domingo, abril 29, 2007

Shows em Suzano: Lenine!

Fotos: Rodrigo Ciríaco
Autorizada a cópia, cite a fonte.
"Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada
Na língua da percussão..."

"Olho na pressão, tá fervendo
olho na panela
dinamite é o feijão cozinhando
dentro do molho dela..."

"Somos
Somente
A fotografia..."

"Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental..."

Lenine - Mestre e Inspiração!

Shows em Suzano: Lenine - Iluminado!

"Meu candeeiro encantado..."

"Se você quer me seguir, não é seguro..."

"A ponte não é para ir nem pra voltar,
A ponte é somente atravessar..."

"Pois em toda via láctea
não existe um só planeta
igual a esse daqui..."

"Era um delírio danado
de queimar as pestanas dos olhos..."

"A vida é tão rara..."

Eu tava lá!

Tânia, Eu e Lenine, ao Fundo

Sacola, Eu e Tânia

Sacola e seu famoso Yakissoba

Sacola, sempre fazendo careta. Pose, só para a capa dos livros - rs

Shows em Suzano: Edvaldo Santana!

Edvaldo: concentração

A Banda

Guitarrista que quebrou tudo. O cara toca muito.

Show de primeira qualidade

Shows em Suzano: Zé de Riba!

Zé de Riba e Banda

Detalhe da Camiseta: "O Bagulho é Louco e o Processo é Lento."

Berimbau "metalizado"



Zé de Riba!

"Esse lugar é uma maravilha..."

- Salve vagabundo!
- Quem é?
- É o Ciríaco.
- Fala Ciríaco, onde cê tá?

Tô em Suzano. Sabadão de puro inverno antecipado na Grande São Paulo, onde os ossos tremem e os dentes trincam. Tudo certo! Tô com a Tânia para me esquentar. E o Sacolinha. Porque só quem cola na cidade de Suzano ao lado desse cabra vê o calor humano que o bicho tem. E é natural, nada de falsidade. E sem privilégios. Porque não é só comigo não. Disse para o cara: - Tú é mais famoso que o prefeito. E sem falsa modéstia. Por onde anda "E aê Sacola, Salve Sacola, Fala Cara," e por aí vai.
O Parque Max Feffer quase não coube em si para receber um super mega show. Zé de Riba, Edvaldo Santana e Lenine! MPB de pura qualidade. O Sacola tava um pouco triste pois esperavam um público maior: 15.000, 20.000 pessoas. Tinha umas 5.000. Ele me falou que quanto tem show do Edson e Hudson, Frank Aguiar, entre outros o barato bomba. Não foi assim com este trio-parada-dura-ternura. Não esquenta Sacola. Infelizmente, nem tudo que toca nas rádios e faz sucesso tem boa qualidade, bom gosto como vocês ao escolherem esses artistas para tocar na 58ª festa de Aniversário de Suzano. Muita gente não foi porque não os conhecia. Mas valeu pela coragem da Prefeitura de Suzano. Valeu pela ousadia. Quem foi, garanto que irá de novo. E levará outras pessoas, pessoas, pessoas. Da próxima vez o público será dobrado. E nem precisará muita divulgação não. Serão as pessoas que conduzirão as outras, para ver...
E o barato foi louco, num processo lento. A preparação da viagem - se vai ver - começou as cinco da tarde. Tava lendo "Grande Sertão: Veredas" e não aguentava mais - não por ser ruim, mas porque quem lê um livro desses não sai ileso - tava angustiado, queria fazer outra coisa. Disse para Tânia: - Vamos no show. Fomos até a casa da sogra para ela se trocar. A sogrona fazendo café, bolinho de chuva. Somado a preguiça e o frio. Brrrrruuuuuuu! Quase fiquei. Mas meu Bebê foi pé no chão, firmou o programa e fomos viajar até Suzano.
Ipiranga até Suzano é uma viagem. Ida e volta, 130 km. Mais pedágio. Dirigir a noite, para mim, é um saco. Não gosto. Tenho medo, minhocas na cabeça. Mas, foi tudo bem.
Chegando lá, barracas ao luar. Parecia junho antecipado. O frio era. Eu comi um pastel de carne, Tânia um tempurá. E logo colou o Sacola.
O cara deixou a gente guardar o carro no estacionamento do evento, levou a gente para os camarins do Zé de Riba e do Edvaldo Santana - me apresentando como militante literário, professor, putz, nessas horas juro que eu ainda consigo parar por alguns segundos e pensar na responsa do trabalho que a gente faz - e depois fomos para o show: Zé de Riba.
O matuto é doido. Feito a sua camiseta. Eu não o conhecia, mas fiquei muito grato pelo show. Som de ótima qualidade, bom conteúdo com temas populares. Pandeiro, percussão, violão e berimbau. E aí vai. Ou foi. E o público que também não o conhecia, também gostou.
Na sequência, Edvaldo Santana. Conhecia o cara de bico - tanto pelo Sacola como pelo Blog do Ademir Assunção - mas não de ouvido. Mas digo: o cara é monstro. Anos de estrada. Militância artística, trabalho sério. E som de qualidade, que é o que valia ali. Levou o público na boa. Apresentou as músicas de seu último disco. Distribuiu alguns cds de graça. Muito bom.
E por fim, a atração principal, Lenine! Lindo. Fantástico. É uma coisa boba mas, é legal quando você vê um Artista no palco. Artista mesmo, de verdade. Aquele cara que tem presença de palco, talento, energia, e não precisa apelar para chamar a sua atenção. Ele em si, na humildade, com as suas palavras, a sua musicalidade já chama toda a atenção. E pronto. Isso é um pouco Lenine.
O show foi belo, muito belo. Poeticamente, musicalmente, visualmente. E não estou mentindo! Show no estilo "acústico". Vários violões, diferentes baixos. E energia. Eu tava embaixo do palco. Menos de 05 metros de distância do Lenine. Show quase particular - e na faixa - é mole. Não consegui tirar uma foto junto com ele mas, ele autografou o meu cd. E mandou-me um abraço. E eu senti. Aquele abraço pra você também Lenine. E obrigado.
Obrigado pelo meu dia feliz - e sem Big Mac, o que é felicidade redobrada!
E valeu Sacola. Você é o cara! Humildade, Alto astral, sem pagar simpatia, sem falsidade. Sou teu fã.

Rodrigo Ciríaco

p.s.: logo mais eu posto as fotos que eu fiz no show.

sábado, abril 28, 2007

Soninha esclarece

Retirado do Blog da Soninha - link ao lado - sobre a "redução" da maioridade penal pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

“Comissão de senadores reduz maioridade penal”, diz o jornal.
Errado.
Não, não estou entrando na discussão sobre a maioridade penal, apenas gostaria de corrigir a manchete, que está ERRADA.
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ou das outras casas legislativas, tem a atribuição de avaliar se um projeto é Constitucional e Legal. Sim, porque é possível fazer um projeto de lei... fora da lei. No caso da Câmara Municipal, seria o caso de propor uma lei municipal que contraria a Lei Orgânica, por exemplo. O certo, nessa comissão, é avaliar apenas isso. Não importa se você concorda ou discorda do teor do projeto; naquela etapa, só se avalia a legalidade e constitucionalidade.
Como funciona na prática? Os projetos chegam para a Comissão e um relator é designado para cada um deles. Ele vai avaliar o projeto e fazer um parecer. Quando o parecer é entregue à Comissão, os outros parlamentares se manifestam em relação a ele – a favor ou contra. (Podem ainda, por vários motivos, se abster). Há uma votação: se o parecer tiver uma maioria de votos favoráveis, ele é aprovado. Existe uma porção de variações possíveis para o processo – alguém pode pedir vistas, fazer um outro parecer (o famoso “voto em separado”) – mas basicamente é isso.
CLARO que a política acaba interferindo. A análise não é puramente técnica, jurídica, legislativa. Se você gosta do conteúdo do projeto – ou, como costumamos dizer, se “no mérito, você não se opõe” – pode ter uma visão mais, digamos, flexível e generosa em relação à sua legalidade. Se você discorda da proposta – ou, nessas coisas típicas da política, se você é da oposição e a proposta é do governo ou vice-versa – pode ter um olhar mais rigoroso. Como no direito é necessário haver sempre uma interpretação, isso é inevitável. (Sabe aquele piada de advogado? “Escreve aí um parecer sobre Jesus Cristo”. “Contra ou a favor?”). Aliás, se não houvesse interpretações diferentes, nem precisaria haver CCJ...
Mas, voltando “ao caso em tela”: a maioria dos senadores da CCJ votou pela constitucionalidade e legalidade da proposta de redução da maioridade penal, com algumas modificações em relação às primeiras versões apresentadas, algumas de anos atrás. Essa aprovação, por enquanto, não muda NADA. Um parecer foi aprovado, só isso. Malissimamente comparando, é como se o mecânico apresentasse o orçamento do carro e você achasse que ele já consertou o motor. São coisas diferentes, etapas diferentes.
Isso lembra um pouco a notícia de semanas atrás sobre a “decisão” do TSE. O TSE, consultado, deu um parecer a respeito da possibilidade de cassar o mandato do parlamentar que muda de partido. “Na nossa opinião, o mandato é do partido e não da pessoa, então ele deve ser cassado, sim”. Isso não é decisão... Porque não é o TSE quem decide pela cassação de mandatos! É o STF... Que pode ou não concordar com o parecer do Tribunal Eleitoral. Putz, as coisas já são complicadas quando a notícia é correta. Quando a própria imprensa embaralha tudo, mesmo com linguagem simples, fica mais difícil de entender do que o texto aí embaixo.


outros texto no blog da Soninha.

Mil Palavras # 8




quinta-feira, abril 26, 2007

Tudo agora, tudo junto, ao mesmo tempo.

Estes dias tem sido de muita felicidade para mim, apesar do meu mau humor, uma dor de cabeça matinal - tipo de ressaca - mas não tem nada a ver com bebida, pois não estou bebendo por estas semanas, devido a um problema na garganta.
Bem, façamos igual ao Jack: vamos por partes - que humor tosco!

23/Abr - Segunda: Na segunda feira, consegui observar alguns girassóis, lírios, rosas e outras flores perfumadas na minha tão esburacada, perfurada e reformada escola. Explico: fiz o primeiro sarau do ano nas 5ªs séries. E foi lindo. O hino de abertura do Sarau não poderia ter sido outro: PERIAFRICANIA, do Gaspar do Z'África Brasil. Hino de abertura não, hino de guerra. E de re-humanização do ser humano, desbrutalização. Por que há uma coisa mais bonita do que uma criança de 11 anos com um livro de poesia nas mãos? Para mim não existe. Os alunos curtiram muito. Só o fato de saber que eles tomaram contato, muitos pela primeira vez, com os livros da Biblioteca e que nesta mesma semana já foram até lá para emprestar alguns títulos, é muito bom...

24/Abr - Terça: Outra magia: Eleições para o Grêmio Estudantil. Duas chapas disputavam a preferência. Evolução Mesquita e Evoluir e Reconstruir. Disputa acirrada, palmo a palmo, ou melhor, grito no grito. É, não deu para controlar muito bem o boca de urna. Mas foi muito legal o processo de votação, principalmente porque o filho da vice-diretora fez um programa no computador que permitiu que os alunos votassem diretamente nele. Isso mesmo, votação eletrônica.
Lindo foi ver a molecadinha do Ensino Fundamental, Ciclo I - 1ª a 4ª série votar. Aqueles pequenos, 07, 08, 09 anos exercendo a experiência de um direito democrático: o voto. Lindo era ver o sorriso deles de alegria após votar e confirmar o voto. É incrível - ou inacreditável - mas o sorriso confirmava que eles sabiam o que estavam fazendo...

25/Abr - Quarta: PARALIZAÇÃO. Quem ligou a TV ou leu jornal viu os mais de 10.000 professores reunidos em frente a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Eu também estava lá. O nosso querido governador, Serra-Serra-Serra-Dor, quer alterar as regras da Previdência Estadual, o que inclui professores titulares e não titulares. Bom, não quero me alongar sobre isso porque não foi o melhor da minha semana. Mas vale aqui o registro. Foi determinado GREVE a partir da próxima sexta, 04 de maio. Eu apoiarei. Veremos os próximos capítulos.

26/Abr - Quinta (Hoje): Estou moído, detonado, cansado. Mas um cansaço compensador. Não deveria trabalhar hoje, oficialmente, já que não tenho aula. Mas, como militante da educação - não apenas professor - havia combinado de fechar o Jornal dos Alunos da Escola hoje. Lá estava eu na minha escola, as 13hs, reunidos com os alunos para fechar a última máteria do jornal. E conseguimos. As 17hs - quatro horas depois - fechamos o texto! E ficou ótimo. É muito bom trabalhar com essa galerinha, na verdade 06 meninas, "super poderosas", comprometidas, interessadas, que desde que eu cheguei na escola me fizeram a proposta do jornal, a qual abracei com carinho, e até agora vem me trazendo gratas e boas surpresas. Depois de 07 semanas de trabalho, a primeira edição do jornal está quase pronta. Falta alguns detalhes finais. E como estou feliz com isso. Feliz por vê-las acreditar num projeto. Feliz por este estar se concretizando. Feliz por acompanhar o desenvolvimento, transformação e evolução - minha - e delas. Estou podrinho, mas feliz...

O que vira amanhã?

Tudo agora, tudo junto, ao mesmo tempo. Será que eu aguento?
Vamos indo...

Rodrigo

quarta-feira, abril 25, 2007

Poema da Dinha

O nome do rei

Quem foi que roubou
a idade

de Felipe,
Edmarcos?

Quem foi que roubou tua idade,
Gustavo?

Quem foi que roubou a idade
de Fernando
- o Maloterson ?

Quem deixou tua mãe órfã?

De tantos meninos guardados,
a idade,
quem roubou?

Será que foi um soldado, desses
honrados
que erguem a espada e acabam com o mal?

Eram maus,
vocês?

Quem te roubaria a idade?

Algum reloginho usado
a mando do rei?

Cadê tua idade,
Hilário?
Cadê tua idade,
Henrique?

Esconde a tua,
Renato,
esconde a tua,
Aristides,

que seja relógio ou soldado,
a mando da honra ou a mando do rei,
no mangue, nos becos, nas celas,
procuram
por vocês.

Quem vai te roubar a idade?

domingo, abril 22, 2007

Que saudade, Snoopy

Estes dias estive pensando muito, muito mesmo nas atividades que desenvolveria com meus alunos que ainda não sabem ler. Sim, 5ªs, 6ªs e 7ªs séries e tenho uma série de alunos que não sabem ler. É uma baita dor de cabeça. Como ensinar o conteúdo de História, reflexão, crítica, para alunos que muitas vezez olham para o papel e vêem, apenas, um embaralhado de letras? Situação difícil. Desconfortável. Fico muito, muito mal com isso. Estou preparando atividades, apesar de não ter experiência nenhuma em alfabetização, seja de crianças ou adultos. Mas, não posso me furtar a isso. Não tem jeito. Não tem saída. Para mim ou para eles...
Uma coisa que eu pensei é usar os quadrinhos. Não cheguei a falar disso aqui mas aprendi a ler e a gostar de ler com os quadrinhos. Cascão, Chico Bento, Magali, Cebolinha, depois X-Men, Homem Aranha, Wolverine. Depois, as tiras: Mafalda - mil vezes -, Snoopy, Calvin, entre tantos outros. Os quadrinhos não apenas tem algo de especial, mas estimulam a melhor leitura entre as crianças e adolescentes. Pelo menos foi assim comigo. Pelo menos é assim que eu vejo, pelo fascínio que vejo que alguns alunos tem quando aparece algum gibi.
Pensando, pensando... Talvez seja por aqui um dos caminhos.
Bem, vou aprendendo no próprio caminho, não é mesmo?
E aqui vai um pouquinho de Snoopy. Meu primeiro amigo:


clique nas imagens para ampliá-las
retirada do livro: "Que saudade, Snoopy!" - Charles M. Schulz

quinta-feira, abril 19, 2007

Poesia no ar...

Foi bonito!
E até agora fico imaginado para onde foram aquelas dezenas de balões, infestados de mensagens, palavras soltas e poemas, livres como crianças para brincar com a noite.
Por quanto tempo voaram? Murcharam? Estouraram? Ainda estão no ar? Seria possível um poema cair no meu quintal? Amanhecer com um pedaço de palavra vinda diretamente do céu?
Tudo é possível...

Enviei o poema que recitei no Sarau, "OUTRO 500", lido em homenagem a memória do Índio Pataxó Galdino Jesus dos Santos, covardemente queimado vivo há dez anos atrás, em um ponto de ônibus em Brasília, no dia 20 de Abril. Já se acabara o dia do Índio...

Para quem não conhece este poema, ele foi publicado na Antologia Poética "SARAU da Cooperifa", edições Dulcinéia Catadora - 2007 / R$ 5,00. Segue ele abaixo:
OUTROS 500
Rodrigo Ciríaco

O que chamam de descobrimento
Eu dou por invasão
O que chamam de conquista
Eu dou por destruição
O que chamam de encontro
Eu dou por extermínio
O que chamam de civilização
Eu dou por latrocínio
O que chamam de religião
Eu dou por uma desculpa
E o que chamam de tragédia
Eu dou por nossas vidas.
outras fotos e infos. do dia de ontem, acesse o blog do Vaz - Link ao lado

Dia do Índio

"Todo dia, era dia de índio..."

"Mas nos deram espelhos, e vimos um mundo doente..."

quarta-feira, abril 18, 2007

MST Informa - Ano VI nº 131


Por que estamos mobilizados em todo o Brasil?

A Reforma Agrária deve ser um programa público promovido pelo Governo com base na aplicação da Constituição Federal para combater a concentração da propriedade – por meio da desapropriação e da indenização aos fazendeiros –, e democratizar o acesso a terra, que é um bem da natureza e que deve estar a serviço de toda população, não apenas de uma minoria.
O programa deve também organizar e promover a sustentabilidade dos assentamentos, uma vez que, o Estado tem a responsabilidade de garantir aos cidadãos e cidadãs, acesso democrático e igualitário ao emprego, à moradia, à educação e à saúde. Todos garantidos pela nossa Constituição.
Nos últimos anos, pouco ou nada foi feito para uma verdadeira Reforma Agrária. Os governos têm dado prioridade ao modelo agrícola do agronegócio, baseado na grande propriedade "modernizada" que usa elevadas quantidades de agrotóxicos, gera poucos empregos e produz somente para exportação, esquecendo a soberania alimentar.
O modelo agroexportador recebe vultosos investimentos em crédito dos bancos públicos, principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, não paga quase nada em impostos, graças à Lei Kandir. Ou seja, recebe muito dinheiro, paga poucos impostos e não tem nenhum compromisso social ou com o desenvolvimento nacional. Esse é um benefício que nenhum trabalhador, agricultor, comerciante ou industrial tem no país. É um benefício dado apenas para as grandes empresas nacionais e estrangeiras.
Aos pobres da terra, restam apenas as medidas de compensação social, como o Programa Bolsa-Família, o assentamento em projetos de colonização na Amazônia – distante dos principais mercados consumidores –, ou em lotes vagos em assentamentos antigos.
Por isso, nesses últimos 12 anos, a concentração da propriedade da terra continuou a crescer e agora com um agravante: o capital estrangeiro das grandes transnacionais também está comprando muita terra! Querem implantar grandes áreas de monocultivo de eucalipto, soja e cana-de-açúcar para obter lucro e atender apenas aos seus interesses. Deixam a depredação do meio-ambiente, o desemprego e a pobreza para os brasileiros.
Por essas razões, mais de 140 mil famílias de trabalhadores rurais brasileiros que são obrigadas a criar seus filhos debaixo de lonas pretas, em acampamentos ao longo das estradas, por causa da omissão dos governos, estão organizadas e lutando. Você pode imaginar ficar apenas esperando, inerte, ouvindo promessas de distribuição da terra, morando em um barraco de lona preta sem poder produzir por dois, três, cinco ou até oito anos?
Por isso, cansados de esperar, estamos nos mobilizando em todo o país. Estamos protestando para acelerar a Reforma Agrária.
O pano de fundo é o período em torno do dia 17 de abril, quando em 1996 a Policia Militar do Pará, sob os governos de Almir Gabriel e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) massacraram um acampamento no município de Eldorado de Carajás, resultando em 19 Sem Terra assassinados na hora, outros dois morreram depois de algumas semanas, 69 mutilados e centenas de feridos.
Passados todos esses anos, ninguém está preso ou punido. Como se sabe, aqui no Brasil, em geral, o Poder Judiciário só funciona para proteger o patrimônio dos ricos e, o direito dos pobres, sempre ficam em segundo plano.
Em homenagem aos mártires de Carajás, a Via Campesina Internacional decretou em todo o mundo o 17 de abril como Dia Internacional de Luta Camponesa. Aqui no Brasil, por iniciativa da então senadora Marina Silva (PT), o Congresso Nacional aprovou e o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou um decreto que declara a data como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.
O que defendemos e esperamos que o governo federal cumpra com a ajuda dos governos estaduais?
1 – Agilização da desapropriação de fazendas improdutivas, como prevê a Constituição, priorizando as regiões próximas a centros consumidores, para facilitar acesso ao mercado e o desenvolvimento da produção de alimentos;
2 – Desapropriação de fazendas de empresas estrangeiras, que vieram aqui implantar seus monocultivos (de eucalipto, soja e cana) predatórios para o meio- ambiente, fazendo uso intensivo de agrotóxico e expulsando os trabalhadores brasileiros do campo;
3 – Realização de um verdadeiro mutirão de todos os órgãos públicos envolvidos na questão agrária para assentar em poucos meses todas as 140 mil famílias que estão há muito tempo esperando acampadas, vivendo debaixo de lonas pretas;
4 – Valorização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); ampliação dos seus recursos e garantia a toda família camponesa assentada ou de pequenos agricultores, acesso ao programa de compra de todos os alimentos produzidos;
5 – Atualização da portaria que mede a produtividade das fazendas, que ainda se baseia em dados de 1975. Mobilização da base parlamentar do governo, que é a maioria no Congresso, pelo projeto já aprovado no Senado Federal, que determina a expropriação das fazendas que ainda têm trabalho escravo – que são muitas e envergonham a todos brasileiros.
6 – Organização de um novo modelo de assentamento, combinando um novo crédito rural, especial para os assentados, com a produção de alimentos e a instalação de agroindústrias cooperativas. Assim, as famílias obteriam maior renda do seu trabalho e seria gerado emprego para juventude que vive no meio rural.
7 – Desenvolvimento de um amplo programa de educação no campo, que comece com uma campanha nacional de erradicação do analfabetismo e sejam ampliados os cursos e vagas de cursos técnicos a serem destinados especificamente para a juventude do campo. Ampliação dos recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), viabilizando a demanda de cursos e convênios com as universidades brasileiras para dar acesso aos jovens camponeses em regime de alternância nos cursos superiores.
8 – Implantação de um programa nacional de reflorestamento nos lotes da Reforma Agrária e nas comunidades camponesas de forma subsidiada para que cada família seja estimulada a plantar pelo menos dois hectares de árvores nativas e frutíferas em cada área. Assim, contribuiríamos para preservação da natureza, evitando o aquecimento do clima, provocado pela monocultura predadora do agronegócio.
9 – Criação de um novo formato institucional para viabilizar a assistência técnica e extensão rural pública nos assentamentos. Para isso é necessário que se tenha um órgão público responsável pela assistência técnica e capacitação dos agricultores.
10 – Vinculação direta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) à Presidência da Republica e formação, junto com a Conab e com o órgão de assistência técnica, de um novo formato institucional para viabilizar e acelerar a Reforma Agrária.
Com essas medidas, poderemos esperar que de fato a Reforma Agrária comece a sair do papel.
Reforma Agrária: por Justiça Social e Soberania Popular !
17 DE ABRIL DE 2007
Direção Nacional do MST

terça-feira, abril 17, 2007

(rodrigo ciríaco)

"É o sangue do morro escorrendo na calçada..."

Antes,


Durante...


e depois.





"(...) A população é o maior exército, e permanece inerte, e pelas frestas relatam os fatos.

A burguesia, o sorriso desfeito pela insegurança, a grana já não garante segurança, a cidade se transformou em um campo de batalha de uma guerra não declarada.

É a formação de uma má educação e uma saúde precária, é o reflexo de uma classe social ignorada, é o sangue do morro escorrendo na calçada, é o vampiro sugando e dando risada."

Antônio, Helber Ladislau de Araújo

fotos retiradas do sítio: http://noticias.uol.com.br/ultnot/album/morromineira_album.jhtm?abrefoto=9 outras infos.: http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2007/04/17/ult1928u4137.jhtm

Lançamento Livro do Tião - Casa das Rosas, 24/03 - 20hs

Casa das Rosas e Projeto Dulcinéia Catadora

Convidam para o lançamento de

clique na imagem para ampliá-la
Cátia, Simone e Outras Marvadas
reúne poemas que versam sobre situações vividas pelo autor, como a vinda para São Paulo, a condição de albergado, a fome , a dura situação da população de rua, seu inconformismo com a injustiça social , suas fantasias e sonhos.

Sebastião Nicomedes
Integrante do Movimento Nacional da População de Rua, assina a coluna Direto da Rua, publicada no jornal O Trecheiro; é autor da peça Diário dum Carroceiro.

Projeto Dulcinéia Catadora
Livros de contos e poesias com capas feitas de papelão comprado de catadores. Capas pintadas à mão por filhos de catadores. Uma idéia simples, na contramão do mercado editorial, mostra que é possível divulgar autores novos com a venda de livros a R$ 5,00. Projeto artístico auto-sustentável que reúne artistas , escritores, catadores

sábado, abril 14, 2007

A porta está fechada

A porta está fechada
E entre quatro paredes
Não há diálogo, não há comunicação.

Falo para mudos ouvidos
Ausculto a surda manifestação.
Coisificamento? Sujeitação?
Qual a letra-palavra certa
para evitar a enforcação? Realizamento?

Os livros já não trazem respostas
Eles são sábios,
sem pressa
presságios
Mas não há conhecimento para explicar
O que não pode ser compreendido.

Debato-me na minha camisa-de-vênus
Buscando inutilmente no fundo da minha força
Pernas para continuar gozando, refletindo.
Camuflo espelhos para não ver a cara da derrota
Desistir. Desistir seria uma opção?

A porta está fechada
E entre quatro paredes
Um homem planta flores num jardim de cimento.

Os pássaros são escassos, mas ainda voam
Cinzentas borboletas morrem, nascem
E são esmagadas na parede
Como os pernilongos, zumbizando danças
Acabam em rubras manchas nas minhas mãos.

Um homem descalço se limpa na praça
Achando que é ponte, achando que é rio,
Se corta e faz sangrar as próprias asas
Enquanto salta para um imenso vazio.

Por que estás parado? Tem medo do pulo?
Vida ou morte é menos de um segundo.
Quando assumirá sua forma?
Força, Fêmea, Fera, Faca,
Fraca, Ferida, Furiosa Fênix?

A porta está trancada
E entre quatro paredes
Já não sei se estou
In,
Out,
Off?

Me perco entre simples palavras
Entre quartos e salas,
caminho ao lado da minha insônia.

Sou o retrato
Do meu próprio destino.


(rodrigo ciríaco)

Rubras cascatas de poemas

E hoje, Sábado, 14 de abril
19hIV Sarau da Ocupação João Cândido

Como chegar no acampamento:

De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.

Ou: Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.

De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.

outras infos.:
www.mtst.info

Filme - Oscar Niemeyer

clique na imagem para ampliá-la

PRESTES a POSTOS - Convite

quinta-feira, abril 12, 2007

Eu queria que a minha escola tivesse Educação!

Para quem não entendeu a raiva ou o desejo de vingança no meu último post, explico contra quem vai toda o meu pote de ira: contra a Escola, contra a Educação; ou melhor dizendo: contra quem faz nós termos um sistema educacional tão podre, tão capenga, que trata os alunos (e algumas vezes os professores) como verdadeiros animais, bestas feras que devem ficar apenas enjauladas. Sem direito à contestação, respeito ou raciocínio.

A Educação no Brasil possui uma das piores avaliações do mundo! Basta consultar as diversas pesquisas espalhadas em sítios especializados ou nos jornais. E apesar do caráter duvidoso destas pesquisas, não se precisa delas para se constatar o que é fato, principalmente na rede pública de ensino - não que a rede privada seja muito diferente mas, o meu interesse na discussão é a rede pública, gratuita.

Tudo isso sendo a Educação um dos temas mais recorrentes na boca de políticos, sociólogos, especialistas, pais, diretores, professores e o caramba a quatro. Quando se fala em soluções para o Brasil - sejam as mirabolantes ou as mais simples -, ela, coitada, é apontada como um dos possíveis caminhos para resolver o problema. Como se pudesse fazer um milagre. Coitada, se pensarmos em nossas escolas, não se aguentam sobre as próprias pernas.

O Estado de São Paulo tem um dos piores índices. E os problemas vão sim, desde a falta de infraestrutura, baixos salários, muitas horas de trabalho mas, na minha singela opinião, o maior problema que vejo dentro das escolas públicas - e falo com toda a autoridade de quem as conhece há 20 anos, seja como aluno ou professor - é o material humano. Como tem gente medíocre, mesquinha, despreparada, para lidar com pessoas dentro da escola! E não é a questão de avaliar a competência profissional de cada um apenas, não, mas o caráter, a postura.

Muitas vezes quando falamos dos problemas da escola, um dos responsáveis pela má-educação, pela "ruimdade" do ensino são os alunos. Reclama-se que são indisciplinados, desinteressados, fala-se sobre os problemas da desestrutura familiar, da fome, da miséria, da visita do Bush, da chegada do Papa, blá, blá, blá. E sobre os professores? E a direção, a coordenação pedagógica? Bom, os professores ganham mal, trabalham muito, são explorados, etc,...

Muitas vezes eu não entendo o motivo de tanto cuidado, tantas "meias palavras" para se falar do papel do professor e de outros profissionais da educação dentro da escola. Sempre em reuniões, conselhos de escolas, ouço falar que quem faz a escola é o aluno. E ponto. E discordo! Pois um aluno sozinho não faz a escola. Por que então para que serviria a direção, a coordenação pedagógica, o professor?

Tomo como parâmetro a minha escola. O que se faz lá é um crime. Não bastasse os problemas na infraestrutura do prédio, que como já falado aqui estava com infiltrações, goteiras, risco de curto-circuito, alagamentos, desmoronamento entre outros, lá parece uma terra sem lei. Praticamente não há direção. Ou melhor, há, no melhor estilo "finge que funciona". Para inglês ver.

Até semanas atrás não tinhamos uma lista dos alunos. Não podíamos preencher corretamente o diário, lançar notas. Até o presente momento (12 de abril) venho trabalhando no período da tarde sem um horário definido: sei os dias em que trabalho, não sei o horário que entro, não sei o horário que saio. Não sei quais turmas trabalharei nos dias, nem os alunos. Total prejuízo para a organização de qualquer atividade escolar. Fora os dias em que já trabalhei com duas salas em uma (mais de 50 alunos em uma sala), em salas com poeira (de cimento e cal) e aluno respirando tudo aquilo, ficando com dor de cabeça, passando mal. Fora o dia em que trabalhei sem água - com um calor insuportável, alunos ameaçando fazer "greve de lição" - rs - ou com excesso de água: goteira na cabeça. Em outros dias me colocaram em dois lugares ao mesmo tempo. No outro em nenhum. E me ameaçaram ficar com falta - apesar de estar na escola! Enfim, acho que já aconteceu de tudo...

E eu me pergunto? Como garantir, nestas condições, a qualidade de ensino?

Porque eu fico muito mal quando vejo as pesquisas dizendo que a educação está uma bosta. Sou professor, me sinto um pouco responsável. E eu fico muito mal quando eu corrijo provas, trabalhos, e vejo que a maioria dos meus alunos ainda não sabem ler. Sabem escrever, são copistas. E eu fico muito mal, mas com uma vontade louca de trabalhar e mudar tudo isso. Mas como, se não tenho condições para trabalhar? Se na minha escola não há organização? Se na minha escola a direção é lei, mão única, não há diálogo, comunicação? Apenas ordens, regras, imposição. Uma grande camisa de força, que engessa, impede o trabalho de alguns professores - que querem trabalhar - mas tem que virar "babás". Garantir o dia letivo. Aluno dentro de sala. Não importa a qualidade do ensino.

Como mudar esse sistema de ensino, que dá a condição, estabilidade para que maus profissionais continuem exercendo o seu ofício, que permitem que "profissionais" (será que são?) façam tudo de errado e tenham o seu emprego garantido? Que permite que os bons acabem pagando pelo mau trabalho dos ruins?

Não sei, estou pensando...

Sei apenas que eu queria que a minha escola tivesse Educação. Apenas isso.

Rodrigo Ciríaco

P.S.: ao menos aqui tenho a liberdade de dizer o que quero. Espero.

Um dia é do caçador, o outro...

"... fechou os olhos, de gastura, porque ele sabia que capiau de testa peluda, com o cabelo quase nos olhos, é uma raça de homem capaz de guardar o passado em casa, em lugar fresco perto do pote, e ir buscar da rua outras raivas pequenas, tudo para ajuntar à massa-mãe do ódio grande, até chegar o dia de tirar vingança."

Guimarães Rosa, do livro Sagarana:
A hora e vez de Augusto Matraga

domingo, abril 08, 2007

Projeto

Literatura (é) Possível






fotos: alunos durante o Sarau na escola/2006


“- Que esperava com a mão pronta? Pois tinha uma experiência, tinha um lápis e um papel, tinha a intenção e o desejo - ninguém nunca teve mais que isto” (Clarice Lispector, A maçã no escuro).

Um lápis e uma folha em branco – nunca ninguém teve mais do que isto.

Acreditando na incrível sensibilidade lispectoriana, resgatada pelas palavras do poeta Affonso Romano de Sant’Anna (no texto publicado aqui no blog, “O lápis e a folha em branco”), gostaria de apresentar o projeto Literatura (é) Possível.

Primo-irmão de trabalhos feitos por Alessandro Buzo, Sacola, Dinha, Sérgio Vaz e outros tantos poetas-amigos pelas periferias afora, o projeto levará poetas e escritores para a escola EE Jornalista Francisco Mesquita, Zona Leste. Ao meu convite, oficinas mensais serão realizadas com os alunos não apenas para os escritores divulgarem os seus trabalhos, mas para demonstrar que aprender a ler, a gostar de Literatura pode ser uma coisa divertida, gostosa, possível. Alunos serão convidados a criar e se apresentar, compartilhar e vivenciar o fazer literário. Afinal, temos o lápis, a experiência e a folha em branco nas mãos. “Nunca ninguém teve mais do que isto”.

As sementes foram lançadas na primavera passada. E neste ano, em pleno inverno, será possível observar o florescimento de novos frutos. Semeadores não faltarão: Marcelino Freire, Sacolinha, Dinha, Alessandro Buzo, Allan da Rosa e Sérgio Vaz já estão confirmados. Vamos derrubar a bastilha e os cadeados das bibliotecas escolares. A Rosa do Povo contará as Primerias Estórias para os Capitães da Areia. Diremos Feliz Ano Velho para alienados e Alienistas. Faremos a nossa Descoberta do Mundo, a la TAZ.

Porque se em nossa escola-caindo-aos-pedaços pública, ainda que esquecidos, trancafiados, oprimidos e humilhados respiramos, a Literatura é Possível!

Mais informações em breve!


Rodrigo Ciríaco