentos da USP, Unesp e Unicamp deste ano.O governo José Serra (PSDB) diz que dispõe de apenas R$ 1,7 bilhão, a ser aplicado até 2010, e solicitou que o MEC faça uma complementação.Segundo a secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, o levantamento apontou ser necessária "uma completa mudança na rede hidráulica, elétrica e dos telhados" em cerca de 60% das 5.537 unidades em todo o Estado (ou seja, aproximadamente 3.300 colégios).Ela afirmou também que, em alguns casos, são necessárias obras mais estruturais, que exigirão a transferência dos alunos para outro prédio.Em uma terceira frente, diz, há a necessidade de construção de escolas para aliviar a superlotação das classes (que atinge 3,6% dos alunos da rede).A reportagem solicitou à secretaria a lista das unidades que precisam de reforma, mas a pasta disse que a informação ainda não está disponível."A infra-estrutura das escolas, de fato, está péssima. Principalmente na periferia, onde os pais dão graças a Deus só por ter escola. O governo aproveita essa falta de pressão", disse o presidente da Udemo (entidade que reúne os diretores de escolas estaduais), Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto. "Não há um sistema de manutenção.""As escolas estão precárias. Em alguns casos, há até riscos para alunos e professores", disse o presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Carlos Ramiro de Castro.Em entrevista à Folha em fevereiro, a secretária disse que os recursos do Estado eram insuficientes, apesar de terem aumentado na gestão Serra. Disse ainda: "Houve falhas de manutenção nas escolas. Esse foi o legado que recebemos".A reportagem procurou ontem Gabriel Chalita, que foi secretário de Educação na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), para comentar as declarações e os novos dados, mas sua assessoria informou que ele estava em palestra e não podia atender ao pedido de entrevista.Durante a cerimônia, tanto Serra quanto Maria Helena pediram ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que a União complemente os recursos destinados para a reforma das escolas paulistas.Em resposta, Haddad propôs que Serra convença o PSDB no Congresso a acabar com projeto de 1994 que permite transferir para outras áreas parte das verbas vinculadas à educação.O projeto, criado na gestão de Fernando Henrique Cardoso, "já tirou quase R$ 100 bilhões do orçamento do ministério", afirma Haddad. Serra disse que, apesar de a questão "ser mais federal", aceitaria o pedido.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2903200822.htm

quarta-feira, março 26, 2008

VAI - Valorização de Iniciativas Culturais - 2008

salve povo,

é com grande satisfação que venho comunicar que as EDIÇÕES TORÓ (dos parceiros Allan da Rosa, Silvio Diogo, entre outros manos e minas firmezas) e a ELO DA CORRENTE EDIÇÕES (do parceiro Michel da Silva e Raquel de Almeida), foram contemplados com o apoio do VAI - Programa de Valorização de Iniciativas Culturais da prefeitura de São Paulo.

a prefeitura não faz mais do que a sua obrigação, em disponibilizar seus recursos públicos para iniciativas culturais. e a periferia - e todo mundo - ganha, com a aprovação de projetos sérios e necessários como estes.

mais infos. podem ser vistas no sítio: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/vai/index.php?p=1067

parabéns pra nóis.

rodrigo

terça-feira, março 25, 2008

desafogando as amarguras

hoje tô meio enjuriado.

teve reunião do grêmio estudantil na minha escola. grêmio é um barato muito responsa, muito sério para mim. desde quando era aluno, nos meus tempos de primeiro e segundo grau na EEPSG Irene Branco da Silva, na ZL, quis participar do grêmio, montar. não pude. uma por conta da direção, sempre boicotando a organização dos alunos - hoje entendo o porquê. dois, porque a gente não tinha um apoio dos professores.

no ano passado a escola que dou aula teve um grêmio. como nos três anos anteriores. e, como em todos os anos, o grêmio não fez nada, pelo contrário, foi usado por alguns alunos como pretexto pra ficar circulando pela escola, tipo passe-livre, dando uma queimada na galera geral. deixando os alunos desmotivados. sem crédito. eles e o grêmio.

resolvi assumir a parada este ano. montar um chapa, ajudar os alunos a organizar as propostas, fazer a eleição e ir a luta. mas tá difícil. minha disposição não falta. mas, a molecada...

tá embaçado olhar pra cara deles e ver a desmotivação. tão ali na roda mas, ficam dispersos. cabeças baixas. não opinam, não colocam o que pensam. claro, o fato de estarem ali já é algo positivo mas, o que me incomoda é ver como essa molecada anda pra baixo, com a auto-estima na valeta. principalmente quando o assunto é mudar as coisas como estão. vontade eu sei que pra muitos não faltam mas, mesmo com vontade eu sinto que eles não acreditam. não acham possível.

penso que isso faz parte de uma descrença generalizada nos espaços de organização, ação, como se não tivessem mais sentido, legitimidade para fazer as coisas acontecerem. então fica tudo por isso mesmo. e tá limpo. principalmente pra quem tá fazendo as parada errada, ou tá lucrando com a desgraça alheia.

não sei. as vezes até eu fico desmotivado. achando que eu é que não sei injetar o "gás" neles, provocar a re-existência tão necessária. e deixo eles assim. perdidos. bom, disposição não falta. mas só disposição não basta.

sinto que vai ser um trampo difícil colaborar com aqueles moleque. eu acredito neles. mas, preciso que eles também acreditem. não apenas em si próprios. mas em mim também.

mesmo porque, sózim ninguém guenta.

ah, aproveitando. se alguém tiver alguma info., idéias, textos para ajudar a pensar o grêmio estudantil, seu papel entre otras cositas, são bem-vindas. aguardo via emeio.

aquele abraço,

rodrigo

segunda-feira, março 24, 2008

NOS EMBALOS

Professor, fumá emagrece. Olha só o corpinho. O senhor paga um pau, né não? Tá, eu já sei, num pode falá. “Questão de Ética.” Ah, pra eu sentá? Desculpe professor. É que eu ainda tô ligada. Duzentos e vinte, sabe? É, não me tiraram da tomada.

Balada. Ontem a noite prôfi, altos gatinhos. Imagina, só numa noite eu catei seis. Tud de o bonitinho. E otário. É. Eles acha que eles que me cata. Nem sabe que são catados. Chega, encosta, fica aquele xaveco fraco, um papo-furado. Pra economizá o meu tempo, eu encurto o assunto, já falo: ai, tô cuma sede. Vai lá o trouxa correndo comprá uma caipirinha, uma breja. Chega todo babado. Aí eu já dou uns cato de dez minuto e dispenso. Sem dó. Próximo. Ô coitado. Mas fazê o quê ? Gente tonta foi feita pra enganá, num é mêmo?

O cigarro? Foi professor. Foi nas balada o meu primeiro trago. Que qui tem de errado? Não aparece na TV, não é legalizado? Se nas escola até os professor fuma, então eles também tão errado? Além do mais, que cê qué que eu faça, vá procurá outra turma? É, porque é isso que ia acontece. Todas as minhas amigas lá fumando, enchendo a cara, e eu: - Não, desculpa aí, minha mãe falô que eu não bebo, não fumo não hum... entendeu? Pronto, morri. Ah, pega mal né prôfi. É a mesma coisa que tá lá, todo mundo no créu, créu, créu, dançando, rebolando, descendo até embaixo e só você, parada de braço cruzado. Num dá. A gente fica excluída. Sem jeito, sem graça. Eu não quero ser taxada.

De babaca. Careta. Nem na escola eu gosto de me queimar. Tenho que manter a postura, a preza. Por isso que antes do Zé-Povinho denunciá eu só fumava no banheiro. Já até batizamo um lugar lá, no canto. Cinzeiro. Nosso cantinho. Mó da hora. Fica aquela neblina, aquele fumaceiro saindo, invadindo o páteo da escola. Não, num pega nada não. A diretora nem dá bola. Aí tem umas menina, umas fresca lá, que entra pra mijá, já chega tossindo, engasgando. Vão assim ó, uma mão tampando a boca e o nariz, a outra segurando a bexiga, toda apavaroda. Faz o xiiiiiiiiiiiiiiiiiiii lá em uma sentada e já sai ligeira. Sem lavá a mão. Fraquinhas, coitadas. Não agüentam o cheiro. A gente não. A gente é foda. Agüenta o cheiro de xixi, esgoto, bosta. Só pra fuma. É.

Viciá? Eu? Tá maluco? Tá, desculpa aí prôfi, é o jeito de falá. Te disse, eu tô acelerada. Conseqüência da Balada. Foi boa, prôfi. Mas num tem essa de viciá não. É, besteira. Cigarro? Quando quisé eu paro. Sô uma mina firmeza, num sô? O senhor não acha? Eu tenho a minha opinião. Não me deixo influenciá não. Tenho atitude. Num vô no embalo de ninguém. Eu é que faço o meu caminho.

Atenção Zona Leste


Alessandro Buzo, Sacolinha e Sérgio Vaz
É neste sábado, a partir das 14hs.
Informações:

domingo, março 23, 2008

ovos partidos

pois é, hoje é páscoa. feliz páscoa. normalmente sou avesso a comemorações de datas "especiais", em especial datas religiosas. mas, estou começando a pensar diferente. um pouco. afinal, a minha bronca é com a transformação destas datas especiais em eventos para se "dar presente". diga-me o quanto me ama com um belo colar de brilhante, no dia das mães. diga se ainda sou desejada com uma bolsa de três mil reais, no dia dos namorados. diga que sua família é importante com várias postagens ao pé da árvore na noite de natal. e por aí vai...

mas, as celebrações são importantes. menos por conta dos presentes, mais por conta dos rituais. reunir os amigos, a família. repensar nas ações. dizer o quanto as pessoas que nos rodeiam são queridas, são carinhosamente desejadas. necessárias. pois não fazemos isso no dia-a-dia. cada um mata o seu leão na selva - ou não - de pedra, e não há tempo, espaço para afagos, olho-no-olho, trocas de apertos, carinhos. mesmo porque seria muito chato fazer isso sempre. soaria a falsidade. mas, de vez em quando é necessário.

por isso, boa páscoa. ainda que não seja cristão. ainda que não tenha religião. ainda que não tenha dinheiro para comprar o ovo para o filho. principalmente por isso. mostre a ele o que importa. se a gente "vale o que tem" mostre o que temos de melhor: o Amor. muito Amor.

tá, eu sei, o texto ficou piegas. mas eu sou piegas, tosco. as vezes. você não?

sexta-feira, março 21, 2008

fumar emagrece

Crâne a la cigarrette
Vincent Van Gogh - 1885


A provocação se deve a uma preocupação: meus alunos estão fumando demais na escola. Lembra do cheiro de xixi que ardia as narinas quando passávamos perto do banheiro da escola - principalmente a pública? Na minha escola era assim, o banheiro fedia a xixi. Hoje não. Ele fede a cigarro. Um grande cinzeiro público. A fumaça é tamanha que, quando se olha pra dentro, se tem uma visão embaçada. Neblina.

O assunto será tema do próximo jornal da minha escola. Alguns alunos querem discutir o que está acontecendo. O desafio agora é se aproximar das garotas. Sim, o caso mais crítico é no banheiro das meninas. Há um receio, por parte de alguns alunos que estão bolando a matéria, de serem tachados de dedo-duro, traíra. É legítimo. Mas a proposta da matéria não é para punir, fazer investigação, chamar a inquisição, denunciar. O contrário. Conversar. Dialogar. Entender. Acredito que é o meu papel enquanto professor. Não cabe a mim a tão esperada "resposta" (repressão), aguardada por alguns alunos e professores. Eu não sou polícia. Além do mais, só na porrada não resolvemos nada.

Conscientização, diálogo e informação é necessário. É preciso.

quarta-feira, março 19, 2008

pensamentos desconexos

I

no tempo da verborragia
quis escrever algo significativo para alguém:

silêncio

Literatura (é) Possível

salve guerreir@s,

a partir de abril tem (re)início na minha escola o Literatura (é) Possível.

é um projeto pedagógico-literário que desenvolvo na minha escola desde o ano passado - mas que já está em andamento há dois anos - e que tem uma pretensão muito simples: tornar os alunos em seres apaixonados pela literatura. difícil?

acredito que não. para mim a literatura é algo naturalmente apaixonante. mas, é preciso fazer ressalvas, afinal normalmente a abordagem que se dá para a literatura na escola é crítica. muitos amigos e escritores disseram que aprenderam a não gostar de literatura na escola. afinal ela só era usada como pretexto para preparação de provas ou atividades para o vestibular.

para atingir o meu objetivo, mensalmente realizo Saraus dentro de sala, onde os alunos tem a oportunidade de demonstrar seu talento, fazer a leitura de textos, poemas próprios ou de autores que admira, etecetera. além disso, existem os encontros literários, espaço em que os alunos tem a oportunidade de encontrar escritores, poetas - todos vivos, rs - para trocar experiências, umas idéias e otras cositas más. além disso há, em cada encontro, sorteio de livros dos autores presentes para os alunos e doações para a biblioteca da escola.

este ano já está confirmado a participação de Carlos Galdino, Alessandro Buzo, Eliane Brum, Sérgio Vaz, Elizandra Souza, Akins Kinte, Dinha, Allan da Rosa, Sacolinha e Marcelino Freire.

Dez escritores em Nove encontros. além de surpresas, participações especiais que estão sendo planejadas pelo caminho.

que escola faz isso?

o financiamento do projeto é "nóis por nóis mesmo". não acho que é motivo de orgulho, já que penso que o Estado deveria bancar este projeto - pelo fato de acontecer dentro de uma escola. mas, sem problema. se a gente for ficar esperando por eles, não fazemos nada.

em breve, mais informações.

aquele abraço

rodrigo

domingo, março 16, 2008

São Paulo, 16 de março de 2008

até agora, 480 postagens no total.

9.645 acessos ao blog.

Derretimento de geleiras foi recorde em 2006, diz ONU.

Contrabandista Law Kin Chong deixa a prisão de Tremembé - SP.

Zinedine Zidane visita a favela de Heliópolis, São Paulo.

Fábio Santos é cortado de clássico contra o Palmeiras.

Augusto Boal comemora 77 anos.

Há quatro minutos atrás terminei o meu primeiro livro.

de lírios

"Senhoras e Senhores, trago boas novas: eu vi a cara da morte e ela estava viva. Viva..."

sábado, março 15, 2008

sexta-feira, março 14, 2008

BOI NA LINHA



O professor entra na sala. É parado por uma aluna:

-Prussôr, o senhor não pode ir na festa.
-Como?
-O Senhor não pode ir na festa da Alice!
-Que festa, que Alice?
-A festa da Alice prussôr.
- Não tô sabendo de nada.
-Ai caramba. Ó, vô tentá falá de outro jeito. Sabe o tatu? Não. A formiga e a cigarra? Não, não é essa história. Comé que minha vó fala. Ah! Tem boi na linha. Isso. Tem boi na linha prussôr.
-Eu não tô entendendo nada do que cê tá falando Gabi.
-Puxa prussôr, tem boi na linha. O senhor não pode ir na festa da Alice. Só isso.
-Ô menina, dá pra você ser mais clara, traduzir? Isso já tá me irritando.
-Tá bom, tá bom. Só quero dizê que é sujeira. Cagaram na porta de casa. É. É melhor pará o jogo.
-Hã? Cê tá doida? Vai, dá licença. Deixa eu dá a minha aula porque eu já entendi. Você só tá me enrolando.

Quarenta e cinco minutos depois

- Agora explica, direitinho, o que cê queria dizer?
- Ai prussôr, o senhor hein? A festa da Alice, boi na linha, cagão na porta... Só queria dizer que o senhor tá com uma catota enoooooooooooorme pendurada no nariz, entendeu?

Assembléia e Paralisação

Hoje tem Assembléia Geral da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), na Praça da República, as 14hs, com indicativo de paralisação nas escolas.

Apesar de ser associado da Apeoesp mas, não ir muito com a cara da mesma - pois para mim reduz a questão da melhoria da Educação a questão salarial, o que não é tão simples - fiz um movimento junto com outros professores da minha escola para paralisarmos e estarmos presentes, por vários motivos:

1) a minha escola não é 10, é 100
- 100 cadeira
- 100 carteiras
- 100 salas de aula
- 100 laboratório
- 100 computadores
- 100 telhado
- 100 quadra
- 100 A.L.E (adicional local exercício, gratificação retirada dos salário dos professores, equivalente a R$ 200,00. isso mesmo, imagine você, no seu emprego, seu patrão chega e diz: - A partir de hoje, você ganha R$ 200,00 reais a menos. E fim de papo! Foi isso que aconteceu na minha escola).
- 100 vergonha

pelo menos um dos períodos vai parar. e estaremos por lá. quem quiser conversar, trocar umas idéias, apareça.

rodrigo

Curso Livre Marx & Engels


Curso Livre Marx e Engels
Promovido pela Boitempo Editorial, pela revista Margem Esquerda e pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em História/Departamento de História da PUC-SP, o "Curso Livre Marx e Engels" pretende renovar o interesse pela leitura e o estudo da obra desses dois filósofos, cujo pensamento se mantém vivo e atual.
As aulas – ministradas por alguns dos mais importantes intelectuais marxistas do Brasil –serão públicas e gratuitas, baseadas nas obras editadas pela Boitempo e abertas a todos osinteressados na emancipação humana.
Durante o curso, os livros de Marx e Engels serão vendidos com desconto especial.
Programação
24 de março
A IDEOLOGIA ALEMÃ
Professor: Emir Sader
26 de março
A SAGRADA FAMÍLIA
Professor: Antonio Rago Filho
31 de março
MANUSCRITOS ECONÔMICO-FILOSÓFICOS
Professor: Ruy Braga
1 de abril
CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL
Professor: Alysson Mascaro
3 de abril
SOBRE O SUICÍDIO
Professora: Maria Lygia Quartim de Moraes
7 de abril
A SITUAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA NA INGLATERRA
Professor: Ricardo Antunes
10 de abril
MANIFESTO COMUNISTA
Professor: Francisco de Oliveira - Homenagem ao historiador Jacob Gorender
Local: PUC-SP • Sala 333 • Prédio novoEndereço: Rua Monte Alegre, 984
Horário: das 19h às 22h

CERTIFICADOS DO CURSO LIVRE MARX e ENGELSA Boitempo Editorial fará a emissão de certificados de participação no curso mediante inscrição antecipada. Os interessados devem enviar uma mensagem à editora, contendo NOME, E-MAIL e UNIVERSIDADE/ PROFISSÃO para o endereço eletrônico: cursolivre@boitempo editorial. com.br.
Receberão certificados aqueles que participarem de no mínimo 5 aulas. Os documentos serão entregues na secretaria da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP após o curso.
PROMOÇÃO:• Boitempo Editorial• Revista Margem Esquerda• Programa de Estudos Pós-Graduados em História/Departament o de História da PUC-SP
APOIO:• Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP)

terça-feira, março 11, 2008

e aê?

sim, eu sei. faz uma cota que eu não escrevo no blog. outras semanas que eu não escrevo um conto. meses que não saem um poema.

nada de crise. dedicação total a escola. me sugando, me sorvendo até a última gota do osso. mas tá valendo. tirando as crises da desorganização do espaço, estou vivendo dias felizes.

nunca me senti tão seguro, tão preparado. para alguns pode soar como prepotência mas, para mim é resultado. conquista. principalmente depois de passar quase três anos dando aula achando que não era suficiente, não estava bom. sentindo medo.

hoje, pequenas conquistas mostram que estamos no caminho certo.

continuo preparando minhas aulas, continuo estudando. atualmente voltei a estudar, bastante. estou com um grupo de estudos, os "professores públicos", amigas guerreiras da facul. estou fazendo um curso como ouvinte, da graduação, discutindo a escola pública. enfim, o que busquei no ano passado, espaços para discutir a minha prática pedagógica, teorizar, dialogar, foram criadas. acho que por isso, também, estou mais tranquilo dando as minhas aulas.

e acho que estou um professor um pouquinho melhor. pelo menos para mim. as aulas passam voando, estou trabalhando legal com os alunos que tem mais dificuldades - incluindo os não alfabetizados. as coisas estão indo.

mas sinto falta de escrever as vezes. não um texto-diálogo, como esse que saiu agora. mas, produzir contos, poemas. literatura. mas, não sou escritor profissional. a minha literatura é a da raiva, literatura do estômago. não que eu tenha deixado de sentir raiva. mas eu estou direcionando-a para ações. menos verborragia.

se a consequência de eu ser um professor melhor, mais seguro, mais atento e propositivo para a solução dos problemas for eu deixar de escrever meus textos, então estou feliz.

não me incomodo de ser um mau escritor.

mas me angustiava muito as crises de achar que não fazia o suficiente. não era um bom professor. isso é o mais importante para mim.

quinta-feira, março 06, 2008

Pequena Miss Sunshine


"- Conhece Marcel Proust?
- Aquele que você ensina?
- Sim. Escritor francês. Perdedor total. Nunca teve um emprego de verdade. Amores não-correspondidos. Homossexual. Passou 20 anos escrevendo um livro que quase ninguém lê. Mas é talvez o maior escritor desde Shakespeare. Bem, ele chegou ao fim de sua vida e, refletindo, decidiu que todos os anos que ele sofreu foram os melhores de sua vida. Pois fizeram-no ser quem era. Os anos em que foi feliz? Desperdício total. Não aprendeu nada. Nada."

terça-feira, março 04, 2008

em janeiro deste ano estive no nordeste, mais precisamente Recife - Pernambuco. foi uma viagem maravilhosa, uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida. o motivo? 1º) o contato com as minhas raízes, um pouco distantes tendo em vista que vieram através dos meus avós (e eu infelizmente convivi muito pouco com os meus avós), mas o importante é se reconhecer, aceitar e ser feliz com a condição de também ser nordestino. o 2º) tive contato com pessoas maravilhosas, que só vieram a acrescentar, fazer eu crescer interiormente. acredito.

falei sobre isso pois quando estava lá, durante os vinte e dois dias, chegou a um ponto em que eu não aguentava mais. não porque estava ruim, já estava de saco cheio - de maneira nenhuma -, mas a minha "bateria" já estava tão carregada, estava com tanta energia - literalmente transbordando - que eu não via a hora de ir para a "guerra". a minha batalha diária chamada educação. queria chegar e fazer as coisas acontecerem.

mas, nem tudo são flores e rosas, e no momento a coroa de espinhos está pesando sobre a minha cabeça.

estou num momento muito complicado, muito sensível na escola. depois de quase três anos por lá, percebo que as coisas não avançam, ou não avançam no ritmo que eu gostaria que fosse. e o motivo não é a falta de gás, a falta de disposição, de trabalho mas, principalmente a leviandade, a hipocrisia, o cinismo de pessoas que fingem ter um comprometimento com a educação, com a escola e, já começam não cumprindo o próprio horário. acordos propostos. só sabem exigir, exigir, exigir. sempre venha a nós. nunca estão presentes quando precisamos.

a minha escola está um caos. tamanho que não adianta eu fechar a porta da minha sala e tentar concentrar todas as energias na minha aula. o caos solto bate a todo momento na minha porta, pedindo celular, jogando balas para os colegas, gritando pelos corredores. estourando morteiros nos banheiros. dos cinquenta minutos de aula, consigo trabalhar vinte e cinco, trinta minutos.

o motivo? falta de organização, planejamento. competência, comprometimento.

me orgulho de não ter problemas com alunos. pelo contrário, quando eles surgem é fácil. nada do que o respeito, diálogo e um pouco de senso de justiça não colabore para a resolução amigável de qualquer conflito mas, e quando o problema está do lado. nos colegas professores. e quando o problema está mais em cima. na direção. o que fazer?

a lógica do diálogo não está funcionando.

garanto que se fosse com um aluno, ele já seria expulso da escola.

agora, como expulsar os maus profissionais da educação de ambiente educativos?